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A Shoevenir é uma marca portuguesa de sneakers, que mistura arte, design e sustentabilidade. Conversamos com os fundadores, Gonçalo e Miguel, para saber mais sobre este projeto inovador.

Como surgiu a ideia da Shoevenir e como a tornaram uma realidade?

A ideia surge através de um brainstorming entre nós, após refletirmos sobre a palavra “shoevenir”. Durante mais de ano e meio fomos aprender sobre calçado e como desenvolver o conceito.

Juntamos pessoas que acrescentaram o conhecimento e recursos que faltavam e fomos avançando com protótipos e experiências. O programa Startup-Voucher ajudou-nos muito com instrumentos financeiros que nos permitiram chegar ao nível seguinte. 

 

A Sustentabilidade dos sneakers esteve na génese da ideia, ou foi algo que se tornou inevitável posteriormente? 

Tendo em conta a vasta ofertas de materiais de origem sustentável, definimos desde cedo essa posição. Não é eco-fashion, é senso comum. Porém, ainda temos conhecimento a adquirir no campo da sustentabilidade e estamos ansiosos por aplicá-lo no futuro. 

Shoevenir Campo

Quais são os materiais utilizados na produção e que impacto eles têm no produto?

As Shoevenirs são compostas por pele e camurça vegan, cortiça reciclada, cordões de algodão, e poliéster reciclado. Adicionalmente, as nossas solas são 100% recicláveis.

Para além de todos este componente terem os materiais certificados, nós fizemos questão de visitar todas as fábricas e acompanhar todos os testes feitos. As condições de trabalho superaram sempre as expectativas, fruto da qualidade incutida ao calçado português. 

 

Irão plantar uma árvore a cada par vendido. No que consiste esta ideia e como a vão operacionalizar?

Sim! Temos uma parceria com a ONETREEPLANTED, uma das associações mais experientes do mundo no campo da reflorestação. Sempre que um par é vendido, um dólar é enviado para plantar uma árvore num lugar onde opera a ONETREEPLANTED. 

Shoevenir Mulher

Da primeira coleção da Shoevenir fazem parte seis sneakers: Porto, Lisboa, Madeira, Açores, Algarve e Cloud. Porquê estes nomes? E porquê um tão diferente dos outros?  

O nosso objetivo é que a Cloud, tal como as nuvens, possa assumir qualquer forma. Sabíamos que era essencial termos uma Shoevenir num registo mais “clean” para ser usado em qualquer ocasião, com qualquer outfit. Também queremos usá-la para explorar o campo da customização ao fazer colaborações exclusivas. 

 

O setor da moda, e especificamente dos sneakers, é bastante concorrencial. O que trazem de novo aos consumidores? 

Trazemos aos consumidores um sneaker com significado emocional. Algo que mistura arte, design e sustentabilidade para contar uma história. Sabíamos que se colocássemos um sneaker no mercado teria de apresentar muita diferenciação e é exatamente para isso que trabalhamos.  

Shoevenir Casal

A Shoeviner está incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto. Qual a importância deste tipo de apoios para iniciarem o vosso negócio?

A UPTEC permitiu-nos contactar com um ecossistema de empreendedorismo que incentiva o debate e a criatividade. Tivemos o acompanhamento de uma mentora, a Fátima São Simão, que sempre acrescentou inputs valiosos durante o desenvolvimento do projeto. Sentimos que é importante estar incubado, até por uma questão de solidificação de ideias. 

 

Onde e quando podemos ter acessos aos Shoevenir? 

As Shoevenirs vão estar disponíveis para pré-encomenda durante a nossa campanha de crowdfunding em setembro. Após a angariação das vendas vamos finalmente poder dar início à produção e entregá-las por volta de Dezembro. 

Shoevenir Founders

Gonçalo e Miguel 

Founders, Shoevenir

Gonçalo – Licenciado em Gestão e com Pós-Graduação em Digital Business. As suas experiências passadas no campo da logística, comercial e marketing acabaram por apurar um gosto pelo empreendedorismo, que sempre existiu. Neste momento está dedicado à Shoevenir e à Powerzada, uma outra start-up. 

Miguel – Licenciado em Design de Comunicação com experiência em Audiovisual. Trabalhou como designer gráfico, com fotografia de moda e edição. Atualmente para além da Shoevenir, trabalha como freelancer em Social Media Management e criador de conteúdos multimédia.

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Criada em Portugal, a Ecocubo destaca os produtos endógenos tanto nos materiais de construção – madeira e cortiça – como no mobiliário interior – a cama, colchão e têxteis que são feitos em Portugal.

 O cubo funciona como um refúgio na Natureza e catalisador de territórios de baixa densidade. Assume-se, assim, como uma solução de turismo sustentável, sem impacto negativo para o meio ambiente e com impacto positivo para as comunidades locais.

Conversamos com António Fernandes, Arquitecto e fundador da Ecocubo, para saber mais sobre este projeto.

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Como surgiu a Ecocubo?

A ideia da Ecocubo começou a surgir uns anos atrás. Sou arquitecto de formação, licenciado pela ESAP em 2010, e na altura, em plena crise no sector, surgiu a oportunidade de emigrar para a Suíça, onde trabalhei na área de hotelaria, em pleno Parque Nacional.
Nos meus tempos livres, adorava percorrer os trilhos pelos Alpes e, ao fim de 3-4h de caminhada para atingir o pico da montanha, tinha muito pouco tempo, para aquilo que queria, para poder contemplar aquela paisagem, e tinha que fazer todo o percurso inverso, montanha abaixo, que por vezes era bem mais difícil que a subida. E foi nessa altura que começou a surgir a ideia de criar um equipamento, uma estrutura que fosse amiga do ambiente que possibilitasse permanecer naquele spot a ver o pôr-do-sol, por exemplo, e no dia seguinte poder seguir viagem para outro local ou regressar. Algo flexível como uma tenda mas confortável como um quarto de hotel, sem qualquer impacto para o meio ambiente, mas que permitisse viver esse tipo de experiências, de maior comunhão com a natureza. Um pouco recuperar a ideia da casa da árvore, dos abrigos de montanha, que eram estruturas simples, que serviam de abrigo, mas que permitiam ter experiências que ainda hoje perduram na memória.
Passado alguns anos regressei a Portugal, apenas com a ideia, um amigo na altura falou-me do UPTEC, o parque de ciência e tecnologia da Universidade do Porto, e foi aí que realmente a Ecocubo passou de uma ideia para a realidade.

A própria marca Eco3 (Ecocubo) foi pensada, não tanto pelo aspecto formal dos cubos que dão suporte à nossa atividade, para mais para simbolizar o trinómio do tipo de experiências que queremos promover, onde as pessoas possam viver, sentir e explorar a natureza ao máximo, neste caso, ao cubo.

A Ecocubo é uma marca comunitária, com designs patenteados, que pretende reflectir sobre novas formas de fazer turismo, que tem vindo a amadurecer as suas ideias e que levou ao conceito que recentemente apresentamos na BTL. O nosso objetivo sempre foi o de proporcionar experiências de imersão na natureza de forma sustentável, possibilitando que as pessoas pudessem ir conhecendo diferentes territórios, cubo a cubo. E para isso, apresentamos na BTL um novo cubo, que é a parte física que dá suporte à nossa atividade, uma estrutura totalmente desmontável, feita de cortiça, que se assemelha a uma tenda em termos de montagem, sem descurar o conforto para que possam desfrutar de uma experiência única na natureza.

A sustentabilidade esteve presente na génese do conceito ou foi um fator que surgiu posteriormente?

Sim, sempre. Desde o início que queríamos contribuir não só para que os amantes da natureza pudessem desfrutar de uma experiência única sem pôr em causa o meio ambiente, mas também poder contribuir, de alguma forma, para as comunidades locais onde temos a nossa oferta disponível.
Por outro lado, sempre quisemos que os nossos cubos fossem feitos em Portugal, usando somente matérias-primas amigas do ambiente.

E estando em Portugal, por exemplo, a cortiça era uma escolha óbvia. Não só por ser 100% natural, e um excelente isolamento térmico, mas também porque sendo natural, se fundia e evoluia como a natureza, e ao mesmo tempo era um símbolo da nossa origem, da  Portugalidade da Ecocubo.

Por fim, queríamos trabalhar com empresas portuguesas e promover os produtos endógenos. Tentamos ao máximo que tudo o que usamos, desde o colchão e os têxteis, fossem feitos em Portugal, e isso foi conseguido.
Acreditamos que só assim, trabalhando localmente e com agentes locais, que todos podem sair beneficiados, desde os amantes de natureza que procuram experiências novas, e que cada vez mais têm consciência das suas acções, como dos próprios parceiros locais, onde ao envolver a comunidade, contribuímos para o seu desenvolvimento e da economia local.

A Ecocubo pretende proporcionar uma interação com a natureza de forma sustentável. Quais os materiais utilizados na construção do alojamento?

Não lhe chamaria alojamento…os nossos cubos foram buscar inspiração aos abrigos de montanha, às casas das árvores, e funcionam mais como equipamentos de apoio às nossas atividades, atuando como pontos de referência no território, que possibilitam tanto a observação da natureza como pernoitar em locais improváveis.
Para isso, e por estarmos na natureza, apenas fazia sentido para nós usar materiais ecológicos, e usamos somente madeira e cortiça.

Quais são as experiências que disponibilizam para quem visita a Ecocubo?

