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A Circle For Purpose alimenta-se de uma comunidade para a sua produção, onde se incluem marcas de moda e design sustentáveis. Os conceitos na produção de têxteis para lar e escritório são claros: #ZeroWaste e #Upcyclling.

A ideia começou a ganhar forma quando a Mafalda, uma das fundadoras, trabalhou com a primeira editora de moda sustentável da Vogue Austrália e ficou alerta para o tema da sustentabilidade. O resto da história está na entrevista.

têxteis lar

Como surgiu a ideia da Circle For Purpose e quais os foram os primeiros passos para concretizá-la?

Há cerca de 2 anos comecei a acordar para o tema da moda sustentável e ficou na minha cabeça. Em 2020, num dos meus primeiros contactos nesta área trabalhei com a Clare Press, a primeira editora de moda sustentável da Vogue Austrália, no Sustainable Angle Event, em Londres.

Pouco depois, comecei a trabalhar numa start-up em Londres, plataforma online de detergentes eco friendly e de arranjos de roupa. Aqui tenho continuamente a oportunidade de me rodear de pessoas influentes da área, tal como a Orsola de Castro, a co-fundadora da Fashion Revolution, expandindo diariamente a minha rede de contactos. Estas pessoas inspiram-me a contribuir com soluções sustentáveis e criativas de upcycling para uma indústria tão poluente. Com base nestas conversas, comecei a questionar a minha relação com roupa e a pensar em alternativas para tanto excesso de produção: como posso ajudar a construir um planeta melhor e contribuir para a consciencialização e alteração dos hábitos de consumo.

Juntei-me a uma amiga, definimos a estratégia da marca e de seguida entramos em contacto com marcas de roupa e de design de interiores de forma a confirmar que realmente havia esta falha no mercado. Depois o processo foi fluindo, com muito trabalho e de forma orgânica, e passados uns meses nasceu a Circle For Purpose.

 

Como descrevem a Circle for Purpose, enquanto marca e os seus produtos?

A palavra para descrever a Circle é, sem dúvida, disrupção.

Não só nascemos com o objetivo de consciencializar as pessoas em relação ao impacto da indústria da moda e ao excesso de consumo no planeta, como também tentamos ter uma abordagem divertida, de forma a quebrar o tom mais clássico das lojas de produtos para casa.

Em relação aos nossos produtos, penso que “qualidade surpreendente” é a melhor forma para os descrever. A resposta dos nossos clientes tem sido de grande surpresa quando se apercebem que, apesar de serem peças feitas de tecidos não desejados, não deixam de ter uma qualidade excelente. Fazemos sempre uma seleção cuidadosa de todos os tecidos com os quais trabalhamos, não aceitamos peças em mau estado e trabalhamos com materiais de qualidade tais como: lã, algodão orgânico, linho, algodão, pele, bombazine…

texteis lar - eco friendly

 

Podem explicar-nos um pouco os conceitos de Zero Waste e Upcycling e de que forma estão incorporados na Circle for Purpose?

O termo zero waste aplica-se no sentido que aproveitamos todos os têxteis possíveis, trabalhamos sempre com amostras, fins de rolo ou retalhos. Pela sua natureza, as nossas coleções são muito limitadas, com poucos exemplares de cada peça.

No que diz respeito ao upcycling, todos os tecidos que nós trabalhamos nasceram com a intenção de serem casacos, t-shirts, vestidos, amostras para capas de almofada ou até mesmo coberturas para transportadora de bebés (coques).

A nossa função é pegar nestas amostras e dar-lhes um novo propósito, como tal, o nosso processo de desenvolvimento de produto é contínuo. Uma das partes mais desafiantes do trabalho é perceber como transformar retalhos tão pequenos, como as amostras da Barreiros & Barreiros ou os pequenos cortes de tecido da Cocoon, e dar-lhes uma nova vida. Olhar para estes pequenos excedentes e conseguir criar uma peça bonita, com qualidade e prática para o nosso dia-a-dia, é realmente o mais gratificante.

têxteis

Nunca como este ano as pessoas passaram tanto tempo em casa. Isso teve impacto na procura pelos vossos produtos? Há algum que se destaque?

