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Faro caminha para ser uma smart city,  amiga dos peões e promotora de uma qualidade de vida onde a tecnologia a favor do ambiente não é esquecida. Por exemplo, estão a ser adquiridos os sensores para recolha de lixo otimizado.

A mobilidade é essencial para a qualidade de vida das cidades. Qual a visão da Divisão de Mobilidade, Ambiente e Energia da Câmara Municipal de Faro?

Nesse âmbito a nossa visão é que Faro se assuma no decurso da corrente década como uma cidade cada vez mais amiga do peão e dos modos de transporte suaves.

Pensamos que essa é melhor filosofia de desenvolvimento do território e da vida societária, privilegiando o valor intrínseco dos espaços físicos com a qualidade de vida, num ambiente integrador e capaz de assegurar a transição climática com garantias para as novas gerações. 

 

Quais são os grandes pilares de intervenção da Divisão de Mobilidade?

Três eixos fundamentais estão presentes na essência do plano de mobilidade e transportes (PMT) que aprovámos em 2018 e que constitui a “magna carta” da nossa actuação.

  1. Apostamos numa política de reforço da quantidade e qualidade do transporte colectivo urbano e interurbano, com mais rotas e melhores condições para que todos considerem o autocarro como uma primeira opção, quer residam no casco urbano, quer residam na praia ou na campina;
  2. Reforço da micro e da mobilidade partilhada e para isso temos dado passos atempados e decididos;
  3. O peão e nele pensamos em cada intervenção de requalificação que fazemos no espaço público, conscientes do muito que há a fazer em matéria de acessibilidades e circulação pedonal.

E, por isso, em consonância com o nosso PMT criámos uma espécie de roteiro para a acessibilidade pedonal, com um conjunto de regras de cumprimento obrigatório em cada intervenção que é realizada no espaço público e na adaptação de todas as passadeiras a atravessamentos de via do concelho.

 

Consideram a definição de estratégias de mobilidade fundamentais para Faro ser uma cidade mais sustentável?

Completamente. Trabalhamos todos os dias do ano para que assim seja e estamos convencidos de que essa estratégia pagará dividendos com antecipação, fruto da coerência das apostas e das boas respostas que a nossa população está a dar.

Não basta fazer o que estamos a fazer: na mobilidade, no ambiente, na gestão da água e parques verdes. Há também uma grande componente de civismo e educação ambiental a trabalhar e esse é um desafio que todas as autarquias vão experimentar nos próximos 5 anos.

As comunidades que derem melhores respostas a esse nível serão aquelas cujos ganhos de competitividade serão mais evidentes. A prazo, a sustentabilidade e a qualidade ambiental serão os factores primordiais na tomada de decisão de investidores ou dos próprios cidadãos quando equacionarem onde querem trabalhar, estudar, ou simplesmente passar férias. As primeiras cidades a darem mostras dessa capacidade serão as que melhor se posicionarão no desafio da competitividade até 2030.

 

faro - smart city

 

Existe uma associação das pessoas entre mobilidade, smart cities e tecnologia. Faz sentido esta associação?

Não só faz sentido como é uma associação obrigatória.

Os verticais que sustentam o nosso conceito de smart city são justamente:

  • Mobilidade sustentável e integradora;
  • Qualidade ambiental;
  • Recurso à tecnologia para que todos esses verticais se articulem, com harmonia e vantagem quer para a vida em comunidade quer para quem gere o território.    

 

Os transportes públicos e partilhados que impacto terão na mobilidade?

O transporte faz parte do dia-a-dia de uma cidade. No nosso caso, constituímos uma autoridade de transporte para gerir esses fluxos e capacitar-nos para ganhar dois desafios:

  1.  Conseguir a adesão de cada vez mais munícipes;
  2.  Fazer com que o impacto dos mesmos na qualidade ambiental seja minimizado, em todas as vertentes.

É um processo complexo e que, muitas vezes, depende da participação dos próprios utilizadores e da sua consciencialização de que essa decisão é racional e potencia a sua qualidade de vida e dos seus circunstantes.

No que respeita à mobilidade suave partilhada, Faro acolhe com sucesso, desde 2018, algumas experiências de sistemas integrados de trotinetas partilhadas (e nisso fomos os primeiros a Sul do Tejo), com as pessoas a aderirem numa lógica de “last mile”.

Entendemos que essa aposta teria que ser ganha à partida e por isso, decidimos acompanhar de perto essas operações e, em articulação com as autoridades de segurança, monitorizamos essa rede com esmero e atenção. Era essa, de resto, uma das premissas da Carta dos Princípios da Mobilidade Partilhada, que subscrevemos em 2018, com o apoio da americana Robin Chase a “mãe” da mobilidade partilhada.

