Autor

Ricardo Lopes

Pretendem fazer mais e melhor pela Padaria e Pastelaria. Como? Inovando, trabalhando em grande medida por encomenda para evitar desperdício e, claro, fazendo o que querem.

De onde surgiu a ideia de abrirem um negócio de padaria artesanal?

O nosso negócio de padaria e pastelaria artesanal surgiu, antes de mais, da nossa paixão pela padaria e pela pastelaria. E pela nossa vontade de mostrar que é possível fazer uma pastelaria e padaria diferente e inovadora, sem nunca esquecer o que o tradicional tem de bom.

A vontade de fazermos à nossa maneira foi crescendo à medida que íamos trabalhando noutros sítios, até que achámos que chegou a altura de arriscar.

 

Em que consiste o processo de fabrico artesanal?

Todos os nossos produtos são feitos por nós na loja. Procuramos ser o mais sustentáveis possível na medida que escolhemos, assim como com matéria-prima da época e local.

Com base na nossa experiência e conhecimentos de técnicas profissionais, desenvolvemos os nossos produtos a uma escala pequena, mas pensada e feita da melhor maneira que sabemos. E fazemos para os nossos clientes com a mesma dedicação que fazemos para nós, família e amigos.

 

The Rebel Bakers: de onde veio este nome? Tem que ver com a vossa proposta de valor?

Sim, tem que ver com a nossa maneira de olhar e de estar na pastelaria e padaria. Ambicionamos fazer pastelaria à nossa imagem e de uma maneira diferente.

Não queremos usar preparados (mixes), não queremos ter produtos em que o processo de fabrico não seja 100% nosso. É um grito de rebeldia que queremos dar na pastelaria portuguesa

 

padaria e pastelaria - rebel bakers

 

Quem é o vosso cliente tipo? Jovens urbanos ou também pessoas de outras gerações?

Apesar de comunicarmos para um público mais jovem, que gosta de produtos diferentes, mas sempre saborosos e feitos da melhor maneira possível, e de utilizarmos maioritariamente canais utilizados por eles, como as redes sociais, também estamos localizadas numa zona mista e eclética em termos de público mais próximo.

Não queremos descurar os nossos clientes que não se enquadrem nessa faixa etária mais jovem, mas que não deixam de ter os mesmos valores que os nossos.

Nesse sentido, tentamos que os nossos produtos vão ao encontro dum vasto tipo de cliente.

  • Os jovens urbanos que procuram uma experiência de padaria e pastelaria mais saudável, mais pensada e completa tendem a procurar mais os nossos cruffins;
  • Um público mais experiente valoriza mais o nosso pão Sem Tretas e broa, feitos de um modo mais artesanal e com métodos mais antigos, que mantêm assim também os sabores do pão tradicional.

 

Falem-nos dos vossos produtos. Quais os vossos produtos estrela?

Sem dúvida que os cruffins e o pão Sem Tretas são os nossos best-sellers. Mas tentamos estar sempre a inovar e a fazer coisas novas e diferentes, misturando sabores inovadores com os tradicionais.

 

Estão situados na Ajuda. Por algum motivo em especial? Existe uma lógica de padaria de bairro no sentido da proximidade?

Ambicionamos contribuir e criar um sentido de comunidade, mas ser uma padaria e pastelaria de bairro não estava nos nossos planos originais. Queríamos e queremos sobretudo trabalharpor encomenda, no sentido de garantir que não há desperdício alimentar. No entanto, com a pandemia tivemos que nos adaptar e, por enquanto, estaremos com as portas abertas ao público.

A Ajuda sempre nos pareceu um bairro em crescimento, ainda que com um grande sentido bairrista, e que acaba por estar na mesma fase de crescimento que nós. Em direcção ao futuro, sem esquecer o passado e tradicional.

Acreditamos que há um meio termo que se pode encontrar e juntamente com a Ajuda iremos fazer essa ligação entre o que de melhor a tradição e o futuro têm para nos dar.

 

padaria e pastelaria - confinamento

 

Dizem os estudos que com a pandemia o consumo de pão disparou. Sentem esta tendência no vosso negócio? Têm tido maior procura?

A procura por um pão mais saudável tem vindo a crescer nos últimos anos, especialmente desde que reapareceu no mercado uma grande variedade de pães de massa mãe.

Não temos comparação em termos de negócio pois somos novas no mercado, mas como consumidoras temos a noção que há cada vez mais procura por um pão mais simples e que somente contenha os ingredientes que conhecemos bem.

Foi por essa razão que chamamos ao nosso pão “Pão Sem Tretas”, porque é isso mesmo, um pão de fermentação lenta, feito com massa velha, farinha, fermento de padeiro, água e sal. Tudo ingredientes que sabemos o que são.

 

Ao nível da pastelaria, quais os vossos produtos mais procurados?

Os cruffins são os nossos produtos mais procurados dentro da padaria, principalmente o recheado com creme de pastel de nata.  Mas temos outros que também vendem bem, como os bolos à fatia (que variamos todas as semanas) e os de aniversário, que tentamos diferenciar em termos de sabores e texturas dos bolos de aniversários simples e tradicionalmente encontrados nas pastelarias mais comuns.

 

padaria e pastelaria - bolo aniversário

 

Há cada vez mais pessoas a preferir uma alimentação vegan ou saudável. Que produtos vossos estão alinhados com esta tendência? 

Os nossos produtos são confeccionados conscientemente, isto é, temos noção que cada vez mais há uma procura de produtos saudáveis. Com isso em mente somos os primeiros a reduzir o açúcar nas nossas receitas. Dito isto, temos por base a pastelaria portuguesa e temos noção que o açúcar está e estará presente.

Por agora não temos produtos 100% vegan, no entanto estamos sempre a testar novas receitas e técnicas para fazermos melhor e mais pelo nosso público.

 

Quais os vossos planos futuros? Prevêem expandir-se para outras localizações?

Queremos sobretudo trabalhar neste projecto que, no fundo, é fazer um upgrade rebelde à pastelaria e padaria tradicional. Assim como criar uma melhor comunidade à volta da pastelaria e padaria.

Queremos ter uma grande avalanche de encomendas, sobretudo quando voltarmos ao normal com as celebrações, eventos e aniversários em que possamos contribuir com o que de melhor fazemos. A expansão ainda não está nos planos, mas quem sabe!

The Rebel Bakers
(Andrea Soares e Lara Melo)

Os bolos, as bolachas, os gelados, os chocolates e os pães juntaram-nos. A criatividade e vontade de fazer mais pela pastelaria e pela padaria portuguesa faz-nos seguir em frente e evoluir. Estamos sempre a aprender e a rir uma com a outra. E apesar de não sermos iguais e de nem sempre gostarmos das mesmas coisas, vemos o mundo da mesma maneira e acreditamos nos mesmos valores de honestidade, qualidade e de valorização do que realmente importa na vida. E acima de tudo acreditamos que podemos tornar o mundo dos nosso clientes um pouco mais doce, mais divertido, e único.

Somos bakers, mas à nossa maneira rebel!

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Faro caminha para ser uma smart city,  amiga dos peões e promotora de uma qualidade de vida onde a tecnologia a favor do ambiente não é esquecida. Por exemplo, estão a ser adquiridos os sensores para recolha de lixo otimizado.

A mobilidade é essencial para a qualidade de vida das cidades. Qual a visão da Divisão de Mobilidade, Ambiente e Energia da Câmara Municipal de Faro?

Nesse âmbito a nossa visão é que Faro se assuma no decurso da corrente década como uma cidade cada vez mais amiga do peão e dos modos de transporte suaves.

Pensamos que essa é melhor filosofia de desenvolvimento do território e da vida societária, privilegiando o valor intrínseco dos espaços físicos com a qualidade de vida, num ambiente integrador e capaz de assegurar a transição climática com garantias para as novas gerações. 

 

Quais são os grandes pilares de intervenção da Divisão de Mobilidade?

Três eixos fundamentais estão presentes na essência do plano de mobilidade e transportes (PMT) que aprovámos em 2018 e que constitui a “magna carta” da nossa actuação.

  1. Apostamos numa política de reforço da quantidade e qualidade do transporte colectivo urbano e interurbano, com mais rotas e melhores condições para que todos considerem o autocarro como uma primeira opção, quer residam no casco urbano, quer residam na praia ou na campina;
  2. Reforço da micro e da mobilidade partilhada e para isso temos dado passos atempados e decididos;
  3. O peão e nele pensamos em cada intervenção de requalificação que fazemos no espaço público, conscientes do muito que há a fazer em matéria de acessibilidades e circulação pedonal.

E, por isso, em consonância com o nosso PMT criámos uma espécie de roteiro para a acessibilidade pedonal, com um conjunto de regras de cumprimento obrigatório em cada intervenção que é realizada no espaço público e na adaptação de todas as passadeiras a atravessamentos de via do concelho.

 

Consideram a definição de estratégias de mobilidade fundamentais para Faro ser uma cidade mais sustentável?

Completamente. Trabalhamos todos os dias do ano para que assim seja e estamos convencidos de que essa estratégia pagará dividendos com antecipação, fruto da coerência das apostas e das boas respostas que a nossa população está a dar.

Não basta fazer o que estamos a fazer: na mobilidade, no ambiente, na gestão da água e parques verdes. Há também uma grande componente de civismo e educação ambiental a trabalhar e esse é um desafio que todas as autarquias vão experimentar nos próximos 5 anos.

As comunidades que derem melhores respostas a esse nível serão aquelas cujos ganhos de competitividade serão mais evidentes. A prazo, a sustentabilidade e a qualidade ambiental serão os factores primordiais na tomada de decisão de investidores ou dos próprios cidadãos quando equacionarem onde querem trabalhar, estudar, ou simplesmente passar férias. As primeiras cidades a darem mostras dessa capacidade serão as que melhor se posicionarão no desafio da competitividade até 2030.

 

faro - smart city

 

Existe uma associação das pessoas entre mobilidade, smart cities e tecnologia. Faz sentido esta associação?

Não só faz sentido como é uma associação obrigatória.

Os verticais que sustentam o nosso conceito de smart city são justamente:

  • Mobilidade sustentável e integradora;
  • Qualidade ambiental;
  • Recurso à tecnologia para que todos esses verticais se articulem, com harmonia e vantagem quer para a vida em comunidade quer para quem gere o território.    

 

Os transportes públicos e partilhados que impacto terão na mobilidade?

O transporte faz parte do dia-a-dia de uma cidade. No nosso caso, constituímos uma autoridade de transporte para gerir esses fluxos e capacitar-nos para ganhar dois desafios:

  1.  Conseguir a adesão de cada vez mais munícipes;
  2.  Fazer com que o impacto dos mesmos na qualidade ambiental seja minimizado, em todas as vertentes.

É um processo complexo e que, muitas vezes, depende da participação dos próprios utilizadores e da sua consciencialização de que essa decisão é racional e potencia a sua qualidade de vida e dos seus circunstantes.

No que respeita à mobilidade suave partilhada, Faro acolhe com sucesso, desde 2018, algumas experiências de sistemas integrados de trotinetas partilhadas (e nisso fomos os primeiros a Sul do Tejo), com as pessoas a aderirem numa lógica de “last mile”.