O website só ficou disponível há menos dum mês, como tal, ainda não deu para medir esse impacto. No entanto, vimos certamente uma grande procura dos tapetes de rato em pele – que levou à rutura de stock de algumas cores no próprio dia do lançamento.

Entendemos que esta procura se deve ao facto de que hoje em dia os dois espaços (casa e trabalho) se sobrepõem. Como tal, temos em pipeline mais novidades para facilitar o teletrabalho.

 

Têm parcerias com outras marcas sustentáveis. No que consistem estas parcerias?

Para já temos parcerias com a One of Us Kids, IMAGO, Naz (já entrevistada no Green Purpose), Cocoon, Barreiros & Barreiros e Vidi Studio – os nossos parceiros entregam-nos tecidos que não irão utilizar mais ou que tenham defeitos.

Contudo, as nossas parcerias não se limitam a tecidos – com o apoio da Struts Lisbon conseguimos, também, que as caixas onde enviamos algumas das nossas encomendas fossem produto de reutilização de caixas de sapatos que, noutra situação seriam deitadas fora.

 

O que sentem que os vossos clientes mais valorizam? Exclusividade? Sustentabilidade? Preço?

A componente sustentável tem um impacto muito forte. A Circle nasceu com o propósito de mostrar que o futuro é circular e passa por um processo educacional de conseguirmos mudar mindsets. A exclusividade é uma das nossas maiores características. Havendo poucos exemplares de cada peça faz com que tudo o que produzimos seja extremamente exclusivo e único, o que motiva os nossos clientes.

têxteis eco friendly

 

Qual o perfil do vosso cliente habitual?

Ainda é muito cedo para conseguir delinear um perfil completo, no entanto com base nestas primeiras semanas conseguimos pelo menos apontar para uma média de idades entre os 30 e os 45 anos.

 

Que ambições têm para o futuro da Circle for Purpose e onde podemos encontrar os seus produtos?

De momento estamos em contacto com marcas no Reino Unido e, aos poucos, o plano é conseguir chegar às grandes marcas que são maioritariamente responsáveis pela poluição na indústria da moda. Consideramos isso naturalmente um pipe-dream.

Apesar de sermos uma marca focada na criação de têxteis para casa e escritório, já tivemos alguns contactos para criar peças exclusivas em parceria com a Circle. De momento podem encontrar todos os nossos produtos no website e, por agora, o plano é manter a venda online exclusivamente. No futuro, se estrategicamente fizer sentido, não excluímos a possibilidade de estar presente num espaço físico.

Mafalda

Co-founder Circle For Purpose

Nascida no Porto, trabalho há 5 anos como brand manager, tendo passado por varias industrias. Comecei numa empresa global no sector da hotelaria e eventualmente mudei-me para o mundo das start ups, pelo desafio. O meu foco sempre foi fazer as marcas crescer, principalmente através da comunicação e visibilidade que as mesmas podem alcançar. Atualmente, sou a responsável do departamento de marketing de uma start up em Londres, na área da moda sustentável – a principal fonte de inspiração para a criação da Circle For Purpose.

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A Decathlon aposta no ecodesign como forma de ter uma oferta cada vez mais sustentável. No entanto, por serem uma grande multinacional, também quisemos saber um pouco mais, em questões relacionadas com os fornecedores, transporte e fim de vida dos produtos.

 

Ecodesign - mural sustentabilidade Decathlon

 

Como é que uma marca com a dimensão da Decathlon incorpora a sustentabilidade? 

A Decathlon tem no seu sentido: “Ser útil para as pessoas e para o planeta”, e na sua missão: “ Tornar o prazer e os benefícios do desporto acessíveis ao maior número de pessoas em Portugal, de forma sustentável”.

