Etiqueta:

made in portugal

Animais, Planeta e Pessoas: Estes são os três pilares da NAE. Marca portuguesa de acessórios e calçado vegan, ecológico e ético. A sigla que deu origem ao seu nome deriva da sua missão de produzir artigos únicos, sem exploração humana ou animal.

“Aquilo que sentimos é que o calçado português é cada vez mais reconhecido em todo o mundo e o carimbo de qualidade é indiscutível”, partilha Paula Pérez fundadora da NAE, relativamente à perceção do selo Made In Portugal a nível internacional.

Quem é a NAE? De onde veio a ideia para criar esta marca?

A nae é uma marca vegan, ecológica e ética de calçado e acessórios. Foi criada em 2008 com o propósito de ser uma alternativa ética e sustentável ao calçado existente, adotando os princípios do veganismo à indústria do calçado. Veja mais sobre os três pilares da marca aqui.

calcado vegan

NAE: O que significa esta sigla e que mensagem pretende transmitir?

NAE é a sigla de “No Animal Exploitation” (Não à Exploração Animal). O nome transmite a nossa missão: propor uma alternativa amiga dos animais e contra a exploração humana. Os nossos sapatos e acessórios são 100% vegan. Nenhum dos produtos é feito de pele animal, pelo ou quaisquer outros subprodutos da carne. Optamos unicamente por materiais sintéticos, reciclados e naturais.

 

A NAE surgiu em 2008, numa altura onde a necessidade de adotarmos gestos mais sustentáveis ainda não estava tão disseminada. Como foi a reação das pessoas perante a vossa marca?

A nae surgiu numa altura em que pouco se falava do veganismo de uma forma geral. E muito menos se falava no veganismo no calçado. Por isso, a reação das pessoas foi de alguma estranheza mas também de muita curiosidade. Essa curiosidade foi muito importante para nós na altura porque permitiu-nos explicar que sapatos vegan não eram sapatos de plástico, e foi assim que fomos conquistando o nosso público. Na verdade, a curiosidade é muito importante para nós ainda hoje porque dá espaço à informação e à mudança.

mala vegan nae

 

Que tipo de produtos podemos encontrar na NAE? Têm algum best-seller?

Temos desde calçado desportivo até ao calçado mais clássico. Para complementar temos também vários tipos de acessórios como malas, carteiras, cintos e suspensórios. Os materiais que usamos são também variados e, portanto, podemos dizer que a nossa gama de produtos é bastante completa. Os nossos best-sellers são talvez os produtos mais descontraídos, não só por serem confortáveis, mas porque se conseguem adaptar a vários looks e ocasiões. Apostamos em coleções funcionais e confortáveis ​​com o objetivo claro de oferecer aos nossos clientes a oportunidade de encontrar num único par de sapatos o conforto e a versatilidade que procuram. Na nae acreditamos que ‘menos é mais’. Não é por acaso que é disso mesmo que a nossa coleção de verão fala. Por exemplo, as sandálias Bay são um modelo unissexo que foi produzido em 3 cores neutras, e que possui uma palmilha ergonómica que se adapta perfeitamente ao formato do pé.

 

Os materiais que utilizam para produzir o vosso calçado são bastante diversificados. Fale-nos um pouco sobre o tipo de materiais que mais utilizam. Como é feita essa escolha?

A nossa preocupação quando fazemos pesquisa de materiais é que o material seja 100% de origem vegetal, sustentável (quanto mais natural melhor), resistente o suficiente para calçado e produzido sem recurso à exploração humana. É um desafio interessante porque por vezes um material tem tudo o que queremos no que diz respeito à sua composição e aos níveis de sustentabilidade mas depois não é resistente e chumba no centro tecnológico do calçado. Já não podemos usar. Ou o material é extremamente resistente e a sua origem é 100% vegetal mas os níveis de sustentabilidade são baixos ou a sua produção é duvidosa. Já não usamos também. É muito difícil encontrar este equilíbrio que para nós é muito importante e para os nossos clientes também. É com esta pesquisa exaustiva que conseguimos garantir a qualidade a todos os níveis dos materiais que usamos.

calçado vegan

 

Se tivessem de descrever os vossos artigos com três palavras, quais escolheriam? E porquê?

Animais, Planeta e Pessoas porque são os três pilares da nae.

Animais porque não usamos materiais de origem animal em nenhum dos nossos produtos;

Planeta porque os materiais que usamos são sustentáveis e ajudam a minimizar o impacto no meio ambiente;

Pessoas porque valorizamos os direitos humanos e não apoiamos nenhuma empresa que pratique qualquer tipo de exploração humana.

