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Sónia Branco, Gestora de Projectos Sustentabilidade no GRACE – Empresas Responsáveis, conversou connosco sobre como a associação é muitas vezes a porta de entrada para as empresas que querem iniciar um programa interno de responsabilidade social, voluntariado, estratégia de sustentabilidade e não sabem por onde começar.

O GRACE apoia os setores da indústria e empresas a nível global, na transformação e busca de soluções práticas para o crescimento sustentável. De que forma?

O GRACE – Empresas Responsáveis é uma associação empresarial de utilidade pública, que atua nas áreas da Responsabilidade Social e Sustentabilidade. A missão do GRACE é a promoção e desenvolvimento de uma cultura empresarial sustentável, fomentando a participação das empresas associadas no contexto em que se inserem, sob os seguintes eixos:

  • Influenciador / Ativação Da Rede: no GRACE existe uma abordagem colaborativa entre as empresas, e um esforço uníssono para influenciar políticas públicas com foco nos princípios de sustentabilidade e responsabilidade social corporativas. Na prática, isto traduz-se numa rede interempresas que procuram atuar sobre os mesmos valores na sua cultura empresarial e promovendo a mudança pelo exemplo e iniciativa. Dinamizamos ainda parcerias nacionais e internacionais que promovam os mesmos princípios sobre os quais o GRACE se rege, possibilitando aos nossos Associados o acesso a um leque enorme de conhecimento e benchmark neste tema da sustentabilidade e das empresas responsáveis. 
  • Disseminador de Boas Práticas: no GRACE o conhecimento é disseminado entre as empresas associadas, considerando que a informação partilhada permite a todos fazer o melhor e não atuando de forma concorrencial. Exemplo disso é o Toolkit para Empresas Como recrutar e integrar Pessoas com Deficiência , desenvolvido em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com o contributo de várias empresas associadas, e ainda o Toolkit Saúde Mental em contexto laboral, iniciativa desenvolvida no âmbito dos trabalhos do Cluster Saúde, que junta 14 Associados GRACE da área da Saúde.
    É de especial relevância a partilha de boas práticas entre as empresas e a economia social, sendo que essa ponte é cada vez mais necessária para resolver problemas societais e ambientais.
    Ainda sobre este eixo, o projeto Uni.Network promove a aproximação das empresas e academia nas temáticas da Responsabilidade Social Corporativa, com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Este projeto desenvolve ações de Sensibilização e Formação (participação em aulas ou eventos) e a Academia GRACE premeia anualmente ideias provenientes de alunos do Ensino Superior que respondam a desafios no âmbito da sustentabilidade empresarial. Para o ano letivo 2021/2022, os alunos deverão dar resposta a um dos seguintes temas: Economia Circular e Bem-estar dos colaboradores.
  • Apoio/Suporte a Associados, nomeadamente no desenvolvimento de iniciativas de capacitação e formação sobre os temas mais prementes da sustentabilidade e responsabilidade social corporativas.
    Tem especial relevo o programa de formação executivo Sustainability – A Corporate Journey, desenvolvido em parceria com o ISEG e Sair da Casca, lançado no ano de 2021, que, ao longo de 3 dias de formação intensa com casos práticos de empresas, pretende potenciar o conhecimento sobre sustentabilidade, estratégia empresarial e integração do tema nos modelos de negócios das empresas.
    Disponibilizamos ainda apoio às empresas na implementação de ações de voluntariado corporativo, com foco no voluntariado de competências, na construção de programas de voluntariado interno, e damos resposta a pedidos específicos de organizações ou temas que as empresas pretendam investir ou apoiar na comunidade.

O GRACE atingiu recentemente 200 Associados. Em que medida é que esse feito contribui para o reconhecimento da Associação? 

O GRACE celebrou em 2020 a marca dos vinte anos de existência. Atingir os 200 Associados é o reflexo da importância do trabalho desenvolvido e da procura crescente por soluções colaborativas entre empresas. 