Nós queremos que as pessoas possam ter uma experiência diferente em cada sitio onde haja um cubo. Assim, para além de poderem ter uma experiência distinta em cada cubo, podem ter uma experiência unica proporcionada pelos nossos parceiros locais.
Os cubos acabam por funcionar como referênciais no território, unindo-o, mas em cada lugar haverá sempre uma experiência diferente, porque cada sitio tem as suas particularidades, e queremos promover o que de melhor se faz em cada região, com algum grau de exclusividade, daí o facto de cada cubo também só dar para duas pessoas.

Onde é que a Ecocubo está presente?

Neste momento acabamos de apresentar um novo conceito que está em pleno parque nacional da Peneda-Gerês, em Terras de Bouro. É um conceito mais próximo do que queremos vir a proporcionar no futuro, e que faz a ponte entre o nosso primeiro cubo, que está em Cabeceiras de Basto, e as novas soluções que vamos implementar daqui em diante.

Quais os próximos passos para o futuro?

Para este ano pretendemos proporcionar mais experiências, em novos lugares, e começar a ligar outros territórios de norte a sul e ilhas. Acabamos de apresentar um novo conceito na BTL, e que seguramente será a nova fase da Ecocubo, mais próxima do tipo de experiências que queremos proporcionar a todos aqueles que procuram a natureza como forma de relaxar e para passar o seu tempo livre.

A nossa visão é podermos criar uma rede, a que chamamos de “Ecocubers”, que não é mais do que uma comunidade de pessoas que amam a natureza e querem viver, sentir e explorar a mesma ao máximo…E quando falo em explorar, falo no sentido da descoberta, da partilha, da emoção da aventura de descobrir um novo território.

E que concentra em si não só os locais onde estamos, funcionando como plataforma de divulgação desses locais, mas também promotor dos diversos agentes e parceiros que colaboram connosco, das suas actividades, e de todos os territórios onde estamos inseridos.

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António Fernandes

Arquitecto e fundador da Ecocubo, licenciado pela ESAP-Escola superior artística do Porto, trabalhei em hotelaria na Suiça, sou um apaixonado por natureza, por viajar e por poder contribuir, de alguma forma, para o bem estar das pessoas.

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A Biovilla é um projeto de Inovação Social que alia a Educação para a Sustentabilidade, o Turismo de Natureza e um investimento na regeneração da paisagem ecológica e social, numa lógica integrada e multidisciplinar.

Têm como objetivo mostrar que é possível satisfazer todas as necessidades sem comprometer o futuro de forma economicamente viável, socialmente responsável e ambientalmente positiva. Como? Vivendo de forma regenerativa como têm demonstrado nas suas 8 áreas de atuação. Através da implementação de um conjunto de práticas regenerativas, caminham em direção a um futuro saudável, harmonioso e justo.

Para saber mais sobre este projeto entrevistamos Ana Pina, Responsável pela Missão Social da Biovilla.

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Como nasceu a Biovilla e qual o seu conceito?

A Biovilla nasceu de um sonho de dois jovens – a Bárbara Leão de Carvalho e o Filipe Alves – que em 2008 decidiram tirar um ano sabático e correr mundo para visitarem projetos de sustentabilidade. Isto numa altura em que este conceito ainda não era muito conhecido em Portugal. Depois de passarem por Findhorn, na Escócia, foi em Auroville que sonharam iniciar um projeto do género e, inspirados por tudo o que aprendiam, decidiram terminar a viagem mais cedo e meteram mãos à obra. O primeiro passo foi juntarem um grupo de pessoas com backgrounds e valências diferentes e, em 2010, constituíram legalmente a Biovilla – Cooperativa para o Desenvolvimento Sustentável, CRL. Depois passaram para a materialização do sonho, encontrando o local certo para o instalar, os apoios financeiros e os recursos humanos necessários. Desta forma, em julho de 2014 foi oficialmente inaugurada a Biovilla no Parque Natural da Arrábida, a 5 km de Palmela e 7 Km de Setúbal.

Acima de tudo somos um projeto de educação sem fins lucrativos que pretende chamar a atenção para o impacto que a ação humana tem no planeta. Até 2020 o nosso tema central era a sustentabilidade mas quando a pandemia nos fez parar, tal como ao resto do mundo, fizemos um balanço dos nossos 10 anos de atividade e enumerámos todas as áreas que trabalhamos – Cooperativismo, Desenvolvimento Humano, Casa para Todos, Energias Renováveis, Alimentação Biológica, Biodiversidade, Cuidado com as Águas, Desperdício Zero. Percebemos que tínhamos que mudar de paradigma e assumimos a assinatura “Somos Natureza em Regeneração”. Acreditamos que o planeta já está tão mal tratado que apenas ser sustentável já não chega, temos que ir mais longe e precisamos de realmente tomar medidas que o ajudem a regenerar.

Então é isso que fazemos de uma forma o mais holística possível, não só através das informações e conceitos que veiculamos a quem nos visita, das formações e capacitações que desenvolvemos ou acolhemos, e de tudo o que partilhamos com quem se hospeda no nosso Turismo de Natureza.

Contribuem ativamente para cinco Objetivos de desenvolvimento social. Quais e de que forma?

Rumo à regeneração em linha com os ODS.

Juntamente com todas as pessoas que se têm juntado a nós ao longo do tempo – parceiros, voluntários, investidores e empreendedores – caminhamos rumo à implementação do modelo regenerativo para alcançarmos um ecossistema mais saudável, harmonioso e justo. Como tal, não poderíamos deixar de estar alinhados com os Objetivos para Desenvolvimento Sustentável (ODS) traçados pelas Nações

Unidas. Somos comprometidos com os 17 ODS, desde a nossa génese e na nossa essência, desde o tempo em que ainda não tinham nome, nem números, nem lugar prioritário na Agenda Mundial. Sabemos que são indissociáveis, mas através das nossas práticas estamos focados em implementar e monitorizar ações que impactam mais diretamente, não 5 mas 8 ODS.

2 | Erradicar a Fome

  • Estamos certos que ao sermos produtores biológicos certificados, promotores de sistemas sustentáveis de produção de alimentos, implementando e capacitando para práticas agrícolas resilientes e que ao confecionarmos refeições bio, altamente nutritivas e saudáveis, estamos não só a contribuir para o restauro da saúde planetária, mas também a permitir que essa abundância saudável chegue, de forma cada vez mais transversal, a todos.

4 | Educação de Qualidade

  • Promoção de atividades de regeneração e desenvolvimento pessoal: Ao longo dos últimos 12 anos, a Biovilla já foi palco e promoveu milhares de horas de retiros e formações sobre sustentabilidade, práticas de regeneração e desenvolvimento pessoal.

Através do Programa VER – Viveiro de Emprego Regenerador, até 2023, oferecemos oportunidade de capacitação para criação de autoemprego e/ou aumento de rendimentos, a 105 participantes, divididos por 3 edições, totalizando cerca de 700 horas de aprendizagem entre atividades teóricas e práticas.

6 | Água Potável + 7 | Energias Renováveis

  • Gestão eficiente e sustentável de recursos naturais: 100% da propriedade Biovilla é abastecida por energia renovável e somos produtores de energia limpa através dos nossos 28 painéis solares. Reaproveitamos 80% da água da chuva para rega da horta. O reaproveitamento permite a criação de um reservatório que serve de piscina aos hóspedes e, ao mesmo tempo, pode servir de abastecimento de água para combate a incêndios.

8 | Trabalho Digno e Crescimento Económico

  • Criação de postos de trabalho: Em 2020 chegou-nos, finalmente, a oportunidade de termos uma escala humana mais apropriada a tudo o que fazemos e promovemos. Conseguimos passar de um posto de trabalho único para uma equipa de 8 contratados. Prevemos ainda, com o término das obras de aumento da nossa infraestrutura, que seja possível criar mais um posto de trabalho a tempo inteiro.
  • Promoção do turismo sustentável e da natureza: oito pessoas que trabalham envolvidas com temas sustentabilidade, cooperativismo e turismo de natureza. São oferecidos quatro alojamentos, e mais quatro estão em vias de construção, que podem receber mais 3.750 visitantes por ano
  • 80% dos participantes do VER – Viveiro de Emprego Regenerador com aumento de rendimentos

12 | Produção e Consumo Sustentáveis

  • Promoção de padrão de produção e consumo sustentável: no nosso Mercadinho serão vendidos mais de 100 produtos orgânicos, promotores da economia circular e local, e sempre que possível lixo zero. Os produtos são provenientes de 30 parceiros e têm o potencial de impulsionar a produção local de produtos sustentáveis. Este será o primeiro minimercado biológico a granel da região de Palmela, e também haverá expansão para uma loja online de produtos, incentivando o consumo consciente.
  • Produção de alimentos orgânicos: Estamos a investir para chegar a um hectare plantado em sistema agroflorestal e horta biológica, que contribuem para 5.500 refeições orgânicas por ano. Em média, durante os meses de inverno, devido à maior abundância hídrica, 60% dos alimentos consumidos na Biovilla provêm da horta.
  • Gestão consciente de resíduos: a Biovilla compromete-se com zero desperdício de comida nos seus espaços de cozinha e refeições, compramos a granel e realizamos a compostagem de eventuais sobras. Além do mais, 80% das águas cinzentas são recicladas e equivalem a 7.000 litros de reciclagem por semana, que serão utilizadas para estabelecer um novo circuito de água para rega de plantas e uso sanitário.

