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A Wayz são sapatilhas sustentáveis, feitas para durar e com design e fabrico português, que nasceram de uma paixão e sonho comum de dois estudantes do curso de Design de Calçado.

Além da parte ambiental do produto, contribuem para uma associação de apoio a populações desfavorecidas e têm bem presente que Ninguém compra um produto de que não gosta, só por ser sustentável”.  Está tudo na entrevista.

Como surge a WAYZ? 

A Wayz surge quando eu e o Daniel nos conhecemos, no final de 2017. Ambos frequentávamos o Curso de Design de Calçado na Lisbon School of Design, no Porto. Descobrimos que tínhamos uma paixão comum por sneakers e partilhávamos o mesmo sonho, criar uma marca de sneakers portuguesa.

Desde o primeiro momento também sabíamos que queríamos fazê-lo usando materiais de qualidade, amigos do ambiente e desenvolver a marca em total transparência com os nossos seguidores e futuros clientes. A partir daí foi pôr mãos à obra.

Durante um ano procurámos os materiais, trabalhamos o conceito e a identidade da marca e desenhamos a nossa primeira coleção, que tem 4 modelos. No final de 2018 tínhamos os primeiros protótipos prontos. 

Desde o início que a nossa ideia era lançar a marca através de um Crowdfunding. Assim, em Maio de 2019, lançámos a nossa campanha na plataforma Indiegogo, onde vendemos cerca de 200 pares num mês. No final de 2019 lançamos a loja online, www.wayzforlife.com e começamos a vender também em lojas físicas, no Porto e em Lisboa e em alguns marketplaces digitais. 

 

Wayz - sapatilhas sustentáveis e éticas

 

Como definem a WAYZ? 

A Wayz é uma marca de sapatilhas, desenhadas e produzidas localmente, de forma responsável e ética, com materiais reciclados e biodegradáveis.

A nossa missão é criar produtos autênticos com design intemporal, feitos para durar, e vendê-los a preços justos.

Queremos também promover a mudança, inspirando as pessoas a seguir um estilo de vida mais consciente e responsável, onde cada um assume a sua responsabilidade, consumindo menos, mas melhor, comprando produtos mais duradouros, cuidando deles, dando-lhes uma segunda vida ou reciclando-os. 

 

Referem que devemos diminuir o consumo e as WAYZ são de design intemporal e para durar. Como se gere isto ao nível de negócio? 

O nosso objetivo é que os nossos clientes valorizem as Wayz, percebam facilmente a qualidade, conforto e durabilidade do produto, e como tal considerem bem empregue o dinheiro que pagaram por elas.

As Wayz não são baratas, mas têm um preço justo, que reflete a forma como são concebidas (design, materiais, qualidade de fabrico, etc). Sabemos que um cliente satisfeito pode tornar-se num embaixador da marca e ajudar-nos a chegar a mais pessoas.

Não precisamos que cada pessoa compre um par de sapatilhas a cada 6 meses, mas que o par que comprou dure e que tenha gosto em utilizá-lo ao longo dos anos. É uma forma de crescer responsável e sustentada.

Depois, podemos e iremos desenvolver acessórios (cordões, palmilhas, etc) para que possamos manter os Wayz em bom estado e continuemos a gostar deles, mesmo depois de muito usados… produtos com história(s). 

 

Os vossos materiais são eco-friendly. Como conseguiram chegar até eles? 

Eu diria que chegar até eles não foi difícil. Estamos no Porto, muito perto dos dois maiores polos de produção de calçado portugueses, Felgueiras e S.J. da Madeira, e como tal, após algumas pesquisas e contactos com pessoas da área e com o Centro Tecnológico de Calçado, foi relativamente fácil chegar até eles.

O que não foi fácil foi conseguir os materiais (cores e texturas) que queríamos, sobretudo os têxteis reciclados. Hoje em dia já é mais fácil, mas na altura, alguns fornecedores estavam apenas a começar a trabalhar com este tipo de produtos, outros nem sequer tinham. Os nossos primeiros protótipos foram feitos com têxteis reciclados que mandamos vir de um fornecedor na China. Não era de todo aquilo que queríamos e felizmente, antes da primeira produção, conseguimos encontrá-los em fornecedores locais. 

 

wayz - sapatilhas sustentáveis com materiais eco-friendly

 

 

Que outras preocupações incluem na vossa produção e distribuição? 

Um produto não pode ser sustentável se não tiver qualidade e não for duradouro. Os nossos materiais para além de amigos do ambiente, são também de grande qualidade.

O cuidado que temos na produção também reflete essa preocupação, pois temos um controlo de qualidade muito rigoroso e usamos técnicas de produção (ex: sola cosida, forro 100% em pele, sola de borracha) que tornam as Wayz mais resistentes ao desgaste. 

Na distribuição também houve preocupações, o packaging feito de cartão reciclado e adaptado aos envios por correio. Concebemos uma caixa que serve de caixa para as sapatilhas e de caixa de envio. Desta forma evitamos enviar uma caixa dentro de outra caixa e poupar recursos.

 

As WAYZ são 100% feitas no Norte de Portugal. Quão importante era para vocês assegurar algo 100% português?

Desde o primeiro momento que queríamos fazer um produto 100% português, um produto local, desenhado e produzido em Portugal com materiais portugueses. Ainda não é 100% português, porque o nosso têxtil, apesar de ser comprado em Portugal, é produzido em Espanha. Mas é quase! 

Ao escolhermos fornecedores locais estamos também a garantir que a nossa cadeia de produção contribui para o desenvolvimento de indústrias locais e que temos um impacto ambiental mais reduzido, pois não temos que importar os nossos componentes de países longínquos. 

 

Como o mercado percebe ser 100% português? Valorizam, nacional e internacionalmente? 

Os Portugueses valorizam, cada vez mais. Temos notado isso, sobretudo no último ano. Internacionalmente é mais o facto de ser uma marca independente, com um produto local e de grande qualidade, feito com materiais amigos do ambiente. 

 

wayz - sneakers sustentáveis

 

Sentem que a maioria dos vossos clientes chegam por serem sustentáveis, de design apelativo ou exclusivos?

Penso que são 3 argumentos de peso. Há clientes que apreciam os 3, outros que vão apenas por uma parte. Ninguém compra um produto de que não gosta, só por ser sustentável, portanto, o design é a nossa maior preocupação. Temos um conceito, um design próprio, e isso já é reconhecido.

A sustentabilidade, exclusividade, a nossa história, a transparência são também fatores valorizados pelos nossos clientes. 

 

Doam parte da vossa receita aos sem abrigo do Porto. Podem falar sobre esta ação? 

Um dos nossos pilares é a responsabilidade social. Desde o início do projeto que queremos devolver à sociedade aquilo que ela nos dá. Fizemos uma parceria com a SAOM, que é uma instituição de solidariedade social do Porto que tem um trabalho de longa data, reconhecido, com as populações mais desfavorecidas da cidade.

Uma das grandes carências que detetámos foi a falta de sapatos e como tal fazemos doações de sapatilhas com pequenos defeitos ou protótipos, que não podem ser vendidos. Assim, nada se desperdiça e estamos a dar nova vida a estes produtos, que estão em bom estado e podem servir as necessidades de outras pessoas. 

 

Muitos projetos sustentáveis não conseguem comunicar eficazmente a sua diferenciação. Que importância dão à comunicação e que ações levam a cabo? 

