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Os resultados de um inquérito do CEMS – a Aliança global de 34 Universidades e Escolas de Gestão, entre as melhores do mundo,  da qual a Nova SBE é membro – revela que os profissionais de todo o mundo consideram a crise ambiental o desafio mais avassalador que os líderes empresariais enfrentam no século XXI.

O inquérito realizado a 4.206 profissionais, de 75 países, revela que, em 3 anos, os desafios ambientais superaram significativamente o rápido avanço tecnológico como a maior ameaça global aos negócios.

Em 2018, 23% dos profissionais classificaram a preocupação com o meio ambiente como um dos principais desafios enfrentados pelos líderes empresariais no século XXI, atrás da tecnologia (28%).

No entanto, oinquérito realizado em setembro de 2021 mostra que 43% dos profissionais acreditam atualmente que o ambiente estará entre os maiores desafios, com a tecnologia a figurar em segundo lugar (27%). Ambos ainda são considerados desafios muito maiores para os negócios globais do que mudanças de poder político e económico mundial (14%), a instabilidade política (6%) e até mesmo as pandemias globais (3%).

 

Os resultados do inquérito em Portugal

Do universo dos mais de 4 mil inquiridos, 291 são portugueses ou identificam-se como tendo a Nova SBE como escola de origem.

À questão “Qual é o maior desafio que considera que enfrentará como líder empresarial no século XXI?” os portugueses foram ainda mais vinculativos quanto à relevância dos desafios ambientais, com 48% a nomear este como o desafio prioritário. 29% dos inquiridos portugueses neste estudo identificaram os avanços tecnológicos, 9% as mudanças de poder político e económico mundial e 8% a instabilidade política. Desafios como pandemias, movimento populacional em grande escala ou extremismo não tiveram praticamente expressão no inquérito respondido pelos empresários portugueses.

 

Combater as alterações climáticas através da educação empresarial global

Docentes das Universidades e Escolas de Gestão da Aliança CEMS criaram em meados dos anos 90 o grupo de trabalho ‘Business & Environment’, com o objetivo de desenvolver investigação e ensinar as implicações dos desafios ambientais para o mundo dos negócios.

Os membros trabalham numa ampla variedade de áreas (incluindo gestão e economia, química, biologia, matemática), o que lhes permite desenvolver e implementar inovações na forma como as questões ambientais são ensinadas nas escolas de gestão.

Desse grupo de professores surgiram iniciativas inovadoras, como a simulação do Modelo UNFCCC, um programa de um semestre sobre política climática que ocorre nas escolas CEMS em toda a Europa. Atualmente no seu 13º ano, estudantes do programa CEMS de 30 nacionalidades reuniram-se online em maio para a simulação de 2021. Durante o evento, os alunos participam em  negociações ‘reais’ e trabalham em torno de estratégias ambiciosas para  manter o aquecimento global abaixo de 2º C.

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Maria Rebelo, Diretora de Sustentabilidade dos CTT, mostra-nos como a empresa tem uma atitude contínua de envolvimento, transparência e compromisso com o ambiente e com as pessoas.

A CTT assume um compromisso cada vez maior com a sustentabilidade e responsabilidade social. De que forma contribuem para isso?

A adoção de um compromisso cada vez maior com a sustentabilidade é uma prioridade dos CTT, em resposta à crescente expetativa das diferentes partes interessadas quanto ao desempenho da empresa nas dimensões ambiental, social e de governação (ESG).

Nos CTT, iniciámos o nosso percurso de gestão carbónica há mais de uma década e olhamos com expetativa para o futuro, sabendo que a transição energética é hoje um tema incontornável para o setor dos transportes e logística. O compromisso dos CTT com o combate às alterações climáticas é visível em toda a organização e tem um impacto contínuo nas operações diárias e no nosso modelo de negócio.

Além da ação climática, o programa de sustentabilidade dos CTT está também alinhado com os objetivos de desenvolvimento sustentável prioritários para o setor e para a cadeia de valor dos CTT, abrangendo oito áreas globais de intervenção, como a saúde e o bem-estar, a aprendizagem e desenvolvimento do capital humano e o apoio ao desenvolvimento sustentável das cidades e do território, entre outras. Pretendemos contribuir para a resposta aos desafios da sociedade e para o bem comum.