Entendemos que essa aposta teria que ser ganha à partida e por isso, decidimos acompanhar de perto essas operações e, em articulação com as autoridades de segurança, monitorizamos essa rede com esmero e atenção. Era essa, de resto, uma das premissas da Carta dos Princípios da Mobilidade Partilhada, que subscrevemos em 2018, com o apoio da americana Robin Chase a “mãe” da mobilidade partilhada.

O futuro, que queremos antecipar, é também marcado pela implementação de um sistema de bicicletas partilhadas e temos já em orçamento os montantes necessários ao arranque desse desafio. Pensamos que numa cidade tão jovem e promissora, a aposta vai valer a pena. 

 

Muitos estudos e tendências referem que, com a transição para o teletrabalho, muitas pessoas desmobilizarão dos grandes centros urbanos. Assumindo este pressuposto, que impactos antecipam para a cidade de Faro?

Faro é um concelho servido por uma boa rede de vias de comunicação. Quem vive no centro urbano ou na aldeia mais remota, está quase em igualdade de circunstâncias. Isso acontece também no que respeita à qualidade do urbanismo e do cenário ambiental – com vantagem na periferia.

Estas são realidades que vêm levando cada vez mais pessoas a procurar fora da cidade a sua primeira habitação. Portanto, conhecemos essa tendência há largos anos, mas admitimos que as circunstâncias que atravessamos a possam potenciar. Estamos preparados, pois sentimos que as freguesias têm, também elas, um enorme potencial de desenvolvimento assente nas mesmas premissas a partir das quais montámos a nossa estratégia: o respeito pelo ambiente, a qualidade de vida e o acesso às oportunidades.

 

Outro dos eixos das smart cities tem que ver com gestão de resíduos, como por exemplo, otimização de circuitos de recolha de lixo com recurso a sensores. Está nos vossos planos?

Mais do que em plano, está em implementação. No momento, a FAGAR, empresa municipal que gere os resíduos sólidos urbanos, está com um projecto piloto num conjunto de rotas, que recorre à tecnologia para monitorizar o volume de carga de cada subtainer. 

Isto está a ter excelentes resultados na optimização das rotas, dos recursos afectos e na redução da emissão de CO2. Em face destes resultados, posso adiantar, talvez em primeira mão, que a FAGAR abriu já procedimento concursal para aquisição dos sensores e da tecnologia complementar para equipar toda a rede contentores subterrâneos do concelho, o que esperamos concluir ainda durante o ano corrente.

 

No âmbito das smart cities como imaginam Faro do futuro?

Faro deverá afirmar-se como um concelho inteligente e articulado na gestão dos seus eixos de actuação. Não basta fazer o que estamos a fazer na rega inteligente, com uma poupança efetiva da água, na mobilidade partilhada e na rede de ciclovias, na Ria Formosa e nas suas pradarias marinhas com um efeito de oxigenação, na execução do PMT, com o terminal municipal já em funcionamento e o interface modal regional no Patacão em projecto. É preciso articular todos estes verticais e desenvolver o complexo.

Temos excelentes condições para o fazer: porque esse é um compromisso deste executivo e do Presidente Rogério Bacalhau, porque temos os meios próprios para isso e porque os nossos stakeholder, em particular a Universidade do Algarve, estão perfeitamente alinhados com essa estratégia.

Faro já é uma cidade do conhecimento e da tecnologia. No futuro, aspiramos a que todo esse know-how reverta no incremento da qualidade de vida de todos os farenses  e de quem nos escolhe para viver, trabalhar, estudar ou simplesmente visitar-nos para apreciar as nossas muitas virtudes. 

Sophie Matias - Camara Municipal de Faro

Sophie Matias 

Vereadora das Infraestruturas e Urbanismo da Câmara Municipal de Faro

Licenciada em Arquitetura pela Escola Superior Artística do Porto (ESAP) desde 1998, tendo posteriormente frequentado o Mestrado Integrado em Arquitetura na Universidade Lusíada do Porto.

De 1998 a 2001 trabalhou em vários ateliers de Arquitetura no Porto e no Algarve. De 2001 a 2015 desempenhou funções de Técnica Superior no Município de Faro nas área do Urbanismo, Gestão Urbanística, Projetos Municipais e ainda Ordenamento do Território, tendo sido Co- Autora do projeto de Arquitetura do Teatro Municipal das Figuras, com o Arq. Gonçalo Byrne, tendo sido finalizada a obra em 2005. Sai da Câmara Municipal de Faro em 2015  e cria a Empresa Black is Black, Lda de Arquitetura de Interiores com a sócia e irmã, a Designer de Interiores  Stephanie Matias (https://www.blackisblack.co/).

Neste momento desempenha funções de Vereadora das Infraestruturas e Urbanismo no Município de Faro, e acumula a presidência da Empresa Municipal Ambifaro- Gestão de Equipamentos Municipais, E.M., desde junho de 2019, empresa que gere o Mercado Municipal, promove a Feira de Santa Iria e ainda as zonas de estacionamento tarifado da cidade de Faro.

É ainda vogal no Conselho de Administração do Teatro das Figuras, desde 2017 e foi vogal da Ambifaro de 2017 a 2019.

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Design sustentável é o mote de um prémio atribuído pela Roca, que também desenvolve produtos sustentáveis (na eficiência e produção) e tem uma Fundação. Falámos com o Engenheiro Jorge Vieira, CEO da Roca Portugal, para saber tudo sobre estes projetos.

A Roca apresenta mais uma edição do One Day Design Challenge, este ano com o mote da sustentabilidade. Pode falar-nos sobre o evento? 

É verdade, pretendemos que os concorrentes enfrentem este desafio de desenhar, em apenas um dia, soluções para o espaço de banho, nas quais a sustentabilidade tem e deve estar presente. É cada dia mais uma questão essencial para que o nosso futuro seja ainda melhor e, claro, mais sustentável. 

 

Sendo um desafio para um público mais jovem, qual acreditam que será o peso da sustentabilidade para as novas gerações? Será um “novo normal” casas mais sustentáveis? 

A juventude de hoje, é o futuro de amanhã. Neste sentido, a Roca aposta na capacidade criativa e nos estudos recentes que tem, para que o conceito de sustentabilidade seja o “novo normal” como refere.

Temos consciência de que os jovens já não pensam de outra forma, o que lhe estamos a oferecer é uma oportunidade de poderem demonstrar o que estão a pensar e a desenvolver neste campo.

 

 Percebem uma maior procura por produtos sustentáveis? 

Sim, esta variável já entra na equação no processo de compra. É um conceito em crescimento. 

 

O interesse está em que o produto ofereça eficiência ao cliente final nos consumos, ou também existe uma preocupação com a vossa própria produção?

Na Roca, trabalhamos estes conceitos em paralelo porque não os entendemos de forma separada.

Se por um lado é essencial dar eficiência e benefícios aos nossos produtos, para que os clientes possam avaliar e decidir, é também importante ter processos produtivos, nos quais o desperdício e os resíduos finais sejam mínimos – o que pretendemos é que os materiais necessários e os processos de fabrico dos nossos produtos, sejam também eles eficientes e que no final do processo não gerem resíduos não reutilizáveis.

 

design sustentável casa de banho - Roca

 

O Eco-Roca é um projeto que se foca em soluções para a poupança de água. Que tecnologias e produtos se destacam na oferta da Roca? 

No que respeita a soluções de poupança de água, a oferta Roca está patente em diversos produtos.

Na solução W+W, onde temos o lavatório e sanitário numa só peça, incorporamos um sistema que permite utilizar a água da torneira para descarga na sanita, permitindo poupanças na ordem dos 50%;

Nas torneiras o sistema de abertura em frio, novos cartuchos internos e limitadores de caudal, permitem poupar água e energia (no aquecimento da água);

Temos também os nossos artigos (torneiras, dispensadores, secadores de mãos) que pelo sistemas internos de funcionamento, só funcionam quando é necessário, ou seja, neste caso só existe consumo de água e/ou energia, só acontece se estivermos a utilizar os artigos – a nossa gama de artigos TOUCHLESS

 

O conceito Roca Loves The Planet é destinado a todo o processo de produção. Como fazem a gestão dele, para ser mais sustentável? 

O compromisso com o Planeta faz parte da nossa filosofia e das nossas atividades diárias. Sob esta premissa, criamos o conceito “Roca Loves the Planet” que está presente em todos os processos de produção das nossas fábricas, bem como no desenvolvimento dos nossos produtos e nas atividades sociais da empresa.

Nos processos produtivos, temos o projeto Eco-Roca, que apresenta dois objetivos principais: redução nas emissões de CO2 e a gestão de processos industriais livres de resíduos através do nosso Programa Zero Waste, e assim fazer a necessária gestão dos processos com a intensão de ser cada dia mais sustentável.

 

A Roca tem a fundação We Are Water, que colabora com instituições como a Unicef e Save The Children. Qual a missão da fundação? Que resultados têm obtido?   

A Fundação We Are Water, é uma organização sem fins lucrativos, criada em 2011 com o objetivo de contribuir para a resolução dos problemas derivados da falta de água e saneamento no mundo. 

A Fundação We Are Water, tem duas vertentes, atuar e sensibilizar, assim promover o desenvolvimento de projetos que garantam o acesso à água e ao saneamento nas áreas mais carentes do planeta e, ajudar a difundir uma nova cultura da água que permita uma gestão sustentável dos recursos hídricos no mundo, e garanta o direito humano universal ao acesso à água e ao saneamento, necessários para uma vida digna e saudável.

Hoje, das colaborações com as ONG’s, fundações e agências das Nações Unidas, promovemos, até agora, 69 projetos em 26 países, que ajudaram mais de 1.812.500 pessoas na educação, na saúde e na melhoria de infraestruturas de acesso à água.

Engenheiro Jorge Vieira 

CEO da Roca Portugal

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Produtos Ecológicos Artesanais resume o que podemos encontrar na MadInCasa, mas como são criados estes produtos e quais são? Isso é o que vamos descobrir nesta entrevista.

Produtos Ecológicos Artesanais - almofada

 

A MadInCasa é uma loja online de artigos ecológicos, de design próprio, produzidos artesanalmente de forma ética, justa e sustentável. Como surgiu esta ideia? 

Não consigo definir um início, foi sobretudo uma forma de estar na vida com valores que me foram passados e que sempre fizeram parte de mim, o que me levou a registar uma marca e a lançar-me num negócio. Um dia tive esta ideia, acompanhada de fortes incentivos, de comercializar artigos que já produzia para mim, para familiares e amigos. Artigos que por questões ecológicas e/ou económicas faziam parte do meu dia-a-dia e que, pensei eu, poderiam também fazer falta a outras pessoas.

 

Quais os tipos de produtos da MadInCasa e qual a inspiração para eles? 

Os produtos têm duas vertentes principais: a substituição de descartáveis e a poupança económica.

Por exemplo: Não fazia sentido para mim continuar a comprar guardanapos de papel, que por muito baratos que fossem, estava a gastar dinheiro, a criar imenso lixo, a incentivar essa produção, etc., quando tinha uma toalha de mesa que não usava e podia cortá-la aos quadrados e fazer guardanapos. 