Pretendemos contribuir para um mundo melhor, mais saudável, mais ativo.

Para tal, tomamos medidas para fazer avançar os objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nos quais somos capazes de atuar, e nessa linha de atuação,  lançámos um novo plano de transição com estratégias  de desenvolvimento sustentável ainda mais fortes entre 2020-2026. Neste, incorporamos os nossos valores:

  • Vitalidade;
  • Responsabilidade;
  • Generosidade;
  • Autenticidade

E congregamos a nossa estratégia em 3 pilares fundamentais:

  1. Desenvolver as pessoas;
  2. Preservar a natureza
  3. Criar valor sustentável. 

Estamos empenhados em colaborar com a comunidade para participar na ação climática e contribuir para um planeta mais verde.  Para tal, somos uma das cinco empresas iniciais que subscreveram o Compromisso para Consumo Ecológico da Comissão Europeia, integrado no Pacto Europeu para o Clima.

 

O que é o Ecodesign para a Decathlon? 

Quando somos responsáveis pelo design dos nossos produtos, podemos e temos a responsabilidade de redesenhá-los para terem menor impacto no meio ambiente.

Integramos a abordagem de ecodesign na nossa estratégia, que consiste considerar o meio ambiente nas primeiras fases do design e durante todo o ciclo de vida do produto. Trata-se de pensar como será possível reduzir o impacto do produto no meio ambiente ao longo de todo o seu ciclo de vida .

Um produto pensado (ou redesenhado) com uma abordagem de ecodesign continua a ser um produto que cumpre a mesma função de um produto concebido de forma clássica, tendo ao mesmo tempo uma vantagem ambiental: uma T-Shirt de corrida eco desenhada permanece acima de tudo uma boa t-shirt de corrida! 

A nossa abordagem de ecodesign é específica. As nossas equipas de design estabeleceram uma estrutura exigente para definir essa abordagem. Os produtos em causa devem cumprir um destes dois critérios:

  • O seu impacto ambiental deve diminuir em pelo menos 10% em relação ao modelo anterior, em pelo menos dois dos seguintes indicadores : alterações climáticas, poluição atmosférica, poluição da água e esgotamento de recursos;

ou 

  • Deverão justificar certas ações de design muito específicas: pelo menos 70% do peso do produto em poliéster reciclado, tecido com pelo menos 90% de algodão de agricultura orgânica, usar corantes que consomem menos água etc.

 

 

Temos objetivos claros para 2021: ter 100% da nossa oferta redesenhada para garantir que, até 2026, 100% dos nossos produtos disponíveis nas lojas físicas e online sejam ecodesenhados

 

 

Qual a importância das matérias-primas nestes produtos? Como é o processo de produção?

Relativamente às matérias-primas, temos muitos desafios. Por exemplo, na escolha de materiais alternativos, temos que ter a certeza de que um material que substitui outro é menos impactante, menos poluente. Para isso, contamos com estudos e testes externos, nos quais temos de garantir a credibilidade e independência dos resultados. 

Os produtos têm de responder a muitos requisitos técnicos e de qualidade. As alternativas nem sempre são tecnologias que já atingiram a maturidade no mercado. Por exemplo, usamos algodão orgânico para alguns dos nossos produtos, no entanto a disponibilidade de algodão orgânico no mercado é menos substancial do que o algodão cultivado convencionalmente

Sobre o processo de produção da Decathlon, trabalhamos em conjunto com os nossos fornecedores e partilhamos o mesmo desejo: oferecer produtos com a melhor relação valores/preço.

Um objetivo que deve ser alcançado em boas condições, onde todos se beneficiem de um ambiente de trabalho ideal. Para tal, os nossos parceiros têm o compromisso de garantir aos seus colaboradores um ambiente de trabalho de qualidade, baseado no respeito, no desenvolvimento das equipas e na preservação do meio ambiente.