13 | Ação Climática

  • Melhorar a educação, aumentar a consciencialização e a capacidade humana e institucional sobre medidas de mitigação, adaptação, redução de impacto no que respeita às alterações climáticas. Trabalhamos com este propósito todos os dias, há 12 anos sem parar.

15 | Proteger a Vida Terrestre

  • Um dos atuais projetos incubados na Biovilla com potencial para crescimento, é o de recolha de sementes autóctones dentro dos nossos 55hectares que, em parceria com a Cork Connections, são tratadas, pesadas e revendidas para iniciativas de reflorestação um pouco por todo o país. Só no último ano foram colhidas cerca de 200kg de sementes e sabemos que desde o início desde o início do projeto já nasceram mais de 10.000 árvores.
  • Missão Regenerar Florestas – Promovemos, semanalmente, um dia inteiro de recolha e workshop para quem quiser ser voluntário.

17 | Parcerias para os ODS

  • Somos uma Cooperativa, o que significa que na nossa base está a crença que a força do coletivo nos levará, não mais rápido, mas sempre mais longe naquela que é a nossa Missão – através da educação para o desenvolvimento sustentável e regenerativo impulsionar a mudança de hábitos e comportamentos para uma cultura de regeneração que torne o ecossistema mais saudável, harmonioso e justo.

Somos promotores de sinergias e co-criação, desde os nossos primórdios, entre sonhos individuais e vontades coletivas, sejam elas de organizações privadas, públicas ou do 3º sector.

O selo de certificado de produção biológica atribuído à Biovilla em 2018 pela Certiplanet e o reconhecimento da APEE em 2018, 2019 e 2020 como melhor prática no ODS 12 – Produção e Consumos Sustentáveis são fatores que consideram que influenciam a credibilidade do destino?

As várias distinções que temos recebido ao longo dos anos demonstram o nível de compromisso que assumimos, que a nossa missão está alinhada com aquilo que o mundo precisa neste momento e incentivam-nos a querer fazer mais e melhor. Ainda estamos longe de estar ao nível a que gostaríamos mas damos um passo de cada vez, de forma consistente e mantendo a coerência com os valores em que acreditamos. Consideramos que esses reconhecimentos contribuem para a construção da reputação e credibilidade de qualquer organização.

 

De que forma pretendem alcançar a regeneração integral da nossa paisagem ecológica, social e económica com uma floresta viva, uma comunidade local de aprendizagem forte e uma economia próspera sustentada que sirva de modelo para a criação e partilha de valor social em todo o mundo?

Nascemos com a real intenção de ser uma comunidade de práticas para contribuir para o desenvolvimento sustentável, com o tempo tornámo-nos num palco fértil para ser laboratório vivo de aprendizagem e capacitação de práticas para o desenvolvimento sustentável e regenerativo.

Nesta missão que se traduz, invariavelmente, num dia-a-dia de tentativa/erro para conseguirmos acertar:

Atuamos nas 8 dimensões já enumeradas (em resposta anterior), que se traduzem em dezenas de subactividades e iniciativas, de forma a cultivarmos a relação de todos e de cada um com a natureza, satisfazemos as necessidades fundamentais de forma regenerativa, devolvermos o que recebemos, não desperdiçamos pelo caminho.

No que consiste o programa VER – Viveiro De Emprego Regenerador?

O VER é o nosso projeto “bandeira” em termos de Inovação Social.

Um programa de apoio à criação de auto-emprego e/ou aumento de rendimentos com base em negócios regenerativos da Biovilla. Com o apoio da Portugal Inovação Social, através de Fundos da União Europeia, o objetivo do programa é contribuir para a resolução de dois problemas que marcam a nossa atualidade: o desemprego e a perda de biodiversidade.

Destina-se em particular aos desempregados de longa duração e desempregados jovens das regiões de Palmela e Setúbal. Dirige-se ainda a todas as tipologias de emprego em condições não dignas, discriminatórias e destrutivas, quer social quer ambientalmente, de todas as regiões do país que se identifiquem com as práticas regenerativas e queiram desenvolver-se profissionalmente no contexto do VER.

A metodologia e inovação do VER consiste em fazer os participantes experimentarem, técnica e emocionalmente, variadíssimos temas ligados a 4 áreas com potencial de regeneração e de alavanca de negócio social para a Biovilla que constituem a base da capacitação dos participantes:

  • Sementes, floresta autóctone e horta bio
  • Turismo de Natureza
  • Ervas Medicinais e Cosmética Natural
  • Alimentação Saudável

O Programa divide-se em 3 etapas:

  1. Imersão Biovilla / Natureza: O programa começa com uma imersão no nosso espaço dentro do Parque Natural da Arrábida onde os participantes tomam contato com o mundo das práticas regenerativas e seu potencial de gerar negócios/emprego nas 4 áreas principais. Depois do contato com cada uma das áreas, escolhem o tema de aprendizagem. Segue-se então um período de aprofundamento, em formato de “learning by doing”, onde os técnicos de cada uma das áreas os acompanham 2 dias por semana, durante cerca de 4 meses, nas tarefas de prática e aprofundamento do tema escolhido.
  2. Capacitação em Negócios Regenerativos e Mentoria: Inicia-se também com uma semana de imersão em técnicas de gestão e impacto social onde os participantes aprendem a criar os seus próprios negócios alinhados com o propósito e forma de trabalhar da inovação social. Depois do contato com as temáticas de gestão e de impacto, os participantes começam a desenvolver os seus planos de negócio, onde se segue um período de 12 semanas de acompanhamento em formato de mentoria, para facilitação de execução dos seus planos.
  3. Graduação: Um evento final onde reuniremos a nossa network de parceiros e investidores de projetos regenerativos para que os participantes possam fazer um pitch final das suas ideias e sonhos com intensão de recrutamento,  angariação de parceiros e/ou investidores para os seus projetos. É também um momento de celebração de uma nova vida que está por vir

São 8 meses de imersão na Biovilla. Mais do que sessões de capacitação, o que propomos é uma experiência de aprendizagem integral ou parcial de práticas e conceitos técnicos de regeneração de ecossistemas humanos e ambientais, tendo como exemplo vivo um lugar onde tudo isso acontece realmente, a Biovilla.

Acompanhamo-los a criar o seu próprio emprego aliado a uma vida profissional com propósito. Contamos ainda que mesmo que não criem o seu posto de trabalho, fiquem preparados e capacitados para a ingressão no mercado de trabalho destas temáticas que tanto carece de profissionais em temas emergentes tão necessários ao país.

Acreditamos ainda que este Viveiro de Emprego Regenerador, pelo seu formato de imersão técnica e emocional, possa ser verdadeiramente transformador, não só do ponto de vista coletivo, como contributo para o país e para a regeneração do ecossistema social e ambiental que nos rodeia, mas também do ponto de vista pessoal, ou seja, nas vidas de todos os participantes.

Quais os próximos passos para este projeto?

O maior passo é o que estamos a dar neste momento: o aumento da nossa infraestrutura. Estamos a duplicar a nossa capacidade de alojamento, construindo mais quatro quartos, uma sala de refeições para cerca de 30 pessoas e uma nova sala de workshops com cerca de 100m2, o que vai permitir aumentarmos a nossa intervenção e atividade regenerativa. Pretendemos crescer para impactarmos mais pessoas, apoiarmos a comunidade envolvente e contribuirmos para uma mudança de paradigma que entendemos ser urgente para garantirmos um planeta mais saudável para as futuras gerações. Este crescimento vai permitir aumentar a nossa equipa, contratando mais pessoas que queiram ter um emprego mais alinhado com aquilo em que acreditam.

Paralelamente, estamos a abrir a Cooperativa à entrada de novos cooperadores e deixamos aqui o repto para todos os que se identificam com os nossos valores e missão e queiram fazer parte de um projeto único que nos contactem para saberem como poderão participar nesta fase tão importante da história da Biovilla.

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Ana Pina
Responsável pela Missão Social da Biovilla,

Aos 18 anos assumiu-se como uma Vagamundo e saiu de mochila às costas em busca de descobrir novos hábitos, culturas e experiências, com a real intenção de compreender melhor o Ser Humano e trazer mais visão e mundo para dentro de si.

Durante este percurso formou-se em Comunicação, no Rio de Janeiro, e fez uma pós-graduação em Empreendedorismo Social, pelo Politécnico do Porto. Trabalhou em projetos independentes de produção cultural e na EDP, entre Portugal e o Brasil, atuou nas áreas de Responsabilidade Social, Sustentabilidade e Relação com as Comunidades.

Doou-se, através de voluntariado, a várias causas, entre as quais: às meninas vítimas de violência (Casa Vida / Timor), aos Refugiados (UNHCR/ Grécia) e à resposta de emergência social nos incêndios de 2017 (EDP/Portugal).

É na busca constante por soluções e na crença que o Sonho comanda a Vida que o seu caminho se cruza com a Biovilla e que, em 2020, a missão social da Cooperativa passa a ser parte da sua missão de vida.

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Já todos pensámos no quão bom seria podermos apagar os nossos erros. É exatamente isso que nos possibilita o Infinitebook. Permite-nos escrever, apagar e reutilizar o mesmo caderno infinitamente.

Falámos com Pedro Lopes que, com apenas 17 anos, decidiu criar o Infinitebook de modo a solucionar a sua insatisfação perante os métodos de escrita tradicionais.

Infinitebook: em que consiste e como surgiu?

O Infinitebook é uma ferramenta que recria a experiência de escrita de um quadro-branco (permite escrever, apagar e reutilizar). Mais do que um simples caderno, o Infinitebook é um produto ecológico, económico e inovador que permite a reutilização infinita de todas as folhas sem as danificar.

