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Conscientes da quantidade de lixo e desperdício gerado diariamente, a Pegada Verde surge pela necessidade de alterarmos os nossos hábitos. Numa altura onde as pessoas não estavam despertas nem para o tema da sustentabilidade nem para fazer compras online, este projeto cresceu a acreditar que pequenos gestos fazem grande diferença.

À conversa com Sofia Catarino, Co-Fundadora da Pegada Verde, procurámos perceber quais os principais desafios enfrentados e como podemos começar já hoje a reduzir a nossa pegada ecológica.

A Pegada Verde já conta com mais de 10 anos de existência. Como surgiu a ideia de criar este projeto e no que consiste?

Em 2007 eu (Sofia) e o Sérgio vivemos durante 1 ano em Nova Iorque e, durante esse ano, todos os dias saíamos à rua e encontrávamos uma muralha de lixo à porta de casa.

A quantidade de desperdício criado diariamente era impressionante e, quando voltámos a Portugal, vínhamos mais sensíveis ao tema da sustentabilidade.

Em 2009, estávamos com amigos a ler um artigo sobre a jornalista Canadiana, Vanessa Farquharson, que falava do seu blog “Green as a Thistle” e do seu livro “Dormir Nu é Ecológico” em que, durante um ano, a jornalista foi introduzindo diariamente uma nova medida ecológica na sua vida. Depois desse dia compreendemos que podíamos fazer muito mais no nosso dia a dia e a ideia começou exatamente aí: com pequenos gestos podemos fazer a diferença.

Começámos a procurar soluções ecológicas que pudéssemos incluir na nossa rotina diária e fomos encontrando produtos muito interessantes. Foi aí que pensámos que seria boa ideia partilhar esses produtos com todas as pessoas que tivessem igualmente interesse em adotar comportamentos mais sustentáveis. E assim surge a Pegada Verde!

Para nós era claro, queríamos trabalhar na área da sustentabilidade, queríamos trabalhar com marcas que promovessem um estilo de vida saudável, que permitissem a reutilização e que esteticamente fossem apelativas, para que quem as usasse tivesse orgulho em mostrá-las.

Considerando que surgiu numa altura onde a preocupação com a sustentabilidade ainda não era tão notória, quais foram as maiores dificuldades para criar esta plataforma?

Em 2009 as pessoas não estavam despertas nem para o tema da sustentabilidade, nem para fazer compras online. Essas foram as grandes dificuldades.

A grande maioria das pessoas não via motivos para mudar os seus hábitos e, por isso mesmo, foi um processo nem sempre fácil, mas que colocou à prova a nossa capacidade de resiliência!

Apesar de todas a dificuldades iniciais, apostámos tudo na Pegada Verde porque acreditávamos que era este o caminho e aos poucos conseguimos mudar mentalidades e comportamentos. Felizmente hoje em dia o tema da sustentabilidade está na ordem do dia.

 

Como é feita a escolha dos vossos parceiros?

Todas as marcas com que trabalhamos respeitam elevados padrões de qualidade, são isentas de substâncias tóxicas e, por isso, podem ser reutilizadas vezes sem conta. Temos ainda em consideração todos os processos de produção, o respeito pelas pessoas e pelo ambiente. Privilegiamos marcas que, por exemplo, façam compensações carbónicas, que sejam zero emissions, B-Corps e/ou fair trade.

Julgamos que a comunidade que nos segue confia nas nossas escolhas e é isso que queremos continuar a fazer – dar a conhecer, partilhar o mais que podemos e permitir que os nossos seguidores façam as suas escolhas de mudança em consciência.

Que tipo de produtos podemos encontrar na Pegada Verde? Têm algum best-seller?

Notamos um interesse transversal em diferentes áreas, o que nos deixa bastante felizes, uma vez que significa que as pessoas estão a adotar várias medidas sustentáveis na sua rotina diária. Existe um grande interesse pela cosmética e higiene pessoal, produtos de limpeza do lar, crianças e on the go.

Felizmente temos conseguido aumentar a nossa oferta, e apresentar produtos cada vez mais interessantes pelas suas características e pelo seu design. É muito bom perceber que existem cada vez mais marcas a oferecerem soluções sustentáveis e que conseguimos apresentar cada vez mais opções.

 

Qual o perfil dos vossos clientes? Como o caracterizam?

Os nossos clientes são maioritariamente do sexo feminino, entre os 25 e os 44 anos. São pessoas informadas e com preocupações relativamente à sustentabilidade e origem dos produtos.

 

Hoje em dia a sustentabilidade é um tema que está na ordem do dia. Ainda assim, sentem que as pessoas ainda têm receio de comprar determinados produtos considerados “mais verdes”?

Não diríamos que é receio, mas ainda existe algum desconhecimento, que procuramos esclarecer e ajudar na tomada de decisão.

 

Em 2018 lançaram o vosso primeiro produto de marca própria. No futuro pretendem lançar novas coleções próprias?

Em 2018, a Pegada Verde lançou o seu primeiro produto de marca própria, a Fair Straw, uma palhinha de aço inoxidável totalmente produzida em Portugal.  Mais recentemente, em 2020, lançámos a nossa marca de cosmética natural a NAUA – Natural Care, uma marca artesanal, feita em Portugal e que originalmente surgiu com champôs sólidos, mas que pretendemos muito em breve alargar a sua gama de produtos. Temos planos para novas marcas e tipos de produtos, é uma característica que faz parte do nosso ADN.

 

Que dicas podem dar a quem, tal como vocês, pretende tornar a sua pegada mais verde e adotar um estilo de vida mais sustentável?

A verdade é que não acordamos um dia e nos tornamos os supra-sumos do ambiente. Começa como a maior parte das mudanças duradouras: devagarinho.

Podem começar por levar um saco para as compras e por deixar de beber água engarrafada. Ou começar a optar por produtos naturais e biológicos, deixar de desperdiçar comida, e comprar roupa de forma consciente. Estes podem ser pequenos gestos que nos vão moldando.

Acreditamos que cada pessoa deve fazer o seu caminho, dando sempre o seu melhor.
Somos pelo compromisso, pelo positivismo, até porque a sustentabilidade não tem de ser angustiante, tem de ser um momento feliz, que nos torna melhores no nosso dia a dia.

Sofia Catarino

Co-Fundadora da Pegada Verde

Nasceu em Lisboa e cresceu em Manique, nos arredores do Estoril. Estudou psicologia, mas só trabalhou 6 meses na área. Aprendeu que a nossa área de formação não nos define, apenas nos ajuda a orientar para as oportunidades que vão surgindo. Tem 2 filhos pequenos, que a desafiam sempre a ser uma pessoa melhor.

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