Aos poucos, vou questionando os meus hábitos e vou tentando melhorar o que para mim vai deixando de fazer sentido. Tenho ainda um longo caminho a percorrer!

 

Produtos ecológicos artesanais - madincasa

 

Utiliza restos de tecido para desenvolver os produtos. Como chega até eles? E os restos da produção também servem para os produtos seguintes?

A MadInCasa tem a versão Básica dos produtos e a versão Edição Especial dos mesmos.

Esta ideia de criar as Edições Especiais surgiu pela minha necessidade de, no início da marca, utilizar os restos de tecidos que tinha em casa criando assim versões dos produtos mais apelativas, não precisando por isso que comprar tecidos de padrões e criar coleções. Tive logo amigos a oferecer os restos que tinham lá por casa. Com isto pensei que poderia talvez alargar esse leque de oferta a todas as pessoas que já seguiam a MadInCasa e, qual não foi o meu espanto, houve e continua a haver imensa gente com restos de tecidos que se dispuseram a oferecer! 

Como, por muito que se aproveite, há sempre desperdício, e porque soube logo no início de uma marca que usava pequeninos restos têxteis para enchimento de bonecos para crianças, ofereci-lhes os meus. A partir daí, quando o atelier está lotado, lanço a doação para pessoas/artesãos/marcas.

O desperdício de linhas, por exemplo, serviu-me a mim para criar a ECOsponja. A serapilheira é desperdício, o tecido da Edição Especial também e o enchimento são os restos das linhas que sobram da produção dos outros artigos. 

 

Qual a durabilidade dos produtos? 

Depende muito da utilização. Todos nós temos hábitos diferentes. Com os Discos de Limpeza, por exemplo, eu uso um por dia e há quem use três ou quatro.

Neste caso, o importante é saber que um disco reutilizável pode equivaler a cerca de duzentos discos descartáveis. Incrível, não é?

Produtos Ecológicos Artesanais - almofadas

 

Qual o best-seller? Porque os clientes o preferem? 

O best-seller são mesmo os Discos de Limpeza, já fiz tantos, tantos!

É espetacular assistir ao número crescente de pessoas que, como eu, deixaram de ver sentido em continuar a comprar dos descartáveis. Usam os homens, as mulheres e até para limpeza dos bebés. 

 

Com a pandemia muitos consumidores mudaram os seus padrões de consumo. Sentiu algum impacto no negócio? 

A MadInCasa foi sempre de venda online. Sei que muita gente teve que se virar muito mais para esta forma de comprar. Isso notou-se na MadInCasa sobretudo na época de Natal.

 

produtos ecológicos artesanais - fruta

 

Tem uma iniciativa relacionada com livros. Gostaríamos de saber mais…

Tenho sim, e estou mesmo muito entusiasmada com esta iniciativa! Tenho livros meus, do meu marido, de familiares que mos deixaram, outros que encontro na rua em pilhas para o lixo… Livros de todo o tipo, todos os géneros, de várias línguas. Adoro livros, e muita gente adora livros. Por que não partilharmos os que já temos?

Por isso ando aos poucos a fotografar capas e a atualizar uma lista com todos os livros que tenho para poder fazê-los chegar a quem os quiser ler. A plataforma da MadInCasa permitiu-me concretizar esta ideia por ter também estas vertentes de sustentabilidade e economia circular. 

 

Que projetos e ambições tem para o futuro da MadInCasa? 

Apesar da situação atual ter já deixado em standby algumas novidades, a MadInCasa continua a fazer chegar a todos os que estão no caminho da mudança, alguns produtos essenciais para o seu dia-a-dia. Isso para mim é muito importante.

A ambição é divulgar e dar a conhecer ao máximo de pessoas possível, produtos, marcas e negócios que como o meu, nos mostram que é fácil mudar hábitos, que podemos fazer nós mesmos certos produtos, ou em última instância, comprar aquilo que precisamos sem prejudicar o ambiente como temos estado a fazer até aqui.

A MadInCasa nasce em Setembro de 2018 com a missão de levar a cada vez mais casas, alternativas mais ecológicas para a vida de todos. Sejam elas em formato de ideias, de produtos ou de práticas, mais responsáveis, mais éticas, mais sustentáveis.

A criadora da marca chama-se Joana, é de Lisboa e tem formação em Arquitetura e um curso de Design de Equipamento. Voltou a Lisboa, depois de ter vivido em França e Inglaterra, com esta ideia na cabeça, e é com muito amor e prazer que a põe em prática.

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Uma guitarra em cortiça parecia impossível, quando a madeira está instituída como o melhor material, mas João Rodrigues, um jovem designer com gosto pela música, não acreditou nisso. Miguel Araújo já não abdica da sua guitarra em cortiça nos concertos que dá. E o João ainda planta uma árvore, que acompanha, a cada guitarra vendida.

Músico e designer explica grande parte, mas não podemos deixar de perguntar: como surgiu a ideia da Mai’Land Guitars?

A Mai’land nasce de um projeto académico. Quando fiz a primeira guitarra estava a estudar e essa guitarra foi a materialização da minha tese de mestrado. Só em 2019 é que fui desafiado para continuar neste âmbito improvável que une a cortiça e a música. 

Eu gosto da cortiça e como designer sentia que o material merecia mais do que rolhas e lojas de souvenirs, portanto, aliado à crença de que um instrumento elétrico não deve ser responsável pelo abate de tantas árvores, pus mãos à obra e tentei revolucionar o mercado ao provar que com menos madeira também se fazem boas guitarras.

 

guitarra em cortiça - mai'land

 

O que caracteriza as guitarras da Mai’Land?

A Mai’land hoje já não se foca apenas nas guitarras, também fazemos malas em cortiça para instrumentos, mas o que nos caracteriza enquanto marca é o uso da cortiça em instrumentos.  Por outro lado, como não usamos tanta madeira como numa guitarra convencional, nem plástico nas malas, marcamos uma posição ao nível da sustentabilidade. Como marca queremos que, agora e no futuro, a ecologia seja algo que também nos caracterize.

 

Quais são os materiais utilizados e de que forma consegue chegar até eles?

As guitarras são constituídas maioritariamente por madeira e cortiça expandida. No corpo as madeiras que utilizamos variam entre o mogno, freixo ou outras espécies que tenham capacidades acústicas. Geralmente recorremos a madeireiros locais e raramente fazemos encomendas. Escolhemos o que existe em stock e que sirva o nosso principal propósito que é fazer som. É também nestes madeireiros e carpintarias que recolhemos restos de madeira que reaproveitamos para fazer outros componentes. 

Temos fornecedores diferentes para cortiça natural e para a cortiça expandida. Ambos estão sediados em Santa Maria da Feira.  

A relação que temos com os fornecedores é muito importante para o produto final. Fazemos questão de ir às fábricas ver o produto e sermos nós a escolher. Cruzar os nossos objetivos com a experiência de quem conhece os materiais há mais tempo. 

 

Que impacto estes materiais têm na guitarra para o músico?

A forma como o corpo é construído influencia as características da guitarra desde a escolha da madeira, a direção dos veios, a forma como são coladas as partes, a eletrónica e a qualidade do hardware. Tudo influencia e todos os componentes são importantes.  

Na prática as guitarras são mais leves, têm mais sustain (duração de uma nota) e acabam por ter um timbre próprio.  

Há também a relação muito particular do instrumento com um músico português por se tratar de uma guitarra que veicula tão bem valores culturais carregando uma certa Portugalidade.  

guitarra em cortiça - mala

 

Qual tem sido o feedback por parte dos músicos? Existe muita procura?

O feedback tem sido bastante positivo. Não é um caminho fácil porque há toda uma indústria sustentada pela obrigatoriedade de se construir guitarras 100% em madeira mas acreditamos que a consciencialização ambiental que existe noutras áreas também vai chegar aos músicos e a procura que temos tido mostra-nos que há efetivamente essa preocupação em comprar sem plástico e com menos pegada possível.

 

Das guitarras que já produziu até hoje, além da primeira, houve alguma mais especial para si? Porquê?

A guitarra mais especial que fiz até hoje foi a guitarra para o Miguel Araújo. Ele tinha testado um modelo semelhante em 2018, na altura para aprovação do trabalho da tese. A partir dessa guitarra, fizemos umas alterações para facilitar a utilização em palco e personalizamos o modelo com a assinatura do Miguel gravada no braço. 

Em 2020 entramos novamente em contacto e ele voltou a rever essa guitarra. Após um concerto muito especial ele acabou por ficar com a guitarra que mantém até hoje como seu principal instrumento.  

Foi assim que surgiu o modelo MAJ#00, um modelo único que replicamos numa edição limitada a 20 unidades. 

 

Guitarras em Cortiça - Miguel Araújo

 

Tem algum plano, ou objetivo concreto, definido para a Mai’Land?

O objetivo é crescer e marcar a nossa posição no mercado. Estamos a desenvolver mais modelos, tipologias de instrumentos e cases de transporte para mais instrumentos. Atualmente queremos fechar o nosso portfólio, definir os modelos que temos e montar uma estratégia de venda online onde o consumidor pode escolher o artigo e personaliza-lo a seu gosto. Por outro lado queremos poder ter guitarras em lojas físicas que se enquadrem no âmbito do projeto para poderem ser testadas por eventuais clientes.

 

A Mai’Land está sediada em Viana do Castelo, e muitos dos projetos que aqui apresentamos também estão fora dos grandes centros urbanos. A qualidade de vida e o meio envolvente têm impacto no resultado final das guitarras?

Sem dúvida, viver numa cidade sem a azafama de um grande centro urbano e a cinco minutos do mar, rio ou montanha é importante para cultivar a sensibilidade do slow design. O mundo está cada vez mais acelerado e para uma marca como a nossa, que se foca em valores ecológicos, na sustentabilidade e no afastamento da produção em massa, estar numa cidade saudável como Viana do Castelo é ótimo.  

Nós temos a política de plantar árvores consoante vendemos guitarras e para isso é fundamental estar perto delas para as regar e acompanhar o processo de crescimento. Não há melhor fonte de inspiração.

 

Quem quiser comprar uma guitarra Mai’Land, onde pode fazê-lo?

Atualmente fazemos guitarras por encomenda e a escolha do modelo, componentes e personalização é feita em conjunto com os músicos de forma bastante assídua. Para isso utilizamos as nossas redes onde nos podem contactar e pedir orçamentos, informações sobre os produtos ou solicitar um teste a uma guitarra. O processo de compra é acompanhado através de fotos que vamos enviando do processo de construção do instrumento. 

Em breve contamos ter um website com os modelos expostos e amostras de som para melhor entendimento da nossa gama.

 

 

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A Decathlon aposta no ecodesign como forma de ter uma oferta cada vez mais sustentável. No entanto, por serem uma grande multinacional, também quisemos saber um pouco mais, em questões relacionadas com os fornecedores, transporte e fim de vida dos produtos.

 

Ecodesign - mural sustentabilidade Decathlon

 

Como é que uma marca com a dimensão da Decathlon incorpora a sustentabilidade? 

