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sapatilhas sustentáveis

A Wayz são sapatilhas sustentáveis, feitas para durar e com design e fabrico português, que nasceram de uma paixão e sonho comum de dois estudantes do curso de Design de Calçado.

Além da parte ambiental do produto, contribuem para uma associação de apoio a populações desfavorecidas e têm bem presente que Ninguém compra um produto de que não gosta, só por ser sustentável”.  Está tudo na entrevista.

Como surge a WAYZ? 

A Wayz surge quando eu e o Daniel nos conhecemos, no final de 2017. Ambos frequentávamos o Curso de Design de Calçado na Lisbon School of Design, no Porto. Descobrimos que tínhamos uma paixão comum por sneakers e partilhávamos o mesmo sonho, criar uma marca de sneakers portuguesa.

Desde o primeiro momento também sabíamos que queríamos fazê-lo usando materiais de qualidade, amigos do ambiente e desenvolver a marca em total transparência com os nossos seguidores e futuros clientes. A partir daí foi pôr mãos à obra.

Durante um ano procurámos os materiais, trabalhamos o conceito e a identidade da marca e desenhamos a nossa primeira coleção, que tem 4 modelos. No final de 2018 tínhamos os primeiros protótipos prontos. 

Desde o início que a nossa ideia era lançar a marca através de um Crowdfunding. Assim, em Maio de 2019, lançámos a nossa campanha na plataforma Indiegogo, onde vendemos cerca de 200 pares num mês. No final de 2019 lançamos a loja online, www.wayzforlife.com e começamos a vender também em lojas físicas, no Porto e em Lisboa e em alguns marketplaces digitais. 

 

Wayz - sapatilhas sustentáveis e éticas

 

Como definem a WAYZ? 

A Wayz é uma marca de sapatilhas, desenhadas e produzidas localmente, de forma responsável e ética, com materiais reciclados e biodegradáveis.

A nossa missão é criar produtos autênticos com design intemporal, feitos para durar, e vendê-los a preços justos.

Queremos também promover a mudança, inspirando as pessoas a seguir um estilo de vida mais consciente e responsável, onde cada um assume a sua responsabilidade, consumindo menos, mas melhor, comprando produtos mais duradouros, cuidando deles, dando-lhes uma segunda vida ou reciclando-os. 

 

Referem que devemos diminuir o consumo e as WAYZ são de design intemporal e para durar. Como se gere isto ao nível de negócio? 

O nosso objetivo é que os nossos clientes valorizem as Wayz, percebam facilmente a qualidade, conforto e durabilidade do produto, e como tal considerem bem empregue o dinheiro que pagaram por elas.

As Wayz não são baratas, mas têm um preço justo, que reflete a forma como são concebidas (design, materiais, qualidade de fabrico, etc). Sabemos que um cliente satisfeito pode tornar-se num embaixador da marca e ajudar-nos a chegar a mais pessoas.

Não precisamos que cada pessoa compre um par de sapatilhas a cada 6 meses, mas que o par que comprou dure e que tenha gosto em utilizá-lo ao longo dos anos. É uma forma de crescer responsável e sustentada.

Depois, podemos e iremos desenvolver acessórios (cordões, palmilhas, etc) para que possamos manter os Wayz em bom estado e continuemos a gostar deles, mesmo depois de muito usados… produtos com história(s). 

 

Os vossos materiais são eco-friendly. Como conseguiram chegar até eles? 

Eu diria que chegar até eles não foi difícil. Estamos no Porto, muito perto dos dois maiores polos de produção de calçado portugueses, Felgueiras e S.J. da Madeira, e como tal, após algumas pesquisas e contactos com pessoas da área e com o Centro Tecnológico de Calçado, foi relativamente fácil chegar até eles.

O que não foi fácil foi conseguir os materiais (cores e texturas) que queríamos, sobretudo os têxteis reciclados. Hoje em dia já é mais fácil, mas na altura, alguns fornecedores estavam apenas a começar a trabalhar com este tipo de produtos, outros nem sequer tinham. Os nossos primeiros protótipos foram feitos com têxteis reciclados que mandamos vir de um fornecedor na China. Não era de todo aquilo que queríamos e felizmente, antes da primeira produção, conseguimos encontrá-los em fornecedores locais. 

 

wayz - sapatilhas sustentáveis com materiais eco-friendly

 

 

Que outras preocupações incluem na vossa produção e distribuição? 