 

As questões ambientais, nomeadamente de eletricidade, água e resíduos, são um desafio para gerir e. Que estratégias internas a CTT têm implementado e que resultados têm obtido?

É importante definirmos prioridades alinhadas com as expetativas das nossas partes interessadas e para cada uma das áreas prioritárias definirmos objetivos e ações concretas. Neste sentido, temos vindo a percorrer o nosso percurso de gestão carbónica e, como resultado, superámos largamente a meta de redução carbónica a que nos propusemos para 2020 e avançámos com novas metas de redução, aprovadas pela Science Based Target Initiative, para 2025.

Que tipo de cuidados têm definidos para os vossos colaboradores e que importância têm estas ações num Plano de Sustentabilidade?

A sensibilização e o envolvimento dos colaboradores CTT para a adoção de comportamentos mais sustentáveis é fundamental. Somos mais de 12 mil pessoas CTT, temos mais de 7500 pontos de contacto com clientes e percorremos anualmente cerca 65 milhões de quilómetros, aos quais acrescem outros tantos percorridos por subcontratados. É importante olharmos primeiro para dentro, criarmos o nosso caso de estudo.

Assim, a comunicação interna dos temas da sustentabilidade toma especial relevância e é feita regularmente, em vários canais com conteúdos adaptados para os diferentes públicos internos.

Temos também como foco a formação interna dos colaboradores e a dinamização de iniciativas que estimulem a cidadania participativa. Como exemplo, convidamos anualmente os colaboradores CTT a participar nas plantações da campanha “Uma Árvore pela Floresta”, dos CTT e da Quercus, que tem um carácter de sensibilização para a proteção da floresta e visa reflorestar o território nacional. É com satisfação que verificamos que esta e outras ações do tipo têm sido bem recebidas pelo público interno.

 

As emissões de poluentes atmosféricos da CTT devem-se sobretudo ao transporte próprio e subcontratado que fazem, que são responsáveis pela quase totalidade da vossa pegada carbónica. Que estratégia adotaram para contornar essa situação?

O nosso programa de sustentabilidade dos CTT está alinhado com a ambição global de limitar o aquecimento global bem abaixo dos 2ºC até 2030. Definimos metas de redução carbónica ambiciosas, que incluem o impacto da nossa atividade direta e indireta. Identificámos as principais alavancas de atuação para conseguirmos atingir as metas assumidas, tendo já atingido uma redução expressiva na pegada carbónica global de 27% face a 2013.

Além de adquirimos 100% da eletricidade proveniente de fontes renováveis, fazemos uma procura ativa por soluções energeticamente mais eficientes e menos poluentes, estando atualmente a apostar na aceleração da eletrificação da nossa frota própria. Além da vertente tecnológica, também a formação das 12 mil pessoas CTT é fundamental para a adoção de comportamentos mais responsáveis. Esforçamo-nos todos os dias por melhorar a eficiência energética e o desempenho carbónico dos CTT.

No âmbito da atividade subcontratada, o caminho é indireto e, consequentemente, mais demorado, mas não menos relevante.  Definimos uma Política de Compras Responsáveis, promovemos a adoção dos requisitos nela preconizados através do processo de qualificação de fornecedores e introduzimos critérios ambientais de adjudicação em processos de compra críticos. Acreditamos que podemos influenciar positivamente aqueles que colaboram connosco e estamos confiantes que à medida que o foco na sustentabilidade ao longo da cadeia de valor aumenta, maiores serão as oportunidades para reduzirmos as emissões carbónicas globais.

As embalagens ecológicas e as tintas amigas do ambiente são algumas das vantagens do Correio Verde. Conseguem estimar o impacto que tem para o ambiente optar pelo Correio Verde?

Os materiais utilizados na produção do Correio Verde e o design dos respetivos produtos foram adaptados, em 2010, de forma a minimizar o seu impacte ambiental.  Desde então, além da característica de conveniência (não necessitar de pesar, nem de selar), o Correio Verde apresenta-se no mercado com uma identidade ecológica.