É verdade, e essa também é a nossa dificuldade. Comunicar bem é difícil, dá muito trabalho e requer muito investimento pois é necessário ter bons conteúdos (textos, fotos, vídeos).

Nós privilegiamos as redes sociais, e o nosso site, como forma de comunicar com a nossa comunidade mas sentimos que não é suficiente. Também fazemos algumas parcerias com outras marcas portuguesas e, pontualmente, com alguns influenciadores. 

No futuro queremos apostar num conteúdo mais regular, atrativo e mobilizador, ao nível das redes sociais e também com a criação de um blog, em que podemos comunicar de forma mais explícita o universo, valores e propósito da Wayz. 

 

São jovens, empreendedores e muito ligados ao Porto e a Portugal. Que ambições para o futuro? 

Vivemos momentos de grande incerteza e como tal é difícil fazer planos. Mas vamos ter que aprender a viver com ela. 

Queremos que cada vez mais pessoas conheçam a marca e experimentem as nossas sapatilhas, em Portugal e nalguns países europeus. Estamos neste momento a estabelecer parcerias com alguns marketplaces digitais europeus e queremos também estar presentes nalguns retalhistas de algumas cidades europeias. 

Vamos crescer, com paciência e resiliência e de forma sustentada. 

Pedro Maçana e Daniel Gonçalves

Cofundadores da Wayz

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Os vinhos da Adega Mayor nascem do sonho do Comendador Rui Nabeiro e são perpetuados no trabalho que Rita Nabeiro tem feito. Numa adega desenhada por Siza Vieira, que respira Alentejo e incorpora a sustentabilidade na essência e produção. Está tudo na entrevista.

Vinhos Adega Mayor - Adega

A Adega Mayor é um sonho do Comendador Rui Nabeiro. Quando sentiram que era o momento de passar do sonho para a realidade? 

O meu avô, desde sempre empreendedor e apaixonado pelo mundo do vinho, queria recuperar a tradição vitivinícola no Alentejo, mais concretamente em Campo Maior, terra que foi perdendo esta cultura com a passagem do tempo.

Assim, e de forma a inverter esta tendência, os primeiros passos para a construção do projecto vinícola tiveram início com a plantação das primeiras vinhas em 1997, na Herdade da Godinha. Dez anos mais tarde, em 2007, foi inaugurada a Adega Mayor.

Um projecto singular desenhado pela mão do arquiteto Siza Vieira, a primeira adega de autor do país, que veio reforçar o caráter pioneiro do Grupo Nabeiro ao mesmo tempo que traz mais riqueza quer industrial, quer patrimonial para a região.

 

Siza Vieira foi o arquiteto escolhido para desenvolver a Adega Mayor. De que forma está o Alentejo incorporado no projeto? 

Pelas linhas simples e depuradas do seu desenho, pelos materiais e técnicas usadas na construção, claramente inspirados na alvura das casas alentejanas e que se traduzem em grandes muros caiados que rasgam o chão, aos materiais da região como os mármores de Vila Viçosa e Estremoz.

A Adega Mayor deixa brilhar o que de melhor temos em Campo Maior: a paisagem de um Alentejo interminável, onde o horizonte se estende no infinito. A sobriedade dos seus traços, reforça a identidade da Adega Mayor: a união entre contemporaneidade e o profundo respeito pelos valores do Alentejo e pela natureza.

 

O que caracteriza os vinhos da Adega Mayor? 

Os vinhos da Adega Mayor são vinhos que convidam a abrir os sentidos para o que se faz de “Mayor” no Alentejo. Frescos e minerais pela proximidade das vinhas à Serra de São Mamede, são os solos graníticos e o clima temperado, que lhes conferem a sua elegância, frescura e singularidade.

São vinhos que surpreendem por conseguirem aliar a subtileza da sua composição à intensidade e caráter dos vinhos do Alentejo. 

 

Têm algum vinho que se destaque dos outros? 

É difícil responder a essa questão. Todos os nossos vinhos primam pela qualidade mas acima de tudo, todos eles são indicados para diferentes perfis e situações de consumo.

Posso destacar três vinhos de três gamas diferentes:

  1. O AM Touriga Nacional pela sua frescura e carácter marcante;
  2. O AM Reserva do Comendador (seja tinto ou branco) pelo sua nobreza e consistência ao longo dos anos;
  3. O Grande Reserva Pai Chão, que é uma homenagem ao meu avô e fundador da Adega Mayor. Trata-se de um vinho que só existe em anos de exceção, quando a natureza e o homem se encontram.

Cada garrafa abre um novo mundo, são vinhos diferentes para circunstâncias distintas.

 

A exportação é uma parte importante da Adega Mayor. Sendo Portugal uma referência internacional na produção de vinhos (11º maior produtor a nível mundial e 8º exportador), em que países mais se destaca e que perceção têm os consumidores internacionais do vinho português?  

Além do mercado nacional a Adega Mayor está presente em diferentes países com destaque em França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Angola e Brasil.

A reputação internacional dos vinhos produzidos em Portugal tem vindo a evoluir no sentido positivo e o aumento das exportações comprovam-no, assim como as várias distinções conquistadas nos melhores concursos de vinho internacionais. No entanto considero que ainda há muito trabalho a fazer do ponto de vista da valorização da marca Portugal.

 

Vinhos Adega Mayor - Colheita

 

Os vinhos orgânicos tiveram um crescimento de 20% em França e 15% em Itália nos últimos 7 anos. Como veem esta tendência? 

Nos últimos anos assistiu-se a um aumento da dinâmica do sector vitivinícola, nomeadamente através do surgimento de novos conceitos e é nesse sentido que surge esta tendência internacional na procura de vinhos orgânicos. Esta tendência não é exclusiva do sector vitivinícola, mas é o reflexo de uma preocupação dos consumidores de produtos que sejam bons para a saúde e para o planeta. Temos este fator em consideração e em breve apresentaremos o nosso primeiro vinho orgânico.

 

Ao nível do sabor, que diferenças um consumidor encontra num vinho natural ou orgânico?

Depende muito do tipo de vinificação do produtor, mas diria que a maioria procura intervir o mínimo no vinho, evitando estágios intensos em madeira. Nesse sentido, tendencialmente encontramos um perfil mais leve frutado na maior parte dos vinhos orgânicos.

 

O consumidor de vinho tem as preocupações ambientais e sociais incorporadas na sua escolha? 

Existem diferentes tipos de consumidores de vinho, no entanto os consumidores mais exigentes são aqueles que relevam preocupação por adquirir um vinho de produção sustentável, que reconhece um conjunto de boas práticas económicas, sociais e ambientais.

 

Vinho Adega Mayor

 

A Adega Mayor, na sua missão, refere “entregar às próximas gerações uma terra melhor que a que encontrámos”. Como está a sustentabilidade e o lado social incorporados na vossa produção? 

A sustentabilidade ambiental é parte integrante do negócio da Adega Mayor, porque os nossos resultados dependem do seu equilíbrio.

Alinhada com o propósito de reforçar a sustentabilidade no seu negócio e nos processos envolventes, em 2016 a Adega Mayor aderiu ao PSVA, um programa diferenciador que visa construir uma estratégia de rede sobre sustentabilidade para a produção vitivinícola da região do Alentejo, incentivando à prática de abordagens inovadoras na produção de vinho, que levem à correta utilização do meio ambiente e à conservação de recursos naturais e biodiversidade. 

