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A Herdade dos Grous está consciente da necessidade de adaptar as práticas agrícolas e de gestão das vinhas, tendo adotado várias medidas no sentido da viticultura sustentável. O seu percurso tem sido reconhecido, sendo o primeiro produtor com certificação de Produção Sustentável atribuída pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

Quais são as práticas inerentes à produção sustentável de vinho? É uma das questões às quais procurámos dar resposta nesta conversa com Luís Duarte, responsável pelo projeto vitivinícola da Herdade dos Grous.

Qual é a história da Herdade dos Grous? Como surgiu e qual a origem do seu nome?

A Herdade dos Grous é um projeto da família Pohl. Criada de raiz na paisagem alentejana, a história da Herdade dos Grous começou com a plantação das primeiras vinhas em 2002 e dois anos depois, em 2004 iniciou-se a produção de vinhos. Ao longo dos anos foi crescendo de uma forma sustentável, e hoje, com 1050 hectares, reúne a produção de vinho e azeite, agro-pecuária, turismo rural e enoturismo.

Os grous, nas suas longas travessias desde o norte da Europa para o Norte de África, tinham como ponto de paragem a herdade. Aqui existia a possibilidade de se alimentarem e nidificarem dadas as características e envolvência da propriedade. A observação e a presença dos bandos destas aves terá estado na origem do nome da nossa herdade.

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Que práticas estão inerentes à produção sustentável de vinho? Pode dar-nos alguns exemplos do que sucede na Herdade dos Grous?

A necessidade de adaptar práticas agrícolas, conscientes das alterações climáticas, levaram à adoção de várias medidas na gestão da vinha. A opção por castas autóctones mais resilientes, medidas de otimização de recursos hídricos e a implementação de práticas de conservação do solo, são apenas alguns exemplos do nosso trabalho realizado em prol do desenvolvimento sustentável.

A biodiversidade é vista por nós como um elemento agregador. Para a Herdade dos Grous o foco no mosaico paisagístico e recuperação da rede ecológica assenta numa estratégia de gestão da biodiversidade, fundamental para o equilíbrio e conservação dos ecossistemas existentes. Esta estratégia é multifacetada e assenta na prática de uma agricultura biológica integrada.

A criação de corredores para a proteção da vida selvagem, a implementação de habitats para polinizadores e a conservação de linhas de água através de plantas arbustivas autóctones, são algumas das medidas que beneficiaram grandemente a vinha e culturas circundantes.

O controlo de pragas que afetam as diferentes culturas, por exemplo, é conseguido através da manutenção de um “suporte aéreo” e traduz-se na instalação de abrigos para morcegos, postes com poleiro e caixas-ninho para aves de rapinas, na zona de interface entre a vinha, olival e montado.

A manutenção e reflorestamento do montado e sementeiras de pastagens permanentes potenciam o sequestro de carbono e na barragem da Herdade, que ocupa uma extensão de 90 hectares, são implementadas ações que visam melhorar e maximizar a retenção natural e qualidade da água, que beneficiam todo o ecossistema.

A aposta no desenvolvimento sustentável na Herdade dos Grous, também passa pela análise e avaliação dos métodos de produção e pelo recurso a materiais mais ecológicos e sustentáveis no embalamento e armazenamento dos seus produtos. É também fomentada a economia circular através da reutilização dos resíduos gerados nas diferentes atividades.

Desde 2018 que são calculadas as emissões de CO2 libertado nas fases de viticultura, vinificação, embalamento e distribuição. A partir desse cálculo foram implementadas medidas em todas as fases do processo que visam a redução das emissões e práticas amigas do ambiente.

A instalação de painéis fotovoltaicos, a alteração do sistema de iluminação para lâmpadas LED e a colocação de sensores de movimento em áreas chaves da adega são algumas das medidas que permitiram um uso mais eficiente da energia com previsível poupança nos custos energéticos.

A implementação de novas tecnologias na gestão da água nas diversas fases de produção da vinha e do vinho também permitiram ganhos na eficiência e redução do consumo deste recurso natural. A monitorização da humidade do solo na vinha, que resultaram em regas mais planeadas e adequadas às necessidades, assim como a instalação de contadores em vários sectores da vinha e da adega permitindo um controlo mais eficaz dos consumos de água, são algumas das práticas atualmente implementadas.