Os envelopes e as caixas de Correio Verde são produzidos com papel 100% reciclado, em substituição do papel, dito, “comum”, o que resulta num impacto bastante positivo quanto ao uso de matérias-primas virgens. Estima-se uma poupança média anual superior a 600 toneladas de papel comum na produção destes produtos. A cor natural destes materiais é preservada para os vários produtos, reduzindo ao mínimo a quantidade de tinta utilizada na cobertura. É ainda relevante referir que as emissões carbónicas resultantes da atividade direta dos CTT, associadas à logística e distribuição dos objetos de Correio Verde, são compensadas anualmente com recurso a projetos com benefícios ambientais e sociais.

 

Ainda relativamente ao Correio Verde, como tem sido a adesão por parte das pessoas ao optar por esta escolha mais ecologia?

Ao contrário dos outros produtos de correio, a gama Correio Verde tem verificado um desempenho consistentemente positivo ao longo dos anos, sendo os dois fatores que os consumidores mais valorizam a flexibilidade na utilização e a proteção ambiental.

Costumo dizer que o Correio Verde é o produto ecológico “pai”, na medida em que foi o primeiro produto CTT pensado com características que minimizam o impacto ambiental da sua produção e distribuição, mas, desde então, temos vindo a desenvolver e a alargar estas preocupações ambientais a outras ofertas de produtos e serviços CTT.

Recentemente, inovámos no embalamento das encomendas online. Em julho de 2021, lançámos um projeto piloto de embalagens reutilizáveis, no distrito de Lisboa, em colaboração com dois e-sellers portugueses. Estas embalagens têm uma capacidade de resistência prevista até 50 envios. Cabe, agora, a cada um de nós que receber uma Embalagem CTT ECO Reutilizável devolvê-la aos CTT, para que esta cumpra o seu propósito e reinicie um novo ciclo de envio. Ao permitir um sistema de reutilização, acreditamos que esta embalagem constitui um passo importante no apoio à transição para uma economia circular, com particular impacto num mercado em expansão como o do e-commerce.

Os e-buyers, em Portugal, têm vindo a afirmar a sua preferência por embalagens recicláveis e um estudo recente do IPC – International Post Corporation indica que o futuro das encomendas online passará pela utilização de embalagens reutilizáveis. Assim, antecipámos as necessidades dos nossos clientes e parceiros ao queremos fazer parte da solução.

Através do Programa Mobilidade Sustentável começaram a medir a vossa pegada ecológica. Sendo que em 2018, os veículos elétricos da CTT correspondiam a 9% do total da frota, qual o impacto desta mudança?

Os CTT são uma empresa pioneira na incorporação de veículos elétricos na sua frota automóvel, em Portugal. Temos vindo a expandir gradualmente a nossa frota alternativa, composta maioritariamente por veículos elétricos, o que resulta num impacto positivo na eficiência carbónica dos CTT ao consumirmos 100% de eletricidade proveniente de fontes renováveis.

Com resultado deste percurso, em meados de 2020, lançámos o serviço de Entregas Verdes, disponível para clientes empresariais, que permite que as entregas nas áreas contratadas sejam realizadas exclusivamente com veículos elétricos CTT. Este é um serviço que tem despertado a atenção da nossa carteira de clientes.  Iniciámos o serviço numa área restrita na cidade de Lisboa. Entretanto, já expandimos para outras zonas da capital e também para a cidade do Porto, sendo que a nossa expetativa é poder vir a oferecer este serviço a nível nacional, no futuro.

Acompanhamos a evolução do mercado de veículos elétricos com entusiasmo e pretendemos acelerar a eletrificação da nossa frota de distribuição no curto prazo. Já em 2022 iremos efetuar um reforço de mais 73 veículos elétricos de distribuição, que nos permitirá atingir cerca de 1,5 milhões de quilómetros elétricos percorridos e mais de 300 toneladas de CO2 evitadas.

Além dos impactes positivos ao nível do ruído e da qualidade do ar, a opção pela eletrificação da frota traz também outras vantagens, nomeadamente um maior conforto na condução por parte dos carteiros e expedidores que todos os dias percorrem as ruas das cidades portuguesas com os veículos elétricos CTT.

 

Procuram ir além do que vos é pedido. Quais os próximos passos para a CTT atingir uma economia net zero?