Queríamos salvaguardar a escrita manual e criar uma página na história. Com 17 anos, olhei para os métodos de escrita tradicionais e nenhum me satisfazia.

O lápis? Não desliza bem na folha e quando se apaga deixa a folha estragada ou marcada. A caneta? Impossível de apagar, tornando as ideias demasiado definitivas. O quadro-branco? Está preso na parede e mesmo quando não está é tudo menos portátil.

Ao olhar para estes fatores, percebi ter de criar algo que aliasse o melhor de todos os mundos. Uma experiência de escrita fluída, liberdade para errar e portabilidade para poder ter ideias em qualquer lado. Assim nasceu o Infinitebook.

De que forma o compromisso com a sustentabilidade está presente no vosso negócio?

O nosso compromisso é com a autoconsciência e com o bom senso. A partir do momento que percebemos o impacto que as nossas escolhas e ações no dia a dia têm, percebemos que não há outra forma de fazer as coisas. Desde o cuidado com a produção em que todas as matérias-primas que utilizamos têm certificação ecológica e os desperdícios são utilizados para acondicionar encomendas, até aos pequenos gestos no escritório de acabar com o papel, copos de utilização única ou outras soluções que vejamos que fazem sentido. O mais importante é incutir em todas as pessoas que colaboram connosco e aos nossos clientes o pensamento de escala e impacto positivo que é possível ter com pequenas alterações no quotidiano.

 

Inicialmente o produto chamava-se EcoBook e só mais tarde ganhou o nome pelo qual hoje o conhecemos, Infinitebook. De onde veio esta necessidade de alterar o nome?

Foram vários fatores que ditaram essa mudança. A nível mais técnico, de relevância na ‘internet,’ era complicado competir no mercado de estacionário porque qualquer livro/caderno ecológico é um ecobook. Depois deparámo-nos com o fator posicionamento: quem via um Ecobook numa loja não tinha curiosidade em perceber do que se tratava, assumia quase sempre estar perante um caderno feito de papel reciclado. Com o nome Infinitebook assumimos e expomos a principal valência do produto, ser infinito, o sustentável é por si uma consequência dessa valência.

 

Numa altura onde tudo parece digital e os cadernos tradicionais em parte esquecidos, o Infinitebook tem demonstrado boa aceitação por parte do mercado. Porque motivo consideram que tal se verifica?

Exatamente porque tudo parece ser digital. Não temos baterias nem um ecrã que cansa os olhos, nem notificações sempre a aparecer. Além de todos os estudos que indicam que quando escrevemos à mão retemos mais informação, geramos mais ideias e estamos mais focados, a liberdade mental que conseguimos dar aos utilizadores Infinitebook é inigualável: não julgamos o erro, oferecemos uma ferramenta que permite descarregar toda a informação do cérebro sem medo errar, de ficar feio, de estragar ou desperdiçar.

Contanto já com diferentes modelos de cadernos e acessórios, falem-nos um pouco sobre os vossos produtos. Têm algum best-seller?

Os cadernos Infinitebook contam muito pelo seu interior, por isso, no início acabámos por pôr de parte o visual exterior e focámo-nos em aprimorar a experiência interna. Com o passar do tempo e com um focar mais intensivo na nossa família do infinito (os nossos clientes) percebemos que um caderno tem diferentes significados para diferentes pessoas: para muitos existia a vontade de derramar ideias e informações, para outros a necessidade de organização em listas de tarefas ou em módulos de agenda… o pontilhado, por exemplo, tem sido muito procurado. Continuámos sempre a ver o interior do Infinitebook e, nessa altura, fomos capazes de inovar e de nos diferenciar no mundo do estacionário.

Enquanto esse crescimento acontecia, e também por se tratar de um caderno infinito capaz de durar uma vida, como qualquer ferramenta que testa os limites do tempo, começámos a querer torná-lo mais “nosso”. No início com o uso de autocolantes, pequenas personalizações aqui e ali e depois o grande salto para os cadernos de edições especiais onde escolhemos as diferentes personalidades que atribuímos à marca e as colocámos em designs exteriores e interiores do caderno. Daqui nasceu o primeiro Infinitebook Makers, o nosso best-seller que já tem 4 anos, e agora têm vindo a nascer os “melhores amigos” do Makers: o Planner – o nosso take numa agenda infinita que também tem sido um herói de vendas e o Iconic Makers – a versão lançada no Dia das Mulheres.

Para além disso, e devido a uma mudança no mindset da Infinitebook, quisemos, e queremos, abrir as portas a todas as ferramentas relevantes que englobem os nossos valores e assim nasceram os Sticky Notes – um cartão/nota adesiva reutilizável que cola em qualquer lado e tem tido bastante procura.

Qual o perfil dos vossos clientes? Como o caracterizam?

Os nossos clientes são incríveis!

Mas numa perspetiva mais de marketeer: são pessoas práticas, dinâmicas, que adoram experimentar coisas novas e únicas. A preocupação com a sustentabilidade está-lhes no sangue e são muito conscientes nas escolhas que fazem. Acreditam que errar é ok e querem viver uma vida produtiva, organizada e criativa.

Onde podemos encontrar o Infinitebook à venda?

Os produtos Infinitebook estão à venda na nossa loja online, nas lojas FNAC, Auchan, Amazon e algumas papelarias espalhadas pela Europa.

 

Falando sobre o futuro, pretendem desenvolver novos produtos ou expandir para outras áreas?

O futuro da Infinitebook é criado, apagado e reescrito diariamente. Apenas podemos garantir uma coisa: que todos os produtos que imaginamos criar serão ferramentas que ajudem a potenciar a criatividade, aprendizagem, inovação, produtividade das pessoas sem nunca pôr em causa a vontade de lutar por um mundo mais sustentável e, em suma, um mundo melhor.

Pedro Lopes,
CEO e fundador da Infinitebook
O Pedro é o fundador da Infinitebook. Nascido em Viseu, mas atualmente no Porto. Aos 24 anos, é um eterno estudante, tendo no seu percurso 2 atribulados anos de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores na FEUP e dois anos de Gestão na FEP. Aos 17 anos percebeu que precisava de uma ferramenta que o ajudasse a estudar da mesma maneira que o quadro branco que tinha no quarto – escrita fluida e um apagar rápido e eficaz. Por isso criou a Infinitebook – uma startup que promete reinventar a forma de criar, aprender, comunicar e evoluir. Com a Infinitebook chegou a grandes distribuidores como a FNAC, Auchan, Amazon e empresas como UBER, Microsoft e Farfetch. Em cinco anos vendeu Infinitebooks para meio Mundo e espera chegar à outra metade, em breve.
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A IVORY WORLD é uma marca de moda sustentável que apela à solidariedade e quer falar sobre causas sociais e ambientais. Está inteiramente relacionada com o tema da Saúde Mental e do ambiente, e, por essa mesma razão, produzem roupas sustentáveis com mensagens de apoio.

Francisco Soares, CEO e founder da marca, tem noção que “centenas e se calhar até milhares de pessoas começaram a pedir ajuda e a procurar terapia olhando para o problema com uma naturalidade saudável”, por isso, a Ivory World vai além de ser uma marca de roupa e quer apoiar quem os procura para pedir ajuda.

Esta entrevista serviu para perceber como iniciou este projeto, qual o impacto que a marca tem tido na vida dos clientes, quais os seus próximos passos e muito mais.

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Como surge a ideia de criar a IVORY WORLD e qual a origem do nome?  

A IVORY WORLD era um projeto pensado há já algum tempo. Arrumado numa gaveta à  espera da oportunidade certa para vir ajudar a sua comunidade. A pandemia COVID-19 foi a  porta de abertura para se iniciar o caminho da IVORY ao começar com o Projeto #flattenthecurve no qual doamos 100% dos lucros para a instituição Noaupluscare que  distribuiu cabazes durante a pandemia. No início a ideia era criarmos uma marca que apoiasse diversificadas e importantes causas através das diferentes cores presentes nas peças vendidas  ao cliente, revertendo parte dos lucros para a causa respetiva. Ainda assim, percebemos que  havia um problema crescente e com pouca expressão e com os holofotes necessários desligados. Foi aí que decidimos incidir maioritariamente o nosso portefólio para a Saúde Mental. Isto, devido à nossa proximidade com a doença e com a experiência que eu passei e, que ainda sentimos ser um tema TABU e muito pouco falado na primeira pessoa com a importância que lhe é devida.  

O nome IVORY surgiu de uma viagem que o Afonso (meu irmão) realizou à Tailândia na qual  presenciou um maior contacto com os Elefantes. De facto, era muito falado na altura e ainda  hoje em dia no problema da possibilidade da extinção de algumas espécies de elefantes devido  ao massacre “assassino” destes animais para o comércio do seu marfim. Aliado à experiência  que a viagem proporcionou fez-nos sentido impor à marca este nome e conceito de querer  proteger a comunidade. E o nome faz alusão, através deste exemplo, isso mesmo (vamos juntos  ajudar a fortalecer a comunidade). 

De que forma a produção dos produtos é sustentável? Não em relação ao produto final, mas sim  em relação à produção completa do produto.  

Os materiais que utilizamos no fabrico dos nossos produtos são 100% sustentáveis. Apesar de  o processo não ser totalmente, ainda (estamos a trabalhar nisso), sustentável – o envio das  peças internacionais é feito por avião– o envio da peça para o cliente português já é feito por  mota (por vezes elétrica, queremos que seja sempre num futuro próximo) que já um processo  menos poluente. Além disso, o tingimento dos nossos tecidos é feito com cores naturais sem  químicos.  