 

Têm mais de 400 produtos ecodesenhados na vossa oferta. Qual o produto com maior procura?

Os nossos polares de caminhada são produtos ícones, no campo dos ecodesenhados. Redesenhados em 2013, para serem produzidos a partir de garrafas de plástico recicladas, abriram portas para muitos outros produtos das nossas outras marcas exclusivas que hoje incorporam este material.

Também para os praticantes de yoga, podem encontrar várias possibilidades tanto no vestuário, com a integração do algodão biológico e até mesmo no material por exemplo nos blocos de Yoga, com cortiça natural oriunda de Portugal. 

A oferta está em constante evolução, já são mais de 500 no início deste ano, através da inovação e desenvolvimento das nossas equipas, e poderão  ser encontrados produtos na maioria das desportos com as respetivas marcas: Nabaiji com a nataçãoEquitação com a Fouganza, Vela com a Tribord entre outros.
Todas os produtos estão identificados e disponíveis tanto nas nossas lojas como no nosso site decathlon.pt

 

ecodesign - Polar Decathlon

 

Qual a vossa visão e objetivos para os produtos ecodesenhados? 

Para praticar desporto precisamos dos produtos desportivos,  portanto só nos resta a opção de garantir que estes têm o menor impacto possível na natureza e são úteis para as pessoas. Conceber produtos com qualidade e duráveis é o primeiro princípio para a sustentabilidade.

Estamos cientes dos desafios climáticos e do esgotamento de recursos naturais, para tal temos as nossas equipas das marcas-paixão implicadas e mobilizadas para a ação.

Temos objetivos claros para 2021: ter 100% da nossa oferta redesenhada para garantir que até 2026, 100% dos nossos produtos disponíveis nas lojas físicas e online sejam ecodesenhados.

 

Os produtos ecodesenhados têm uma estratégia de preço diferente?

Não. A Decathlon esforça-se para proporcionar qualidade a preços sempre mais baixos em todos os produtos.

Somos criadores, produtores e distribuidores de produtos desportivos concebidos a partir de componentes exclusivos. Otimizamos continuamente a nossa organização para reduzir os custos ( transporte, logística, publicidade) e assim baixar os preços sem nunca comprometer a qualidade.

O nosso modelo de negócio está focado em oferecer produtos desportivos técnicos com preço justo, com o objectivo de ser acessível ao maior número de pessoas possível.

 

Têm uma etiquetagem ambiental, como uma classificação de A a E nestes produtos. No que consiste esta classificação? 

O objetivo da etiquetagem ambiental é que cada cliente possa fazer suas próprias escolhas de forma consciente, considerando todo o ciclo de vida do produto:

  • Escolha da matéria-prima;
  • Fabricação;
  • Transporte;
  • Fim de vida…

Corresponde ao desempenho ambiental de um produto, que é simbolizado por uma classificação A, B, C, D, E (A sendo a melhor classificação).

Ajuda a comparar produtos do mesmo tipo entre si (t-shirt, calças, mochilas, etc.). Por esta razão, os impactos ambientais são calculados usando 5 critérios:

  • Aquecimento global;
  • Esgotamento de recursos;
  • Poluição do mar;
  • Poluição da água doce;
  • Poluição do ar;

Esses impactos são avaliados ao longo de todo o ciclo de vida e cada fase tem impactos. Cada produto posteriormente recebe um valor para os diferentes indicadores e, em seguida, uma avaliação geral será exibida na internet e na loja.
Este sistema de classificação, já é encontrado comumente nos eletrodomésticos, e está agora a ser implantado nas nossas gamas.

É um trabalho em constante desenvolvimento, que iniciámos em 2014 com a integração de cálculos ambientais diretamente nas nossas ferramentas para promover a abordagem de ecodesign. Mais tarde em 2017, participámos na criação da base de dados ambiental têxtil com a agência de transição ecológica ( ADEME ), para torná-la acessível a todos, e tornar-se referência para o setor.