 

A Herdade dos Grous foi o primeiro produtor com certificação de produção sustentável, atribuída pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA). O que significa esta distinção para a marca?

A certificação em Produção Sustentável é para a Herdade dos Grous o reconhecimento público de um trabalho de anos e de toda a equipa. Foi com muita satisfação que vimos a certificação concretizada. Considerando ainda que o consumidor está cada vez mais atento aos modos de produção sustentável, o selo de certificação será mais um fator de escolha dos vinhos Herdade dos Grous, no momento da compra.

De que forma consideram que esta certificação contribui para o reconhecimento do Alentejo e da produção vinícola portuguesa?

Consideramos que a certificação do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo vem dar mais credibilidade e vem dar a conhecer as práticas sustentáveis que já são aplicadas por muitos dos produtores de vinho na região. Temos a noção que o Alentejo está na vanguarda da produção sustentável, quer pelo caminho já percorrido, quer pelas características climatéricas da região. E porque o PSVA tem ganho crescente reconhecimento a nível nacional e internacional, a certificação contribui para a divulgação da mensagem com uma maior e mais eficaz abrangência.

 

Como caracterizam o vosso vinho? Qual o que tem maior procura?

Os nossos vinhos apresentam uma personalidade forte evidenciando as características do terroir da Herdade dos Grous. Marcados pela frescura e pela intensidade da sua fruta, são vinhos de grande longevidade quando se trata dos tintos e de grande riqueza aromática no caso dos brancos.

A nossa gama de vinhos é composta por diferentes perfis de vinhos, o que os torna muito versáteis e também por isso muito procurados. Tendencialmente, os lotes de vinhos tintos mais pequenos e mais exclusivos são aqueles que despertam maior interesse nos nossos cliente. São exemplos disto o Herdade dos Grous 23 Barricas, Herdade dos Grous Moon Harvested e Herdade dos Grous Tinto Reserva.

 

Quem é o vosso cliente? É maioritariamente nacional ou internacional?

O nosso principal target é definido por pessoas com idade superior a 35 anos com poder de compra e conhecedores de vinhos, especialistas e curiosos, que valorizam o prestígio e a singularidade. São estas as principais características de todos os nossos clientes não só no mercado nacional, como nos internacionais.

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A responsabilidade social é um ponto importante para a Herdade dos Grous. Que iniciativas têm desenvolvido neste sentido?

Efetivamente, para além dos aspetos ambientais, a Herdade dos Grous acredita que só é possível ter um projeto verdadeiramente integrado com uma forte aposta na responsabilidade social. A cooperação e bem-estar dos todos os colaboradores são elementos fundamentais para que isso aconteça.

Para tal, asseguramos a formação continua reforçando a consciencialização e as competências ambientais, para desenvolvimento pessoal e profissional de todos.

Asseguramos também a segurança dos colaboradores no local de trabalho e o acesso a condições de saúde de qualidade.

Além disto, apostamos no envolvimento e cooperação com a comunidade local para que o projeto seja verdadeiramente integrado. São desenvolvidas regularmente atividades lúdicas, educativas e de apoio solidário com escolas e associações locais, envolvendo ativamente os colaboradores da Herdade neste tipo de iniciativas.

Luís Duarte

Ser enólogo surgiu por acaso. Luís Duarte nunca teve essa tradição na família, mas a vocação poderá vir da sua infância, passada em Angola até aos 9 anos, onde a agricultura estava bem presente. A sua família trabalhava com fazendas muito grandes onde praticavam agricultura e onde Luís ganhou o carinho pela terra, que se mantem até hoje.

Já em Portugal, foi viver para Vila Real, onde há forte tradição na produção de vinho, e onde veio a inscrever-se no primeiro curso de enologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

O inicio de carreira foi marcado por grandes projetos no Alentejo, onde se manteve e foi peça importante no desenvolvimento da região vitivinícola.

Em 2002 foi convidado a iniciar o projeto vitivinícola da Herdade dos Grous, onde começou apenas como consultor, tendo integrado e constituído a equipa em 2004. Nos primeiros anos ganhou o prémio de Melhor Vinho do Alentejo por dois anos consecutivos. Sorte ou dedicação, esta distinção fortaleceu a marca. Apesar do sucesso inicial, fazer vinhos com um perfil elegante e fresco numa região como o baixo Alentejo, continua a ser um dos maiores desafios.

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