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Para o António Luís Cerdeira ser pioneiro é muito mais do que ser o primeiro vinho Alvarinho de Melgaço. É manter-se a inovar, sem perder a tradição.

António, em conjunto com a irmã e mãe, gerem a Quinta do Soalheiro, mantendo a tradição do vinho alvarinho e focando-se na inovação da produção dos seus vinhos, mas também das estratégias sustentáveis que reduzem a pega ambiental da Quinta. Está tudo na entrevista.

O Soalheiro foi pioneiro na produção de Alvarinho em Melgaço, região dos Vinhos Verdes. Como surgiu e como se conta a sua história? 

A Quinta de Soalheiro é uma empresa familiar, cuja história começou a ser contada em 1974, quando a paixão pela viticultura levou o meu pai, João António Cerdeira, com o apoio do meu avô, António Esteves Ferreira, a plantar a primeira vinha de Alvarinho e a criar em 1982 a primeira marca de Alvarinho em Melgaço.

Hoje em dia, eu e a minha irmã, Maria João, juntamente com a minha mãe, Maria Palmira, damos continuidade a esse sonho.

Ao longo dos anos, a nossa visão foi sempre aliar a tradição à inovação, evidenciando o potencial da casta Alvarinho. Para isso, mantemos uma viticultura sustentável, que conduziu à certificação biológica das nossas vinhas próprias e, desde então, temos vindo a procurar conhecer e implementar boas práticas que nos permitam valorizar a riqueza do nosso terroir.

 

Uma marca de referência, num setor tradicional, como tem evoluído em relação ao tema da sustentabilidade? Qual foi o motor de inovação? 

A preocupação com a sustentabilidade é algo intrínseco ao Soalheiro. Por isso, investimos anualmente em I&D para encontrar soluções e boas práticas que nos permitam reduzir o impacto no meio ambiente.

Exemplo disso, é a recente instalação de uma cobertura vegetal na modernização da adega, que além de um melhor enquadramento paisagístico, trará uma poupança energética estimada de 26% ao ano. 

A grande novidade para 2021 é a renovação da linha de garrafas, que contam agora com um formato mais sustentável, com menos 19% de vidro, o que permite reduzir as emissões de carbono utilizadas na sua produção e transporte.

E porque a produção passou a ser feita em Portugal, há também uma importante redução de quase 8,5 vezes no impacto no transporte das garrafas até à adega, que antes provinham do centro da Europa.

Até ao final de 2021, cerca de 90% das garrafas Soalheiro irão adotar este novo formato, o que permitirá uma poupança estimada de 56 toneladas de vidro ao ano.

 

soalheiro - vinho alvarinho

 

 

Têm uma certificação biológica para as vinhas próprias. Pode explicar-nos no que consiste? 

Desde sempre percebemos a relevância e impacto de praticarmos uma agricultura responsável e preservarmos a biodiversidade das nossas vinhas, que contam com certificação biológica desde 2006. Permite-nos produzir vinhos naturais biológicos, uma tendência que no Soalheiro já ganha consistência:

  • o Soalheiro Nature Pur Terroir, o primeiro Alvarinho sem adição de sulfitos, biológico e sem filtração;
  • o Terramatter, também biológico e sem filtração, um vinho que olha para a vinificação minimalista como uma oportunidade para abordar o saber dos antepassados com uma atitude exploradora.

Este compromisso com a preservação da paisagem e da biodiversidade estende-se ao enoturismo e às experiências proporcionadas aos visitantes. Visitar o Soalheiro é muito mais do que conhecer e provar vinhos. É a descoberta de um território, das suas gentes e tradições e da biodiversidade que nele habita.  

Os programas incluem visitas às vinhas, onde os visitantes podem conhecer de perto o processo de viticultura biológica. Neste momento, estamos também a implementar novas estruturas para abrigo de insetos e refúgio de pássaros, para reforçar os ecossistemas naturais das vinhas e tornar as visitas ainda mais ricas, a nível de observação da natureza.

 

Quais são as principais diferenças entre um vinho tradicional e um vinho biológico? 

A agricultura biológica levou-nos a querer descobrir mais sobre os vinhos naturais, sobre vinificação pouco interventiva, e os resultados continuam a surpreender-nos e conduziram-nos a vinhos que são bastante diferentes uns dos outros, com personalidades próprias.

Neste momento, temos três vinhos naturais (Terramater, Nature e Espumante Nature), onde nos baseamos no saber tradicional com uma atitude exploradora e que, apesar de terem sido descobertas para nós, já se transformaram em clássicos do Soalheiro e em mais uma forma de valorizarmos a diversidade deste território que tanto nos apaixona.

 

quinta soalheiro - terroir

 

Quais são os vinhos Soalheiro que têm mais procura e o que os consumidores mais valorizam neles? 

No Soalheiro, temos como missão evidenciar a qualidade e versatilidade da casta Alvarinho, na produção de vinhos de grande qualidade e que têm no vale de Monção e Melgaço, onde estamos integrados, um terroir privilegiado, atravessado pelo Rio Minho e protegido pelas serras, o que cria condições únicas para a maturação das uvas desta casta.