 

A sustentabilidade não é só a nível ambiental, e a NAE sabe disso. De que forma garantem a ética laboral de quem trabalha com a marca?

Começamos por garantir a ética laboral na própria nae. Valorizamos cada membro, dando-lhe todas as condições laborais para que juntos possamos todos crescer. Porque somos uma equipa. Depois, a nossa relação com as fábricas e fornecedores. Os nossos sapatos são manufaturados em quatro fábricas no norte de Portugal, com as quais mantemos um contacto permanente. Tanto as fábricas como os espaços laborais associados à NAE Vegan Shoes são regidos por um protocolo de Higiene, Segurança e Saúde no trabalho e um Código de Ética e Conduta.

As nossas relações profissionais são estabelecidas com empresas, fornecedores e parceiros que privilegiam a ética laboral e valorizam os seus colaboradores.

cinto vegan nae

O calçado NAE é “Made in Portugal” e é exportado para todo o mundo. Na vossa opinião, como é percecionado este selo a nível internacional?

Ao longo destes 13 anos, aquilo que sentimos é que o calçado português é cada vez mais reconhecido em todo mundo e o carimbo de qualidade é indiscutível. E deixa-nos muito contentes saber que também a nae faz parte deste caminho de internacionalização do selo ‘Made in Portugal’. Aliamos a excelente qualidade da produção nacional a materiais sustentáveis e livres de crueldade animal. Isso só nos pode deixar orgulhosos.

 

Onde podemos encontrar o calçado da NAE à venda?

O nosso site foi a nossa primeira loja, a chamada loja virtual. É daqui que comunicamos para mundo. Hoje, para além do site, temos uma loja física em Lisboa, no LxFactory, e estamos prestes a abrir outra no Chiado.

foto nae

Paula Pérez

Criou a NAE em 2008 com seu marido, Alex. Nos últimos 13 anos têm desenvolvido a NAE no sentido de trazer mais sustentabilidade ao negócio da moda. Com mestrado em Gestão da Informação e licenciatura em Matemática Aplicada, Paula decidiu lançar a NAE vegan shoes para testar sua veia empreendedora e desenvolver um negócio com os valores com os quais se identifica.

subscrever newsletter

 

74 visualizações

Moda sustentável, criativa e atemporal. Estas são características que retratam a Marita Moreno. Uma marca portuguesa que tem feito um percurso a nível da sustentabilidade que tem-lhe conferido reconhecimento a nível internacional. Recentemente, recebeu um prémio atribuído pelo Global Footwear Awards e foi ainda nomeada para o Green Product Award, a única marca portuguesa candidata na categoria de moda.

À conversa com Marita Setas Ferro fomos conhecer um pouco do processo criativo destas peças únicas e exclusivas, e compreender como é percecionado o selo “Made in Portugal” a nível internacional.

Nasceu em 2008 mas foi em 2018 que a marca aprofundou o seu compromisso com a sustentabilidade. Como surgiu a Marita Moreno e o que originou a necessidade desta mudança posterior?

A Marita Moreno nasceu em 2008, como resposta à necessidade que senti em articular 3 áreas em que trabalhava e dava formação – escultura, design de moda e artesanato – em produtos de moda, neste caso vestuário. As peças de vestuário que desenvolvia e apresentava eram únicas ou series limitadas, com um design diferente e impactante, com intervenção artesanal têxtil, modeladas e confecionadas por mim – apercebi-me que a ligação e aplicação do artesanato têxtil português a produtos de moda não existia e com a riqueza que nós temos a nível dos têxteis em Portugal, seria muito interessante lançar uma marca com esses princípios – usar os têxteis tradicionais portugueses e as técnicas artesanais têxteis, em produtos de vestuário únicos e que este seria o futuro.

Em 2015 decidimos fazer um rebranding da marca e iniciar o trabalho com acessórios – sapatos e bolsas. Sempre defendemos princípios de sustentabilidade e éticos, responsabilidade social e transparência na produção e processo de desenvolvimento, ou seja, trabalhar com produção local e nacional, com a cultura e o património português, com artesãos e usar matérias primas endógenas e nacionais, são princípios que defendemos desde o início e por isso consideramos que nos preocupamos com a responsabilidade que tínhamos como marca, desde sempre.