A Decathlon tem no seu sentido: “Ser útil para as pessoas e para o planeta”, e na sua missão: “ Tornar o prazer e os benefícios do desporto acessíveis ao maior número de pessoas em Portugal, de forma sustentável”.

Pretendemos contribuir para um mundo melhor, mais saudável, mais ativo.

Para tal, tomamos medidas para fazer avançar os objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nos quais somos capazes de atuar, e nessa linha de atuação,  lançámos um novo plano de transição com estratégias  de desenvolvimento sustentável ainda mais fortes entre 2020-2026. Neste, incorporamos os nossos valores:

  • Vitalidade;
  • Responsabilidade;
  • Generosidade;
  • Autenticidade

E congregamos a nossa estratégia em 3 pilares fundamentais:

  1. Desenvolver as pessoas;
  2. Preservar a natureza
  3. Criar valor sustentável. 

Estamos empenhados em colaborar com a comunidade para participar na ação climática e contribuir para um planeta mais verde.  Para tal, somos uma das cinco empresas iniciais que subscreveram o Compromisso para Consumo Ecológico da Comissão Europeia, integrado no Pacto Europeu para o Clima.

 

O que é o Ecodesign para a Decathlon? 

Quando somos responsáveis pelo design dos nossos produtos, podemos e temos a responsabilidade de redesenhá-los para terem menor impacto no meio ambiente.

Integramos a abordagem de ecodesign na nossa estratégia, que consiste considerar o meio ambiente nas primeiras fases do design e durante todo o ciclo de vida do produto. Trata-se de pensar como será possível reduzir o impacto do produto no meio ambiente ao longo de todo o seu ciclo de vida .

Um produto pensado (ou redesenhado) com uma abordagem de ecodesign continua a ser um produto que cumpre a mesma função de um produto concebido de forma clássica, tendo ao mesmo tempo uma vantagem ambiental: uma T-Shirt de corrida eco desenhada permanece acima de tudo uma boa t-shirt de corrida! 

A nossa abordagem de ecodesign é específica. As nossas equipas de design estabeleceram uma estrutura exigente para definir essa abordagem. Os produtos em causa devem cumprir um destes dois critérios:

  • O seu impacto ambiental deve diminuir em pelo menos 10% em relação ao modelo anterior, em pelo menos dois dos seguintes indicadores : alterações climáticas, poluição atmosférica, poluição da água e esgotamento de recursos;

ou 

  • Deverão justificar certas ações de design muito específicas: pelo menos 70% do peso do produto em poliéster reciclado, tecido com pelo menos 90% de algodão de agricultura orgânica, usar corantes que consomem menos água etc.

 

 

Temos objetivos claros para 2021: ter 100% da nossa oferta redesenhada para garantir que, até 2026, 100% dos nossos produtos disponíveis nas lojas físicas e online sejam ecodesenhados

 

 

Qual a importância das matérias-primas nestes produtos? Como é o processo de produção?

Relativamente às matérias-primas, temos muitos desafios. Por exemplo, na escolha de materiais alternativos, temos que ter a certeza de que um material que substitui outro é menos impactante, menos poluente. Para isso, contamos com estudos e testes externos, nos quais temos de garantir a credibilidade e independência dos resultados. 

Os produtos têm de responder a muitos requisitos técnicos e de qualidade. As alternativas nem sempre são tecnologias que já atingiram a maturidade no mercado. Por exemplo, usamos algodão orgânico para alguns dos nossos produtos, no entanto a disponibilidade de algodão orgânico no mercado é menos substancial do que o algodão cultivado convencionalmente

Sobre o processo de produção da Decathlon, trabalhamos em conjunto com os nossos fornecedores e partilhamos o mesmo desejo: oferecer produtos com a melhor relação valores/preço.

Um objetivo que deve ser alcançado em boas condições, onde todos se beneficiem de um ambiente de trabalho ideal. Para tal, os nossos parceiros têm o compromisso de garantir aos seus colaboradores um ambiente de trabalho de qualidade, baseado no respeito, no desenvolvimento das equipas e na preservação do meio ambiente.

 

Têm mais de 400 produtos ecodesenhados na vossa oferta. Qual o produto com maior procura?

Os nossos polares de caminhada são produtos ícones, no campo dos ecodesenhados. Redesenhados em 2013, para serem produzidos a partir de garrafas de plástico recicladas, abriram portas para muitos outros produtos das nossas outras marcas exclusivas que hoje incorporam este material.

Também para os praticantes de yoga, podem encontrar várias possibilidades tanto no vestuário, com a integração do algodão biológico e até mesmo no material por exemplo nos blocos de Yoga, com cortiça natural oriunda de Portugal. 

A oferta está em constante evolução, já são mais de 500 no início deste ano, através da inovação e desenvolvimento das nossas equipas, e poderão  ser encontrados produtos na maioria das desportos com as respetivas marcas: Nabaiji com a nataçãoEquitação com a Fouganza, Vela com a Tribord entre outros.
Todas os produtos estão identificados e disponíveis tanto nas nossas lojas como no nosso site decathlon.pt

 

ecodesign - Polar Decathlon

 

Qual a vossa visão e objetivos para os produtos ecodesenhados? 

Para praticar desporto precisamos dos produtos desportivos,  portanto só nos resta a opção de garantir que estes têm o menor impacto possível na natureza e são úteis para as pessoas. Conceber produtos com qualidade e duráveis é o primeiro princípio para a sustentabilidade.

Estamos cientes dos desafios climáticos e do esgotamento de recursos naturais, para tal temos as nossas equipas das marcas-paixão implicadas e mobilizadas para a ação.

Temos objetivos claros para 2021: ter 100% da nossa oferta redesenhada para garantir que até 2026, 100% dos nossos produtos disponíveis nas lojas físicas e online sejam ecodesenhados.

 

Os produtos ecodesenhados têm uma estratégia de preço diferente?

Não. A Decathlon esforça-se para proporcionar qualidade a preços sempre mais baixos em todos os produtos.

Somos criadores, produtores e distribuidores de produtos desportivos concebidos a partir de componentes exclusivos. Otimizamos continuamente a nossa organização para reduzir os custos ( transporte, logística, publicidade) e assim baixar os preços sem nunca comprometer a qualidade.

O nosso modelo de negócio está focado em oferecer produtos desportivos técnicos com preço justo, com o objectivo de ser acessível ao maior número de pessoas possível.

 

Têm uma etiquetagem ambiental, como uma classificação de A a E nestes produtos. No que consiste esta classificação? 

O objetivo da etiquetagem ambiental é que cada cliente possa fazer suas próprias escolhas de forma consciente, considerando todo o ciclo de vida do produto:

  • Escolha da matéria-prima;
  • Fabricação;
  • Transporte;
  • Fim de vida…

Corresponde ao desempenho ambiental de um produto, que é simbolizado por uma classificação A, B, C, D, E (A sendo a melhor classificação).

Ajuda a comparar produtos do mesmo tipo entre si (t-shirt, calças, mochilas, etc.). Por esta razão, os impactos ambientais são calculados usando 5 critérios:

  • Aquecimento global;
  • Esgotamento de recursos;
  • Poluição do mar;
  • Poluição da água doce;
  • Poluição do ar;

Esses impactos são avaliados ao longo de todo o ciclo de vida e cada fase tem impactos. Cada produto posteriormente recebe um valor para os diferentes indicadores e, em seguida, uma avaliação geral será exibida na internet e na loja.
Este sistema de classificação, já é encontrado comumente nos eletrodomésticos, e está agora a ser implantado nas nossas gamas.

É um trabalho em constante desenvolvimento, que iniciámos em 2014 com a integração de cálculos ambientais diretamente nas nossas ferramentas para promover a abordagem de ecodesign. Mais tarde em 2017, participámos na criação da base de dados ambiental têxtil com a agência de transição ecológica ( ADEME ), para torná-la acessível a todos, e tornar-se referência para o setor.

Desde 2019, disponibilizamos a etiquetagem ambiental em mais de 3.500 produtos DECATHLON.

O sistema construído com a ADEME foi validado pelo governo francês que decidiu incluí-lo na lei anti-resíduos para uma economia circular, promulgada no início de 2020.

Isto quer dizer que este desenvolvimento da Decathlon será  replicado e tornar-se-á uma obrigação para as empresas têxteis nos próximos tempos, em prol de uma maior transparência e clareza sobre os impactos dos produtos no meio ambiente.

 

A distribuição é um dos grandes desafios ambientais. Sendo uma multinacional, como gerem isto? 

Como desportistas, o planeta é o nosso terreno de jogo, e temos noção que a produção, o transporte, o uso e a distribuição dos nossos produtos têm impacto no meio ambiente. Temos a responsabilidade de agir rapidamente.

Para tal, em 2019, assumimos um compromisso em dois pontos fundamentais:

  • Reduzir as nossas emissões de CO2 em 75% no nosso consumo de energia e ar condicionado. 
  • Apoiar os nossos fornecedores e parceiros na definição dos seus próprios objetivos de redução de impacto.

Para validar a relevância desses compromissos, trabalhámos com um grupo de especialistas externos e cientificamente reconhecidos: Science Based Target .

Esta iniciativa validou as nossas trajetórias de redução das emissões de CO2, em linha com as ambições do Acordo de Paris. Estes compromissos são acompanhados por um objetivo global para todas as nossas atividades: reduzir as emissões de CO2 em 40% por produto vendido entre 2016 e 2026.

Entendemos que ainda há muito a ser feito para reduzir nosso impacto ambiental e estamos determinados a seguir em frente rumo a mudanças sustentáveis. 

 

Fim de vida produtos

 

Como gerem o fim de vida dos produtos? Têm alguma estratégia para a reciclagem? 

A economia circular é uma das nossas prioridades e temos vários projetos para prolongar o tempo de vida ou dar novas vidas aos nossos produtos. Destacamos:

– O  Trocathlon, que já realizamos há vários anos em Portugal, e em 2020 permitiu a cerca de 1000 clientes poderem vender os seus produtos desportivo usados  to . 

– A Segunda Vida, para os artigos devolvidos, danificados ou de exposição, que reparamos e colocamos à venda com preço de oportunidade e de forma permanente nas zonas dedicadas e sinalizadas em qualquer loja.  Desde Setembro foram recuperados mais de 1500 artigos que, apesar de não estarem novos, continuam em condições de serem utilizados. 

– O Serviço de Aluguer, onde o cliente pode experimentar, para já, 10 desportos sem que tenha de comprar o material, permitindo descobrir novas práticas desportivas. No último semestre mais de 1300 clientes usufruíram deste serviço.

– O Serviço pós-venda da Decathlon, que para além de aconselhar e acompanhar, repara artigos adquiridos pelos clientes. Em 2020 foram reparados mais de 9000 produtos.

Várias outras estratégias foram lançadas pelas nossas equipas e também são partilhadas com os parceiros que escolhemos para estar ao nosso lado. Por exemplo, desde Julho 2019, lançámos o Hang Up, projeto de reciclagem e reutilização de cabides que permitiu-nos evitar a destruição de 61 toneladas de plástico até Dezembro de 2020.