Desde 2019, disponibilizamos a etiquetagem ambiental em mais de 3.500 produtos DECATHLON.

O sistema construído com a ADEME foi validado pelo governo francês que decidiu incluí-lo na lei anti-resíduos para uma economia circular, promulgada no início de 2020.

Isto quer dizer que este desenvolvimento da Decathlon será  replicado e tornar-se-á uma obrigação para as empresas têxteis nos próximos tempos, em prol de uma maior transparência e clareza sobre os impactos dos produtos no meio ambiente.

 

A distribuição é um dos grandes desafios ambientais. Sendo uma multinacional, como gerem isto? 

Como desportistas, o planeta é o nosso terreno de jogo, e temos noção que a produção, o transporte, o uso e a distribuição dos nossos produtos têm impacto no meio ambiente. Temos a responsabilidade de agir rapidamente.

Para tal, em 2019, assumimos um compromisso em dois pontos fundamentais:

  • Reduzir as nossas emissões de CO2 em 75% no nosso consumo de energia e ar condicionado. 
  • Apoiar os nossos fornecedores e parceiros na definição dos seus próprios objetivos de redução de impacto.

Para validar a relevância desses compromissos, trabalhámos com um grupo de especialistas externos e cientificamente reconhecidos: Science Based Target .

Esta iniciativa validou as nossas trajetórias de redução das emissões de CO2, em linha com as ambições do Acordo de Paris. Estes compromissos são acompanhados por um objetivo global para todas as nossas atividades: reduzir as emissões de CO2 em 40% por produto vendido entre 2016 e 2026.

Entendemos que ainda há muito a ser feito para reduzir nosso impacto ambiental e estamos determinados a seguir em frente rumo a mudanças sustentáveis. 

 

Fim de vida produtos

 

Como gerem o fim de vida dos produtos? Têm alguma estratégia para a reciclagem? 

A economia circular é uma das nossas prioridades e temos vários projetos para prolongar o tempo de vida ou dar novas vidas aos nossos produtos. Destacamos:

– O  Trocathlon, que já realizamos há vários anos em Portugal, e em 2020 permitiu a cerca de 1000 clientes poderem vender os seus produtos desportivo usados  to . 

– A Segunda Vida, para os artigos devolvidos, danificados ou de exposição, que reparamos e colocamos à venda com preço de oportunidade e de forma permanente nas zonas dedicadas e sinalizadas em qualquer loja.  Desde Setembro foram recuperados mais de 1500 artigos que, apesar de não estarem novos, continuam em condições de serem utilizados. 

– O Serviço de Aluguer, onde o cliente pode experimentar, para já, 10 desportos sem que tenha de comprar o material, permitindo descobrir novas práticas desportivas. No último semestre mais de 1300 clientes usufruíram deste serviço.

– O Serviço pós-venda da Decathlon, que para além de aconselhar e acompanhar, repara artigos adquiridos pelos clientes. Em 2020 foram reparados mais de 9000 produtos.

Várias outras estratégias foram lançadas pelas nossas equipas e também são partilhadas com os parceiros que escolhemos para estar ao nosso lado. Por exemplo, desde Julho 2019, lançámos o Hang Up, projeto de reciclagem e reutilização de cabides que permitiu-nos evitar a destruição de 61 toneladas de plástico até Dezembro de 2020.

Neste mesmo mês, associamo-nos à Too Good to Go no sentido de combater o desperdício alimentar. Ainda no final de 2020 integramos o projeto NextLap da Beta-I, com expectativa de em conjunto com diferentes startups, encontrar as melhores soluções de inovação para a reciclagem de pneus. 

Ainda antes do fim de vida dos produtos, as nossas equipas em conjunto com as comunidades onde estão inseridas também têm tentado colaborar em iniciativas de upcycling, assim como em ações de doação de artigos a entidades e organizações que promovam a inclusão social através do desporto. 