Almejamos alcançar uma distribuição na última milha livre de emissões carbónicas, que resulte num impacto positivo nas cidades portuguesas e na qualidade de vida das populações. Para tal, continuaremos a apostar na aceleração da eletrificação da frota própria e no consumo de energia proveniente de fontes renováveis. A colaborar com parceiros na procura e implementação soluções dinâmicas, inovadoras, que otimizem a utilização dos recursos disponíveis e promovam uma logística urbana mais sustentável. A promover comportamentos responsáveis junto dos nossos colaboradores e fornecedores, que minimizem a poluição do ambiente.

Orgulhamo-nos em ser uma empresa com 500 anos de história, que já passou por vários processos de adaptação e que inovou mantendo o foco na proximidade à população. Continuaremos a percorrer o nosso caminho, com uma estratégia de sustentabilidade no centro das prioridades da empresa, que crie valor para os colaboradores CTT e para os stakeholders externos. Queremos ser mais rápidos, melhores e mais verdes.

Maria Rebelo

Licenciada em Engenharia do Ambiente pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL e pós-graduada em Gestão da Sustentabilidade pelo ISEG e em Gestão Empresarial pelo INDEG-ISCTE. Com 15 anos de experiência na área do reporte de sustentabilidade e da gestão de projetos ambientais e de proficiência carbónica, desenvolveu a sua atividade maioritariamente nos CTT. Atualmente, é Diretora de Sustentabilidade dos CTT, tendo como principal missão delinear e impulsionar a implementação do respetivo programa de sustentabilidade.

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Manuel Mota e Beatriz Maio falaram com a Green Purpose sobre as alterações climáticas que têm ocorrido, o impacto que têm no mundo e como a EY tem apoiado as empresas para reverter essa situação.

Como surge a necessidade da EY criar Assessoria em Alterações Climáticas e Sustentabilidade?  

Manuel Mota (MCM): No mercado há vários anos, e reconhecida entre os pares pelo seu domínio em  matéria financeira, a EY tem naturalmente desenvolvido um conjunto de serviços que vão para além  destas fronteiras, e que vertem uma leitura atenta e dedicada das necessidades de mercado e das  tendências. 

Da urgência de ação em temáticas como Alterações Climáticas e Sustentabilidade, surgiu a linha de  serviço CCaSS – Climate Change and Sustainability Services, que reflete em simultâneo o compromisso institucional da EY nesta área, mas também, e sobretudo, a forma de contribuímos, enquanto agentes  de ação, para uma melhor comunicação de informação não financeira, para um mundo mais sustentável e uma sociedade descarbonizada. A linha de serviço existe em Portugal desde 2014 e conta com uma equipa experiente e multidisciplinar, que ligada a uma rede alargada (+1400 colaboradores) a nível  global, permite aprovisionar em qualquer momento a melhor solução para o nosso cliente.  

O propósito da EY “Building a better working world” guia-nos em tudo aquilo que fazemos. O trabalho  que desenvolvemos com os nossos clientes não é exceção, procurando contribuir para um tecido empresarial mais responsável e preparado para enfrentar os desafios que se colocam às organizações  nas áreas da sustentabilidade e alterações climáticas. 

 

As empresas desempenham um papel fraturante ao nível das alterações climáticas, como  pretendem ajudá-las a adotar boas (ou melhores) práticas de negócio nesse sentido?  

MCM: O combate às alterações climáticas há muito que deixou de ser exclusivo das agendas  governativas. As organizações têm um papel ativo e indiscutível neste desafio, e é cada vez mais notória  a sua preocupação: na compreensão do impacte das suas atividades no clima, bem como, na forma como  devem ajustar a sua atividade perante a transição climática.  

Além disso, investidores, parceiros e clientes procuram hoje de forma mais assertiva compreender a  abordagem das empresas face ao tema das alterações climáticas, designadamente quanto às ações  previstas e implementadas, que possam contribuir para o objetivo global de redução de emissões. 

Consideramos que, para que as empresas compreendam o que precisam efetivamente de fazer, é fundamental a realização de um diagnóstico. Muitas vezes as empresas chegam até nós com a ideia de  desenvolver determinado projeto, mas sem um entendimento sólido do seu ponto de partida e das reais  necessidades nestas temáticas. Ao realizar um diagnóstico, esse projeto que, por vezes, até despoletou  o primeiro contacto demonstra que há um caminho mais prioritário a fazer. E é na compreensão e desenho desse caminho que a EY apoia diferentes entidades.