Desta forma, contribui para o combate às alterações climáticas ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento económico e social da região.

A Adega Mayor assume ainda o compromisso claro de contribuir ativamente para estimular o crescimento económico sustentável da região do Alentejo, ao apostar cada vez mais em soluções eco eficientes, capazes de responder eficazmente às problemáticas socioambientais geradas pelos atuais modelos de desenvolvimento.

Desta forma, trabalhamos no sentido de minimizar os impactos ambientais de ano para ano, como a gestão da água, da energia e dos resíduos na adega.

Neste sentido, a Adega Mayor apresenta uma constante preocupação em obter a máxima eficiência em todo o processo produtivo, pensando sempre no futuro e nas próximas gerações.

Rita Nabeiro - Vinho - Adega Mayor

Rita Nabeiro 

CEO Adega Mayor

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A Natureza não envolve as Areias do Seixo, é parte das Areias do Seixo. Um hotel que dispõe de villas e de um abrigo, atividades como o Círculo de Fogo e está junto à Praia do Seixo, em Torres Vedras. Além de uma construção sustentável, cuidados ambientais e objetivos muito bem definidos. Lê tudo.

areias do seixo - quarto tree - natureza

De onde surgiu o nome Areias do Seixo?

‘Seixo’ pois o Hotel situa-se junto à Praia do Seixo, uma praia selvagem e beleza ímpar.

‘Areias’, por nos remeter para as dunas e para a praia.

 

Areias do Seixo é muito mais do que um alojamento, é uma experiência. Concordam com esta afirmação? Em que é que esta experiência se traduz na prática para quem vos visita?

Sim.

As Areias do Seixo tornaram-se um hotel destino, atraindo pessoas de todo o mundo até ao território (85% dos hóspedes são estrangeiros). Tal apenas foi possível, devido ao compromisso com um fornecimento de serviços turísticos de excelência, adequados às suas necessidades do mercado, destacando a sua identidade sobretudo pela competência das soluções e pelo respeito pela natureza e sustentabilidade.

A sua principal vantagem reside na oferta alargada e integrada de serviços durante a estadia, valorizando a experiência como vetor-chave na conquista de angariação e fidelização de clientes e promovendo não apenas a experiência indoor mas também outdoor e em relação direta com outros parceiros no território.

A sua estratégia de posicionamento baseia-se na diferenciação e diversificação dos seus serviços, na componente de sustentabilidade, enquadrados numa infra-estrutura única, desenhada e planeada para valorização da estadia.

O hotel destaca-se pela sua arquitetura, design, originalidade, charme, bem como, a sua forma calorosa e familiar de acolher os hóspedes, como se de uma grande casa se tratasse. Hotel perfeitamente integrado na Natureza que o envolve, rodeado de dunas, mar e pinhal.

Rege-se por princípios ecológicos e sustentáveis, aproveitando os Recursos Naturais disponíveis, enquanto se atua concomitantemente na diminuição dos impactes negativos dessa mesma utilização.

As unidades de alojamento têm um caráter único, respeitando a portugalidade e relacionando-a com influências de outras geografias.

A “experiência” Areias do Seixo reúne tudo isto.

 

O que os motivou a abrir este espaço? Como nasceu a ideia? 

O Hotel Areias do Seixo nasceu de um sonho dos proprietários Marta e Gonçalo. Era muito forte o desejo de criar um lugar único onde pudessem receber pessoas dos vários cantos do mundo, num ambiente mágico e ao mesmo tempo familiar.

Desde o sonho à construção deste espaço muitos obstáculos foram ultrapassados. Resultado? Um lugar onde todos os ingredientes que o compõem foram escolhidos a pensar na originalidade, no conforto… um sítio onde simplesmente apetece estar e viver cada momento… rodeado de mar, dunas e pinhal.

 

areias do seixo - abrigo na natureza

 

De que forma incorporam a natureza na vossa oferta?

Pela localização privilegiada de Santa Cruz… Crua, selvagem, intocada, imensa, impetuosa e arrebatadora. Com as suas praias largas, longas, ímpares e desertas. E é entre as arribas, pinheiros, dunas e rochedos, que brotam as Areias do Seixo. Um Refúgio, Paraíso, Sonho, Retiro, Um Lugar Mágico…

Mas, também, através das experiências que proporcionamos. Por exemplo:

  • O ‘Círculo do Fogo’, onde no aconchego de uma fogueira, saboreamos um Copo de Vinho ao som da doce música das cordas de uma guitarra… inspiramos o aroma da lenha, observamos as estrelas, absorvemos as mais quentes cores do pôr do sol… e brindamos à VIDA!
  • O ‘Da Terra ao Prato’, uma visita guiada pela nossa horta, onde cheiramos, provamos e colhemos legumes, frutas, flores e ervas aromáticas, que serão utilizados na confeção de um almoço delicioso, com a ajuda do nosso Chef.
  • O ‘Jantar no Abrigo do Lago’, num cenário ímpar, acolhedor, rodeado de Natureza, ao som do coaxar das rãs, da brisa que corre no canavial e do bater das ondas, ao fundo.

 

A quem se destina Areias do Seixo? Casais e Famílias?

Os clientes caracterizam-se por pessoas de rendimento elevado, casais, da faixa etária compreendida entre os 35 e 55 anos, provenientes de centros urbanos sofisticados, que buscam o rompimento com a agitação característica do seu dia-a-dia, e que, através da integração com a Natureza e com o meio rural procuram ganhar novas energias.

São pessoas com preocupações ambientais e com apetência para desfrutar de locais de qualidade e conforto num ambiente de charme, mas ao mesmo tempo descomprometido.

São provenientes maioritariamente de Portugal, Inglaterra, Alemanha, Suíça, França e Estados Unidos e são igualmente significantes os mercados Holandês, Belga e Brasileiro.

Tendo 2 modalidades de estadia diferentes – quartos de hotel e villas – ambos (casais e famílias) procuram o hotel. Sendo que os quartos de hotel proporcionam um ambiente muito mais romântico, enquanto que as villas, mais familiar, por serem casas independentes, autónomas e com capacidade para no mínimo 6 pessoas. Ambas as ofertas com atividades e experiências devidamente segmentadas.

 

Que atividades pode uma família usufruir no vosso espaço?

  • Celebrar a Natureza com um jantar, seguido de um filme, no Coreto do nosso Jardim. Sob a luz das estrelas, rodeados por dunas e pinheiros, acolhidos num cenário único
  • Visita guiada pela nossa horta, onde se cheira, prova e apanha. Todos os legumes, frutas, flores e ervas aromáticas serão utilizados na confeção de um almoço delicioso, com a ajuda do nosso Chef.
  • Círculo do Fogo, onde se juntam os hóspedes, contam-se histórias, cantam-se canções ao som de uma guitarra, celebrando – em conjunto – a ida do sol e a chegada das estrelas
  • Yoga
  • Barbecue na Villa
  • Cesto de piquenique
  • Atelier de Expressão Artística

Além de todas as atividades Surf & Action (promovidas pela Noah Surf House – hotel irmão, a 5 minutos): aulas de surf, skate, trekking, treino funcional, pilates…

 

areias do seixo - passeio na natureza

 

De que forma o vosso compromisso com a sustentabilidade está presente? Dê-nos alguns exemplos.