As nossas fábricas estão ao abrigo da Fair Wear Foundation que visita numa ótica regular as  fábricas para garantir que as mesmas estão a cumprir os direitos dos trabalhadores (horários  justos sem sobre-exploração de horas nem trabalho infantil, assim como garantir que têm  condições laborais, sociais e ambientais no trabalho como a promoção da saúde ao não  estarem expostos a certos químicos e poluentes muitas vezes encontrados nestes processos de  fabrico.)

 

Na produção dos vossos artigos utilizam algodão orgânico e polyester reciclado. Sentem que as pessoas valorizam esse fator?

Sinceramente já acreditei mais. Sinto que as pessoas estão um pouco saturadas do greenwashing; muitas vezes já não acreditam quando o produto diz que é sustentável; ou  quando há várias tentativas de enganar o cliente dizendo que o produto é reciclado quando  nem 5/10% do mesmo é reciclado. Estes e outros fatores contribuem para a desinformação e  desacreditação dos que querem fazer transparentemente e com brio os seus produtos sustentáveis.  

O que sentimos realmente é que se não fores uma marca já estabelecida no mercado e não  enveredares pelo ramo sustentável a tua longevidade será curta.  

Conseguem estimar qual o impacto positivo que a IVORY WORLD teve no planeta desde a  criação da marca?  

Acima de tudo acho que o impacto positivo não foi ao nível ambiental, mas mais no impacto no Ser  Humano (“bestie” na IVORY). Recebemos muitas, mesmo muitas mensagens de agradecimento pelo que  estamos a fazer e pela forma como impactamos as pessoas. Sabemos que centenas e se calhar até milhares  mesmo começaram a pedir ajuda e a procurar terapia olhando para o problema com uma naturalidade saudável. Muitos dos nossos “besties” sentiram-se inspirados com a nossa palavra e com as nossas  mensagens e maneira de abordar cada “bestie”. Recebemos agradecimentos pelo facto de poderem  representar a sua causa através das mensagens que usamos nas nossas roupas espalhando-a pelo mundo  com um sorriso na cara. Foi talvez, nas nossas palavras, que muitas pessoas viram a força de atacar o  problema de frente e parar de fugir dele.  

Espantosamente, penso que foi quando nos enviaram tatuagens das nossas mensagens que percebemos o  real impacto que temos na vida das pessoas. Uma tatuagem não é apenas uma peça de roupa, é algo que  está permanentemente no corpo e que espalha a mensagem 24/7.  

Além disso, sinto que ajudamos também através dos pareceres que as instituições nos facultam aquando  dos nossos donativos.  

Tendo em conta que se trata de uma marca que defende a sustentabilidade, estão presentes em  algumas iniciativas/eventos nesse sentido, para além da venda de produtos sustentáveis?  

Visto que o nosso foco está agora aliado a sermos uma marca sustentável na Saúde Mental e a  promoção da mesma, estamos a concentrar os nossos esforços neste sentido ao apoiarmos  quem nos procura ajuda através dos nossos psicólogos. E até estamos a pensar como poderemos ajudar de uma forma mais eficaz. Os eventos e iniciativas nos quais queremos  estar servirão para podermos sentir que estamos a chegar a cada vez mais gente e que apoiamos e abraçamos cada vez mais “Besties”.  

Não obstante disso, sendo o nosso foco principal, ajudamos várias instituições nos seus  eventos. Dando o exemplo da Lovingtheplanet do nosso querido amigo Eduardo Rêgo, no qual  estamos presentes nas suas iniciativas e estamos sempre abertos a ajudar.  

Mas sejamos sinceros, o nosso objetivo é contribuir a ajudar ao máximo instituições que  promovam e operacionalizem estes eventos e da nossa parte o objetivo é abraçar e ajudar mais  “besties” para uma Sociedade consciente e feliz. 

 Quais os próximos passos para este projeto?

O primeiro GRANDE próximo passo envolve criar um espaço físico no qual podemos juntar toda a nossa comunidade para poderem conversar, trocar ideias, humanizar-se e sobretudo  apoiarem-se e sentirem-se bem, confortáveis e felizes. Além de poderem também comprar as  nossas peças e poderem estar num safe space para poderem ler e partilhar emoções “anónimas”. A nossa presença atualmente é muito digital e queremos muito poder estar  presentes fisicamente – para podermos dar um verdadeiro abraço.  

Por outro lado, o segundo GRANDE passo que queremos implementar está relacionado com  apoio psicológico. Queremos poder fornecer eficazmente um meio de ajuda para os que nos pedem auxílio e apoio nos momentos mais difíceis. Estamos a trabalhar neste sentido e durante este ano poderemos ter novidades.  

Por fim, o terceiro GRANDE passo que queremos dar é internacionalizar e ajudar mais  pessoas. Sobre isso, até ao fim do ano acho que poderemos dar novidades. Posso dizer que  será uma cidade muito parecida à nossa imagem. 

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Francisco Soares,

CEO e Founder da IVORY

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Não podíamos estar mais felizes com esta conversa com Vera Maia, um das fundadoras da Shaeco, um champô sólido que se vai impondo em Portugal e no mundo. A franqueza com que nos refere o consumismo que a movia, quando trabalhou na área da moda, até ao facto de mencionar que a marca surge de duas ambições pessoais, vender um produto online e melhorar a sua pegada ecológica desde que foi mãe.

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Com um percurso profissional ligado ao digital, principalmente ecommerce, como surgiu a ideia de ligar um produto sustentável a esse universo?

Nos últimos anos, principalmente desde que fui mãe, procurei implementar alternativas mais sustentáveis no meu dia-a-dia. Desde recusar produtos em plástico ou que não terão utilização só por serem oferta, à utilização de sacos próprios nas compras, à redução do consumo (principalmente na aquisição de roupa, o que para mim seria impossível há uns anos dado que trabalhei no segmento da moda), entre outros. Durante este processo de procura por produtos alternativos, encontrei o champô sólido, mas depois de experimentar vários, nunca fiquei totalmente satisfeita com o resultado.

Por outro lado, sempre tive vontade de ter uma marca própria e de vender através dos canais digitais. No entanto, não queria que fosse apenas mais um produto que apelasse ao consumo; procurava algo que acrescentasse valor no mercado e que ajudasse os consumidores a fazerem pequenas mudanças no seu dia-a-dia, como aquelas que eu e a minha equipa temos vindo a fazer. Este foi sempre um projeto de equipa porque todos acreditamos na missão da Shaeco.

 

Qual foi o maior desafio para arrancar com o projeto?

Penso que o mais desafiante foi o desenvolvimento do produto. Queríamos um produto de qualidade premium, produzido em Portugal. Pesquisamos durante cerca de um ano até encontrarmos um parceiro muito próximo da nossa Sede, em Viana do Castelo. Depois tivemos de o “convencer” a desenvolver e alterar fórmulas, até chegarmos a uma que cumpria com os nossos requisitos. Por exemplo, sempre soubemos que o champô tinha de fazer a mesma espuma, após o contacto com água, que um champô “normal”, caso contrário, os clientes não estariam dispostos a trocar de champô. Fomos trocando várias ideias até chegarmos ao extrato de coco, que é o que permite ao One & Done ter a mesma performance que os outros champôs “tradicionais”, tanto em termos de espuma, como aroma e propriedades de limpeza.

Sendo um produto de produção industrial, como se chega aos fornecedores corretos?

Desde cedo optamos por uma produção industrial que nos garante um rigoroso controlo de qualidade do produto e elevada escalabilidade do negócio. Tivemos de investigar, pedir ajuda a pessoas conhecidas e outros parceiros de negócio, reunir e pedir amostras. Investigamos também muito os ingredientes, lemos tudo que seria possível ter acesso sobre o tema, para garantir que além dos ingredientes, escolhemos matérias-primas de fontes sustentáveis. Por outro lado, procuramos fornecedores certificados, com as devidas garantias de sustentabilidade das matérias-primas, assim como cumprimentos de não testar em animais, entre outras.

 

É cada vez mais fácil chegar a fornecedores que têm a sustentabilidade na sua proposta de valor, ou, por outro lado, ainda é um desafio?

Tem sido um maior desafio certificar a origem das matérias-primas do que chegar a fornecedores que se posicionam com a mesma proposta de valor. Felizmente, os parceiros com os quais trabalhamos, cumprem normas bastante rigorosas na produção e têm certificados neste âmbito.

Penso que no segmento dos cosméticos já existe uma grande preocupação em seguir processos produtivos sustentáveis, com menor desperdício de água, redução de plástico e colas, entre outros. No entanto, existirá sempre o problema de armazenamento de produtos líquidos em que o plástico é sempre a matéria-prima mais utilizada por ser leve no seu transporte e resistente. A longo prazo acredito que os fornecedores procurem alternativas ao plástico descartável, como embalagens recarregáveis, em vidro ou alumínio. Mas para isso, terá também de mudar toda a cadeia de valor e de distribuição.

Por outro lado, também desenvolvemos a Pebble, uma caixa de transporte que inclui desperdícios da indústria corticeira. Foi um dos pedidos que os clientes de champô sólido nos fizeram porque reconheciam a vantagem de um produto sólido em viagens de avião, por exemplo, mas não sabiam como o transportar. Quisemos aplicar o mesmo conceito do champô: um produto de elevada qualidade com a sustentabilidade em primeiro lugar, com matérias-primas resistentes e produzido em Portugal.