Neste mesmo mês, associamo-nos à Too Good to Go no sentido de combater o desperdício alimentar. Ainda no final de 2020 integramos o projeto NextLap da Beta-I, com expectativa de em conjunto com diferentes startups, encontrar as melhores soluções de inovação para a reciclagem de pneus. 

Ainda antes do fim de vida dos produtos, as nossas equipas em conjunto com as comunidades onde estão inseridas também têm tentado colaborar em iniciativas de upcycling, assim como em ações de doação de artigos a entidades e organizações que promovam a inclusão social através do desporto. 

A última solução para os produtos é a destruição, que só acontece quando, nenhuma das ações partilhadas,  podem ser colocadas em prática.

Cada uma destas iniciativas foi liderada pelas nossas equipas e estamos totalmente confiantes no seu intraempreendedorismo para seguirmos o caminho da sustentabilidade. 

Ainda há muito por fazer, mas estamos empenhados em garantir que o desporto pode contribuir para um mundo melhor.

 

Um desafio da sustentabilidade é o conhecimento dos consumidores. Como comunicam os produtos ecodesenhados? 

Para a Decathlon, a comunicação associada à sustentabilidade, onde se inclui a comunicação sobre os produtos ecodesenhados, deve colocar a informação no objecto da sua estratégia. 

Os objetivos são:  

  • Responder e dialogar, de forma sincera e transparente sobre os nossos impactos, para esclarecer as dúvidas dos nossos clientes e utilizadores; 
  • Democratizar novas formas de consumo e ajudar nossos clientes a fazer escolhas de consumo em consciência e entendendo o impacto de suas escolhas (em segunda mão, ecodesign …);
  • Consciencializar pedagogicamente  as nossas equipas, clientes e comunidades a adoptar estratégias sustentáveis no seu dia-a-dia de prática desportiva (plogging, ecomobilidade…).

Comunicamos, com o produto como herói em destaque, com a sua ficha técnica, no site e na loja, nas redes sociais, no emailing, na app, em todos os nossos meios. Assumimos um tom informal, do desportista, mas sincero. Os compromissos e resultados das nossas ações podem ser encontrados e comprovados nos relatórios de sustentabilidade.

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Sónia Pereira da Silva está na génese da Estratégia da Sustentabilidade da Santa Casa da Misericórdia, após vários anos a trabalhar em comunicação. Conhece o seu percurso e o trabalho que está a ser desenvolvido na Unidade de Sustentabilidade da Santa Casa.

Com formação em Comunicação, Relações Públicas e Jornalismo, e uma larga experiência em departamentos de Comunicação, como chega o desafio da Sustentabilidade? 

Diria que foi um encontro feliz e oportuno e para o qual contribuíram muito as pessoas que fui encontrando na minha vida profissional, e espero, a confiança no meu trabalho. Quando entrei na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no já longínquo final de 2009, o meu trabalho passou a focar-se nas áreas da assessoria técnica e da responsabilidade social. Em 2012, a Administração lançou ao departamento o desafio de desenvolver uma estratégia institucional para a sustentabilidade, e a história começou formalmente aí, com a minha integração nessa pequena equipa fundadora e, desde 2013, a dirigir a Unidade de Sustentabilidade.

 

Para uma profissional com vasta experiência em Comunicação, quais são os maiores desafios na transição para o planeamento estratégico de uma área de Sustentabilidade e Responsabilidade Social? Que conselhos dá a quem tenha a ambição de trabalhar em sustentabilidade? 

A sustentabilidade na Santa Casa, trabalhada numa perspetiva transversal, é algo muito recente na vida da instituição. Só para dar uma ideia, comemoramos este ano 523 anos de atividade.

Como área nova, um desafio foi, desde logo, afirmar-se e mostrar-se como relevante para o modelo e práticas de gestão. Esse facto, somado à diversidade das áreas de intervenção da Casa, que vão desde a ação social e a saúde, à gestão de património imobiliário e à exploração dos jogos sociais, só para citar algumas, e à especificidade e complexidade das atividades de cada uma, tornou muito desafiante conseguir-se fazer um planeamento estratégico e transversal, definindo objetivos e metas comuns para os quais todos os serviços contribuam.

É um caminho que sempre encarámos como uma maratona, às vezes com passos atrás, e nunca como uma corrida curta. Talvez por isso, o primeiro conselho que daria a quem tenha a vontade de trabalhar em sustentabilidade, seria a de fortalecer a sua resiliência, porque vai precisar de recorrer a ela muitas vezes.

Muito do trabalho em sustentabilidade não tem resultados imediatos e visíveis (afinal, trabalhamos em prol das gerações futuras e de um planeta melhor), e por isso, pode haver alguma dificuldade em fazerem-se passar mensagens e em evidenciar os benefícios de certos investimentos.

É preciso não desistir, arranjar formas mais criativas de mostrar a relevância das propostas e trabalhar sempre numa perspetiva colaborativa.

 

Como é o dia-a-dia de uma diretora de Sustentabilidade e Inovação? Quais as principais tarefas, metas e KPIs? 

A pandemia COVID-19 e o teletrabalho trouxeram novos desafios à gestão de equipas, mas uma coisa que posso desde já dizer sobre o meu dia-a-dia é que nunca é monótono.

A nossa Unidade de Sustentabilidade tem duas grandes áreas de competência:

  • Responsabilidade Social
  • Gestão Ambiental

Cada uma delas trabalhando múltiplos temas, e em simultâneo, e pessoas com vários perfis.

Sinto-me privilegiada por trabalhar com uma equipa tão diversa e multidisciplinar, com quem tenho aprendido tanto, e pela abertura que tenho sentido da parte das minhas chefias em relação à apresentação de novas propostas e ideias. Nem todas saem do papel, e em alguns casos ainda bem, mas essa liberdade tem sido um grande motor de promoção da nossa criatividade e resiliência.

Trabalhar numa área como a sustentabilidade, em que tantas matérias, sociais, ambientais, éticas, económicas, estão interligadas, no plano mais prático da gestão diária, obriga por vezes a uma certa «dança» entre assuntos e projetos, mas é algo que me agrada.

Num momento estou a falar com uma pessoa da equipa sobre ações na área da diversidade e inclusão ou a colaborar na preparação de uma iniciativa de responsabilidade social, e no momento a seguir a responder a e-mails relacionados com a recolha de resíduos, ou a analisar indicadores de eficiência energética e hídrica.

Neste momento, a nossa grande prioridade transversal é a elaboração do Relatório de Sustentabilidade 2020 e quase toda a equipa está envolvida nesse projeto conjunto da sua preparação, desde a recolha e sistematização dos dados ambientais, à reunião dos contributos dos outros serviços, à elaboração do texto, mas ao mesmo tempo cada um desenvolvendo outras ações nas suas áreas de trabalho.

estratégia da sustentabilidade na santa casa da misericórdia de lisboa

 

Antes de trabalhar na Estratégia de Sustentabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que viria a dar origem à Área de Sustentabilidade e Inovação, participou num projeto de Responsabilidade Social, o REPARAR.

Pode falar-nos um pouco sobre este projeto e a importância dele para si e para a SCML? 

A REPARAR foi um projeto de responsabilidade social que ajudei a criar em 2011 e pelo qual, mesmo depois destes anos todos, mantenho um carinho muito especial.

Basicamente, consistia em realizar campanhas de obras de reparação interior em casas de pessoas idosas carenciadas apoiadas pela área de ação social da Santa Casa com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida e de segurança doméstica.

As reparações eram custeadas por empresas que aderiam ao projeto e feitas por equipas de colaboradores seus em regime de voluntariado ao longo de um dia, depois de um trabalho de preparação por uma empresa de construção civil.

Era um projeto muito trabalhoso, porque a campanha de intervenções nas casas, cerca de 30 em cada edição, era realizada num prazo de 2 meses, com várias habitações a serem intervencionadas em simultâneo, mas extremamente envolvente e gratificante. O impacto na vida das pessoas idosas que beneficiou era imediato e visível.

Falo de coisas às vezes tão simples como substituir banheiras por bases de duche, eliminar desníveis entre divisões, reparar humidades, substituir candeeiros ou pintar paredes, mas que aquelas pessoas não tinham nem meios económicos nem desembaraço para contratarem.

Foi um projeto muito importante para mim e marcou o meu despertar para os temas da responsabilidade social e da sustentabilidade, em todas as dimensões. Como seja o da necessidade de se criarem cidades e comunidades sustentáveis, inclusivas e acessíveis, um desígnio totalmente alinhado com a missão social da Santa Casa.

 

Numa instituição da dimensão da SCML, e com o tipo de atividade que tem, as questões ambientais, nomeadamente de eletricidade, água e resíduos, são um desafio para gerir.

Que estratégias têm implementado e que resultados têm obtido? 

São efetivamente um desafio, acrescido pelo volume e diversidade da nossa atividade, mas também pela heterogeneidade dos nossos edifícios e do tipo de utilização.

Temos enfrentado esse desafio definindo e aplicando medidas transversais, para um maior alcance e impacto.

Na eletricidade, além de definirmos requisitos de sustentabilidade para o fornecimento de energia elétrica nos concursos públicos, temos investido em medidas de mitigação de energia reativa, na substituição de iluminação e no investimento em sistemas de produção de energia renovável, além da comunicação e sensibilização interna.

Na água, destacaria sobretudo a nossa adesão ao sistema Waterbeep da EPAL, que é o nosso maior fornecedor de água, que nos tem permitido monitorizar os consumos e controlar fugas de água em todos os edifícios localizados em Lisboa. Só em 2019, através desta monitorização, que é diária, e de uma atuação mais célere para controlo dos consumos atípicos, conseguimos evitar custos adicionais na ordem dos 60 mil euros e o desperdício de mais de 20 milhões de litros de água.

Em relação à gestão dos resíduos, depois de um longo trabalho de identificação de todos os tipos de resíduos produzidos e de montagem de um sistema de gestão interna e com operadores de resíduos, o nosso maior foco atual e futuro será na prevenção da produção de resíduos, que é o mais difícil de conseguir, no seu encaminhamento preferencial para destinos de reciclagem e valorização, e na identificação de formas alternativas do seu encaminhamento, procurando soluções que sigam os princípios da economia circular. 

 

Como definem os indicadores a serem melhorados e como realizam o controlo deles?

Quando começámos a trabalhar na sustentabilidade e definir uma estratégia, fizemos um grande trabalho de auscultação interna e de diagnóstico. Foi uma etapa fundamental para estabelecer o ponto zero e decidir os passos seguintes.

Na altura, os indicadores que obtivemos permitiram-nos perceber, por exemplo, que a área ambiental, e em particular a área de gestão de resíduos, carecia de uma intervenção profunda e centralizada. Essa tornou-se uma das nossas prioridades e orgulha-me olhar par trás e ver o percurso que já percorremos. 

Mas, de diferentes formas, seja via o estabelecimento de parcerias e trabalho conjunto com outras organizações de referência na área da sustentabilidade, seja através dos referenciais que seguimos, como o Global Reporting Initiative, e dos próprios processos de gestão de partes interessadas, temos sempre procurado fazer diagnósticos periódicos e a aferir quais são as nossas necessidades de intervenção ou onde existem oportunidades de melhoria.