A última solução para os produtos é a destruição, que só acontece quando, nenhuma das ações partilhadas,  podem ser colocadas em prática.

Cada uma destas iniciativas foi liderada pelas nossas equipas e estamos totalmente confiantes no seu intraempreendedorismo para seguirmos o caminho da sustentabilidade. 

Ainda há muito por fazer, mas estamos empenhados em garantir que o desporto pode contribuir para um mundo melhor.

 

Um desafio da sustentabilidade é o conhecimento dos consumidores. Como comunicam os produtos ecodesenhados? 

Para a Decathlon, a comunicação associada à sustentabilidade, onde se inclui a comunicação sobre os produtos ecodesenhados, deve colocar a informação no objecto da sua estratégia. 

Os objetivos são:  

  • Responder e dialogar, de forma sincera e transparente sobre os nossos impactos, para esclarecer as dúvidas dos nossos clientes e utilizadores; 
  • Democratizar novas formas de consumo e ajudar nossos clientes a fazer escolhas de consumo em consciência e entendendo o impacto de suas escolhas (em segunda mão, ecodesign …);
  • Consciencializar pedagogicamente  as nossas equipas, clientes e comunidades a adoptar estratégias sustentáveis no seu dia-a-dia de prática desportiva (plogging, ecomobilidade…).

Comunicamos, com o produto como herói em destaque, com a sua ficha técnica, no site e na loja, nas redes sociais, no emailing, na app, em todos os nossos meios. Assumimos um tom informal, do desportista, mas sincero. Os compromissos e resultados das nossas ações podem ser encontrados e comprovados nos relatórios de sustentabilidade.

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A Lili Dreyer é dinamarquesa, estudou empreendedorismo sustentantável em Londres  e produz a sua marca de calçado em Portugal. Não podíamos perder a oportunidade de falar com uma Nerd em Sustentabilidade, como a própria se define, que nos apresenta conceitos como o upcycling e detalha como a WAIR nasceu, se desenvolve de forma sustentável e o que trará de novo.

Como surgiu a ideia da Wair?

A ideia por trás da Wair resulta de uma mistura da minha paixão de longa data pela sustentabilidade e pelo upcycling e de um problema muito prático que é não ser capaz de encontrar ténis sustentáveis, que fossem bonitos e não custassem uma fortuna.

Quando estudei Sustentabilidade, Empreendedorismo e Design na Brunel University tivemos que fazer uma análise ambiental de um produto e redesenhá-lo na ótica sustentável. O meu colega e eu optámos por dar a um par de sapatos uma vertente sustentável e, a partir daí, decidimos continuar a trabalhar juntos, com particpações em concursos de empreendedorismo com o nosso conceito de ténis upcycled – e a Wair nasceu.

Quais são os principais desafios que a Indústria Têxtil enfrenta atualmente, na tua opinião, em relação à sustentabilidade?

Essa é uma pergunta realmente difícil, porque há tantos, mas no geral eu diria que o principal desafio da indústria têxtil diz respeito a volume, ritmo e direção. Grandes quantidades de fast fashion num sistema linear resultam numa indústria da moda muito insustentável, que usa muitos recursos limitados para criar moda que é deitada fora após um período de vida muito curto.

Um desafio crítico da indústria têxtil é, portanto, fazer a transição para um sistema circular.

Os produtos de moda e os têxteis de que são feitos não foram concebidos para serem reciclados quando atingem o fim da vida. São frequentemente uma mistura de muitas fibras e materiais diferentes que não podem ser desmontados – e, portanto, é muito difícil separar e reciclar.

Para criar uma indústria da moda circular, precisamos projetar para a circularidade e, em seguida, permitir que sejam reciclados, construindo e apoiando tecnologias e empresas que podem reciclar e recircular os têxteis não reutilizáveis.