Ao nível do mercado, os consumidores já fazem pesquisa específica por produtos sustentáveis, ou quando se deparam com eles é que levam esse fator em consideração? E que tipo de consumidores são (main stream, ambientalistas, etc)?

Os consumidores começam a estar mais atentos e a procurar alternativas sustentáveis. A Shaeco procura mudar algumas mentalidades: não precisamos todos de ser ativistas ambientais para fazer alguma mudança no nosso dia-a-dia. E é a quem está a começar a sua mudança que pretendemos apelar com a entrega de um produto sustentável, mas com uma ótima performance.

Entre nós, comentamos muitas vezes que é muito importante analisar todos os fatores para avaliar um produto e a sua sustentabilidade: desde a proximidade geográfica do fornecedor, à sua produção, quais as matérias-primas escolhidas e qual a origem. Também é importante compreender o efeito que têm no meio ambiente. E, infelizmente, nem tudo o que é bio ou orgânico é melhor para o planeta porque obriga a exploração e transporte de recursos, os quais, nem sempre, são sustentáveis.

 

Têm um post que refere que o uso de um shampoo sólido Shaeco, pela quantidade de lavagens que permite, reduzirá de 15 para 1 viagem o transporte do shampoo. Para lá do controlo que têm no produto, sentem que a cadeia de valor já consegue acompanhar as preocupações da marca?

Esta é também uma das nossas maiores preocupações. O champô sólido contém, em média, menos 70% de água na sua produção. Como é compacto, permite também reduzir o transporte. Eu transportei 2.000 champôs no meu carro. Cerca de 27 caixas.

Cada champô One & Done equivale a cerca de 2-3 champôs de 250ml.

Se pensarmos bem, quando compramos champô líquido, estamos a adquirir água com um agente de limpeza. O que ocupa mais espaço no transporte e nas nossas casas é a embalagem de plástico, que até tentamos reciclar, mas nem sempre vai ter ao local correto.

No que diz respeito à cadeia de valor, infelizmente, não conseguimos controlar todo o processo. Mas confiamos nos nossos fornecedores porque partilham das mesmas preocupações que nós. Principalmente na origem das matérias-primas.

Numa entrevista anterior, referiram que o objetivo sempre foi a internacionalização, principalmente os EUA por serem um mercado mais maduro. Como tem sido a aceitação em Portugal? Sentem que já existe um mercado para produtos sustentáveis?

Felizmente temos sido muito bem recebidos no mercado nacional, o que demonstra a preocupação na mudança por parte dos clientes portugueses. Penso que outras empresas também já abriram esse caminho: seja a Pegada Verde, a Maria Granel e muitas outras lojas, online e offline, que estão a mudar mentalidade nos últimos 10 anos. Aprendemos imenso com eles!

Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas não podemos ser fundamentalistas; devemos incentivar à mudança, dia após dia, em pequenas alterações no nosso comportamento. E não devemos sofrer de eco-ansiedade, ou seja, sentirmo-nos mal por não conseguirmos fazer já tudo bem. Desde que façamos uma mudança por dia, temos 365 mudanças no final do ano. E ainda incentivar que os nossos familiares diretos façam o mesmo.

Acreditam que a pandemia que vivemos terá um impacto positivo no planeta, ao nível da preocupação com a pegada ecológica por parte dos consumidores?

Até ao momento temos visto que a preocupação dos consumidores está a aumentar. Recebemos diariamente muitas mensagens a darem-nos os parabéns pela criação da marca e pelo nosso esforço de reduzir o nosso impacto no planeta. No entanto, sabemos que a partir do momento em que possamos ter uma vida “normal”, o desejo de consumo irá, muito provavelmente, aumentar, o que levará ao esquecimento de tudo o que aprendemos até agora. Infelizmente, vivemos na era do consumo desenfreado e imediato. Basta refletirmos sobre os incêndios, que se mantêm ativos em várias partes do planeta, e a exploração de recursos naturais que teve uma ligeira redução, mas que facilmente volta aos números anteriores.

Vera Maia,
CEO da Shaeco

Com um passado profissional e pessoal ligado à moda, sempre fui muito consumista a este nível. Recentemente investiguei mais sobre o desperdício e a poluição associada à indústria e, infelizmente, a moda é uma das indústrias mais poluidoras. Além de incitar ao consumo exagerado, o qual se reflete em más condições de trabalho para os seus trabalhadores em países de terceiro mundo, também  influência negativamente a saúde do planeta. A Shaeco surge depois de eu ter sido mãe do Vasco, quando comecei a refletir mais sobre os produtos que utilizamos e até que ponto fazem bem à nossa saúde (desde a alimentação aos cosméticos).

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A alimentação é algo que nos interessa, pelo impacto que tem na nossa saúde, mas quando juntamos a isso o evitar de desperdício, tão importante para o equilíbrio do planeta, temos a certeza que não podemos deixar passar. Por isso, fomos falar com a Sara Oliveira, autora do blogue “Nem acredito que é saudável“, que já deu origem a um livro de receitas com o mesmo nome e que lançou recentemente mais um livro, chamado “Saudável e sem Desperdício“.

 

Como surgiu a ideia de escrever um blog dedicado à alimentação saudável?

Comecei a escrever o blogue porque percebi, sobretudo durante a minha actividade clínica, que em geral as pessoas tinham dificuldade em confeccionar receitas saudáveis e que fossem adequadas às suas restrições ou estado de saúde. Por brincadeira fui desafiada a escrever um blogue para partilhar com todos as receitas que partilhava com os meus pacientes. Foi assim que nasceu o Nem acredito que é saudável.

 

Este seu último livro alia também à alimentação saudável ao desperdício. Como despertou para esta questão?

Há muitos anos, de facto acho que desde bem pequenina que a questão ambiental e o lixo que geramos faz parte das minhas preocupações. Apesar de ter crescido durante uma altura em  que desperdiçar e estragar eram acções perfeitamente normais, nada disso me parecia correcto e não era essa a educação que tinha em casa. Sou descendente de alentejanos, que sabem como ninguém aproveitar tudo.

 

As pessoas hoje são mais preocupadas do que antes com o desperdício relacionado com a alimentação?

Sem dúvida. Tal como disse anteriormente, quando era criança não havia qualquer problema em deitar fora, deixar estragar, comprar apenas por comprar. A sociedade entretanto percebeu que não há planeta B e que as consequências dos nossos actos já não passam despercebidas. Percebeu que ou mudamos rapidamente ou iremos viver num mundo bem diferente do dos nossos país e avós.

Existe uma motivação genuína com a questão do desperdício e do ambiente ou é um “add-on”?

Não posso falar em nome de todos, penso que como em tudo, há pessoas e organizações genuinamente preocupadas, outras vêm na questão do desperdício e do ambiente uma forma de lucrar. Mas em geral acredito que as pessoas estão realmente com vontade de mudar e tornar o mundo mais verde.

 

Como caracteriza os leitores do seu livro?

O meu livro não tem um público alvo, pelo menos não o pensei dessa forma. É um livro que deveria ser transversal a todos e presente em todas as cozinhas. Ter uma alimentação saudável e gerar menos lixo e desperdício alimentar deveria ser uma preocupação de todos.

Vários estudos indicam que as pessoas compram cada vez mais produtos alimentares biológicos. Qual é na sua opinião a explicação para este fenómeno?

As pessoas estão mais preocupadas com a qualidade da sua alimentação porque percebem que isso tem impacto na sua saúde e no ambiente. O facto de também a oferta ser bastante maior, mais disponível e acessível acaba por estimular a compra destes produtos.

 

Que alimentos não podem faltar à mesa de quem quer começar a ter uma alimentação mais saudável?

Uma alimentação saudável é relativa. Depende sempre de cada um, do seu estado de saúde, da sua actividade, das suas restrições ou ideologias. Mas regra geral eu diria que legumes em abundância, cereais e grãos integrais e frutas são indispensáveis

Quais são os grandes obstáculos para uma alimentação saudável?

Penso que talvez o não saber confeccionar ou não ter tempo são as principais dificuldades que me costumam referir.

 

Para começarmos o dia com energia, um pequeno-almoço saudável deve conter…

Hidratos de carbono que podem vir de grãos ou cereais integrais e proteínas que podem ser de origem vegetal ou animal. Para ficar ainda mais completo poderemos juntar uma fonte de gordura proveniente de sementes.

Que dicas daria a quem queira começar em 2021 a ter uma alimentação saudável? Por onde se começa?

A primeira coisa a fazer é perceber o que se pretende ao certo e traçar objetivos, é importante saber se existe alguma condição de saúde que tenha que ser tida em conta.

Depois é traçar um plano alimentar e escolher os alimentos de melhor qualidade. Se for necessário deve-se procurar ajuda de um profissional, por vezes é muito útil e ajuda a a começar e a ultrapassar as dificuldades iniciais

Sara Oliveira

Autora do blogue “Nem acredito que é saudável” e do livro “Saudável e sem Desperdício”. Terapeuta de medicina tradicional chinesa. Cria receitas saudáveis, vegetarianas que permitem que todos, mesmo os que têm restrições alimentares possam ter uma alimentação equilibrada, deliciosa e mais sustentável.

 

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A Humana é uma associação sem fins lucrativos que, desde 1998, trabalha a favor da proteção do meio ambiente através da reutilização têxtil e realiza tanto programas de cooperação para o desenvolvimento em Moçambique e na Guiné-Bissau como de apoio local em Portugal. Falámos com Rafael Mas para saber mais sobre esta associação.