Numa época em que a preocupação ambiental é cada vez maior, sente que as empresas  procuram cada vez mais este tipo de serviços?  

MCM: Não é só a preocupação ambiental, mas a sustentabilidade como um todo. Nos seus vários pilares, e que são fundamentais para garantir o desenvolvimento de negócios sustentáveis, devidamente  alinhados com as expectativas dos seus stakeholders (internos e externos). 

As empresas procuram cada vez mais apoio na compreensão e definição da melhor estratégia, que lhes permita dar resposta e antecipar riscos e oportunidades que a temática possa trazer aos seus  negócios.  A legislação que as empresas têm de seguir ao nível da sustentabilidade é cada vez maior.

 

Qual  a maior dificuldade em conduzir uma empresa a diminuir a sua contribuição para as alterações  climáticas?  

MCM: É verdade que as orientações legais estão cada vez mais exigentes. Este ano, a Comissão Europeia publicou uma proposta de Diretiva sobre o Reporte de Sustentabilidade Corporativa ou Corporate  Sustainability Reporting Directive (CSDR), que exige que todas as empresas partilhem informação não  financeira de forma mais direcionada, fiável e facilmente acessível, de modo a suportar a tomada de  decisões sustentáveis. 

Para Portugal, esta nova diretiva aumentará de forma substancial, o número de empresas abrangidas,  já a partir de 2023 e introduz a obrigatoriedade de proceder à verificação independente dos relatórios de sustentabilidade. O que, aliás já se verifica em alguns países europeus. 

A resposta a esta nova diretiva será uma oportunidade para aumentar a transparência do tecido empresarial nacional, dotando também decisores políticos e o setor financeiro de informação clara e comparável sobre o desempenho das empresas nos vários pilares da sustentabilidade, que se têm  tornado alvo de uma maior análise e existem já muitos mecanismos de financiamento associados a  critérios ESG (Environmental, Social & Governance). 

À medida, que as organizações vão ter de ir dando resposta a necessidades crescentes de divulgação de  questões ambientais, sociais e de governança incluindo-se riscos climáticos e o seu impacto, é expectável um maior escrutínio por parte dos diversos stakeholders com relação à sua robustez e plenitude,  incluindo a preocupação crescente com o chamado “greenwashing”. 

Mas as “regras” não se prendem apenas com legislação. Os próprios mercados, investidores e  consumidores estão cada vez mais alertas para estas questões e para o impacto que as suas escolhas – investimentos e escolhas de consumo – têm no planeta. 

As empresas têm de encontrar o melhor equilíbrio e a EY Portugal pode apoiar neste processo. É  fundamental que se olhe também para as oportunidades que estas alterações impõem. Abordar a sustentabilidade na estratégia de desenvolvimento de negócio das empresas traz várias vantagens,  desde o desenvolvimento de novos produtos, melhoria do posicionamento em relação à concorrência e também a manutenção da reputação.

Quais são as grandes alterações climáticas e que impactos terão num futuro próximo?  

Beatriz Maio (BM): Existem evidências de que as emissões de gases com efeito de estufa são responsáveis  pelo aumento da temperatura, resultando em alterações climáticas de origem antropogénica. Segundo o último relatório do IPCC, os últimos cinco anos foram os mais quentes desde que há registo. Este  aquecimento global tem consequências diretas ao nível do degelo e aumento do nível dos oceanos, na desertificação, na alteração do regime das chuvas e inundações, e, cada vez mais, na perda de biodiversidade. 

Os eventos climáticos extremos, que são resultado das alterações climáticas, afetam em especial o setor  primário, e podem conduzir a uma escassez e incerteza nas cadeias de abastecimento do retalho, por  exemplo. Se pensarmos no caso da energia, o abastecimento pode chegar a ser interrompido na  sequência destes eventos. Estes são apenas alguns exemplos de setores que deverão agir mais  rapidamente. 

A EY tem acompanhado diversos clientes e temos observado uma compreensão crescente da  importância de as empresas serem agentes ativos no combate às alterações climáticas. É fundamental  reduzir as emissões de forma acentuada, mas também preparar estratégias de reposta e adaptação. Ao  analisarmos informação publicamente disponível, por exemplo submetida ao CDP – Disclosure, Insight,  Action, percebemos esta ação já não é vista pelas empresas apenas como um tema de comunicação ou reputação, temos assistido a uma mudança neste aspeto e atualmente uma larga maioria das empresas a nível global classificam esta ação como urgente e estão já a definir estratégias de atuação.