O futuro, que queremos antecipar, é também marcado pela implementação de um sistema de bicicletas partilhadas e temos já em orçamento os montantes necessários ao arranque desse desafio. Pensamos que numa cidade tão jovem e promissora, a aposta vai valer a pena. 

 

Muitos estudos e tendências referem que, com a transição para o teletrabalho, muitas pessoas desmobilizarão dos grandes centros urbanos. Assumindo este pressuposto, que impactos antecipam para a cidade de Faro?

Faro é um concelho servido por uma boa rede de vias de comunicação. Quem vive no centro urbano ou na aldeia mais remota, está quase em igualdade de circunstâncias. Isso acontece também no que respeita à qualidade do urbanismo e do cenário ambiental – com vantagem na periferia.

Estas são realidades que vêm levando cada vez mais pessoas a procurar fora da cidade a sua primeira habitação. Portanto, conhecemos essa tendência há largos anos, mas admitimos que as circunstâncias que atravessamos a possam potenciar. Estamos preparados, pois sentimos que as freguesias têm, também elas, um enorme potencial de desenvolvimento assente nas mesmas premissas a partir das quais montámos a nossa estratégia: o respeito pelo ambiente, a qualidade de vida e o acesso às oportunidades.

 

Outro dos eixos das smart cities tem que ver com gestão de resíduos, como por exemplo, otimização de circuitos de recolha de lixo com recurso a sensores. Está nos vossos planos?

Mais do que em plano, está em implementação. No momento, a FAGAR, empresa municipal que gere os resíduos sólidos urbanos, está com um projecto piloto num conjunto de rotas, que recorre à tecnologia para monitorizar o volume de carga de cada subtainer. 

Isto está a ter excelentes resultados na optimização das rotas, dos recursos afectos e na redução da emissão de CO2. Em face destes resultados, posso adiantar, talvez em primeira mão, que a FAGAR abriu já procedimento concursal para aquisição dos sensores e da tecnologia complementar para equipar toda a rede contentores subterrâneos do concelho, o que esperamos concluir ainda durante o ano corrente.

 

No âmbito das smart cities como imaginam Faro do futuro?

Faro deverá afirmar-se como um concelho inteligente e articulado na gestão dos seus eixos de actuação. Não basta fazer o que estamos a fazer na rega inteligente, com uma poupança efetiva da água, na mobilidade partilhada e na rede de ciclovias, na Ria Formosa e nas suas pradarias marinhas com um efeito de oxigenação, na execução do PMT, com o terminal municipal já em funcionamento e o interface modal regional no Patacão em projecto. É preciso articular todos estes verticais e desenvolver o complexo.

Temos excelentes condições para o fazer: porque esse é um compromisso deste executivo e do Presidente Rogério Bacalhau, porque temos os meios próprios para isso e porque os nossos stakeholder, em particular a Universidade do Algarve, estão perfeitamente alinhados com essa estratégia.

Faro já é uma cidade do conhecimento e da tecnologia. No futuro, aspiramos a que todo esse know-how reverta no incremento da qualidade de vida de todos os farenses  e de quem nos escolhe para viver, trabalhar, estudar ou simplesmente visitar-nos para apreciar as nossas muitas virtudes. 

Sophie Matias - Camara Municipal de Faro

Sophie Matias 

Vereadora das Infraestruturas e Urbanismo da Câmara Municipal de Faro

Licenciada em Arquitetura pela Escola Superior Artística do Porto (ESAP) desde 1998, tendo posteriormente frequentado o Mestrado Integrado em Arquitetura na Universidade Lusíada do Porto.

De 1998 a 2001 trabalhou em vários ateliers de Arquitetura no Porto e no Algarve. De 2001 a 2015 desempenhou funções de Técnica Superior no Município de Faro nas área do Urbanismo, Gestão Urbanística, Projetos Municipais e ainda Ordenamento do Território, tendo sido Co- Autora do projeto de Arquitetura do Teatro Municipal das Figuras, com o Arq. Gonçalo Byrne, tendo sido finalizada a obra em 2005. Sai da Câmara Municipal de Faro em 2015  e cria a Empresa Black is Black, Lda de Arquitetura de Interiores com a sócia e irmã, a Designer de Interiores  Stephanie Matias (https://www.blackisblack.co/).

Neste momento desempenha funções de Vereadora das Infraestruturas e Urbanismo no Município de Faro, e acumula a presidência da Empresa Municipal Ambifaro- Gestão de Equipamentos Municipais, E.M., desde junho de 2019, empresa que gere o Mercado Municipal, promove a Feira de Santa Iria e ainda as zonas de estacionamento tarifado da cidade de Faro.

É ainda vogal no Conselho de Administração do Teatro das Figuras, desde 2017 e foi vogal da Ambifaro de 2017 a 2019.

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