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A Co-Founder da Mind The Trash, Catarina Matos, falou connosco para nos dar a conhecer mais sobre a primeira loja online de desperdício zero em Portugal.

Qual a origem deste nome e de onde surge esta ideia? 

A Mind The Trash surgiu em 2016, em Londres, onde vivi por dois anos e meio a trabalhar enquanto arquiteta. Inicialmente, era simplesmente uma conta de Instagram pessoal onde ia partilhando dicas para um estilo de vida mais consciente e com menos desperdício. A maioria dos seguidores eram estrangeiros e o nome foi inspirado na mítica frase que ouvia todos os dias no metro enquanto me dirigia para o trabalho: “Mind the gap between the train and the platform”. 

Mais tarde, em 2017, ao mudar-me novamente para Lisboa com o meu parceiro de negócio e ex-namorado, Christian Andersen, decidimos juntos abrir a Mind The Trash enquanto loja online como forma de trazer para o mercado nacional os produtos mais ecológicos que já usávamos no nosso dia-a-dia e que não encontrávamos à venda em Portugal.

 

Que tipo de produtos se podem encontrar no vosso website? 

No nosso site encontram produtos que nos ajudam a reduzir o desperdício que produzimos em casa, sendo produtos mais duradouros e que dão prioridade à matéria-prima natural. A grande maioria são produtos veganos e cruelty-free, compostáveis ou 100% recicláveis. Quanto à produção dos produtos, apenas incluímos no nosso portfólio produtos de empresas de comércio justo, com matéria prima gerida de forma sustentável e tentando sempre apoiar o mercado local ou artesanal.

O best seller do nosso website são os nossos champôs sólidos, lançados por eu não encontrar, no mercado nacional e internacional, um champô sólido que gostasse. Sabemos hoje, que muitos clientes aderiram “à moda” dos champôs sólidos por causa dos nossos champôs com o qual também se deram muito bem, tal como um champô em creme.

O vosso website é mais do que uma loja online. Que tipo de conteúdos as pessoas podem encontrar lá? 

Dizer que somos somente uma loja online é redundante para o trabalho que realizamos. Além da loja, temos um blog associado onde partilhamos inúmeras dicas e conteúdo informativo sobre diversos temas relacionados com sustentabilidade. Através das nossas redes sociais, palestras e workshops, também realizamos um enorme trabalho de consciencialização para um consumidor mais informado e sensibilizado para esta temática.

No nosso blog, encontram, por exemplo, informação relativa à triagem do plástico, resultado de uma visita guiada que fizemos em equipa à Amarsul, no Seixal. Neste artigo, explicamos o processo de triagem do plástico assim como esclarecemos vários pontos relacionados com a taxa de gestão de resíduos ou a tarifa de gestão de resíduos. Falamos também sobre o que é o Greenwashing, sobre como ter uma maternidade mais sustentável, entre muitos outros pontos interessantes e relevantes quando se fala de sermos mais ecológicos e reduzirmos a nossa pegada ecológica.

 

A Mind The Trash recorre a embaixadores. Em que medida é que isto é importante para o posicionamento da marca? 

Na Mind The Trash optámos por ter embaixadores por vermos que já havia alguns influenciadores digitais a promoverem os nossos produtos de forma regular. Assim, decidimos incluir embaixadores, dando-lhes a possibilidade de adquirirem mensalmente alguns produtos de forma gratuita, continuando a sua promoção natural e orgânica nas redes sociais.

Posso referir que todos os embaixadores que temos atualmente se candidataram como embaixadores, tendo sido o primeiro contacto feito por eles por já notarem que a maioria dos produtos que usavam no seu dia-a-dia eram da nossa loja ou da nossa marca. Assim, podemos afirmar com grande orgulho, que os nossos embaixadores são verdadeiramente nossos clientes e que todas as suas partilhas são genuínas.

Tendo em conta que se trata de uma marca que luta contra o desperdício, estão presentes em algumas iniciativas/eventos nesse sentido, para além da venda de produtos sustentáveis? 

Sim. Não me faz qualquer sentido termos somente uma loja online e não criarmos iniciativas ou eventos que nos ajudem a divulgar e a sensibilizar sobre os problemas relacionados com o lixo que produzimos, o consumo desenfreado ou a má gestão de recursos da nossa sociedade.

Como exemplo, posso referir que já organizámos algumas recolhas de lixo ou de beatas de forma a sensibilizar a população para a quantidade absurda de plástico que encontramos nas ruas. Também já doámos e plantámos cerca de 136 árvores e arbustos juntamente com a Associação Plantar Uma Árvore, associação à qual já fizemos algumas doações de forma a promover a defesa das nossas florestas nativas.

 

De que forma a produção dos produtos é sustentável? Não em relação ao uso do produto final, mas sim em relação à produção completa do produto. 

Sempre que pensamos em desenvolver um produto sustentável da nossa marca ou trazer para Portugal um produto que achamos que faz sentido e que vai ajudar muitas pessoas a mudar os seus hábitos, sem dúvida que analisamos os produtos para além do que vemos.

Relativamente aos da nossa própria marca, fazemos questão que estes sejam produzidos localmente com ingredientes devidamente selecionados e que possuam certificações que achamos que são importantes não só para termos produtos de qualidade e amigos do ambiente, como também para passar segurança aos nossos clientes. 

Juntamente a isto, o design é algo que tem a nossa atenção. Atualmente, um dos grandes problemas que o ambiente enfrenta são as embalagens descartáveis que têm sido tema por prejudicarem os nossos recursos, fauna e flora. Por essa razão, também as nossas embalagens são pensadas para haver o mínimo desperdício possível e impacto.

Em relação aos produtos internacionais que temos, fazemos questão que este sejam da Europa devido à pegada de carbono que cada um possui. Para além disso, antes de adicionarmos qualquer artigo à nossa loja online, cada elemento da equipa testa para perceber se realmente são eficazes e se faz sentido trazer para a nossa comunidade.

De que forma estão a ajudar em práticas sustentáveis, para além dos produtos que vendem? 

Ao longo dos nossos 4 anos de existência temos vindo a desenvolver iniciativas que nos ajudam a ir para o terreno e por as mãos na massa. Este ano, por exemplo, juntamente com a nossa comunidade fomos para a zona do Cais do Sodré e Ribeira da Naus, apanhar beatas para o projeto de um dos nossos embaixadores – o Andreas Noe, The Trash Traveler. Ficámos muito comovidos porque apareceu mais gente do que esperávamos e isso só demonstra que estamos a passar bem a nossa mensagem.

Gosto de pensar que os produtos são apenas uma peça do nosso propósito. Todos os dias trabalhamos para trazer informação que de outra forma algumas pessoas não iriam ter acesso. Não porque não existe interesse em saber mais, mas existem temas relativos à sustentabilidade que como não são muito falados, nem passam pela cabeça da maioria das pessoas.

Catarina Matos

Arquiteta de formação especializada em Reabilitação, tendo trabalhado na área aproximadamente 10 anos. Viveu 1 ano no Rio de Janeiro e dois anos e meio em Londres, tendo sido nesta última cidade onde se apercebeu do apocalipse do plástico, do desperdício exagerado que produzimos e iniciou estudos em cosmética orgânica. Em 2017, ao regressar a Lisboa, abre a Mind The Trash juntamente com o seu sócio Christian Andersen, a primeira loja online Desperdício Zero em Portugal.

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