Ambicionando a melhoria contínua, instigando o pensamento sustentável e provando ser possível crescer economicamente em harmonia com o planeta, a conceção/construção do edifício e todo o projeto de engenharia e arquitetura foram desenvolvidos com base em boas práticas de gestão ambiental, com o objetivo de promover a integração harmoniosa com a envolvente natural, minimizar/evitar impactes ambientais e reduzir a pegada ecológica associada ao ciclo de vida do Hotel.

Destacam-se as seguintes ações que foram tomadas na fase de conceção/construção:

  1. Conceção do edifício tendo em conta a sua integração na morfologia do terreno, que é anfiteatro natural, de modo a minimizar o volume do edifício no espaço;
  2. Reutilização dos escombros e ruínas do antigo aviário que existia no terreno onde foi implantado o Hotel, os quais foram previamente britados e aplicados nas bases de pavimentação (foi escolhida para este serviço uma empresa de britagem local);
  3. Climatização do Hotel assente em sistema de geotermia.

No âmbito da nossa política da qualidade, anualmente, são definidos objetivos financeiros e ambientais, indicadores e metas com os quais a Administração e todos os colaboradores se comprometem. Estes objetivos passam pelo:

  1. Crescimento sustentado e dos resultados líquidos positivos;
  2. Rácio do custo de comidas e bebidas, face ao volume de serviços prestados;
  3. Rácio entre a quantidade de matéria-prima produzido na horta e o seu escoamento no Restaurante, evitando a deslocação de matéria-prima;
  4. Redução do custo com energia elétrica, água e gás, entre outros.

Para além disso, o projeto Areias do Seixo privilegia o critério proximidade como um dos critérios de seleção quer dos colaboradores, quer dos fornecedores, visando contribuir para a economia da região e reduzir a pegada ecológica associada ao transporte de bens e serviços.

São várias as iniciativas implementadas, das quais se destacam:

  • Climatização do Hotel assente em sistema de geotermia, composto por captação de energia vertical e horizontal, circuito térmico por pavimento radiante apoiado por bombas de calor. Este sistema ecológico permite utilizar de forma eficiente a temperatura existente no interior da terra, para posterior climatização do edifício e aquecimento das águas;
  • Utilização de cortiça nas paredes duplas para isolamento térmico do edifício (em áreas pontuais em que não pode ser utilizada a cortiça foi utilizado poliestireno expandido para isolamento);
  • Encaminhamento das nascentes – encontradas durante a fase de construção das fundações do empreendimento -, e águas pluviais para poço existente na propriedade, garantindo que os excedentes são reintroduzidos nas linhas de águas existentes; alimentação da água da piscina por furo existente na propriedade;
  • Aquecimento da piscina por recurso aos excedentes térmicos do solar e da geotermia;
  • São efetuadas compras com vista à prevenção da produção de resíduos, por exemplo compras a granel, taras retornáveis, compras em grandes quantidades;
  • A fração orgânica dos resíduos é encaminhada para a unidade de compostagem existente, obtendo-se um composto orgânico, sem aditivos químicos, que é utilizado como fertilizante natural para aplicação nos solos agrícolas da horta – que produz frutas e legumes para abastecimento do hotel;
  • Utilização de cascas de laranja desidratadas e pinhas em substituição das tradicionais e poluentes acendalhas para acender as lareiras;
  • Decoração original, baseada nos princípios do Upcycling, que consiste no reaproveitamento de objetos antigos, de forma criativa, atribuindo um novo e melhor propósito para um material que, de outra forma, seria descartado;
  • Abolição de plásticos descartáveis, nomeadamente de palhinhas;
  • Guardanapos de papel compostáveis;
  • Conceção de ementas sazonais, de acordo com a produção da nossa horta e, sempre que possível, utilizando produtos locais e biológicos;
  • A grande maioria das espécies escolhidas para as zonas ajardinadas são autóctones (locais) e não necessitam de rega, dependem apenas da água da chuva.

 

Sente que os clientes valorizam estes aspetos?

Sim, muito. Como referi em resposta anterior, os nossos hóspedes partilham as nossas preocupações ambientais e valorizam todos os esforços e medidas, visíveis ou invisíveis durante a estadia.

 

areias do seixo - quarto

 

Qual foi até hoje o melhor elogio que receberam por parte de um cliente?

É difícil escolher apenas um…

“A concept reaching far beyond mere ‘eco’ living or ‘sustainability.’”

“It is about getting back to the roots, helping the land build itself back up.”

“Never have I seen such a wonder, nor tasted such delightfully delicious fresh produce.”

”As if had been carved in the landscape by the hands of God”.

 

areias do seixo - crianças

 

areias do seixo

 

areias do seixo - casal

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Não ficamos indiferente ao artesanato português, mas quanto estamos dispostos a pagar por ele?

Esta é uma luta da Esperança Vitória, Artesã & CEO da Victoria Handmade, que, crescida numa família de artesãos de junco, desistiu da profissão antes de a começar, ao ver as dificuldades da família num produto que sempre foi vendido abaixo do preço de produção. Mas o falecimento da mãe mudou a sua história e até já venceu o Prémio Nacional de Artesannato e emprega a irmã. Lê tudo na entrevista abaixo.

Como surgiu a ideia de criar a Victoria Handmade? 

Enquanto história e tradição, esta Arte de tecer o Junco faz parte da nossa família desde 1952, quando a minha Querida Avó Vitória colocou o meu pai na escola para aprender esta Arte Ancestral – ele ainda com 9 anos de idade – nunca tendo parado desde então – e já na altura conhecido por ter as melhores cestas de junco da aldeia – ensinando posteriormente à minha mãe e a cada uma de nós desde tenra idade, suas filhas.  

Com 38 anos de idade, com o falecimento da minha mãe a juntar à falta de realização profissional que passava no momento, decidi despedir-me do emprego onde estava há 14 anos para trabalhar naquele que aprendi desde os 5 de idade. Para trabalhar naquilo que todos diziam ser impossível de sobreviver e do qual me afastei à primeira oportunidade com ainda nem 18 anos devido à sua insustentabilidade: na cestaria de junco.

Sabendo que a minha maior luta seria a desvalorização do artesanato, mas não perdendo o desejo de valorizar a arte de tecer o junco com a ousadia de lhe acrescentar modernidade, para que pudéssemos continuar a tecer estórias.

E foi assim que o projeto Victoria Handmade nasceu, em memória da minha Querida Mãe que partiu deste universo no mesmo ano, e do meu Pai que via esta arte extinguir-se entre as suas mãos, dia após dia, sem antes alcançar as suas: Uma força que nos fez renascer.

 

estória do artesanato de junco

 

Transformar cestas de junco num produto premium. Conte-nos como tem sido esta jornada?  

A jornada tem sido revolucionária, revoltante e agridoce, mas ao mesmo tempo a nossa maior vitória e sentimento de realização.

Infelizmente existe a ideia pré-feita de que o artesanato tem de ser barato, e isso tem sido o nosso maior obstáculo. Tornar este produto premium foi essencial para preservar e dignificar esta arte, cada vez mais à beira da extinção.  

O facto de toda a vida estas cestas terem sido conhecidas tradicionalmente nas feiras a preços ridiculamente baixos foi, e ainda hoje o serem, é a nossa maior batalha e revolta. Porque se por acaso tiverem a sorte de falar com o próprio artesão e questionar se a arte dele permite sobreviver dela, nós temos a certeza da resposta. Nós vivemos essa resposta na pele toda a vida dos 5 aos 17 anos ao ponto de desistir dela e estar mais de 20 anos afastadas. E chegarmos ao ponto de o público achar que os estamos a roubar, de literalmente nos chamarem de tal e até pior depois de criar a Victoria Handmade, é o nosso maior lamento.