 

O que significa upcycling?

Upcycling é transformar um material residual num novo produto de valor igual ou superior ao produto / material original. Em termos de têxteis, significa usar o tecido “tal como está”, em vez de o desfiar e usá-lo para produzir outros materiais.

 

Foram apenas duas fábricas portuguesas que quiseram trabalhar connosco devido ao facto de estarmos a reciclar resíduos têxteis – o que torna tudo mais desafiante para a fábrica.

 

Quais foram os principais desafios que enfrentou ao lançar o produto no mercado?

Este é o primeiro negócio, o primeiro produto – basicamente o primeiro de tudo para nós. Portanto, eu diria que os principais desafios foram:

  • Descobrir como fazer todas as tarefas envolvidas no lançamento de um produto;
  • Como comunicar o que fazemos;
  • Quem são os nossos clientes,
  • Como promover o produto

Tudo coisas que nunca tínhamos experimentado fazer. Foi, portanto, muito na base da tentativa e erro, mas foi bom lançar através de uma campanha de crowdfunding, porque que tínhamos uma meta e um prazo claros, com os quais poderíamos trabalhar.

 

Este tipo de produto, mais do que um produto, é um estilo de vida. Concorda?

Sim, definitivamente. É um estilo de vida e é uma revolução contra o desperdício da indústria da moda.

Para nós, tudo começou como uma reação às quantidades assustadoras de resíduos têxteis que são gerados todos os dias e um propósito de criar moda que realmente faça o bem e não apenas menos mal. Esperamos que isso também se reflita no estilo de vida de nossos clientes e possa ser uma forma de alinhar o seu consumo de moda com os seus valores de sustentabilidade.

 

Como caracteriza os seus clientes? Qual é o seu perfil?

Carcaterizo como consumidores conscientes. Em termos demográficos, temos mulheres e homens e temos clientes em muitas faixas etárias – mas o fator comum é a missão de contribuir para um mundo melhor. Conhecemos alguns deles, desde que entregamos a maior parte do primeiro lote de produção nas nossas bicicletas – e são todos muito “cool”. Muitos deles têm empregos onde trabalham com sustentabilidade, o que é muito bom!

 

Estão sedeados na Dinamarca, no entanto, o produto é fabricado em Portugal. Porquê Portugal?

Sabíamos que queríamos trabalhar com uma fábrica de calçados localizada na UE e com foco na sustentabilidade. Encontrámos algumas fábricas em Portugal, mas também na Europa de Leste, Itália e Reino Unido. No entanto, no final, foram apenas duas fábricas portuguesas que quiseram trabalhar connosco devido ao facto de estarmos a reciclar resíduos têxteis – o que torna tudo mais desafiante para a fábrica.

 

 

Quais são os próximos passos em termos de desenvolvimento da Wair? O que podemos esperar?

No próximo ano podem esperar novos produtos reciclados da Wair. Nos últimos meses, temos trabalhado muito numa coleção limitada de ténis e num produto de moda totalmente novo.

O nosso objetivo é permitir que o maior número possível de tecidos descartados seja reciclado e, portanto, também tem sido importante para nós desenvolvermos novos produtos onde possamos reciclar outros fluxos de resíduos têxteis além daqueles com os quais estamos a trabalhar atualmente. À medida que a nossa rede cresce, vemos outros tipos de têxteis que tentaremos trabalhar nas nossas próximas coleções.

Conheça os ténis e as ações da WAIR em sustainablewair.com

Lili Dreyer

É uma empreendedora dinamarquesa de 25 anos, que se autodenomina-se “nerd em sustentabilidade. Enquanto estudava empreendedorismo sustentável em Londres deparou-se com a enorme quantidade de resíduos têxteis que a indústria da moda gera. Fundou Wair em 2019, de modo a criar uma solução que possa ser escalável e que permita dar uma nova vida aos têxteis “imperfeitos” através do poder do upcycling.

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