No ano da sua fundação, em 2000, o GRACE tinha como objetivo sensibilizar para a importância da cidadania e responsabilidade social nas empresas e iniciou apenas com 7 empresas, assente maioritariamente em temas como voluntariado, donativos e apoio à comunidade. O tema da sustentabilidade e os critérios ESG como hoje conhecemos não eram centrais nem muito menos estratégicos para as empresas. O GRACE foi desde logo pioneiro e este crescimento é algo que nos orgulha e faz acreditar que o tecido empresarial português está a mobilizar-se para uma mudança de paradigma. 

Podemos afirmar que o crescimento do número de Associados a cada ano que passa é o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo GRACE, da importância das soluções colaborativas que potenciamos e do facto de as empresas demonstrarem cada dia que passa maior sensibilidade para os temas que trabalhamos. 

A verdade é que também o pacote legislativo da União Europeia, alavancado pelo Pacto Ecológico Europeu, coloca os temas da sustentabilidade no centro de atuação das empresas. O Disclosures Delegated Act por exemplo, regulamento que detalha as novas exigências de reporte por parte de certas empresas entrou em vigor recentemente, a 1 de janeiro de 2022, e surge no seguimento do Regulamento Taxonomia, de 2020, que define as atividades económicas sustentáveis e as novas formas de reporte ESG, e também já se encontra em vigor. A isto podemos somar mais medidas de compliance que surgirão nos próximos tempos e que irão colocar informação não financeira em pé de igualdade com a habitual informação financeira.   

Numa época em que a preocupação ambiental é cada vez maior, sente que as empresas procuram cada vez mais este tipo de serviços?

Existe claramente uma procura crescente sobre informação e boas práticas existentes, decorrentes do incremento dos problemas sociais advindos da pandemia, e da urgência de um plano de recuperação verde. 

A evolução das problemáticas ambientais e suas consequências (que irão aumentar assimetrias sociais e excluir ainda mais populações vulneráveis) levaram a uma tomada de consciência por parte das empresas sobre o papel que têm na sociedade na resolução de problemas sociais e ambientais. Um exemplo muito concreto decorreu durante os confinamentos, com um elevado número de solicitações que o GRACE recebeu por parte de Associados para providenciar ajuda a diversas entidades da economia social, nas mais variadas necessidades à altura: computadores para alunos carenciados; camas para unidades hospitalares, etc. Também é visível o crescente interesse pelo alinhamento dos compromissos nacionais no que diz respeito à neutralidade carbónica e o GRACE tem reforçado a articulação com as diversas entidades governamentais e não-governamentais para contribuir positivamente para esses objetivos comuns.   

Por outro lado, as empresas percebem também os riscos inerentes à sua atividade se ignorarem estas temáticas e os requisitos legais e de compliance obrigam à procura de apoio especializado. 

Se pensarmos no tecido empresarial português, de pequenas e médias empresas, a especialização nestes temas pode ser morosa e difícil de iniciar caminho. É neste sentido que o GRACE apoia e tem crescido em número de Associados e solicitações. Somos muitas vezes a porta de entrada para as empresas que querem iniciar um programa interno de responsabilidade social, voluntariado, estratégia de sustentabilidade etc. e não sabem por onde começar. 

 

Participam em algum tipo de iniciativas sustentáveis para além do vosso “core business”? Se sim, em quais? 

Na génese da existência do GRACE está a colaboração. Acreditamos que para fazer acontecer é necessário um conjunto de sinergias e de exemplos. Assim, o GRACE tem várias parcerias com várias entidades do setor social, servindo como anteriormente referido, de ponte entre as empresas e vários agentes da economia social, na procura de novas soluções e formas de resolução conjunta de problemas societais e ambientais. Adicionalmente colabora com organismos públicos, universidades e até outras redes e comunidades de empresas. 