Mas o que as pessoas não têm noção, é que já na altura em que o meu pai vendia as cestas a um comerciante para que, esse sim, as vende-se nas feiras a um preço ”justo” onde ganhava margens de 100 e 200% de lucros, o meu pai teve de as vender a um preço que claramente não pagava as horas de trabalhos que ele, as suas 3 filhas e esposa investiram. Quando as pessoas nos dizem ”encontramos cestas de junco na feira por 20€” não têm a real noção que, nesses 20€ que pagaram, o comerciante tem uma margem de 100%, e uma Esperança Vitória de 5 anos, fez essa mesma cesta a preço 0 para os pais as poderem vender a alguém que a comprasse.

Então se dissessem a essa Esperança, que aos 38 se despediria de um emprego estável, para retornar a um trabalho que fugiu a 7 pés, essa Esperança de 5 anos iria rir-se na cara da de 38 e provavelmente chamá-la de louca. Mas quando me dei conta que na minha aldeia natal – Castanheira, Cós – Alcobaça – esta arte se perdia nas mãos dos mais velhos enquanto complemento à reforma, e que a minha mãe faleceu com o desejo de poder voltar a ver cestas a saírem da nossa casa como antigamente e o meu pai cada vez mais incapacitado de continuar nesta arte, ganhei a coragem que precisava para começar esta jornada: de ser das artesãs mais novas deste mercado, e a primeira – e atualmente das muitas poucas – a ter todos os seus direitos de trabalhador assegurados – segurança social, um ordenado, portas abertas de um atelier, tudo o que uma empresa artesanal tem de encargos – e 2 anos depois, ainda conseguir empregar a minha própria irmã mais velha, Carla, desempregada na altura, foi um sonho, que não sabia ter, realizado.  

Concluindo, tornar as cestas de junco em algo premium foi a única forma de não permitir que esta arte morresse nas minhas mãos sem antes chegar às do público. Entregar a mais alta qualidade artesanal. Uma cesta Victoria Handmade tem entre 8 a 16 horas de trabalho das minhas mãos e da minha irmã. E apesar de haver um maior investimento nosso e da parte de quem compra, que opta por qualidade em vez de quantidade, o que nos consola é saber que também haverá menos desperdício, mais intenção e amor por detrás de tudo o que fazemos, temos e somos. 

 

Como se conta a história por detrás de um produto que tem uma arte ancestral incorporada?  

Conta-se muita estória, nostalgia, memórias, e paixões, numa única peça. Sentimentos esses por parte de quem faz, e por parte de quem a compra. 

Acreditamos que a única forma de preservar as artes e ofícios é ao manter os métodos de produção inalterados, mas entregar um resultado contemporâneo diretamente das mãos do artesão até à pessoa para quem aquela peça foi feita. Há um sentimento de ”orgulho” que sai das nossas mãos, ao fazermos cada peça. E quando é entregue à pessoa para quem foi feita, sabemos que ambas as mãos, as nossas e as dessa pessoa, se fundem numa só estória: o nosso legado.

 

 

O que é que existe de local e típico na Victoria Handmade?  

Todas as nossas peças são 100% feitas-à-mão – típico da arte em questão, pois não existe outra forma de o fazer senão manualmente – com materiais naturais e 100% nacionais.

O nosso junco, uma planta que nasce selvagem em terrenos alagadiços, é apanhado por nós mesmas no centro de Portugal. Todo o nosso couro, sempre de curtimento vegetal que reduz a nossa pegada verde e permite tornar o nosso produto da mais alta-qualidade eco-friendly, advém de Alcanena classificada como a melhor zona de curtumes de Portugal.  

Portanto, de típico existe pouco enquanto resultado final de design, mas a essência de um produto 100% português mantém-se fiel.

 

Victoria Handmade - peças de junco

 

Fale-nos um pouco sobre o processo de criação destes produtos que começam com a apanha do junco.   

Existem 5 grandes fases antes de um produto victoria handmade chegar às suas mãos.

1 – Apanha do Junco

Tudo começa na apanha e secagem do junco, onde somos gratas pelo que a natureza nos traz de melhor. Esta é a fase mais difícil de todos os processos, e aquela em que a natureza tem de trabalhar a nosso favor e que torna as restantes fases possíveis.

O junco cresce selvagem em terrenos com grande abundância de água – sem água não haverá junco, então é essencial que tenhamos um inverno chuvoso, para que a semente do junco possa crescer nas terras alagadiças. Chegando a primavera, é essencial o sol para fazer brotar a espiga do junco e terminar assim a fase do seu crescimento. A partir de Maio até Agosto – dependendo do estado de espírito do tempo durante todo o ano anterior – podemos apanhar o junco, ir directamente às terras, cortar rente ao chão e dividir em fechos da braçada de um homem comum.

No fim da apanha, passamos pelo processo de secagem. Esta também é feita naturalmente. O junco é estendido em terrenos sobre o forte sol de verão para que a sua cor original verde escura, possa secar sobre o sol até ao tom ”natural” creme pérola. – Aqui é essencial que não chova pois se chove no momento em que o junco está estendido sobre os terrenos a secar, este acaba por ficar manchado e não chega a secar totalmente, ficando com junco ”imperfeito” para todo o resto do ano.

Pelo que esta fase apenas acontece uma vez por ano, tendo que apanhar junco suficiente para o ano inteiro até à próxima campanha, pois só no verão é que o junco está pronto a apanhar, e só o sol o pode secar. Se esta fase não acontecer, o junco acaba por apodrecer nos terrenos, até renovar num próximo ano. 

2 – Preparação do Junco

 Fase 2 é a preparação da matéria prima: o junco no fim de seco pelo sol, tem de ser escolhido, manualmente pauzinho a pauzinho, os juncos bons a trabalhar (que não estão muitos escuros, podres, juncos que são demasiado duros para trabalhar, ou demasiados moles, ou ervas misturadas nos molhos que foram apanhados). Além desta escolha, existe o processo de retirar a espiga/semente do próprio junco, uma vez que não podemos tecer cestas com a semente misturada! No fim da escolha feita, o junco é limpo e enxofrado para clarear – este processo é um método ancestral que faz toda a diferença para permitir que o junco seja bom a trabalhar. 

3 – Tingimento do Junco

Fase 3 é o tingimento em diferentes cores, das mais neutras às coloridas, onde o junco, a água quente e pigmentos naturais de cor são colocadas ao lume para que o junco agora de tom creme, possa ser tingido de vermelho, ou verde, amarelo, etc. No fim de tingido, o junco é novamente colocado a secar ao ar para concluir a aderência da cor. 

4 – Tecer as peças com o fio de juta (um fio natural)

Fase 4 é finalmente o tear: tecer as peças com fio de juta (um fio natural). O junco é entremeado com a juta pauzinho a pauzinho, batido com um pente de madeira, até criarmos uma esteira completa do tamanho correto. Um tear completo, pode levar entre 6 a 7 esteiras. No fim de encher o tear, cortamos, atamos as pontas e voltamos ao tear para fazer um 2º tear, este para as laterais das esteiras que fizemos primeiramente. Conclusão, para fazer uma cesta, serão sempre precisos dois teares: um para fazer o corpo principal, e um segundo para fazer os 2 cantos para esteira que irá dar forma à cesta.