Os indicadores são definidos em conjunto com outros serviços, nomeadamente o responsável pela estratégia e planeamento global, e são incorporados, sempre que possível e aplicável, no ciclo de gestão, com um plano de ação e de monitorização. 

 

estratégia da sustentabilidade - sónia pereira da silva

 

O apoio à comunidade é sobejamente reconhecido à SCML, mas especificamente na área da sustentabilidade entregaram 4,5 milhões de euros em apoios e subsídios a boas causas de outras entidades.

Pode falar-nos um pouco sobre estes apoios? 

A Santa Casa tem uma grande tradição de apoios a boas causas. Mais do que ser resultante de uma estratégia de sustentabilidade e responsabilidade corporativa, é algo que está intrinsecamente ligado à sua missão e fins estatutários.

Apoiar outras organizações e projetos e ações afins ou complementares às nossas atividades, é uma forma de amplificarmos o alcance do nosso trabalho e de contribuirmos para o fortalecimento do ecossistema de organizações sociais e da sociedade civil.

Um exemplo desses apoios é o Fundo Rainha D. Leonor, através dos quais apoiamos financeiramente outras misericórdias do país a conseguirem concretizar os seus projetos de reabilitação ou criação de novos equipamentos sociais, garantindo que conseguem dar uma melhor e maior resposta às populações que servem.

Outros são os Prémios Santa Casa Neurociências, criados em 2012 e que têm contribuído para promover a investigação científica nacional na área das biociências, e as iniciativas de apoio ao empreendedorismo.

 

Que tipo de cuidados têm definidos para os vossos colaboradores e que importância têm estas ações num Plano de Sustentabilidade? 

Há um conjunto muito significativo de benefícios destinados aos colaboradores, sejam ativos ou reformados, ampliados ao longo dos últimos anos, sendo que em alguns casos abrangem também os seus familiares, nomeadamente os filhos.

Dois dos apoios mais recentes que posso citar são o seguro de saúde, que foi atribuído a todos os colaboradores efetivos, e a disponibilização de consultas de psicologia. 

Somos cerca de 6000 trabalhadores, uma significativa parte dos quais com contacto direto diário com clientes e utentes, nomeadamente nos equipamentos sociais e de saúde. Por isso, assegurar a segurança e o seu bem-estar e promover a sua contínua valorização são eixos fundamentais da nossa sustentabilidade que reforçaremos sempre.

 

Para empresas que pretendem iniciar, ou iniciaram, um caminho mais sustentável, um dos desafios é o controlo dos fornecedores. Sendo esta uma área de competência do Departamento liderado pela Sónia na SCML, que exemplos pode apresentar da vossa atuação? 

A Santa Casa está vinculada ao Código dos Contratos Públicos, que sendo um referencial legal, define regras para todas as etapas da formação dos nossos contratos, incluindo o controlo dos fornecedores e da execução dos contratos.

Nesta matéria, e na minha experiência, sobretudo, de gestão de contratos na área ambiental, o esforço tem sido no sentido de continuamente clarificarmos e reforçarmos os requisitos da prestação dos serviços, no sentido de os alinhar com as nossas diretrizes ambientais e os nossos compromissos, e de fazermos um controlo muito próximo da qualidade dos serviços prestados.

Paralelamente, colaboramos com os outros serviços na identificação de critérios ecológicos que possam ser incluídos em aquisições de bens e serviços, seguindo os princípios das compras públicas ecológicas. 

 

Para finalizar, sendo a Sónia uma profissional de referência na Sustentabilidade em Portugal, como tem visto a evolução do tema para as pessoas e empresas no nosso país? O que antecipa que venha a acontecer nos próximos anos? 

A evolução tem sido exponencial. Mesmo que ainda estejamos muito no início do caminho de um futuro sustentável, noto uma diferença absoluta na forma como a sustentabilidade é hoje abordada no contexto organizacional em relação há poucos anos.

Quando comecei a trabalhar nestes temas, a pressão para uma organização promover a sua sustentabilidade vinha dos poucos profissionais da área e de académicos e a comunicação era muito unilateral.

Hoje em dia, na minha opinião, um dos grandes motores da promoção da sustentabilidade organizacional são os colaboradores, que exigem que a sua organização ou empresa seja muito melhor, que tenha um propósito e não um apenas um negócio.

A pandemia COVID-19 veio acelerar muitas tendências e alterar a direção de outras, e estamos em plena mudança. Na área da sustentabilidade, tenho muita esperança de que os temas sociais e éticos, da diversidade, da empatia e da tolerância, entre outros, ganhem cada vez maior projeção e estejam presentes de uma forma séria e consequente nas agendas das empresas e no seu propósito de criação de valor social.

Sónia Pereira da Silva

Diretora da Unidade de Sustentabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Iniciou a sua carreira profissional em 1998, ainda enquanto estudante, no Instituto Politécnico de Coimbra, onde trabalhou na área da comunicação institucional. Entre 2000 e 2004 assumiu as funções de responsável do seu Gabinete de Comunicação e Imagem, coordenando as atividades de comunicação institucional e assessoria de imprensa.

Em 2004 assumiu o cargo de coordenadora do Gabinete de Comunicação e Imprensa do organismo público central responsável pela promoção da segurança e saúde no trabalho e inspeção das condições de trabalho, à altura o Instituto de Desenvolvimento e Inspeção das Condições de Trabalho. Durante os 5 anos seguintes em que trabalhou na área da segurança e saúde no trabalho, coordenou toda a atividade de comunicação institucional, de publicidade e de assessoria de imprensa.

Em 2009 foi assessorar o Departamento da Qualidade e Inovação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma área nova da instituição. Foi neste contexto que participou na estruturação e operacionalização da REPARAR – Ação de Voluntariado de Reparações Solidárias. No início de 2012 integrou a equipa do departamento responsável por estruturar e operacionalizar a Estratégia de Sustentabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. No final do mesmo ano, assumiu a direção da recém-criada Unidade de Sustentabilidade e Inovação, o serviço responsável por impulsionar a sensibilização e mobilização para a sustentabilidade dentro do universo da Santa Casa. 

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Duas amigas, com largos anos de experiência no mundo da moda, decidem começar a sua marca em plena pandemia.

O que as diferencia? Usam restos de fios das grandes marcas, para criar camisolas feitas por tricoteiras em Portugal. Lê tudo na entrevista.

 

Quem é e como surgiu a Thinking G? 

Thinking G foi criado por duas amigas, daí a confiança e suporte ser o núcleo da companhia.

Muitos de nós, durante a pandemia, tivemos mais tempo para refletir sobre as metas da nossa vida e repensar os nossos valores. Nós tivemos uma ideia de criar uma marca comercial de moda, contudo sabíamos desde o princípio que não será só mais uma peça de roupa no mercado da moda.

Nós acreditamos que tudo que criamos deve ter um significado. A principal e primeira ideia estava relacionada à produção sustentável. Ambas trabalhávamos na indústria da moda, por isso sabíamos que usualmente as marcas não utilizam os seus tecidos ou os seus fios de lã até ao fim, existem sempre sobras. Depois de encontrarmos os parceiros, a ideia foi completada e a Thinking G nasceu na forma com agora a vemos.

 

moda com restos de fios

 

Alguém que veja pela primeira vez a Thinking G, que percepção ambicionam que tenha imediatamente? 

Para aqueles que vêm a peça de Thinking G pela primeira vez, nós gostaríamos que olhassem além.

Queremos que as pessoas vejam o produto de alta qualidade e todo o trabalho para de trás dele. Nós gostaríamos que esta peça faça as pessoas perceberem que uma camisola de fio de lã natural pode substituir 4 camisolas de poliéster de produção de massa, e que uma peça manualmente feita não quer obrigatoriamente dizer que está fora de moda.

Claro que queremos que as pessoas compreendam que uma certa atitude consumista não prejudica, mas ao contrário, pode ajudar a planeta. Todavia Thinking G é acima de tudo um lindo produto de moda, por isso que tal o simples “wow” com primeira impressão?

 

A Thinking G assume uma missão de desperdício zero na produção de roupa. Podem explicar-nos como o fazem?

THINKING G – a marca que dá às sobras a atenção que elas merecem. Acreditamos que o nosso conceito principal merece atenção e deveria tornar-se numa prática amplamente usada a nível mundial.

Nós usamos as sobras dos fios quais compramos das marcas de luxo ou de fábricas que fabricam para tais. Infelizmente, 1-2 kg das sobras do fio podem ficar armazenadas para sempre, mas nós ficamos felizes de lhes poder dar uma segunda vida.

Após ter comprado os fios, os mesmos têm de ser limpos e dobrados para ficarem prontos para as nossas artesãos.

Desperdício zero na produção mundial pode parecer uma utopia por agora, a qual não nos impede de dar os primeiros passos para o realizar. 

Tanto as marcas como as fábricas seguem a ideia de redução de desperdício ou simplesmente querem livrar-se das suas sobras, geralmente ficam felizes em colaborar.

 

moda feita por tricoteiras com restos - thinking g

 

Em relação à produção, que acreditamos possa ter especificidades, como a asseguram?  

Nós desenhamos os modelos em Paris, mas não os fazemos. Trabalhamos com senhoras tricoteiras, que fazem as malhas para nós cá em Portugal. 

Trabalhamos exclusivamente com o fio natural: alpaca, caxemira, merino, lã.

O fio comprado é indicado para trabalhar em máquinas e daí ser demasiado fino. Então tem de ser dobrado para tricotar à mão (pode se fazer manualmente ou com a máquina especial).

Depois passamos o fio dobrado à artesã, que normalmente demora de 20 a 30 horas para fazer uma peça.

 

Que impacto tem para a cliente a utilização de sobras de fio na produção das peças de roupa, no conforto e durabilidade?

Os materiais que usamos para fabricar as nossas roupas são fundamentais para honrar o valor da nossa marca. Nós colaboramos com marcas de luxo e fabricantes de roupa ao comprar os restantes fios de lã, os quais eles não planeiam usar para as próximas coleções.

O montante que compramos varia de 800g até 5 quilos por fio, que pode ser considerado uma sobra à escala de uma grande produção, mas é um puro tesouro para nós e para o cliente. Por vezes é suficiente para criar só um modelo que significa que podes ser a proprietária de uma peça que é única. 

 

thinking g - moda com restos

Como caracterizam as vossas peças, para que tipo de mulher são?  

A mulher Thinking G é uma mulher atenciosa! A mulher que aprecia qualidade sem sacrificar o estilo.

Ao mesmo tempo ela não corre atrás das tendências da moda, mas prefere ser a possuidora da uma roupa que vai durar através do tempo. Ela valoriza a exclusividade, pois cada peça Thinking G manufaturada não pode ser copiada.

 

De que forma a parte social está incorporada na Thinking G? 

Nós tentamos não só ser ambientalistas, mas também socialmente responsáveis ao apoiar a comunidade das mulheres de várias maneiras.

Em conjunto com a nossa equipa de tricoteiras, nós produzimos roupas em Portugal. Leva horas de trabalho de precisão e dedicação para criar uma peça manualmente tricotada. Pode ser o trabalho a tempo inteiro para algumas tricoteiras ou o tempo parcial para outras, nós ficamos felizes por encorajar o seu trabalho ao pagar-lhes um valor justo.  