A nível internacional destacamos duas parcerias: 

  • O GRACE é membro da rede europeia CSR Europe (que agrega várias redes e associações de países europeus na promoção da sustentabilidade e responsabilidade corporativa) e anualmente colabora na organização da SDG Summit, Cimeira dedicada aos ODS – Objetivos Desenvolvimento Sustentável  
  • O GRACE é membro da EVPA, organização de empresas e entidades dedicas à filantropia de investimento social e de impacto, tendo recentemente decorrido no Porto a cimeira europeia C Summit, à qual os Associados GRACE puderem participar e aceder com condições especiais.

Qual o próximo passo do GRACE para tornar o mundo mais verde?

Atualmente o GRACE procura disponibilizar um conjunto de iniciativas que ajudem as empresas associadas a compreender os temas ambientais, mas sobretudo auxiliar as empresas a estarem informadas e preparadas para os imperativos que se avizinham com os compromissos assumidos globalmente e as obrigações legais e de compliance daí decorrentes. 

Exemplo disso foi a conferência que o GRACE realizou em novembro “Agir para a Neutralidade Carbónica – Como podem as empresas contribuir para o esfoço nacional”, que se revelou um sucesso face à procura e interesse no tema. 

Assim, para o ano de 2022 será dado seguimento a esta oferta de formação e capacitação para as empresas, em temas como a Economia Circular, o Reporting ou até mesmo sobre o essencial do framework ESG para auxiliar e fomentar as empresas na transição para um mundo mais verde. 

Para saberem mais sobre a atividade do GRACE, visitem o site ou entrem em contacto através do email grace@grace.pt 

Sónia Branco

Gestora de projetos de sustentabilidade e responsabilidade social corporativa. Desenvolveu a sua carreira profissional na área da banca, com foco nas relações internacionais, desenvolvimento de negócio e gestão de stakeholders. Recentemente desenvolveu projetos e atividade no sector social – no GRACE – construindo programas de formação e capacitação, especializada nas áreas de avaliação de impacto, comunicação e investimento social corporativo. 

É licenciada em Marketing pelo Instituto Politécnico do Porto, possui mestrado em Economia e Gestão da Inovação pela Faculdade Economia da Universidade do Porto e pós-graduada em Gestão da Sustentabilidade pelo ISEG.

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Os Cannes Corporate Media & TV Awards têm como propósito premiar anualmente os melhores filmes corporativos, produções para meios digitais, documentários e reportagens, num total de 46 categorias. O júri do prémio é composto por membros reconhecidos internacionalmente, das áreas do cinema, televisão, audiovisual, publicidade e marketing, incluindo vencedores de prémios Oscar e Emmy.

Com o propósito de exibir o vídeo na abertura da conferência Plastic Pollution: What Now?, organizada pelo grupo Jerónimo Martins em setembro de 2019 no campus da Nova SBE, o vídeo foi agora premiado em Cannes, tratando-se de um projeto “educativo, eficaz e bem ilustrado que ajuda a explicar um assunto complexo e urgente de forma simples e apelativa”, como mencionou o júri do evento.

Sara Miranda, Directora de Comunicação e Responsabilidade Corporativas do Grupo Jerónimo Martins, destaca que “o negócio da distribuição alimentar não pode prescindir da utilização de plástico, nomeadamente pelo papel deste na preservação da segurança dos alimentos. No entanto, temos a responsabilidade de combater o uso abusivo e o mau encaminhamento do plástico e todas as formas de poluição que daqui resultam. Este pequeno filme procura justamente evidenciar a dualidade do plástico e a necessidade de gerirmos corretamente a utilização deste material”.

“Em 1886, o sueco Robert Louis Stevenson escreveu “O Estranho caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde”, a história de duas personalidades antagónicas, uma boa e outra diabólica, que habitam na mesma pessoa. A vida e a ficção intersetam-se por várias ocasiões e, nos dias de hoje, a sociedade tem o seu próprio Dr. Jekyll e Sr. Hyde: o plástico”. Este é o mote do vídeo premiado.

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