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A entidade gestora portuguesa Valorpneu e a Genan, líder mundial em reciclagem de pneus, voltam a unir-se à consultora Beta-i no projeto que impulsiona novas técnicas e modelos de negócio para a circularidade do setor.

Depois de uma primeira edição com foco na colaboração direta entre grandes empresas e startups, a entidade gestora portuguesa Valorpneu e a recicladora multinacional de origem dinamarquesa Genan, novamente com o apoio técnico e de gestão da consultora Beta-i, lançam a segunda edição do NextLap com uma nova abordagem. Este ano, também com a missão de reduzir o desperdício de materiais e promover um mercado de pneus mais circular, o projeto terá foco na aceleração – com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de negócios early stage ou em fases iniciais de monetização em negócios escaláveis e produtos em desenvolvimento, através de formação, mentoria e acesso a empresas e especialistas da indústria.

NextLap Accelerator tem já as candidaturas abertas, através do website e até o dia 5 de junho, para PMEs, startups, centros de investigação e desenvolvedores de todo o mundo que contem com ideias de negócio ou soluções inovadoras que possam tratar, reutilizar e trazer novas aplicações para os pneus inteiros ou fragmentados – ou ainda, novas formas de reaproveitamento dos materiais derivados do pneu em fim de vida: granulado de borracha, fibras têxteis e aço. Durante quatro meses, os participantes contarão com o apoio de parceiros de indústria, tais como a multinacional do sector da construção Pragosa, a empresa líder no mercado de artigos desportivos Decathlon, a Infraestruturas de Portugal e a empresa na área dos têxteis técnicos TMG Automotive, para sessões de mentoria e validação de negócio, bem como com formação e apoio de outros peritos técnicos para orientar o desenvolvimento de produtos.

No final do bootcamp, a ideia mais promissora receberá um prémio de 5.000 euros e os melhores projetos selecionados, após a fase de aceleração, terão oportunidade de fazer um pitch para o Comité de Inovação Global de Genan, na Dinamarca.

Segundo dados do WBCSD (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável)mu, de dezembro de 2019, todos os anos no ndo são descartados mais de 30 milhões de toneladas de pneus em fim de vida, com a Europa a registar um número na ordem dos 3,4 milhões de toneladas. Em Portugal são geradas em média 80 mil toneladas de pneus em fim de vida, sendo encaminhadas para reciclagem cerca de 60% e para valorização energética os restantes 40%.

O programa de aceleração NextLap está também a receber manifestações de outras empresas atuantes no setor, que tenham interesse em participar no programa enquanto parceiros para mentoria e formação das melhores soluções identificadas no processo de análise e investigação.

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A Valorpneu lançou este ano mais uma distinção com  vista a promover a sua atividade e potenciar a recauchutagem junto dos transportadores  aderentes ao Sistema de Gestão Integrado de Pneus Usados (SGPU). 

Depois do webinar “A Recauchutagem-Que Futuro”, promovido em conjunto com a  Associação Nacional dos Industriais de Recauchutagem de Pneus (ANIRP), em setembro de  2021, onde foi analisado este setor nos últimos anos e discutido as suas oportunidades futuras, a Valorpneu desafiou os operadores de transporte pertencentes à rede a ajudarem  a fazer mais e melhor por esta atividade. 

Segundo Paulo Silva, responsável pelo departamento de Logística Rede Transportes e  Valorização: “Esta distinção tem como objetivo motivar os transportadores e dar a conhecer  a excelência dos produtos recauchutados. A recauchutagem é uma atividade com mais de  70 anos de existência no nosso país e que está ainda bastante desaproveitada. É preciso dar  a conhecê-la, alertar para as suas vantagens económicas e ambientais e inseri-la no âmbito  da tão desejada economia circular”. 

Os resultados deste desafio já são conhecidos. A Palmiresíduos ficou em primeiro lugar na  “Distinção do Desempenho do Transportador’21”, seguindo-se a Transportes J. Amaral e a  Transportes Bizarro Duarte. Com este reconhecimento os vencedores vão receber jogos de pneus recauchutados, no valor de 5.000€, 3.000€ e 2.000€, consecutivamente, de um  recauchutador nacional da sua escolha, para utilizarem nas suas frotas.  Para recolherem os pneus no recauchutador escolhido, os vencedores receberam um  ‘voucher’ para utilizar até ao dia 31 de dezembro do ano em curso, assim como um  formulário que vai permitir a cada uma das empresas monitorizar o desempenho e a  qualidade dos pneus recauchutados que receberam.  

Este reconhecimento, que distingue os três operadores que mais se destacaram, é feito com  base em indicadores de desempenho semestrais.

Desta forma, e com a partilha da experiência dos Transportadores distinguidos na utilização  destes pneus, outros operadores irão perfilar-se para não perder uma oportunidade  semelhante.  

Em 2022 outras iniciativas neste âmbito se irão seguir. Sensibilizar a população para a  sustentabilidade e a importância de uma economia circular, com reintegração de recursos na economia, é uma das missões da Valorpneu. Porque Existe Amanhã! 