Também cooperamos com a “Woman Foundation”, que apoia mulheres que sofrem de violência doméstica, ao providenciar com suporte jurídico e financeiro. Nós por vezes queremos ajudar, mas não sabemos como fazê-lo. As nossas clientes podem encontrar informação mais detalhada e contatos no nosso website

 

São uma marca que nasceu em plena pandemia, que todos os estudos indicam esteja a marcar mudanças no tipo de consumo das pessoas. Como imaginam o futuro da moda e quais as expectativas da Thinking G? 

O mundo da moda está a mudar drasticamente neste momento. Apesar de cada marca estar a proclamar a sustentabilidade, por vezes essas declarações são falsas, mas também existem muitas marcas que realmente mudam a atitude delas e lançam iniciativas ambientalmente e socialmente responsáveis.

Há cada vez mais plataformas para marcas sustentáveis, mais bloggers a apoiar a comunidade, e por último, mas não menos importante – nós começamos a ter clientes que se preocupam com estes ideais. Estes clientes estão dispostos a comprar roupa feita eticamente, concluindo que não é uma questão de grande mudança na sua atitude, mas somente uma simples escolha de roupa que ao mesmo tempo se torna numa entrada para algo maior. Como uma passagem de “Thinking Good” para “Thinking Global”.

Thinking G nunca será enorme e não é esse o nosso objetivo. Nós sonhamos com uma produção com o mínimo de desperdício e sobre uma comunidade das mulheres que partilham os nossos valores.

Nós usamos o hashtag que nos ajuda a identifica-las #spottinggthinkers e estamos felizes ao ver esta comunidade a crescer. 

Viktoria and Liliia

Fundadoras da Thinking G

Duas personalidades diferentes com caminhos muito parecidos. Ambas tiraram o Master degree em tradução em Kyiv, Ucrânia, onde aprenderam varias línguas estrangeiras e ambas continuaram os estudos e tiraram o outro degree em Marketing das Industrias de Luxo em Paris, França. As graduadas continuaram os seus estudos ao trabalharem em retalho e venda por grosso para grandes marcas de moda e também para independentes desenhadores de moda contemporâneas.

Em março 2020 estava mais do que na altura de dar o passo seguinte na carreira para ambas, para ver o que pode nascer de uma longa e duradora amizade – e já em Novembro 2020 a marca Thinking G foi lançada.

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A The Natural Affair comercializa suplementos alimentares naturais, mas somente marcas que têm uma missão no mundo, seja de impacto ambiental, seja de causas sociais. Isto tudo nasceu de uma missão da própria fundadora, Marta Puga, que entrevistámos.

the natural affair - suplementos alimentares

 

Como nasce este “affair” com produtos naturais?

O nosso affair com produtos naturais já vem de longe mas sofreu um impulso definitivo com a pandemia.

O primeiro confinamento, em Março de 2020, trouxe-nos uma disponibilidade de tempo que antes não tínhamos e deu-nos a possibilidade de investigarmos um pouco mais as razões dos desequilíbrios que estamos a promover na nossa relação com a natureza. Esta procura trouxe-nos muitas respostas que se sobrepõem, mas que genericamente entroncam nos nossos hábitos de consumo e nos desequilíbrios que eles geram, com resultados que não nos são favoráveis a médio e longo prazo.

Juntamente com as últimas viagens que tínhamos feito, por via das quais assistimos a uma descaracterização e erosão completa de algumas culturas e de alguns locais, estas respostas trouxeram-nos uma maior consciencialização sobre o contributo que todos temos de dar, maior ou menor, para reequilibrar a nossa relação com a natureza.

Como adoramos a diversidade com que o nosso planeta nos brinda, nos seus diversos planos e magnitudes, e como queremos continuar a poder desfrutar dela, entendemos que teríamos de dar também o nosso contributo adicional.

 

Quais os principais benefícios dos produtos que comercializam?

Há uma multiplicidade de benefícios associados aos nossos produtos. Mas neste momento destacaríamos todos os produtos que contribuem para o reforço do sistema imunitário e que ajudam a solucionar problemas de depressão, stress e ansiedade, bem como distúrbios de sono.

 

Vários estudos indicam que há uma tendência para aumentar o consumo destes produtos. Confirmam? Quais as principais alterações que destacam?

Sim, temos assistido ao longo dos últimos anos a uma alteração acelerada das filosofias de vida, com uma transferência da abordagem tradicional ocidental focada na cura (normalmente com recurso a fármacos) para uma abordagem mais focada na prevenção, bem-estar e equilíbrio, abordagem essa tradicionalmente prevalecente nas culturas orientais.

Esta alteração de hábitos está muito relacionada com a evolução do nosso estilo de vida, cada vez mais agressivo, que acaba por gerar desequilíbrios e distúrbios que depois devem ser compensados com suplementação.

Mais importante, o consumidor tornou-se muito mais consciente dos impactos que os seus hábitos de consumo têm ou podem ter na sua vida, sejam positivos ou negativos. Tornou-se mais informado e mais exigente e recorre cada vez mais a produtos que contribuam positivamente para o seu bem-estar e sem efeitos nefastos ou adversos não só para a sua saúde como também para a comunidade.

 

suplementos alimentares - the natural affair

Em que medida a sustentabilidade está presente nos produtos que comercializam?

A sustentabilidade é um dos pilares do nosso negócio e procuramos que se traduza sempre em algo, seja pequeno ou grande. Trabalhamos com empresas que têm essa preocupação e responsabilidade, patrocinando também causas sociais e comunidades locais.

A sustentabilidade no seu conceito mais lato, está presente em toda a cadeia de produção e logística:

  • desde a primeira semente lançada,;
  • passando pela forma de cultivo;
  • pelo controlo das colheitas;
  • passando também pelos invólucros utilizados para embalar e encapsular os produtos;
  • pelos meios de transporte utilizados;
  • terminando na entrega ao consumidor, no embalamento dos produtos e finalmente no benefício financeiro que se retira do negócio e se devolve à comunidade.

Os nossos fornecedores, com maior ou menor intensidade, apresentam sempre alguma distinção nesta vertente face aos seus concorrentes sendo esse aliás um dos nossos critérios de seleção. Seja porque recorrem ao cultivo dos ingredientes em pequenas quintas orgânicas, sem químicos, fertilizantes ou pesticidas seja porque oferecem barras nutricionais à Action Against Hunger por cada embalagem que vendemos, seja porque pagam o preço das matérias primas a um valor 25 vezes superior ao de mercado para financiar projectos integrados de etno-desenvolvimento na Amazónia, seja porque combatem o desperdício do plástico e financiam projectos e instituições locais e globais como o Climate Council, 1% For the Planet ou o Black Lives Matter, seja porque aboliram o transporte aéreo, seja porque recolhem e reciclam as embalagens que produzem, etc.

Os exemplos são diversos e esta informação está disponível online tanto nas nossas redes sociais (@thenaturalaffair) como no nosso blog (thenaturalaffair.club).

Na The Natural Affair tampouco deixaremos de fazer a nossa parte e iremos lançar brevemente um projecto através do qual os nosso clientes poderão contribuir juntamente connosco para um conjunto de causas, directamente em Portugal.

 

Qual o vosso “hero product”, isto é aquele produto de excelência ao nível da qualidade que aporta?

Há produtos ou marcas que pela projeção internacional e mediática podem chamar mais a atenção dos consumidores como é o caso das misturas YourSuper (mencionada na revista People, Woman’s Health e Real Simple, etc), cujos produtos acabam de ser incluídos na Cologne List para atletas de alta competição, o caso dos Chás funcionais da Mission (aclamados pela  Runners, Evening Standard, The Times, The Guardian, Forbes, Women’s Health e Womens’s Running)  que substituem as tradicionais bebidas desportivas e energéticas ou as algas premium da Abyssea (Marie Claire, Marie France, WMag, etc).

Mas temos no nosso portfolio outras marcas menos conhecidas mas igualmente com produtos de qualidade premium e que constituem excelentes (e acreditamos que melhores) alternativas à tradicional oferta de mercado. Serão exemplo os produtos da Guayapi, mais exóticos e menos comuns entre nós e os produtos da Rohtos Labs. Resumidamente, não existe um hero product mas sim um hero concept, baseado na integridade e qualidade dos ingredientes dos nossos produtos.

 

Quais as categorias de produtos que têm registado maior procura?

A procura é diversa mas neste momento especifico que estamos a viver há muita ansiedade, stress, distúrbios de sono e depressão. Estes produtos estão a ter neste momento uma procura maior.

Há também muita procura por produtos que permitam melhorar a performance intelectual pois há muitas pessoas confinadas em casa com cargas de teletrabalho continuas muito elevadas às quais devemos acrescentar a gestão familiar.

Há também uma procura elevada por produtos que possam compensar a falta de exposição solar, como seja a vitamina D. Finalmente, há também uma procura elevada por produtos que possam reforçar ou fortalecer o sistema imunitário.

 

Há quem defenda que a tendência para uma alimentação saudável também se insere num novo estilo de vida. Concordam? Se sim que estilo de vida é este?

Sim, essa tendência resulta da cada vez maior e mais completa informação que obtemos e do consequente escrutínio que podemos fazer relativamente às nossas próprias opções. Apesar de não sabermos ainda tudo, hoje já conseguimos ter uma ideia bastante clara e aproximada dos componentes alimentares que ingerimos. Esse escrutínio começou a ser efetuado pelos consumidores, que começaram a perceber que muitas das suas opções eram objetivamente prejudiciais para a sua saúde e potencialmente prejudiciais para o ambiente.

Há um chavão agregador de toda a comunidade científica e que é inquestionável nesta matéria: Somos o que comemos. É portanto natural que a generalidade dos consumidores passe a efetuar um consumo mais consciente e responsável. E dentro dessa nova consciência é também natural que passemos a adotar hábitos de vida mais saudáveis, com menos imobilismo e mais exercício físico, mais vida ao ar livre e mais socialização. Todos estes fatores contribuem para o nosso equilíbrio individual e coletivo e se há algo que aprendemos com esta pandemia é a relevância das pequenas coisas e dos pequenos hábitos.  Sem estigmas ou dogmas acreditamos que todos nós rapidamente caminharemos no sentido de viver vidas mais equilibradas.

 

O que valorizam estes novos consumidores, que procuram e consomem este tipo de alimentos?

Não há uma resposta “one fits all”. Acreditamos que há muitos incentivos ao consumo de Super Alimentos, Suplementos Alimentares e Comidas Funcionais.

A motivação nem sempre é conceptual ou ideológica. Muitas das vezes advém de um determinado padrão de vida, de uma necessidade específica ou uma deficiência nutricional que é preciso suprimir. Mas se tivermos que categorizar o nosso cliente tipo diríamos que são pessoas que se preocupam bastante com a qualidade da sua alimentação e suplementação, que valorizam o equilíbrio emocional e físico e que se preocupam com o seu bem-estar e com o bem estar social.

 

the natural affair - suplementos alimentares

 

Sentem que o preço pode ser uma barreira à compra? Como explicam o “value for the money”?