Acreditamos que aqui reside o verdadeiro valor distintivo dos nossos vinhos, que dividimos em quatro famílias.

  1. Os vinhos frutados, onde se inclui o Soalheiro Clássico, que é o nosso vinho de referência, e o Allo – Alvarinho e Loureiro que conjuga duas castas e transporta para a frescura dos ventos atlânticos;
  2. Os vinhos minerais, onde destaco o Primeiras Vinhas, que é produzido com uvas das nossas vinhas mais antigas, o Mineral Rosé, que resulta de um blend de Alvarinho com Pinot Noir, e o Granit, o nosso Alvarinho de montanha, produzido em altitude;
  3. Os vinhos naturais, Terramater e Nature;
  4. Os espumantes, feitos à base de Alvarinho, pelos quais temos sido muito reconhecidos no mercado.  

 

A questão do vidro é particularmente complexa no segmento das bebidas. Como surgiu e no que consiste uma garrafa que terá menos 19% de vidro e a partir de 2021 poderá valer uma redução de uso de 56 toneladas de vidro ao ano?   

Faz parte da nossa natureza, enquanto produtores que vivem da terra, protegê-la. Por isso, estamos a repensar todas as nossas práticas no sentido de identificar pontos críticos em que podemos melhorar a nossa ação e reduzir o impacto ao mínimo possível. 

Por isso, temos vindo a repensar processos com vista à redução da nossa pegada ambiental, seja a nível da redução do consumo energético e de matérias-primas até à neutralidade carbónica da nossa operação. 

Neste processo, identificamos as garrafas como um ponto crítico e cujo impacto será determinante não só na redução muito significativa do consumo de vidro, mas também na redução do seu peso no transporte, minimizando a pegada carbónica.

De destacar, que a nossa garrafa é 100% feita em Portugal, ao contrário da anterior que provinha do centro da Europa e com isso aproximamos a cadeia de valor de produção e reduzimos significativamente o impacto no transporte. 

 

Também têm uma preocupação com o uso do cartão. No que se traduz essa preocupação? 

Com a nova garrafa surgiu o desafio de repensarmos também as caixas de cartão utilizadas no seu transporte. Criamos uma nova embalagem, com menos 39% de cartão, que é oriundo de florestas geridas de modo responsável (certificado FSC).

Com capacidade para 6 garrafas, a nova caixa pode também ser reutilizada como “garrafeira”, pois, depois de aberta, pode ser guardada em pé, por quem pretende beber o vinho ainda jovem, ou deitada, posição ideal para que o vinho possa evoluir em garrafa.

quinta soalheiro

 

No ano de 2020, receberam 30 prémios. Qual a importância dos prémios no setor dos vinhos? 

Representam um importante reconhecimento, porque são atribuídos por especialistas, sejam revistas, sommeliers, críticos de vinho, cuja opinião valorizamos e respeitamos. Mas não trabalhamos para os prémios.

Trabalhamos para produzir vinhos com qualidade e consistência, ano após ano, e para continuar a surpreender os nossos parceiros do canal HORECA e o consumidor final com vinhos que lhes deem prazer conhecer e beber. 

 

 

Por fim, como analisam a percepção dos vinhos portugueses internacionalmente e que efeito a sustentabilidade poderá ter para os produtores nacionais? 

muito potencial de crescimento para os vinhos portugueses no panorama internacional. Já começamos a ser reconhecidos pela produção de vinhos de grande qualidade, nomeadamente no segmento dos Brancos, onde nos posicionamos. 

O Soalheiro está presente em mais de 40 países e sentimos que, a cada ano, cresce o interesse pelos nossos vinhos, sobretudo em mercados como o Norte da Europa, Ásia e Estados Unidos.

O caminho agora é interligar vinho e turismo, explorando o enorme potencial de atratividade turística para Portugal e para a região dos Vinhos Verdes, o território de Monção e Melgaço, no caso específico do Soalheiro. 

António Luís Cerdeira - Soalheiro

António Luís Cerdeira 

Natural de Melgaço, António Luís Cerdeira nasceu no mundo do vinho e da vinha. Conhecedor profundo do Alvarinho, atualmente é gestor e enólogo do Soalheiro, funções que desempenha com paixão e alegria. Com um sorriso espontâneo, sente a adega e o Soalheiro como ninguém.

Tinha dois anos quando o seu pai, com a colaboração do seu avô, plantou a primeira vinha contínua de Alvarinho em 1974. Filho dos fundadores, foi a grande ligação, desde criança, à viticultura que o conduziu ao curso de Enologia na UTAD, concluído em 1994. Depois de terminar o estágio realizado na Borgonha e apesar de acompanhar o seu pai desde que se lembra, é nesse mesmo ano que faz a sua primeira vindima como enólogo.

Em constante evolução e aprendizagem é um pilar inspirador para a criação dos novos Soalheiros. Sempre com curiosidade de saber mais e de inovar, faz com que a formação seja encarada sempre de forma continua e consistente. Participa e incentiva o Soalheiro Team a participar em provas, visitas e cursos práticos, com vista a uma evolução qualitativa e diferenciadora.

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