Um produto não pode ser sustentável se não tiver qualidade e não for duradouro. Os nossos materiais para além de amigos do ambiente, são também de grande qualidade.

O cuidado que temos na produção também reflete essa preocupação, pois temos um controlo de qualidade muito rigoroso e usamos técnicas de produção (ex: sola cosida, forro 100% em pele, sola de borracha) que tornam as Wayz mais resistentes ao desgaste. 

Na distribuição também houve preocupações, o packaging feito de cartão reciclado e adaptado aos envios por correio. Concebemos uma caixa que serve de caixa para as sapatilhas e de caixa de envio. Desta forma evitamos enviar uma caixa dentro de outra caixa e poupar recursos.

 

As WAYZ são 100% feitas no Norte de Portugal. Quão importante era para vocês assegurar algo 100% português?

Desde o primeiro momento que queríamos fazer um produto 100% português, um produto local, desenhado e produzido em Portugal com materiais portugueses. Ainda não é 100% português, porque o nosso têxtil, apesar de ser comprado em Portugal, é produzido em Espanha. Mas é quase! 

Ao escolhermos fornecedores locais estamos também a garantir que a nossa cadeia de produção contribui para o desenvolvimento de indústrias locais e que temos um impacto ambiental mais reduzido, pois não temos que importar os nossos componentes de países longínquos. 

 

Como o mercado percebe ser 100% português? Valorizam, nacional e internacionalmente? 

Os Portugueses valorizam, cada vez mais. Temos notado isso, sobretudo no último ano. Internacionalmente é mais o facto de ser uma marca independente, com um produto local e de grande qualidade, feito com materiais amigos do ambiente. 

 

wayz - sneakers sustentáveis

 

Sentem que a maioria dos vossos clientes chegam por serem sustentáveis, de design apelativo ou exclusivos?

Penso que são 3 argumentos de peso. Há clientes que apreciam os 3, outros que vão apenas por uma parte. Ninguém compra um produto de que não gosta, só por ser sustentável, portanto, o design é a nossa maior preocupação. Temos um conceito, um design próprio, e isso já é reconhecido.

A sustentabilidade, exclusividade, a nossa história, a transparência são também fatores valorizados pelos nossos clientes. 

 

Doam parte da vossa receita aos sem abrigo do Porto. Podem falar sobre esta ação? 

Um dos nossos pilares é a responsabilidade social. Desde o início do projeto que queremos devolver à sociedade aquilo que ela nos dá. Fizemos uma parceria com a SAOM, que é uma instituição de solidariedade social do Porto que tem um trabalho de longa data, reconhecido, com as populações mais desfavorecidas da cidade.

Uma das grandes carências que detetámos foi a falta de sapatos e como tal fazemos doações de sapatilhas com pequenos defeitos ou protótipos, que não podem ser vendidos. Assim, nada se desperdiça e estamos a dar nova vida a estes produtos, que estão em bom estado e podem servir as necessidades de outras pessoas. 

 

Muitos projetos sustentáveis não conseguem comunicar eficazmente a sua diferenciação. Que importância dão à comunicação e que ações levam a cabo? 

É verdade, e essa também é a nossa dificuldade. Comunicar bem é difícil, dá muito trabalho e requer muito investimento pois é necessário ter bons conteúdos (textos, fotos, vídeos).

Nós privilegiamos as redes sociais, e o nosso site, como forma de comunicar com a nossa comunidade mas sentimos que não é suficiente. Também fazemos algumas parcerias com outras marcas portuguesas e, pontualmente, com alguns influenciadores. 

No futuro queremos apostar num conteúdo mais regular, atrativo e mobilizador, ao nível das redes sociais e também com a criação de um blog, em que podemos comunicar de forma mais explícita o universo, valores e propósito da Wayz. 

 

São jovens, empreendedores e muito ligados ao Porto e a Portugal. Que ambições para o futuro? 

Vivemos momentos de grande incerteza e como tal é difícil fazer planos. Mas vamos ter que aprender a viver com ela. 

Queremos que cada vez mais pessoas conheçam a marca e experimentem as nossas sapatilhas, em Portugal e nalguns países europeus. Estamos neste momento a estabelecer parcerias com alguns marketplaces digitais europeus e queremos também estar presentes nalguns retalhistas de algumas cidades europeias. 

Vamos crescer, com paciência e resiliência e de forma sustentada. 

Pedro Maçana e Daniel Gonçalves

Cofundadores da Wayz

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