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A Erva Príncipe é um espaço acolhedor no bairro da Ajuda, em Lisboa, que combina uma mercearia fresca e cuidada com uma sala de chá. Valoriza a produção local e artesanal, e já é considerada um ponto de referência para quem visita esta zona. Fomos conversar com as suas fundadoras que nos deram a conhecer melhor este espaço com características muito próprias.

Há quanto tempo existe a Erva Príncipe e como surgiu a ideia?

Somos arqueólogas de formação e profissão; durante muitos anos, o nosso dia a dia era passado entre escavações e artefactos arqueológicos. Mas a nossa vida subitamente mudou e começou a germinar a vontade de fazer outras coisas… Entre as duas, fizemos muitas coisas: catering, gestão de projetos, alojamento local, entre outras. Mas ainda não era suficiente; queríamos ter um espaço nosso, onde pudéssemos partilhar sabores da cultura portuguesa e os seus artesãos da comida.

A Erva Príncipe desabrochou em junho de 2018.

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Porquê escolher a Erva Príncipe para dar nome?

A identidade de um espaço e a sua imagem dizem muito sobre cada projeto. Erva Príncipe surge por vários motivos: a associação a ervas aromáticas e a tisanas; a intensidade do aroma e do cheiro da erva-príncipe, que adoramos e, finalmente, a dualidade do nome Erva – mais mundano, facilmente associável à mercearia de bairro e ao comércio local; e Príncipe, que remete para a história palaciana da Ajuda e para a beleza da nossa sala de chá.

 

Referem que, na vossa mercearia e cafetaria, servem produtos artesanais. Como chegam a eles?

No início, contactámos produtores cujos produtos consumíamos pessoalmente, depois muita pesquisa, sempre.

 

Qual a importância dos produtos biológicos na vossa oferta?

O nosso projeto assenta primeiramente na produção Local e Artesanal. Porém, fazemos questão de ter, sempre que possível, produto português com certificação biológica. Por exemplo, todos os nossos chás são BIO.

Pela nossa experiência, muitos produtores pequenos não procuram a certificação como «produto BIO» pelos seus custos, apesar de todos os cuidados que têm com a sua produção.

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Qual o produto com maior procura na vossa mercearia?

Naturalmente, com o ano atípico que vivemos, há uma grande alteração no consumo e nós tentámos adaptar às necessidades dos nossos clientes.

Na mercearia, o cliente procura o pão artesanal, os cabazes de fruta e legumes e os queijos (que são deliciosos!). As refeições ligeiras e o brunch confecionados com os produtos da mercearia são muito apreciados na sala e na esplanada.

 

Na cafetaria, apostam em menus de brunch diversificados. O que os clientes mais valorizam?

O nosso brunch de sábado muda todas as semanas, consoante a inspiração e a sazonalidade dos produtos. Esta variedade, a frescura dos produtos e o sol da nossa esplanada são muito valorizados. E não esquecer as panquecas!

 

Que tipo de cliente têm na mercearia e cafetaria? São a mesma pessoa?

Curiosamente, não. Temos, genericamente, dois tipos de clientes: os que gostam de experimentar produtos novos da mercearia e levam para casa para cozinhar e os que preferem consumir no local.

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O vosso espaço é muito típico e bonito. A escolha e decoração do espaço foram fatores críticos para a abertura?

O espaço é lindo e nós ficamos apaixonadas por ele no momento em que o visitámos; depois, a Erva Príncipe já não fazia sentido noutro local. A sala, com os tetos trabalhados, a luz e os espelhos decorados, era suficientemente encantadora. A decoração é nossa e é o reflexo do conceito que as duas sócias queriam transmitir: uma mercearia local onde o cliente pode provar todos os produtos, numa sala cheia de luz, beleza e tranquilidade.

 

A procura pela mercearia Erva Príncipe tem aumentado? Como têm divulgado o vosso espaço?

Sim, estar no bairro na Ajuda tem os seus desafios, mas, gradualmente, as pessoas chegam até nós, geralmente por recomendação de um amigo.

A divulgação centra-se nas redes sociais e no contacto direto com os clientes, que pensamos se sentem bem recebidos!

 

Sentem os vossos clientes cada vez mais preocupados com a origem dos produtos, ou focados apenas na relação qualidade/preço?

Esta é uma questão bastante geracional, mas sim, há um aumento crescente de uma consciência relativa à produção nacional, com qualidade e uma preocupação crescente com a pegada ecológica.

 

Sentem o aumento de oferta na área das mercearias de bairro como um problema, ou algo bom?

Num bairro como o da Ajuda, a abertura de mais comércio de rua é fundamental e salutar, independentemente da área de negócio. Precisamos de gente a circular, de movimento e alegria nas ruas do bairro, sempre com o devido cuidado devido à pandemia, claro!

Que impacto teve o confinamento no vosso negócio? E como lidaram (e estão a lidar) com a existência da pandemia?

Abrir um negócio por conta própria e, passados dois anos, depararmo-nos com uma pandemia foi e está a ser um desafio. No primeiro confinamento, foi muito difícil, admitimos: todos, incluindo nós, estávamos muito ansiosos sobre o que estávamos a viver, sobre o que podíamos ou não fazer e com imensos receios com a saúde pública.

Adaptámo-nos gradualmente e respeitando os nossos ritmos e medos pessoais. No segundo confinamento, estávamos mais confiantes e achamos que conseguimos oferecer aos nossos clientes o que eles precisavam numa fase em que estavam mais em casa.

 

Têm possibilidade de levar sopa, refeições e tostas para casa. As pessoas procuram esta opção?

Temos serviço de take-away, sim. Naturalmente, a procura aumentou com os dois confinamentos.

 

Como descrevem o vosso espaço?

A Erva Príncipe é um espaço versátil onde podemos encontrar um pouco de tudo: artesanal, português e guloso!

No espaço da mercearia: as simples ervas, queijos, fruta e legumes para a nossa casa. Na sala de degustação: um espaço bonito, principesco e calmo onde podemos relaxar e conversar bebendo uma limonada ou uma cerveja artesanal, petiscando algo⁠.

Uma carta simples, cheia de sabores autênticos e frescos, que inclui sumos naturais, tostas abertas, saladas e tábuas confecionadas consoante o que a natureza disponibiliza. Diretamente da mercearia para a mesa!

 

Que ambições têm para o futuro?

(Risos) Ter mais tempo livre para nós. Atualmente, as duas sócias trabalham onze horas, cinco a seis dias por semana.

Mas agora, a resposta oficial: manter a qualidade, apoiar cada vez mais produtores e artesão portugueses e ter a capacidade de oferecer sempre um sorriso a cada cliente que nos visita.

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