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Cláudia Mendes Silva

O Dia Internacional da Mulher celebra as conquistas das mulheres provenientes dos mais diversos contextos étnicos, culturais, socioeconómicos e políticos. É um dia em que todos devemos refletir acerca do progresso a nível de direitos humanos, e honrar a coragem e determinação das mulheres que ajudaram e continuam a ajudar a redefinir a história, local e globalmente.

Apesar de todos os avanços relativos aos direitos das mulheres, nenhum país atingiu a igualdade plena entre homens e mulheres.

O Green Purpose pretende assinalar esta data e desafiou algumas mulheres com cargos de liderança a responder a 5 perguntas sobre a desigualdade de género no meio laboral. São testemunhos que revelam a realidade que ainda se vive e refletem que, no que diz respeito a Portugal, na prática, ainda estamos longe de alcançar a igualdade.

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Cláudia Mendes Silva,
Women in Tech Ambassador – Portugal Chapter | Mentor | Speaker | Agile enthusiast | Project Manager Siemens

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Já sentiu algum tipo diferença no tratamento dos outros para consigo no ambiente de trabalho por ser mulheres?

O ranking do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE), criado para reforçar e promover a igualdade de género na União Europeia, coloca Portugal na décima sexta posição entre os estados-membros, uma subida de quatro lugares na classificação desde 2010. Um dos temas sempre atual e nestes relatórios, é a diferença salarial entre géneros presente nos cargos operacionais e mais acentuada em cargos de liderança. Subsistem portanto, alguns enviesamentos de género uns mais inconscientes que outros, que permitem que estas disparidades aconteçam. E em 2016 apercebi-me que auferia menos 30% que um colega com os mesmos anos de experiência e com responsabilidades equiparadas. Estas disparidades surgem aquando do momento da contratação que, em empresas menos conscientes com as políticas sociais e de igualdade, não promovam uma política de remuneração equitativa.

 

Acha que é mais fácil liderar uma equipa sendo homem ou mulher?

A liderança não se pauta pelo género, o que está comprovado é que são criadas menos oportunidades de liderança para as mulheres, sobretudo em áreas tradicionalmente masculinas, como as áreas mais técnicas ou na política. E é este estereótipo que pretendemos desconstruir: não existem profissões masculinas ou femininas.

 

Sente que teve de se esforçar mais para atingir o cargo que ocupa por ser mulher?

Sim, claramente. A sociedade em que estamos inseridos ainda é uma sociedade patriarcal, em que o cuidado familiar é ainda atribuído ao papel da mulher e a maternidade é muitas vezes vista como um custo para a empresa. Por este motivo, o esforço da conciliação familiar e profissional é limitada na ascensão na carreira em tempo e remuneração

 

Algum conselho que gostaria de deixar para as jovens mulheres que entram no mercado de trabalho?

Consultem a responsabilidade social da empresa para onde estão a concorrer, deveremos estar num local de trabalho que está efectivamente comprometido com a equidade e a promoção da igualdade de género.

 

Em que pontos considera que Portugal ainda tem de evoluir para que sejamos um país com uma sociedade com total igualdade de género no mundo laboral?

Quando deixarmos de usar as quotas para forçar a mudança, seja na representatividade das mulheres em cargos de liderança nas empresas cotadas quer na contratação de pessoas com deficiência comprovada acima dos 60% (onde se incluem muitas mulheres), estaremos efetivamente no bom caminho.

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