 

Como podem as empresas mitigar os riscos inerentes a esta problemática?  

BM: Em primeiro lugar, conhecendo e caracterizando esses riscos. Há poucas empresas que têm conhecimento sobre riscos climáticos e como podem estes, efetivamente, impactar o seu negócio.  

Atualmente, verifica-se a necessidade de uma maior transparência na divulgação de informação sobre  os riscos decorrentes das alterações climáticas. Embora tenha havido uma evolução positiva, há ainda melhorias que as organizações podem fazer a este nível. Aliás, de acordo com a última edição do Global  Climate Risk Disclosure Barometer da EY – que contou com a participação de mais de 1100 empresas e com informação pública coligida pela EY relativamente a 40 empresas portuguesas, apenas 41% das  empresas avaliadas presta informação climática com base numa efetiva análise de cenários climáticos. 

Mais do que nunca, é fundamental analisar os riscos climáticos de uma forma integrada. E, também,  suportar esta análise com ferramentas de cálculo e cenarização que permitam informar a gestão e  posicionar as operações diretas e a cadeia de valor no longo prazo. Só conhecendo esses riscos é que  será possível definir e adotar estratégias de mitigação.  Na EY temos vindo a apoiar empresas neste conhecimento e análise dos riscos. Não só riscos climáticos,  mas também outros riscos ESG e na definição de estratégias de resposta aos riscos.

Para além da Assessoria em Alterações Climáticas e Sustentabilidade, estão presentes ou  contribuem para mais algumas iniciativas nesse sentido?  

MCM: A globalidade da própria EY e a forma como as equipas internacionais, que abordam as questões  de Alterações Climáticas e Sustentabilidade, interagem e trabalham em conjunto são garantia de partilha de conhecimento e de aprendizagens que resultam dos diferentes projetos que fazemos. Na EY,  apostamos no desenvolvimento contínuo de conhecimento. E como, naturalmente, o estágio de maturidade destas questões e a forma como as próprias empresas abordam é diferente de país para país, garantimos sempre que há o envolvimento dos melhores especialistas da nossa rede nos projetos. 

Outra iniciativa que gostava de destacar é o EY Ripples, que é o nosso programa que tem o maior destaque nas ações de sustentabilidade da EY Global e da EY Portugal, em particular. Este programa  abrange vários tipos de iniciativas, como por exemplo módulos de sustentabilidade, literacia financeira e empreendedorismo lecionados em escolas nacionais; apoio a gerações futuras, em particular o apoio  na entrada no mercado de trabalho, para estudantes universitários, e também mães solteiras/vítimas de  violência doméstica; ou ainda o apoio a empreendedores na expansão do seu negócio. Globalmente, a  EY espera até 2030 impactar 1 bilião de vidas. 

BM: Recentemente estivemos presentes na COP26, a cimeira das Alterações Climáticas das Nações Unidas, que teve lugar no mês passado em Glasgow, o que nos permitiu acompanhar as negociações e  os temas-chave para atuação futura por parte de países e empresas. 

Ao nível de iniciativas nacionais, a EY Portugal faz parte do BCSD Portugal, o Conselho Empresarial para  o Desenvolvimento Sustentável, permitindo-nos participar em grupos de trabalho e ganhar um maior  entendimento das preocupações e desafios das empresas.  

Além disso, acompanhamos de perto o desenvolvimento das iniciativas internacionais, por exemplo ao  nível de Science-based Targets, uma iniciativa global que tem como objetivo promover junto das  diferentes entidades a definição de metas de redução de emissões alinhadas com a ciência. 

 

Quais os próximos passos para a EY na ótica da sustentabilidade?  

MCM: A EY tem demonstrado uma forte capacidade de acompanhamento do mercado e atualização face  aos temas que afetam as organizações dos vários setores. E esse é o nosso modus operandi. Crescemos  com cada um dos nossos clientes e fortalecemos relações de confiança. 

