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José Maria da Fonseca

Sofia Soares Franco, Responsável de Comunicação Institucional da José Maria da Fonseca, conta-nos sobre como a empresa aplica e desenvolve uma viticultura voltada para a preservação dos recursos naturais.

A José Maria da Fonseca assume, desde muito cedo, um compromisso com a sustentabilidade. Que estratégias têm implementado e que resultados têm obtido? 

A sustentabilidade faz parte do DNA da José Maria da Fonseca há várias décadas. Por ser uma empresa de sete gerações, vemos a sustentabilidade como a única forma de as próximas gerações da família terem uma empresa viável e gerida com responsabilidade nas áreas de meio ambiente, social e económica.

A José Maria da Fonseca tem vindo ao longo dos anos a demonstrar uma crescente preocupação face aos factores ambientais, a qual se traduz na utilização de melhores práticas no tratamento da vinha, melhor gestão dos recursos naturais, sua preservação e conservação. Trata-se de todo um conjunto de práticas cujo crescimento se tem refletido na comunidade em que se insere, permitindo dessa forma uma coexistência solidária apoiada nas necessidades de todos os intervenientes. 

A sustentabilidade é um conceito lato que implica não só a vinha, mas também o trabalho na adega, engarrafamento, packaging, logística, aspectos sociais e económicos. Em todas estas áreas têm sido implementados planos de melhoria contínua com o objetivo de tornar a empresa mais sustentável. 

No final de 2021 a José Maria da Fonseca concluiu com sucesso a sua certificação em Sustentabilidade segundo o referencial FAIR’N GREEN, sendo o primeiro produtor de vinho português a obter esta certificação em sustentabilidade, após uma análise e consultoria detalhadas e exigentes. Esta é uma certificação de sustentabilidade holística, que nos ajuda a melhorar sistematicamente ao longo do tempo.

Alguns resultados relevantes são a redução de consumo de energia em 40% nos últimos 10 anos e a redução de consumo de água em 25% nos últimos 4 anos.

 

Quais são os maiores desafios na transição para o planeamento estratégico de uma área de Sustentabilidade na vossa empresa? 

Um dos maiores desafios é o equilíbrio entre os pilares ambiental e económico da sustentabilidade. Há que tornar a empresa cada vez mais sustentável a nível ambiental, mas sem que isto seja feito à custa da sustentabilidade económica da empresa.

A José Maria da Fonseca detém um dos mais avançados standards internacionais na área da Segurança Alimentar. Em que medida é que isso contribui para o reconhecimento da marca? 

Atualmente detemos a Certificação de Segurança Alimentar pelo BRCGS, issue 8, um dos mais avançados standards internacionais na área da Segurança Alimentar, e que mantém as exigências da Certificação de Qualidade. Esta certificação contribui bastante para o reconhecimento da marca, sobretudo para o trade e grandes decisões do negócio. Nalguns casos, é uma condição crítica sem a qual não podemos fazer negócio.

 

Um dos pilares da marca é o comprometimento em proteger o ambiente, prevenir a poluição e usar os recursos de forma sustentada. De que forma contribuem para tal?

Na vertente ambiental a José Maria da Fonseca mantém práticas sustentáveis inovadoras, como a redução de consumos de água, com objetivos e metas anuais, incluindo o tratamento de todas as suas águas residuais por forma a garantir o cumprimento das normas de descarga e, em paralelo, melhorar a qualidade ambiental nas instalações e na sua envolvente.

A gestão integrada de resíduos, com uma percentagem de reciclagem de cerca de 99% e a redução de consumos de energia são outra das prioridades integradas no seu sistema de melhoria de desempenho ambiental.

A preocupação ambiental estende-se também às vinhas, onde desde o início dos anos 90, temos vindo a aplicar e desenvolver uma viticultura em contacto e voltada para a preservação dos recursos naturais. As práticas de proteção integradas são seguidas em todas as vinhas e estendidas aos fornecedores de uva.

A viticultura procura constantemente um equilíbrio entre a utilização de tecnologia e a preocupação com o meio ambiente. A José Maria da Fonseca foi pioneira na rega gota a gota, que implementou em 1993 e é hoje prática usual na viticultura nacional. Também desde a década de 80 que passou a não mobilizar os solos, mantendo um coberto vegetal que retém a humidade, beneficiando a vida e biodiversidade vegetal e animal, o que consequentemente implica uma menor necessidade de água nas vinhas. Os solos são fertilizados com o engaço das uvas nas linhas das vinhas, incorporando-se também matéria orgânica das podas.

A investigação agrária de novas e melhores plantas tem sido uma prática das últimas décadas e a José Maria da Fonseca tem colaborado com os principais peritos e centros de investigação nacionais e internacionais na área da Enologia e Viticultura. 

Fale-nos um pouco sobre a aposta da José Maria da Fonseca em sistemas solares fotovoltaicos. 

No final de 2021 apostámos na instalação de um sistema solar fotovoltaico para autoconsumo, na Quinta da Bassaqueira, em Azeitão, que nos permitirá uma poupança energética de 38%. Este sistema irá também evitar a emissão de 250 toneladas de CO² por ano, que equivalem a 55 hectares de floresta ou à retirada de 139 carros da estrada por ano. Esta aposta visa produzir e consumir energia verde, reforçando assim o nosso compromisso com a sustentabilidade e a poupança energética, além de apostarmos na produção de energia própria.

 

Quais os próximos passos da José Maria da Fonseca para atingir um planeta mais verde? 

Os próximos passos serão manter a estratégia de sustentabilidade que já vimos a implementar e consolidar a melhoria contínua dos processos, a redução de consumo de energia, redução de consumo de água, continuar a adaptar packaging, assim como desenvolver os planos de ação dentro do programa de certificação FAIR’N GREEN.  

Sofia Soares Franco

Sofia Soares Franco é uma das representantes da 7ª geração da família que há quase 200 anos se dedica ao negócio do vinho e é a única mulher da sua geração pelo que quando a empresa decidiu profissionalizar o seu Enoturismo o perfil da Sofia e o seu background em relações institucionais pareceram os mais indicados para desenvolver esta área.

Sofia é há quase 15 anos responsável de Enoturismo e Eventos da José Maria da Fonseca e desde 2010 acumulou também a função de responsável de Comunicação Institucional.

O Enoturismo da José Maria da Fonseca conta atualmente com dois centros de visitas: a Casa Museu José Maria da Fonseca em Azeitão e a Adega José de Sousa em Reguengos de Monsaraz e terminou o ano de 2019 com números recorde: mais de 42000 visitantes de mais de 80 países tendo neste ano aberto também um restaurante na sua Casa Museu, confirmando-se numa aposta para a empresa.

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