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A Lili Dreyer é dinamarquesa, estudou empreendedorismo sustentantável em Londres  e produz a sua marca de calçado em Portugal. Não podíamos perder a oportunidade de falar com uma Nerd em Sustentabilidade, como a própria se define, que nos apresenta conceitos como o upcycling e detalha como a WAIR nasceu, se desenvolve de forma sustentável e o que trará de novo.

Como surgiu a ideia da Wair?

A ideia por trás da Wair resulta de uma mistura da minha paixão de longa data pela sustentabilidade e pelo upcycling e de um problema muito prático que é não ser capaz de encontrar ténis sustentáveis, que fossem bonitos e não custassem uma fortuna.

Quando estudei Sustentabilidade, Empreendedorismo e Design na Brunel University tivemos que fazer uma análise ambiental de um produto e redesenhá-lo na ótica sustentável. O meu colega e eu optámos por dar a um par de sapatos uma vertente sustentável e, a partir daí, decidimos continuar a trabalhar juntos, com particpações em concursos de empreendedorismo com o nosso conceito de ténis upcycled – e a Wair nasceu.

Quais são os principais desafios que a Indústria Têxtil enfrenta atualmente, na tua opinião, em relação à sustentabilidade?

Essa é uma pergunta realmente difícil, porque há tantos, mas no geral eu diria que o principal desafio da indústria têxtil diz respeito a volume, ritmo e direção. Grandes quantidades de fast fashion num sistema linear resultam numa indústria da moda muito insustentável, que usa muitos recursos limitados para criar moda que é deitada fora após um período de vida muito curto.

Um desafio crítico da indústria têxtil é, portanto, fazer a transição para um sistema circular.

Os produtos de moda e os têxteis de que são feitos não foram concebidos para serem reciclados quando atingem o fim da vida. São frequentemente uma mistura de muitas fibras e materiais diferentes que não podem ser desmontados – e, portanto, é muito difícil separar e reciclar.

Para criar uma indústria da moda circular, precisamos projetar para a circularidade e, em seguida, permitir que sejam reciclados, construindo e apoiando tecnologias e empresas que podem reciclar e recircular os têxteis não reutilizáveis.

 

O que significa upcycling?

Upcycling é transformar um material residual num novo produto de valor igual ou superior ao produto / material original. Em termos de têxteis, significa usar o tecido “tal como está”, em vez de o desfiar e usá-lo para produzir outros materiais.

 

Foram apenas duas fábricas portuguesas que quiseram trabalhar connosco devido ao facto de estarmos a reciclar resíduos têxteis – o que torna tudo mais desafiante para a fábrica.

 

Quais foram os principais desafios que enfrentou ao lançar o produto no mercado?

Este é o primeiro negócio, o primeiro produto – basicamente o primeiro de tudo para nós. Portanto, eu diria que os principais desafios foram:

  • Descobrir como fazer todas as tarefas envolvidas no lançamento de um produto;
  • Como comunicar o que fazemos;
  • Quem são os nossos clientes,
  • Como promover o produto

Tudo coisas que nunca tínhamos experimentado fazer. Foi, portanto, muito na base da tentativa e erro, mas foi bom lançar através de uma campanha de crowdfunding, porque que tínhamos uma meta e um prazo claros, com os quais poderíamos trabalhar.

 

Este tipo de produto, mais do que um produto, é um estilo de vida. Concorda?

Sim, definitivamente. É um estilo de vida e é uma revolução contra o desperdício da indústria da moda.

Para nós, tudo começou como uma reação às quantidades assustadoras de resíduos têxteis que são gerados todos os dias e um propósito de criar moda que realmente faça o bem e não apenas menos mal. Esperamos que isso também se reflita no estilo de vida de nossos clientes e possa ser uma forma de alinhar o seu consumo de moda com os seus valores de sustentabilidade.

 

Como caracteriza os seus clientes? Qual é o seu perfil?

Carcaterizo como consumidores conscientes. Em termos demográficos, temos mulheres e homens e temos clientes em muitas faixas etárias – mas o fator comum é a missão de contribuir para um mundo melhor. Conhecemos alguns deles, desde que entregamos a maior parte do primeiro lote de produção nas nossas bicicletas – e são todos muito “cool”. Muitos deles têm empregos onde trabalham com sustentabilidade, o que é muito bom!

 

Estão sedeados na Dinamarca, no entanto, o produto é fabricado em Portugal. Porquê Portugal?

Sabíamos que queríamos trabalhar com uma fábrica de calçados localizada na UE e com foco na sustentabilidade. Encontrámos algumas fábricas em Portugal, mas também na Europa de Leste, Itália e Reino Unido. No entanto, no final, foram apenas duas fábricas portuguesas que quiseram trabalhar connosco devido ao facto de estarmos a reciclar resíduos têxteis – o que torna tudo mais desafiante para a fábrica.

 

 

Quais são os próximos passos em termos de desenvolvimento da Wair? O que podemos esperar?

No próximo ano podem esperar novos produtos reciclados da Wair. Nos últimos meses, temos trabalhado muito numa coleção limitada de ténis e num produto de moda totalmente novo.

O nosso objetivo é permitir que o maior número possível de tecidos descartados seja reciclado e, portanto, também tem sido importante para nós desenvolvermos novos produtos onde possamos reciclar outros fluxos de resíduos têxteis além daqueles com os quais estamos a trabalhar atualmente. À medida que a nossa rede cresce, vemos outros tipos de têxteis que tentaremos trabalhar nas nossas próximas coleções.

Conheça os ténis e as ações da WAIR em sustainablewair.com

Lili Dreyer

É uma empreendedora dinamarquesa de 25 anos, que se autodenomina-se “nerd em sustentabilidade. Enquanto estudava empreendedorismo sustentável em Londres deparou-se com a enorme quantidade de resíduos têxteis que a indústria da moda gera. Fundou Wair em 2019, de modo a criar uma solução que possa ser escalável e que permita dar uma nova vida aos têxteis “imperfeitos” através do poder do upcycling.

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