5 – Acabamentos

Fase 5 são os acabamentos. Onde por fim podemos coser a peça para dar forma à cesta, ornamentamos com ferragens, colocamos asas de verga, protegemos com um acabamento à base de água para que as peças se tornem impermeáveis, assim como o couro eco-friendly desde alças, assas, cantos, etc é todo cortado manualmente por nós (compramos ao fornecedor o couro completo do animal, para ser aproveitado da melhor maneira de modo a evitar qualquer tipo de desperdício.)

Podemos ainda mencionar uma fase 6 em que a peça está por fim concluída, e toda a promoção online, fotografias, webdesign, gestão de redes sociais, atendimento ao cliente, gestão de encomendas, é ainda assegurada pela nossa equipa atual onde eu, a minha irmã e a minha filha entregamos o nosso melhor até si.´

Conclusão

Para que entendam melhor, tradicionalmente não é comum uma única família fazer todos os processos por detrás de uma cesta. Na minha aldeia, o comum é:

  1. Uma família que apanha e vende o junco;
  2. Uma segunda família que faz os tingimentos e tece no tear;
  3. Outra família que cose e dá forma à cesta,;
  4. Outro alguém que coloca as asas de vime/verga;
  5. Por fim, alguém que a vende – seja o próprio artesão (pouco comum) ou um comerciante.

Nós, na Victoria Handmade, sentimentos a necessidade, de modo a ser sustentáveis e ter total confiança que entregamos a melhor qualidade artesanal, de fazer tudo. Só deste modo poderíamos fazer a diferença. 

 

Há uma forte componente manual em toda a criação. Quantas horas demora até termos uma cesta Victoria Handmade nas mãos?  

O facto de todos os processos que referimos acima não serem feitos uns atrás dos outros, permite que todo o tempo seja diluído em mais do que uma peça. No entanto, todos estes processos consomem bastante tempo, e podemos assegurar que contabilizando todos os processos, apenas uma peça tem no mínimo entre 8 a 16 horas de trabalho artesanal: todo esse trabalho nosso do início ao fim. 

Victoria Handmade - peças premium em junco

Qual é o vosso produto estrela? Aquele que melhor simboliza a vossa proposta de valor e que mais vende.  

Sendo a nostalgia que cada peça Victoria Handmade acarreta pelos tempos e memórias felizes que vivemos no passado ao lado destas cestas, sem dúvida que há uma peça que ganha vitoriosamente o título ”Best Seller”. O nosso modelo Cesta Shoulder, Strong Escuro  é a peça favorita da grande maioria, retrata na perfeição a aliança entre a tradição e a contemporaneidade. 

 

Quem é o vosso cliente? Como o caracteriza?  

Atualmente temos dois grandes tipos de cliente:

  1. os consumidores de slow-fashion
  2. os consumidores nostálgicos.

O nosso produto retrata muita nostalgia e memórias ao público português, e a nossa alta qualidade artesanal faz com que seja cobiçado pelo público em geral, sendo o foco em mulheres modernas entre os 30-45 anos de idade de uma classe média / alta.

O facto de sermos um produto derivado de fibras naturais, e devido à nossa história, tradição e a nossa missão, encaixamos na perfeição no conceito de slow-fashion, que acreditamos ser cada vez mais o futuro para melhor. O público internacional é o que de momento mais se concentra neste conceito e estilo de vida. No entanto, apesar de partirem do princípio do contrário, especialmente nesta fase difícil que todos nós atravessamos, o público português tem uma grande parte da fatia do bolo da nossa faturação, sendo este consumidor nostálgico que atualmente se sobrepõe ao da slow-fashion, mostrando a união que é o Português comprar o que é Português. 

 

As cestas tradicionais Victoria Handmade foram distinguidas com o Prémio Nacional do Artesanato. Em que consistiu esta distinção e o que simboliza para si? 

Mais do que alguma vez poderei explicar. 

Existe um sentimento de missão cumprida, apesar de ainda haver tanto a fazer. Sinto, e tenho a certeza, que a minha mãe, onde quer que esteja, está orgulhosa do mesmo modo que os olhos do meu pai brilharam quando lhe dei a notícia. Este prémio retrata toda a minha família, e saber que tudo o que a victoria handmade é foi conquistado sempre em família e união, é surreal e impossível de transpor em palavras.

Os anos de dedicação que demos a esta arte, representados num único prémio. Pensar que tudo isto começou graças à minha avó Vitória que, apesar de não saber fazer, foi quem incentivou que esta arte fizesse parte de quem somos; que me permitiu ganhar este prémio. 

E por fim, mas não menos importante, este prémio simboliza que o artesanato tem valor, que o artesão não é um pobre coitado e sim um Artista. Que o Artesanato está cá, e merece ficar. E que não podemos lamentar as coisas, depois de as perdermos. Esta é a hora de valorizar o artesanato. Artesanato é Cultura Portuguesa, e está nas nossas mãos preservar essa cultura.  

Victoria Handmade - mala em junco

 

Quais os próximos passos para a marca? 

Continuar a investir em nós mesmas, independentes de qualquer tipo de marcas ”gigantes” para nos fazermos notar.

Continuar a deixar a nossa Arte falar por si e chegar mais longe.

Continuar a inovar em cada coleção, continuar sustentáveis e fiéis à nossa ética de trabalho e ambiental.

Continuar a tecer estórias e momentos felizes ao lado de quem nos aprecia, e por fim ser quem somos: artesãs, de corpo e alma.

Esperança Vitória - Artesã e CEO Victoria Handmade

Esperança Vitória 

Artesã & CEO – Victoria Handmade

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A Joana dos Reis Silva ajuda-nos a perceber a fundo os desafios da arquitectura sustentável em Portugal, que começa logo nas Universidades, mas também a perceber melhor o que é verdadeiramente arquitectura sustentável, que vai muito além do uso de materiais sustentáveis. E ainda deixa (excelentes) exemplos de construções verdadeiramente sustentáveis.

 

arquitectura sustentável - Escola Secundária Lycee Schorge - Francis Kéré - 2

Projeto: Escola Secundária Lycee Schorge em Koudougou, Burkina Faso | Arquitecto: Francis Keré

Que desafios existem neste momento na arquitectura, relacionados com a sustentabilidade?

De acordo com o Portal de Arquitectura e Construção Sustentável (PCS) , Portugal é um dos países da UE que regista uma taxa de qualificação na área da Sustentabilidade mais baixa, especialmente no sector da Arquitectura.

Neste âmbito, são vários os desafios que identifico a nível nacional:

  • Por um lado, os planos de estudos dos cursos de Arquitectura nas Faculdades Portuguesas não contemplam unidades curriculares focadas na arquitectura sustentável;
  • Por outro, existe uma fraca/inexistente oferta de formação na área da sustentabilidade por parte da própria Ordem dos Arquitectos.

Resultado: Arquitectos pouco conhecedores das práticas sustentáveis e, consequentemente, uma escassa aplicação destas nos projectos de arquitectura. Esta lacuna reflete-se no reduzido número de gabinetes em Portugal que se focam, exclusivamente, na arquitectura sustentável.

Ainda assim, relembro que estes desafios são transversais a todas as áreas. Assistimos a um aumento do número de Empresas com departamentos dedicados à sustentabilidade, no entanto, ainda são poucas as pessoas formadas nesta área. Sendo a sustentabilidade um tema atual, haverá certamente, num futuro muito próximo, mais oferta neste sentido.