Em 2017 percebemos e fomos também conhecendo uma serie de materiais mais sustentáveis que passamos a utilizar nas coleções a partir de 2018, como por exemplo a cortiça e o biocouro. E desde aí temos sempre vindo a aprofundar os nossos conhecimentos em materiais sustentáveis e a aplicar esses conhecimentos no design e produção das nossas peças.

moda sustentavel

Quais foram os desafios que encontraram quando decidiram ser uma marca mais amiga do ambiente?

Os desafios são sempre grandes e é preciso muita persistência e resiliência. Penso que existem dois grandes desafios: a montante sem duvida que são os novos materiais sustentáveis e ecológicos, a sua aplicação, a capacidade de criar novos produtos com materiais ainda muito recentes com todos os problemas inerentes, ou seja somo um laboratório onde fazemos parte do desenvolvimento de produtos inovadores com materiais inovadores; a jusante a capacidade que o mercado tem para entender a vantagem de comprar produtos sustentáveis e ecológicos, o porquê de serem produtos com um valor mais elevado – produção nacional, recursos endógenos, design inovador, linhas limitadas, materiais novos e sustentáveis – tudo isto são fatores que têm elevados custos que o mercado por vezes não compreende e ainda não esta disposto a pagar. Felizmente, neste último ano, sentimos um interesse enorme e um grande crescimento na vontade de aquisição de produtos sustentáveis, por isso estamos muito felizes sabendo que estamos a construir um caminho muito importante para uma maior sustentabilidade nacional e mundial!

 

Como é feita a escolha dos materiais e fornecedores? Que aspetos são mais valorizados ou mesmo imprescindíveis?

A escolha dos materiais é feita por mim – vou tomando conhecimento dos materiais que aparecem em feiras técnicas como a Mod’tissimo, da Selectiva Moda e estou inscrita em várias plataformas sustentáveis e de novos materiais, por isso fazemos uma investigação diária do que se vai fazendo de novo na área do sustentável, a nível nacional e internacional. Os materiais têm que ser sustentáveis – de origem natural ou reciclada, feitos em fábricas legais que cumpram com os critérios de legislação laboral corretos, com certificação e que estejam classificados positivamente em plataformas de avaliação sustentável. Os fornecedores são também escolhidos pelos seus materiais, visitamos as instalações e percebemos se são ou não adequados para trabalhar connosco. Privilegiamos os fornecedores nacionais, mas caso existam materiais que não são produzidos em Portugal devido à matéria-prima ser endógena de países distantes – pinatex, malai, bananatex, desserto – vamos procurá-los onde esses materiais são feitos da forma mais sustentável, procurando todos as informações disponíveis e solicitando envio de certificações e imagens ao vivo.

Para nós é fundamental percebermos quais as matérias-primas usadas na fabricação dos materiais, como foram obtidas, onde, por quem são feitos e de que forma. Na produção só trabalhamos com artesãos com carta de artesão e certificados e com fábricas que cumpram com a regulamentação de trabalho e de ambiente. Devido à forma cuidadosa como trabalhamos, obtivemos a certificação da PETA na nossa linha vegan, sendo também um fator importante na credibilidade da marca.

 

Os produtos da Marita Moreno apresentam um design atemporal, pensados para durar e não seguir tendências. Onde encontra a inspiração para criar novos artigos?

Preocupo-me muito com o processo criativo, com a introdução da cultura e do património português no design dos produtos, com os materiais que usamos e com a durabilidade dos nossos produtos. Com todos estes aspetos sempre presentes, a inspiração é o aspeto que faz a diferença de uma coleção para outra e que exterioriza o meu pensamento criativo e o cruzamento das áreas que eu gosto – design, arte, cultura, artesanato, arquitetura, literatura… A inspiração encontro-a nos livros que leio, nos filmes ou series que veja, em personagens marcantes, em animais do mar, em esculturas e pinturas que são marcantes para mim, em texturas da natureza… tudo para mim podem ser inspirações. A forma como os meus olhos vêm e o meu cérebro (treinado duma forma criativa) regista, interpreta e conjuga todas estas informações cruzando com paletas de cores, formas e volumes é que faz a diferença no design dos nossos produtos e por isso a diferença que temos de outras marcas – todos os criativos vêm de maneira de diferente e pensam de forma diferente e por isso as marcas têm uma identidade tão própria como as dos seus criativos.

sapato nomeado moda sustentavel

O modelo de sapato Dali Azores está nomeado para o prémio internacional de design sustentável Green Product Award 2021. Sendo a única marca portuguesa candidata na categoria de moda, o que significa esta nomeação para a Marita Moreno?

