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O Dia Internacional da Mulher celebra as conquistas das mulheres provenientes dos mais diversos contextos étnicos, culturais, socioeconómicos e políticos. É um dia em que todos devemos refletir acerca do progresso a nível de direitos humanos, e honrar a coragem e determinação das mulheres que ajudaram e continuam a ajudar a redefinir a história, local e globalmente.

Apesar de todos os avanços relativos aos direitos das mulheres, nenhum país atingiu a igualdade plena entre homens e mulheres.

O Green Purpose pretende assinalar esta data e desafiou algumas mulheres com cargos de liderança a responder a 5 perguntas sobre a desigualdade de género no meio laboral. São testemunhos que revelam a realidade que ainda se vive e refletem que, no que diz respeito a Portugal, na prática, ainda estamos longe de alcançar a igualdade.

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Vanda Rosário,
General Manager na IPSIS

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Já sentiu algum tipo diferença no tratamento dos outros para consigo no ambiente de trabalho por ser mulher?

Naquilo que diz respeito à relação entre pares e até mesmo chefias diretas e Direção Geral e/ou Administração nunca senti essa diferença. Sinto que me foram sempre dadas as mesmas oportunidades de crescimento junto das equipas fossem elas constituídas por homens e/ou mulheres. Foi sempre valorizado o trabalho por competência e resultados apresentados, independentemente do género. Em alguns momentos na relação com clientes senti muito pontualmente que quando a equipa era constituída por um homem e uma mulher, no momento da solicitação de pareceres em alguns momentos a primeira opinião ouvida era a do elemento homem. Mas pela minha forma de ser e de me corelacionar com os clientes, rapidamente essa diferença deixava de existir porque à medida que conheciam o meu trabalho tinham em consideração os resultados que apresentava e rapidamente qualquer diferença que pudesse ter existido no inicio da relação, desaparecia.

 

Acha que é mais fácil liderar uma equipa sendo homem ou mulher?

Hoje o grande desafio de um líder não é se é homem ou mulher, é de facto chamar a si as pessoas. Considero que para um líder, seja homem ou mulher, o relevante é liderar pelo exemplo e quando a entrega é feita, as equipas sentem que o líder está lá para o bem e para o mal, que tem know how e experiência, quase que me atrevia a dizer que não “há género na liderança”. Já coordeno equipas há mais de 10 anos e nunca senti que houvesse menor entrega, respeito ou estima, tal como também não senti maior condescendência pelo facto de ser uma mulher.

 

Sente que teve de se esforçar mais para atingir o cargo que ocupa por ser mulher?

Sinto que o lugar que ocupo hoje foi alcançado com muito esforço, resiliência e uma enorme vontade da minha parte de crescer nas empresas para as quais trabalhei. Os obstáculos porque passei nunca tiveram a ver com o facto de ser mulher, mas com os naturais desafios da profissão,  da área de atuação e com a minha natural forma de encarar os desafios e superá-los.

 

Algum conselho que gostaria de deixar para as jovens mulheres que entram no mercado de trabalho?

O meu maior conselho para os profissionais que entram no mercado de trabalho, sejam eles mulheres ou homens, é gostarem do trabalho que desempenham e darem tempo a si mesmos para crescer profissionalmente, de forma sustentada e sábia. Saber passar pelos vários momentos de crescimento e aprender em cada um deles. Para atingir metas, precisamos de tempo para gerir os obstáculos, aprender com eles e com isso tornarmo-nos profissionais mais completos. Se alguma mulher tiver a infelicidade de sentir algum tipo de discriminação pelo facto de ser mulher, o maior conselho é tornar a sua inteligência, resiliência e profissionalismo acima de qualquer preconceito, venha ele de homens ou até de mulheres.

 

Em que pontos considera que Portugal ainda tem de evoluir para que sejamos um país com uma sociedade com total igualdade de género no mundo laboral?

As mulheres têm e devem acreditar mais em si e devemos ser nós o principal motor da evolução e mudança. Quando fui mãe houve uma pessoa que me disse “vais ver… agora terás 8 braços”.  E a questão está toda aqui se a mulher souber usar estes 8 braços em prol do seu crescimento profissional e até pessoal, venham as barreiras que vierem que não haverá diferença de qualquer nível.

Portugal tem vindo a fazer um caminho longo, mas tenho assistido a um crescimento da voz das mulheres em várias matérias onde não eram ouvidas. As mulheres portugueses devem dar voz e corpo às suas intenções e desta forma contribuir para eliminar eventuais diferenças que possam existir entre homens e mulheres. A solução está em nós, na forma como nos vemos e fazemos os outros olharem para nós. Nesse dia não há nada que possa travar a nossa evolução no mundo laboral. Afinal de contas, quem tem 8 braços?

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