Sim. O preço é um fator naturalíssimo de seleção e neste momento difícil que atravessamos e com perspetivas de futuro tão incertas é um fator bastante crítico. Mas também por isso as escolhas têm de ser mais seguras, inteligentes e assertivas.

A nossa filosofia de negócio e de produto valoriza a qualidade e integridade acima do preço. Queremos oferecer produtos bons que contribuam, de facto, para a saúde e bem-estar de quem os consome, com o benefício adicional de todos sabermos que o seu consumo tem também um impacto positivo social ou ecológico positivo muito mais abrangente. Ao mesmo tempo, acreditamos que o consumidor que nos procura é suficientemente informado e quando nos procura é por uma razão.

Neste sector, com tanta oferta disponível e aos mais variados preços, é fundamental que o consumidor se questione e que saiba o que efetivamente está a comprar. O value for the money está explícito no nosso conceito e filosofia de negócio, na nossa forma de estar e na nossa transparência em relação ao “sourcing” e à qualidade dos ingredientes que utilizamos.

Finalmente, vender por vender não é uma opção para nós.  Queremos manter enquanto empresários a mesma integridade que mantemos nas nossas vidas privadas e queremos causar um impacto positivo nas vidas das pessoas. Se entendermos que não o vamos conseguir, preferimos não vender. Tendo tudo isto em mente, os nossos clientes sabem que dificilmente encontrarão no mercado produtos de qualidade superior aos nossos e sabem também que estão a efetuar uma compra honesta.

 

Onde podem os interessados adquirir os vossos produtos?

Acabamos de começar e para já vendemos apenas na nossa loja online, em www.thenaturalaffair.com . Mas estamos a selecionar um conjunto de parceiros que partilham os mesmos valores para que os produtos cheguem também ao retalho físico.

Marta Puga

CEO The Natural Affair

Licenciada em Engenharia Informática, fez grande parte da sua carreira profissional na banca passando depois pela consultoria de gestão e pela consultoria informática. Em 2019 decidiu dedicar-se exclusivamente aos Suplementos Alimentares e Produtos Naturais.

O compromisso com um estilo de vida e alimentação saudáveis foi acontecendo progressivamente mas foi despoletado com a primeira gravidez, há 18 anos.  A família foi construindo um estilo de vida mais saudável e responsável, que não passa só pela alimentação mas também pelo exercício físico, privilegiando o contacto com a natureza e o respeito pela mesma, que passa pelo respeito pelos outros e pelo estabelecimento de hábitos de consumo informados e sustentáveis.

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A Wayz são sapatilhas sustentáveis, feitas para durar e com design e fabrico português, que nasceram de uma paixão e sonho comum de dois estudantes do curso de Design de Calçado.

Além da parte ambiental do produto, contribuem para uma associação de apoio a populações desfavorecidas e têm bem presente que Ninguém compra um produto de que não gosta, só por ser sustentável”.  Está tudo na entrevista.

Como surge a WAYZ? 

A Wayz surge quando eu e o Daniel nos conhecemos, no final de 2017. Ambos frequentávamos o Curso de Design de Calçado na Lisbon School of Design, no Porto. Descobrimos que tínhamos uma paixão comum por sneakers e partilhávamos o mesmo sonho, criar uma marca de sneakers portuguesa.

Desde o primeiro momento também sabíamos que queríamos fazê-lo usando materiais de qualidade, amigos do ambiente e desenvolver a marca em total transparência com os nossos seguidores e futuros clientes. A partir daí foi pôr mãos à obra.

Durante um ano procurámos os materiais, trabalhamos o conceito e a identidade da marca e desenhamos a nossa primeira coleção, que tem 4 modelos. No final de 2018 tínhamos os primeiros protótipos prontos. 

Desde o início que a nossa ideia era lançar a marca através de um Crowdfunding. Assim, em Maio de 2019, lançámos a nossa campanha na plataforma Indiegogo, onde vendemos cerca de 200 pares num mês. No final de 2019 lançamos a loja online, www.wayzforlife.com e começamos a vender também em lojas físicas, no Porto e em Lisboa e em alguns marketplaces digitais. 

 

Wayz - sapatilhas sustentáveis e éticas

 

Como definem a WAYZ? 

A Wayz é uma marca de sapatilhas, desenhadas e produzidas localmente, de forma responsável e ética, com materiais reciclados e biodegradáveis.

A nossa missão é criar produtos autênticos com design intemporal, feitos para durar, e vendê-los a preços justos.

Queremos também promover a mudança, inspirando as pessoas a seguir um estilo de vida mais consciente e responsável, onde cada um assume a sua responsabilidade, consumindo menos, mas melhor, comprando produtos mais duradouros, cuidando deles, dando-lhes uma segunda vida ou reciclando-os. 

 

Referem que devemos diminuir o consumo e as WAYZ são de design intemporal e para durar. Como se gere isto ao nível de negócio? 

O nosso objetivo é que os nossos clientes valorizem as Wayz, percebam facilmente a qualidade, conforto e durabilidade do produto, e como tal considerem bem empregue o dinheiro que pagaram por elas.

As Wayz não são baratas, mas têm um preço justo, que reflete a forma como são concebidas (design, materiais, qualidade de fabrico, etc). Sabemos que um cliente satisfeito pode tornar-se num embaixador da marca e ajudar-nos a chegar a mais pessoas.

Não precisamos que cada pessoa compre um par de sapatilhas a cada 6 meses, mas que o par que comprou dure e que tenha gosto em utilizá-lo ao longo dos anos. É uma forma de crescer responsável e sustentada.

Depois, podemos e iremos desenvolver acessórios (cordões, palmilhas, etc) para que possamos manter os Wayz em bom estado e continuemos a gostar deles, mesmo depois de muito usados… produtos com história(s). 

 

Os vossos materiais são eco-friendly. Como conseguiram chegar até eles? 

Eu diria que chegar até eles não foi difícil. Estamos no Porto, muito perto dos dois maiores polos de produção de calçado portugueses, Felgueiras e S.J. da Madeira, e como tal, após algumas pesquisas e contactos com pessoas da área e com o Centro Tecnológico de Calçado, foi relativamente fácil chegar até eles.

O que não foi fácil foi conseguir os materiais (cores e texturas) que queríamos, sobretudo os têxteis reciclados. Hoje em dia já é mais fácil, mas na altura, alguns fornecedores estavam apenas a começar a trabalhar com este tipo de produtos, outros nem sequer tinham. Os nossos primeiros protótipos foram feitos com têxteis reciclados que mandamos vir de um fornecedor na China. Não era de todo aquilo que queríamos e felizmente, antes da primeira produção, conseguimos encontrá-los em fornecedores locais. 

 

wayz - sapatilhas sustentáveis com materiais eco-friendly

 

 

Que outras preocupações incluem na vossa produção e distribuição? 

Um produto não pode ser sustentável se não tiver qualidade e não for duradouro. Os nossos materiais para além de amigos do ambiente, são também de grande qualidade.

O cuidado que temos na produção também reflete essa preocupação, pois temos um controlo de qualidade muito rigoroso e usamos técnicas de produção (ex: sola cosida, forro 100% em pele, sola de borracha) que tornam as Wayz mais resistentes ao desgaste. 

Na distribuição também houve preocupações, o packaging feito de cartão reciclado e adaptado aos envios por correio. Concebemos uma caixa que serve de caixa para as sapatilhas e de caixa de envio. Desta forma evitamos enviar uma caixa dentro de outra caixa e poupar recursos.

 

As WAYZ são 100% feitas no Norte de Portugal. Quão importante era para vocês assegurar algo 100% português?

Desde o primeiro momento que queríamos fazer um produto 100% português, um produto local, desenhado e produzido em Portugal com materiais portugueses. Ainda não é 100% português, porque o nosso têxtil, apesar de ser comprado em Portugal, é produzido em Espanha. Mas é quase! 

Ao escolhermos fornecedores locais estamos também a garantir que a nossa cadeia de produção contribui para o desenvolvimento de indústrias locais e que temos um impacto ambiental mais reduzido, pois não temos que importar os nossos componentes de países longínquos. 

 

Como o mercado percebe ser 100% português? Valorizam, nacional e internacionalmente? 

Os Portugueses valorizam, cada vez mais. Temos notado isso, sobretudo no último ano. Internacionalmente é mais o facto de ser uma marca independente, com um produto local e de grande qualidade, feito com materiais amigos do ambiente. 

 

wayz - sneakers sustentáveis

 

Sentem que a maioria dos vossos clientes chegam por serem sustentáveis, de design apelativo ou exclusivos?

Penso que são 3 argumentos de peso. Há clientes que apreciam os 3, outros que vão apenas por uma parte. Ninguém compra um produto de que não gosta, só por ser sustentável, portanto, o design é a nossa maior preocupação. Temos um conceito, um design próprio, e isso já é reconhecido.

A sustentabilidade, exclusividade, a nossa história, a transparência são também fatores valorizados pelos nossos clientes. 

 

Doam parte da vossa receita aos sem abrigo do Porto. Podem falar sobre esta ação? 

Um dos nossos pilares é a responsabilidade social. Desde o início do projeto que queremos devolver à sociedade aquilo que ela nos dá. Fizemos uma parceria com a SAOM, que é uma instituição de solidariedade social do Porto que tem um trabalho de longa data, reconhecido, com as populações mais desfavorecidas da cidade.

Uma das grandes carências que detetámos foi a falta de sapatos e como tal fazemos doações de sapatilhas com pequenos defeitos ou protótipos, que não podem ser vendidos. Assim, nada se desperdiça e estamos a dar nova vida a estes produtos, que estão em bom estado e podem servir as necessidades de outras pessoas. 

 

Muitos projetos sustentáveis não conseguem comunicar eficazmente a sua diferenciação. Que importância dão à comunicação e que ações levam a cabo? 

É verdade, e essa também é a nossa dificuldade. Comunicar bem é difícil, dá muito trabalho e requer muito investimento pois é necessário ter bons conteúdos (textos, fotos, vídeos).

Nós privilegiamos as redes sociais, e o nosso site, como forma de comunicar com a nossa comunidade mas sentimos que não é suficiente. Também fazemos algumas parcerias com outras marcas portuguesas e, pontualmente, com alguns influenciadores. 

No futuro queremos apostar num conteúdo mais regular, atrativo e mobilizador, ao nível das redes sociais e também com a criação de um blog, em que podemos comunicar de forma mais explícita o universo, valores e propósito da Wayz. 

 

São jovens, empreendedores e muito ligados ao Porto e a Portugal. Que ambições para o futuro? 

Vivemos momentos de grande incerteza e como tal é difícil fazer planos. Mas vamos ter que aprender a viver com ela. 

Queremos que cada vez mais pessoas conheçam a marca e experimentem as nossas sapatilhas, em Portugal e nalguns países europeus. Estamos neste momento a estabelecer parcerias com alguns marketplaces digitais europeus e queremos também estar presentes nalguns retalhistas de algumas cidades europeias. 

Vamos crescer, com paciência e resiliência e de forma sustentada. 

Pedro Maçana e Daniel Gonçalves

Cofundadores da Wayz

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