A nomeação que a marca teve para este prémio é muitíssimo importante – o Green Product Award é um dos prémios internacionais mais importantes na área da sustentabilidade e conseguir que um sapato nosso seja nomeado para finalista numa categoria de moda significa que a marca é reconhecida internacionalmente como uma das melhores na área da sustentabilidade. Significa também que estamos a fazer um excelente percurso e trabalho na que respeita à sustentabilidade e que os resultados estão a ser reconhecidos internacionalmente.

Aproveitamos para referir que nos foi atribuído no dia 10 de Abril, pelo Global Footwear Awards, na categoria Profissional, o prémio Ethical Manufacturing/Sustainable Manufacturing Process: Silver in Sustainable manufacturing process, Bronze in Mules, Bronze in Supporting local communities footwear business, Bronze in Bio-fabricated materials, Bronze in Fair wage footwear business – para nós foi mais um reconhecimento internacional de grande importância, dado que o Global Footwear Awards oferece reconhecimento em todas as categorias de calçados, da Moda ao Desporto, e em todas as fases de desenvolvimento, do design ao processo de fabricação e homenageia os melhores do setor, abordando criatividade, inovação, sustentabilidade e impacto social. O painel do júri é composto por profissionais líderes da indústria vindos da indústria de calçado, imprensa, retalhistas, instituições e influenciadores, fornecendo uma perspetiva geral da indústria para a seleção do melhor design, incluindo profissionais da Puma, Nike, Adidas, Vera Wang, Prada, Vogue Italia, Royal College of Art, assim como a Diretora do Museu do Calçado, em São João da Madeira.

 

Qual o perfil dos clientes da Marita Moreno? Como o caracterizam?

Temos 2 coleções – Homem e Senhora – a maior incidência é na coleção feminina, mais diversa – temos as linhas limitadas e as linhas não limitadas, enquanto no homem só temos as linhas limitadas. O nosso mercado divide-se cerca de 80% a 85% senhora e o restante homem. E temos clientes desde jovens em idade adulta a senhoras com quase 80 anos, o que é ótimo, pois a nossa cliente gosta de design e objetos diferentes, peças numeradas e únicas, confortáveis, com um design contemporâneo e distinto; o nosso cliente homem gosta de com qualidade, peças numeradas, com um design que se diferencie. Temos consumidores espalhados por todo o país e também com excelente reação em Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, EUA e Austrália.

Marita Moda Sustentável

Sente que a maioria dos clientes chegam por serem uma marca sustentável, com um design exclusivo ou coleções limitadas?

Penso que a combinação de sermos uma marca sustentável com um design exclusivo é a fórmula certa para conseguirmos ter sucesso com os nossos produtos. A nível de consumidor final, sentimos que desde o início de 2020 que a sustentabilidade da marca é um fator preponderante na escolha dos nossos produtos, a escolha dos retalhistas recai mais no design e na qualidade dos nossos produtos. Sentimos também que a forma como estamos presentes nas redes sociais é fundamental para que os consumidores e os retalhistas percebam a consistência nos princípios que defendemos e que temos mantido na marca.

 

A Marita Moreno é uma marca portuguesa, mas também para outros países dentro e fora da Europa. Sente que os artigos “Made in Portugal” têm um peso relevante a nível internacional?

Sem dúvida! Quando falamos da qualidade de produção do sector do têxtil e do calçado na Europa, esta está intimamente ligada ao “Made in Portugal”. A qualidade do calçado feito em Portugal é excelente e somos procurados por todas as grandes marcas que pretendem produzir com qualidade. Acho que o próximo passo em que teremos todos de investir será o “Designed in Portugal” – apostar mais na capacidade criativa e na criação de marcas, pois temos produtos excecionais, com um design incrível que muitas vezes não conseguem ter a visibilidade e projeção a nível nacional e internacional que poderiam ter.

Foto Perfil MM

Marita Setas Ferro
Manager & Creative Director
Marita Setas Ferro é Manager & Creative Director da marca de moda portuguesa Marita Moreno. Sempre esteve envolvida na indústria da moda e outras áreas relacionadas: Professora de Design de Moda durante vários anos na Árvore Arts School no Porto, Portugal; e Escultora, com peças de arte relacionadas com a moda feminina. Além de liderar a marca, desenvolve ainda trabalhos e projetos na área de formação e ensino de moda.

news

102 visualizações
Scroll Up