Para além destes desafios ao nível da formação, refiro ainda que, os Governos, Câmaras Municipais e entidades competentes têm um papel relevante a desempenhar como catalisadores de mudança. Especificamente, no que respeita à Arquitectura, esse esforço  deverá estar reflectido ao nível das políticas de ordenamento do território e nos respectivos Planos Diretores Municipais (PDM).

 

Em que se diferencia a arquitetura “sustentável” da “convencional”?

Podemos definir resumidamente arquitetura como a arte de projectar edifícios tendo como base um conjunto de princípios e regras próprias.

Para a definição de Arquitectura Sustentável é necessário entender que o conceito de sustentabilidade se encontra assente em três pilares: ambiental, social e económico. Contudo, existe uma interpretação redutora da arquitetura sustentável, que tende a ser vista apenas como uma “arquitectura verde”, focando-se essencialmente na dimensão ambiental. Esta interpretação traduz-se na imagem criada pelo público em geral:

  • Num extremo existe a visão de uma arquitectura com base em materiais naturais e técnicas de construção manuais, da qual é exemplo a arquitectura em terra (visão primordial);
  • No outro extremo, a criação de uma imagem de grandes edifícios envidraçados e inteligentes, com coberturas verdes e forte componente de inovação tecnológica como os que vemos em grandes cidades (visão futurista).

Como referido, a arquitetura sustentável ainda que assente em 3 pilares, desenvolve-se maioritariamente sobre o impacto no ambiente, tendo como pressupostos fundamentais para a preservação deste:

  • A utilização de princípios bioclimáticos;
  • A economia de energia e de recursos e a sua, possível, reutilização;
  • A utilização de materiais eficientes;
  • A redução de produção de resíduos;
  • Etc.

Dito isto, os outros 2 pilares da sustentabilidade (social e económico) são, por vezes, menosprezados, o que resulta numa arquitetura direcionada a um “nicho” pertencente a uma classe socio-económica mais alta.

Qual a importância que tem a escolha de materiais sustentáveis? Que tendências temos vindo a assistir neste momento?

Para um projecto de arquitectura sustentável (ou mais sustentável) a escolha dos materiais adequados é fundamental para um menor impacto ambiental. Contudo, importa esclarecer o conceito por trás de materiais sustentáveis: O que são? Serão estes, em si mesmo, sustentáveis?

Um material pode ser sustentável dependendo do projecto (localização geográfica, uso pretendido, tipo de construção) e da sua aplicação no próprio projeto.

Um exemplo que podemos dar é a cortiça. A cortiça é um material de origem vegetal, impermeável, isolante térmico e acústico e resistente ao fogo, tornando-se, por isso, um material emergente na arquitectura. Portugal é responsável por 50% da produção mundial de cortiça, pelo que a utilização deste material em projectos portugueses poderá ser uma opção sustentável. Ainda assim, a sua exploração desmedida poderá pôr em causa a própria produção, comprometer os ecossistemas e, tornar-se, por isso, insustentável.

É necessário ter em conta toda a cadeia de valor do material. Aos efeitos no meio ambiente da extração, transformação de matérias-primas com a finalidade de criar novos materiais, aplicação, manutenção dos mesmos e, eventual, eliminação/reciclagem, acresce ainda, o transporte da matéria-prima do local de extração até ao local de produção e posteriormente até à obra. Deverá por isso, dar-se preferência a materiais:

  • Extraídos/produzidos nas proximidades;
  • Reciclados, que promovam a circularidade;
  • Certificados e/ou homologados.
  • Mais que materiais sustentáveis, deverão utilizar-se materiais e soluções construtivas eficientes.

Neste contexto, tem-se assistido a uma maior preocupação, não tanto na escolha dos materiais “per se”, mas mais ao nível das soluções construtivas, com vista à eficiência energética tais como:

  • O dimensionamento dos vãos para minimizar a necessidade de sistemas de climatização;
  • A preferência por vãos de vidro duplo com corte térmico que conservam a energia e a reduzem em 40/60% a transmissão térmica e, por fim, a colocação de painéis solares térmicos (que captam energia solar para aquecimento de água) e painéis solares fotovoltaicos (que convertem a luz do Sol em energia eléctrica), entre outros.

 

 

arquitectura sustentável - Escola Secundária Lycee Schorge - Francis Kéré

Projeto: Escola Secundária Lycee Schorge em Koudougou, Burkina Faso | Arquitecto: Francis Keré

 

 

 Que arquiteto(s) têm vindo a desenvolver trabalho na área da arquitectura sustentável e que são uma referência para ti?

Gostaria de referenciar o trabalho do arquitecto Francis Kéré. Ainda que o tipo de construção não se aplique ao contexto português, as premissas pelas quais projeta são exemplares e poderiam/podem ser aplicadas a todos os projetos de arquitectura.

Francis Kéré nasceu no Burkina Faso, onde estudou e trabalhou em carpintaria. Beneficiando de uma bolsa de estudo, formou-se como arquiteto na Universidade Técnica de Berlim (Alemanha) e fundou o gabinete com nome próprio “Kéré Architecture”, na mesma cidade. A sua primeira obra construída, a escola primária de Gando (Burkina Faso), de onde é natural, valeu-lhe o Prémio Aga Khan de Arquitetura. No seu gabinete desenvolve projectos direcionados à responsabilidade social, aliando a técnica da Arquitetura Sustentável ao trabalho com as comunidades.

As suas obras são localizadas em zonas remotas, marcadas pela escassez de materiais e recursos, e onde os membros da própria comunidade assumem o papel de construtores. Como a mão-de-obra não é qualificada são utilizadas técnicas locais.

Kéré não pretende impor uma mudança no modo de vida das pessoas pela arquitectura, pelo contrário, promove uma ligação com as comunidades que vão usufruir do espaço, de modo a entender e valorizar as suas culturas e tradições, através da arquitectura. Possibilitando que os residentes nestas zonas sintam que fazem parte da obra, Kéré cria, assim, uma arquitetura participativa e utiliza-a de forma pedagógica.

Destaco o projecto da Escola Secundária Lycee Schorge (2016) em Koudougou (Burkina Faso) como um exemplo de arquitetura sustentável a seguir pois valoriza igualmente as 3 vertentes (ambiental, social e económica). Neste projeto, além do método de trabalho descrito acima, o arquitecto criou uma solução para o arrefecimento da temperatura no interior do edifício, colocando baldes com água junto à fachada que, através da acção do vento, encaminhado pela estrutura para o interior, arrefece o edifício.

No ano passado (2019) Kéré esteve presente na Exponor (Matosinhos) para a inauguração da sua exposição e, em declaração à Agência Lusa, afirmou:

A arquitetura precisa de ter em consideração todas as mudanças que estamos a passar, quer mudanças climáticas, mas também de limitação de recursos, para que não traga problemas ambientais.

À frase de Kéré adiciono, ainda, a necessidade da arquitetura deixar de ser um “luxo” e passar, tal como Kéré a pratica, a envolver todos os intervenientes. Só se atingirá a sustentabilidade necessária a uma arquitetura sustentável quando esta for aplicada globalmente.

 

Dê-nos um exemplo de um edifício que se enquadre no âmbito da arquitectura sustentável e que seja uma referência para si. Em que se destaca?