A Humana tem a missão de proteger o meio ambiente através da reutilização de têxtil e melhorar as condições de vida das comunidades em vias de desenvolvimento. De que forma?

Procuramos obter o máximo aproveitamento do têxtil usado ao recolher através de uma rede de contentores as doações têxteis por parte dos cidadãos, e preparando esse têxtil para a reutilização. O objetivo é dar uma segunda vida à roupa e favorecer o modelo de economia circular. Através da reutilização transformamos um possível resíduo num recurso. É através das lojas secondhand que a Humana promove a reutilização da roupa usada.

A gestão do têxtil usado permite reunir fundos para financiar projetos de cooperação para o desenvolvimento em África.

Desenvolvemos um trabalho complementário de apoio local em Portugal, em municípios parceiros, para apoiar as instituições com os recursos gerados através da recolha de roupa usada em atividades de carácter social, ambiental e humanitário. É uma prova do nosso compromisso reverter para a sociedade parte dos recursos gerados através da gestão das roupas doadas.

Fomentamos a consciencialização da cidadania através de várias ações e iniciativas de sensibilização, como exposições, workshops e eventos, com o objetivo de informar a população sobre o nosso trabalho e o impacto positivo do mesmo.


Como é que as pessoas podem participar ativamente nesta economia circular?

No caso da Humana, doar o têxtil de que já não necessita, depositando-o no contentor apropriado. Além disso, comprar moda em segunda mão. Desta forma, a economia circular é favorecida.

 

Qual o processo de preparação para a reutilização das roupas?

O processo de preparação para reutilização é realizado nas duas fábricas em Espanha que a Humana Fundación Pueblo para Pueblo, uma organização irmã da Humana Portugal. O processo é realizado manualmente, apoiado por meios semimecanizados. Este processo, baseado na Hierarquia de Resíduos da UE, permite obter 5 grupos principais de materiais.

  • Têxtil para reutilizar nas lojas Humana Portugal
  • Têxtil para reutilizar fora de Portugal
  • Têxtil que se destina à reciclagem, pois o seu estado não permite a sua reutilização
  • Outros resíduos, como papel, papelão ou plástico
  • Material que não pode ser reutilizado ou reciclado, por isso é enviado para centros de tratamento de resíduos
    90% do têxtil processado tem uma segunda vida, através da sua reutilização ou reciclagem.


Conseguem medir/estimar qual o impacto do vosso contributo para o planeta e para a sociedade?

A Humana Portugal recuperou no ano pasado, 2.700 toneladas de têxteis usados para dar-lhes uma segunda vida. As 2.700 toneladas recuperadas equivalem a quase 11 milhões de peças de vestuário que tiveram uma segunda vida através da reutilização e reciclagem.

Além disso geram um duplo benefício: ambiental, pois reduz a geração de resíduos e contribui para o combate às mudanças climáticas. A reutilização de têxtil usado contribuiu para a redução das emissões de CO2: por cada kg de roupa recuperada (e não levados a um centro de tratamento de resíduos e incinerada) é evitada a emissão de 6,1 kg de CO2, de acordo com um estudo da Federação Humana People to People.

As 2.700 toneladas recuperadas no ano passado em Portugal evitaram a emissão de 16.470 toneladas de CO2 à atmosfera, que equivalem à emissão anual de 6.186 carros que circulam 15.000 km cada ou à absorção anual de dióxido de carbono de 122.910 árvores.

O benefício social consiste na criação de empregos inclusivos, estáveis e de qualidade: a Humana gera um emprego indefinido para cada 24.545 kg de têxteis recolhidos. Por outro lado, os recursos obtidos destinam-se a programas de cooperação para o desenvolvimento em Moçambique e na Guiné-Bissau como de apoio local em Portugal.

Para além da vossa principal atividade, que outras ações desenvolvem para incentivar uma maior sustentabilidade ambiental?

Todos os anos passam por nossa rede de lojas centenas de milhares de pessoas interessadas em moda sustentável e, portanto, em um modelo que tenha a proteção ambiental entre seus objetivos. As lojas são, portanto, uma ótima ferramenta para promover a consciência e a sensibilidade ambiental. Tudo isso aliado ao caráter social da entidade.

 

Quais os próximos passos para esta associação?

A recolha seletiva de têxteis usados passará a ser obrigatória em 2025 em toda a EU e a Humana pretende, ao lado dos municípios, juntas de freguesias e empresas, ampliar a sua rede de contentores, que atualmente é de 842, e aumentar a sua recolha, que hoje é insignificante frente ao que é descartado em Portugal.

A organização recolheu apenas 1,4% das 200.000 toneladas de resíduos têxteis gerados em Portugal por ano, o que mostra que no país ainda há um longo caminho de conscientização em conjunto com o sector de recuperação têxtil.

Rafael Mas

Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Autônoma de Madrid (Espanha) e Especialista Universidade em Gestão Diretiva de Organizações Sem Fins Lucrativos pela UNED (Espanha). Há desenvolveu sua carreira profissional na Fundación Pueblo para Pueblo desde 1998, realizando diferentes posições na organização tanto nas unidades produtivas de Gestão de Resíduos Têxtil e nas áreas de Gestão e Planeamento de Projectos de Cooperação e na área de comunicação. Atualmente promove Relações Institucionais e Alianças Estratégico com os colaboradores.

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Descobrimos, através de Pedro Rocha, Marketing Manager da Corona Portugal, como é esperado que as preocupações ambientais e de saúde impactem os consumidores de cerveja, como a Corona cumpre uma missão global de proteção das praias e oceanos e ainda o trabalho de formação para a Sustentabilidade que a marca faz, com as Corona Talks. Está tudo na entrevista.

O consumo de cerveja tem uma forte componente social, e as condições ótimas em Portugal levaram a um grande crescimento no consumo em 2019. A pandemia afetou os resultados?

Este setor vinha de um ano de crescimento, com a produção total de cerveja a subir 5,1% e o mercado doméstico a crescer 3,9% em vendas, segundo dados estatísticos da APCV – Cervejeiros de Portugal. Em 2019 a economia e o bom tempo motivaram uma maior vontade dos consumidores para o consumo fora de casa, associado a atividades de lazer, mas 2020 veio mudar bastante este panorama.

A Corona, no canal On Trade representava 66 % e no Off Trade 34 %, mas no final de 2020 a mudança de consumo faz com que o Off trade represente 61 % e o On trade 39 %. O consumo em casa registou um aumento de 27%.

A pandemia gerada pela Covid-19 levou ao encerramento do canal HORECA, responsável pela maioria das nossas vendas. Com a posterior reabertura deste setor, acreditámos que o crescimento poderia ser mais sustentado, mas a retoma tem-se verificado lenta, pelo que as vendas na distribuição não têm compensado as registadas com o fecho do canal HORECA. Apesar de as vendas no canal alimentar terem registado uma evolução positiva durante o período de confinamento, sublinhamos que não compensaram o encerramento do canal HORECA pois o consumo de cerveja Corona é, sobretudo, um ato social e de convívio, que foi abruptamente interrompido.

Nesta fase de desconfinamento a escolha de restaurantes e cafés é feita por estarem próximos do local de trabalho ou casa, neste último caso motivado também pelo teletrabalho, originando níveis interessantes de recomeço de atividade em bairros domésticos. O bom tempo também ajudou a que as esplanadas tivessem uma maior procura, sobretudo perto de parques, praias, rio ou mar, mas nada se compara a períodos homólogos.

Os estabelecimentos com oferta ao ar livre foram a principal escolha dos consumidores e as autarquias têm de ser sensibilizadas para facilitarem a expansão legal das esplanadas nos seus municípios e assim ajudarem o canal HORECA como resposta a esta tendência.

Tempos extraordinários exigem medidas excecionais e a possibilidade destes estabelecimentos contarem com uma oferta ao ar livre, não só suporta a sua sobrevivência económica, como protege mais os consumidores de focos de contágio e de crescimento do Turismo.

As cervejas artesanais têm-se evidenciado nos últimos anos. Qual o impacto desta tendência nos resultados e na mudança do perfil de consumidor e consumo?

Os apreciadores de cerveja artesanal consideram o consumo de bebidas artesanais como moderno, cool. Querem experimentar novas marcas mesmo que os preços sejam mais elevados. Gostam de provar diferentes sabores. São pessoas com hábitos de consumo regulares, jovens e que apostam no que é trendy.

Em Portugal, a cerveja artesanal expressa-se com menos de 1% de fatia de mercado. É um movimento recente, que tem vindo a crescer, mas com uma expressão ainda diminuta.

Quem prova uma boa cerveja dificilmente volta atrás, pelo menos por opção própria. E tem-se notado a curiosidade dos portugueses e a consequente mudança de consumo na comida e na bebida – procuram produtos bem confecionados e de qualidade.

Acredito que as cervejas artesanais, em 10 anos, deixem de ser consideradas um nicho. Terão um peso relevante na sua distribuição, notoriedade e consumo.

 

Como antevê que seja o perfil de consumidor de cerveja daqui a 5 anos? As preocupações com o mundo (e mesmo com a sua saúde) terão muito impacto?

Sim. Toda a nova sociedade – os jovens – tem uma grande preocupação com as questões da saúde e ambiente. Constatamos a forte preocupação e reações que as camadas mais jovens têm vindo a mostrar e evidenciar um pouco por todo o mundo. Vejamos o caso, não recente, da jovem sueca Greta Thunberg, o Prémio Gulbenkian para a Humanidade que apoia várias causas ambientais. Os jovens estão preocupados, conscientes e mais despertos para causas nobres.