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Sob o tema “O Futuro Conduzido pela Inovação”, o propósito deste 19.º Encontro Anual Valorpneu foi apurar as novas tendências do setor, abordar os avanços na área do Ambiente, os objetivos que a Valorpneu se propõe a atingir no futuro e a melhor forma de disseminar as boas práticas no setor. 

Hélder Pedro, Gerente da Valorpneu, deu as boas-vindas aos convidados e fez uma breve  apresentação da Valorpneu enquanto entidade gestora com praticamente duas décadas de  existência “que sempre cumpriu os seus objetivos e que desde o início da sua atividade tem  como foco contribuir para a Economia Circular”. No entanto ressalva que: “Apesar de ao  longo dos anos a Valorpneu ter promovido várias ações no que diz respeito a I&D e Inovação, com diversas instituições e com implementações práticas, enquanto entidade  gestora a Valorpneu não consegue isoladamente concretizar todas essas ações com vista à reutilização de materiais que resultam da reciclagem e valorização de pneus”. Acrescentando que: “O apoio dos poderes públicos é fundamental e que, apesar de estar  presente em muitas situações, deve ser reforçado”, dando o exemplo concreto da  reutilização de matérias provenientes de pneus em fim de vida no pavimento rodoviário, um  tema que está em cima da mesa há vários anos, mas que ainda não existe um normativo  que promova essa reutilização.

A sessão de abertura ficou a cargo da Secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos  Costa referiu que “Hoje estamos a braços com uma crise conjuntural na área da energia e dos materiais, que  se pode desenvolver para uma crise estrutural se não formos capazes de repensar o modelo  de produção e de consumo em que assentámos o desenvolvimento nos últimos 100 anos”. Salientando ainda que: “É preciso  paulatinamente integrar os princípios da economia circular em todo o sistema e não só no  fim da linha. É necessário repensar estas organizações não apenas como entidades gestoras de pneus em fim de vida, mas como um farol de inovação circular para este tipo de material que já apresenta ameaças ao nível de escassez”. 

Em 2021 a Valorpneu estima recolher mais 13.100 toneladas de pneus para além do seu  objetivo, quantidade recolhida e tratada voluntariamente e que tem como destino a  valorização energética. As 84.800 toneladas de pneus usados recolhidos evitam a produção  de 127.000 toneladas de emissões de CO2eq. 

O principal destino dos pneus recolhidos, dentro do limite do objetivo de recolha, é a  reciclagem (78,2%), seguindo-se a valorização energética 17%), a recauchutagem (3,8%) e  outras formas de valorização (1%). 

No âmbito das atividades para garantir a sustentabilidade do setor, Climénia Silva destacou o  programa de inovação NextLap, promovido em conjunto com a Recicladora Genan e com a  consultora de inovação Beta-i, com vista a encontrar novas soluções para os materiais derivados da reciclagem de pneus usados e seus componentes. 

Este ano verificou-se também uma evolução do número de produtores aderentes ao  Sistema Integrado de Gestão de Pneus Usados (SGPU), com 2.050 aderentes. Neste âmbito foram realizadas as obrigatórias auditorias aos produtores e análise das medidas de  prevenção.  

A nível da rede transportes e valorização foi avançada uma novidade: o reconhecimento de  Desempenho Anual do Transportador, com a entrega de jogos de pneus recauchutados para usar nas suas frotas. Este prémio tem em vista motivar, fomentar e dar a conhecer o setor da recauchutagem e a excelência dos seus produtos. 

Como já vem sendo habitual nestes Encontros, realizou-se uma “mesa redonda” subordinada ao tema “A Inovação do Setor” onde foram debatidas as principais inovações e contributos para o setor dos pneus em fim de vida, onde mais uma vez foi destacado o programa NextLap, cuja primeira edição trouxe um contributo significativo na procura de soluções para estas matérias e, mais do que isso, criou um elo de ligação entre inovadores, empresários e a indústria, que era, de acordo com Climénia Silva, a componente que faltava neste tipo de programas, onde a Valorpneu foi pioneira em 2008 com o lançamento do Prémio Inovação, “quando ainda  pouco se falava de economia circular”. 

A Direção Geral das Atividades Económicas (DGAE) e a Agência Portuguesa do Ambiente  (APA) falaram de regulamentação e destacaram a importância da inovação tecnológica e da  colaboração em qualquer área de negócio, nomeadamente no setor dos pneus usados.  A “Transição Digital” e “Transição Verde” são duas das áreas que fazem parte da atuação da  DGAE e que constituem a estratégia atual para o crescimento da União Europeia (UE) e de  Portugal. Neste contexto, o conceito de “eco-modelação” foi também sobejamente falado,  na medida em que “discrimina positivamente os produtores”, fazendo com que privilegiem  “materiais reciclados nos novos produtos”, deixando de fora as “substâncias e os materiais”  mais poluentes, explica Fernanda Dias. Depois de uma edição totalmente virtual em 2020, a edição deste ano já se permitiu realizar  num formato híbrido, trazendo alguma esperança e até evidências de alguma retoma do  setor. O próximo ano será uma incógnita, mas com uma certeza e objetivo: encontrar  soluções que contribuam para um melhor ambiente e para uma sociedade mais justa, mais  resiliente, descarbonizada e que preserva o valor dos seus materiais.

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