O do Eco-turismo “Rio do Prado” desenvolvido pelo arquiteto Sousa Santos, localizado na zona do Arelho é para mim um projeto de referência na área da Sustentabilidade. Talvez por ser um projeto na zona da qual sou natural (Arelho) e por, sem comprometer a envolvente natural, se conseguir destacar. Como diz o proprietário (Telmo Faria) “tirar partido dele [ecossistema da Lagoa de Óbidos] e não fragilizá-lo”.

Este projeto de hotelaria responde a várias questões relativas à sustentabilidade que deveriam ser replicadas de forma ampla ao sector da habitação, daí termos muito a aprender com este projeto.

Destaco algumas soluções implementadas neste que o tornam, para mim, uma referência:

  • As unidades (quartos) encontram-se semi-enterradas o que resulta numa redução da amplitude térmica no seu interior;
  • As águas da chuva (águas azuis) são armazenadas em reservatórios e utilizadas, posteriormente, na rega;
  • As águas domésticas provenientes dos banhos (águas cinzentas) são reutilizadas nas descargas do autoclismo e, só depois encaminhadas para a rede de esgotos;
  • Através de soluções de geotermia (captação de energia existente nos solos), da colocação de painéis fotovoltaicos e solares-térmicos conseguem melhorar a eficiência energética;
  • Ao nível da decoração também há uma preocupação de utilização de materiais nacionais; de reutilização de materiais sobrantes da obra que, de outra forma, seriam desperdiçados; de, através de up-cycling, aproveitar restos de materiais das indústrias portuguesas para criar peças de mobiliário presentes no empreendimento.

Embora nunca tenha estado hospedada no espaço, já o visitei e recomendo-o. Poderão ler mais informações sobre as práticas do Eco-Turismo Rio do Prado no separador “Sustentabilidade” na página oficial. http://riodoprado.pt/sustentabilidade/.

 

arquitectura sustentável - rio do prado

Projeto: Rio do Prado | Arquitecto Sousa Santos

 

Hoje em dia os seus clientes já valorizam estas questões? O que mais os preocupa?

A sustentabilidade é gradualmente uma preocupação transversal a todas as áreas de negócio. Acredito que na arquitetura não é diferente, contudo como referi acima há ainda alguns desafios a ultrapassar.

Aos desafios identificados, acresce o facto de, muitas vezes, o cliente não ser o utilizador final (no caso de um promotor imobiliário). Adicionalmente, as soluções são, frequentemente, inacessíveis monetariamente, só estando disponíveis para um público muito específico.

Dos anos que tenho de profissão e nos gabinetes onde trabalhei, a percepção que tenho é que as preocupações dos clientes quando procuram um arquitecto são essencialmente de ordem estética, ou de obter licenças conforme as normas camarárias, procurando, sempre, um baixo investimento (tanto na remuneração do próprio arquiteto como com gastos inerentes ao projeto de arquitectura). Contudo, ainda que sejam uma minoria, acredito que clientes com essas preocupações se dirijam a gabinetes “especializados”.

 

Sente que a arquitectura sustentável é uma moda ou é uma tendência que veio para ficar?

Acredito que a sustentabilidade seja uma tendência que veio para ficar e o sector da arquitectura não será diferente. A prática da arquitetura sustentável depende da acção de vários grupos/pessoas. Alguns destes grupos já estão a trabalhar neste sentido, sendo relevante mencionar os seguintes desenvolvimentos:

  • O Green Deal – Pacto Ecológico Europeu é um pacote de medidas da UE que visa promover uma economia mais sustentável e contempla, entre outros, a criação de um fundo para o financiamento de projectos sustentáveis;
  • Esse financiamento permitirá aos governos investir em programas como, em Portugal o “Programa de Apoio a Edifícios mais Sustentáveis”;
  • As câmaras municipais têm um papel fundamental no planeamento de soluções integradas (arquitectura, saneamento, transportes, urbanismo) detalhadas nos respectivos Planos Diretores Municipais (PDM).
  • Os promotores imobiliários, ao procurarem soluções mais sustentáveis, indubitavelmente, mostram que o utilizador final também está cada vez mais sensibilizado para estas questões.

Ainda que se verifique uma preocupação crescente, é importante referir que:

  • Financeiramente, o público geral não tem capital para investir em soluções de arquitectura sustentável, sendo esta, ainda, um produto de “nicho”;
  • A aplicabilidade destas soluções cinge-se, na sua maioria, a moradias e/ou construção nova, excluindo assim, grande parte da população que vive em apartamentos (em edifícios – nas zonas de Lisboa e do Porto – com mais de 40 anos);
  • Adicionalmente, o termo “arquitectura sustentável” ou “arquitectura verde” é, também, cada vez mais utilizado como ferramenta de marketing (greenwashing).

A título de conclusão e de reflexão futura refiro que o “Programa de Apoio a Edifícios mais Sustentáveis” mencionado acima, “tem como objetivo o financiamento de medidas que promovam a reabilitação, a descarbonização, a eficiência energética, a eficiência hídrica e a economia circular em edifícios, contribuindo para a melhoria do desempenho energético e ambiental dos edifícios.”

Concluindo, este programa refere “eficiência hídrica” algo que, até agora, tem sido esquecido (será?) em detrimento da “eficiência energética”. Numa altura em que a água começa a ser negociada no mercado de futuros, para quando será implementada uma estratégia circular hídrica dentro das nossas casas?

Se pensarmos que, no mínimo, são gastos 3Litros por cada descarga de autoclismo, se um casal fizer cerca de 10 descargas diárias, são, por dia, utilizados 30Litros de água potável em descargas. Ao final de um mês são 900L e ao final de um ano serão 10 800Litros. Se este número já é assustador, torna-se ainda mais quando considerada toda a população portuguesa. É, por isso, essencial e urgente criar sistemas de reutilização da água doméstica (dos lavatórios, duches e/ou banheiras) para as descargas do autoclismo e somente após esta utilização, encaminhadas para a rede de esgotos.

A arquitectura tem, por tudo isto, um papel preponderante na estratégia para um mundo mais sustentável. Se esta ainda não for uma preocupação individual, tornar-se-á obrigatoriamente no futuro, pois o nosso planeta não conseguirá suportar o impacto das nossas acções actuais!

 

Joana dos Reis Silva 

É arquitecta, tem 28 anos e é natural das Caldas Rainha. Desde muito cedo que se preocupa com as alterações climáticas e se interessa por descobrir propostas para o combate às mesmas, tentando incorporá-las no seu estilo de vida.

Formada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (2010-2016), a sua Tese Final de Mestrado, intitulada “O Equipamento como motor de regeneração urbana da cidade de Luanda – O Centro Cultural Sustentável de Luanda”, resulta desta vontade de aliar a arquitetura à sustentabilidade.

Ao longo dos últimos três anos (2017-2020), trabalhou na sua área de formação, tornando-se Arquitecta inscrita na Ordem dos Arquitectos. Devido à pandemia ficou desempregada e aproveitou a baixa do mercado para investir na área pela qual tem paixão, inscrevendo-se na Pós-Graduação em “Gestão da Sustentabilidade” no ISEG.

Tendo o objetivo de construir a sua carreira na direção da Sustentabilidade, acredita que a Pós-graduação, aliada à sua formação de base, lhe permitirá ter um posicionamento diferenciador no mercado, permitindo mesmo prestar consultoria em projectos de arquitetura sustentável.

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