Queremos continuar a apoiar de forma sólida os nossos clientes (atuais e futuros), conferindo-lhes as  ferramentas necessárias para a melhor resposta ao mercado, garantindo um desenvolvimento  sustentável dos seus negócios e promovendo impacte positivo para os seus stakeholders, a sociedade e  o ambiente. 

Para saberem mais sobre a atividade do CCaSS, visitem o nosso site https://www.ey.com/pt_pt/climate-change-sustainability-services ou entrem em contacto através do  email sustentabilidade@pt.ey.com

Manuel Mota

É o líder da área de Climate Change & Sustainability Services da EY Portugal, Angola e Moçambique. É também Revisor Oficial de Contas. 

Possui uma licenciatura em Gestão de Empresas pela Universidade Lusíada de Lisboa, frequentou o  Programa de Desenvolvimento em Liderança pela Universidade Católica Portuguesa, o programa EY Harvard Leadership e mais recentemente o Programa EY Transformative Leadership series.

Beatriz Maio

É Senior Consultant na EY Portugal, equipa de Climate Change and Sustainability  Services. Tem desenvolvido a sua atividade profissional em consultoria, com foco em alterações  climáticas, onde participa e acompanha projetos de política climática (nacional e internacional),  projetos para a descarbonização e apoio à participação de empresas em iniciativas internacionais  ligadas ao clima. 

É licenciada em Geologia, com especialização em Recursos Naturais, pela FCUL, pós-graduada em  Engenharia e Gestão de Energias Renováveis, pelo ISEL e possui formação Executiva em Gestão de  Programas e Projetos, pelo ISCTE Executive Education.

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A Tetra Pak viu o seu trabalho na área de sustentabilidade  corporativa ser reconhecido pela organização ambiental sem fins lucrativos, Carbon  Disclosure Project (CDP), através da atribuição de um lugar na prestigiada “Lista A” da  organização, pelo terceiro ano consecutivo. Esta distinção ocorre no âmbito do trabalho que  tem vindo a ser desenvolvido pela Tetra Pak no combate às alterações climáticas, bem como  na sua atuação na proteção das florestas – dois dos três temas ambientais abrangidos pelo  CDP. Com esta distinção, a Tetra Pak consolida a sua posição como a única empresa no  setor das embalagens de cartão a ser incluída na lista de liderança do CDP durante seis anos  consecutivos.  

O CDP utiliza uma metodologia detalhada e independente para avaliar estas empresas,  atribuindo uma pontuação de “A” a “D” – com base na abrangência da divulgação,  sensibilização e gestão dos riscos ambientais e a demonstração das melhores práticas associadas à liderança ambiental, tais como o estabelecimento de metas ambiciosas e  significativas.

A pontuação do CDP para as florestas é conduzida através da lente dos quatro produtos que causam a maior parte da desflorestação: produtos de madeira, produtos de gado, soja e óleo  de palma. As empresas precisam de obter um “A” em pelo menos um destes produtos de  risco florestal para ganharem um lugar na Lista A das Florestas. 

Lars Holmquist, Vice-Presidente Executivo – Sustentabilidade & Comunicação na Tetra  Pak, afirmou: “Acreditamos que a descarbonização do setor alimentar é vital na corrida para  a neutralidade de carbono, e um fator chave para este ambicioso objetivo é ser transparente  nas nossas próprias ações. Estamos orgulhosos por sermos incluídos na lista de liderança  do CDP pela sexta vez, sendo que esta distinção legitima que estamos a dar os passos certos  no combate às alterações climáticas e na minimização dos riscos de desflorestação“.

A empresa superou o seu objetivo climático para 2020, reduzindo as emissões de GEE da sua cadeia de valor em 19%, em comparação com a linha de base de  2010, demonstrando que é possível dissociar o impacto climático do crescimento económico.  Como parte desta diminuição global, a Tetra Pak reduziu a sua pegada operacional [Âmbito  1 e 2] em 70% desde 2010. Além disso, no início deste ano, a Tetra Pak foi identificada pelo  CDP como uma das quatro únicas empresas “pioneira” a tomar medidas de “melhores  práticas” para combater a desflorestação. 

A lista completa das empresas presentes na Lista A do CDP deste ano está disponível aqui, juntamente com outras pontuações de empresas disponíveis ao público: https://www.cdp.net/en/companies/companies-scores

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