Pode falar-nos um pouco da campanha Protect Paradise?

A Corona tem uma forte preocupação com o ambiente e a prova, além das várias campanhas, iniciativas e projetos que tem vindo a implementar em todo o mundo, é a montra de arranque do seu website. A Corona orgulha-se de ajudar o ambiente e apresenta na homepage do seu canal online próprio o número e metros quadrados de praias limpas, ilhas protegidas e voluntários que ajudam e apoiam estas iniciativas. A campanha Protect Paradise é o espelho disso mesmo, um excelente e forte iniciativa do trabalho que a Corona tem vindo a desenvolver. A Corona e Parley juntaram-se para acabar com a poluição e plásticos nos mares e oceanos, que tanto afetam as vidas e espécies marinhas. Assumiram o compromisso, em 2017, de limpeza de 100 ilhas e apela a todos à participação nesta nobre missão. Contamos com 149 ilhas protegidas, 519 praias limpas que representam perto 44 milhões de metros quadrados sem plástico.

 

Em diferentes setores, a preocupação com as embalagens e com os ingredientes saudáveis, tem levado marcas históricas a reinventarem o seu portfólio. A Corona tem algo pensado neste sentido? Seja ao nível de produto, seja ao nível de comunicação, activação ou ponto de venda.  

A Corona teve um projeto piloto o ano passado com cerveja de lata. Trata-se de uma iniciativa que pretendia reduzir a utilização de plástico nas embalagens através de um sistema de encaixe das latas. É uma inovação da marca que foi feita especialmente para a final do Cannes Innovation Lions 2019 precisamente na categoria marketing. Embora as cervejas Corona sejam sobretudo embaladas com vidro e fibras de madeira, a marca tem vindo a testar novas formas de o plástico ser substituído por fibras biodegradáveis de base vegetal combinadas com materiais orgânicos.

Sendo uma marca global, as ações são pensadas globalmente, ou os países têm autonomia para intervir e criar campanhas e ações próprias?

As campanhas são aperfeiçoadas e adaptadas aos respetivos mercados de acordo com as tendências e cultura dos países pensadas e concretizadas no Brand Book Corona e posteriormente. Existe autonomia para a implementação das campanhas, mas sempre alinhadas com as guidelines da marca e com a supervisão da mesma. Uma marca global, presente já em 180 países, tem de ter uma estratégia muito bem alinhada entre todos os mercados para que as mensagens a passar estejam em perfeito sintonia com o posicionamento definido. Recordo aliás que a Corona é líder no seu país de origem – México – e considerada a quinta cerveja mais consumida no mundo.

 

Que ações, globais ou locais, da Corona gostaria de destacar e que não foram mencionadas aqui? 

Em Portugal implementámos uma iniciativa que ia ao encontro do nobre projeto Protect Paradise e o ano passado, no World Surf League, estabelecemos uma pareceria com a Waste4Coffee para sensibilizar e apelar a todos os participantes deste evento desportivo para a necessidade de termos as nossas praias limpas e de assim as mantermos. Além dos copos reutilizáveis que disponibilizámos, evitando assim o plástico descartável, produzimos cinzeiros de praia para oferecer a todos os visitantes do evento. Ainda no âmbito do WSL, em 2019 lançámos a primeira Corona Talk, dedicada à sustentabilidade. Esta iniciativa, aberta ao público, contou com a presença da embaixadora da marca, Joana Freitas, a influenciadora Rita Ferro Alvim e a representante do projeto Waste4Coffee. A conversa foi moderada por João Janita Alves. O objetivo passou por chamar a atenção para a proteção dos oceanos, redução do uso do plástico e outros temas ligados à sustentabilidade.

Pedro Rocha,
Marketing Manager da Corona Portugal

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Faltam-nos as palavras para descrever esta conversa com a Catarina Vieira, fundadora do Chão do Rio – Turismo de Aldeia. Um projeto que nasce da vontade da Catarina e o companheiro plantarem árvores, onde podemos enumerar uma lista infinita de ações sustentáveis para preservar e potenciar a sua localização e onde sentimos o amor pelo projeto, natureza e hóspedes em cada palavra da Catarina, que nos narra uma história de encantar e encantada, tal como Chão do Rio é.

Como nos descreve o Turismo de Aldeia Chão do Rio? 

Localizado no sopé da Serra da Estrela, na aldeia de Travancinha, o Chão do Rio – turismo de aldeia, oferece uma experiência de alojamento sustentável, certificada pela Biosphere Responsible Tourism

Na sua quinta de 8 hectares, os seus hóspedes são desafiados para uma experiência de Slow Tourism, de grande contacto com a natureza e a vida rural. As confortáveis casas em pedra com telhados decorados com giestas estão dispostas em torno da piscina biológica, construída para se assemelhar às lagoas da serra da Estrela. Os géneros para o pequeno-almoço são servidos em cestos e incluem especialidades regionais. Os seus hóspedes são encorajados a explorar os trilhos das proximidades a pé ou nas bicicletas disponíveis gratuitamente. As crianças podem divertir-se com carros-de-mão, apanhar os ovos do galinheiro amovível ou apenas brincar livremente e em segurança. 

As Casas Churra, Cotovia, Loba, Ribeira e Pastor – todas com 1 quarto – permitem acomodar 4 pessoas. A Casa da Cumeada – 2 quartos e capacidade para 6 pessoas – está um pouco mais distante das restantes casas, proporcionando maior privacidade. A nova Fraga & Urze é um edifício com duas casas, a Urze, com tipologia T1 e preparada para hóspedes com mobilidade condicionada e a Fraga, com tipologia T2. Estas duas casas podem funcionar como uma só casa e permitem acomodar 8 pessoas. 

A decoração das casas é simples e confortável. Todas as casas possuem alpendre onde é possível desfrutar de refeições ao ar livre ou reparadoras sestas na rede. O Chão do Rio oferece ainda acesso a bicicletas, trilho interno sinalizado, carros-de-mão, churrasqueiras, forno de lenha, lareira ao ar livre, parque infantil, horta, galinheiro e piscina biológica. São permitidos animais de estimação mediante custo adicional.

Como surgiu a ideia do Chão do Rio? 

O Chão do Rio, mais do que uma ideia, foi um processo de evolução e adaptação às circunstâncias que a vida nos foi apresentando e a um enorme desejo de enraizamento e contacto com a Natureza

Chão do Rio é o nome de registo da propriedade onde está implantado o Chão do Rio – Turismo de Aldeia. Em 2001, eu e o meu companheiro adquirimos um terreno na aldeia de Travancinha, concelho de Seia, onde existia uma ruína de um antigo abrigo de animais, com potencial para recuperação para uma segunda habitação. No entanto, nessa altura, a nossa principal motivação era a compra de um terreno onde pudéssemos plantar árvores, queríamos deixar um legado para as gerações futuras, embora nessa altura ainda não tivéssemos as nossas filhas. Aquela era uma região onde gostávamos de fazer caminhadas (Serra da Estrela) e, por coincidência, foi ali que descobrimos o terreno que desejávamos comprar. No início, íamos lá todas as semanas (vindos de Aveiro), apenas para limpar o terreno, plantar árvores e descarregar do stress da semana. Era uma relação com a terra muito física. Ao fim do dia, saíamos dali cansados, mas felizes. Mais tarde viríamos a recuperar a ruína e transformá-la numa casa de fim-de-semana apenas para nós, e ali passámos a ficar aos fins-de-semana.

Já em 2006, a nossa vida profissional complicou-se e tornou-se difícil suportar os custos de manutenção de um terreno de 8 hectares apenas para nosso deleite. Mas, foi precisamente deste momento de aperto que começou a surgir a ideia de transformar aquele nosso refúgio num refúgio partilhado. Já com essa ideia em mente, fui fazer uma pós-graduação na área do turismo na minha antiga escola de gestão do Porto (a FEP) e numa disciplina de estratégia construí o plano de negócios do então sonhado “Chão do Rio – Estância Rural”. Em rigor, já ali estava quase tudo o que é hoje, mas então era só uma ideia. De qualquer modo, nesse curso percebi que com pouco investimento era possível testar se o nosso Chão do Rio atraía outras pessoas para além de nós. Foi por isso que, em 2010, o Chão do Rio começou a receber hóspedes, sob a forma de alojamento local, nessa altura uma família alugava uma quinta inteira de 8 hectares. Rapidamente percebemos que Travancinha, também para outros, era uma boa base para visitar o destino turístico Serra da Estrela e o desejo de ir mais além instalou-se.

Estávamos em 2011 quando contactámos a ADRUSE (Gabinete de Apoio à Ação Local da região) e descobrimos que, daí a 15 dias, iria acabar talvez a nossa grande oportunidade de fazer crescer o Chão do Rio. Nesse momento, aquele plano de negócios do Chão do Rio – Estância Rural, bem como a boa vontade de todos os que acreditaram na nossa capacidade de realização, serviram para completar uma candidatura ao antigo PRODER em apenas 15 dias. Quase um ano depois soubemos que a nossa candidatura havia sido aprovada.

Em 2012 começámos a construção e em 1/8/2014 começámos a comercializar o Chão do Rio no booking.com. 

O que os vossos hóspedes mais valorizam na experiência? 

O encantamento muitas vezes acontece no primeiro olhar, muitos relatam a sensação de entrar numa aldeia de fadas, que predispõe ao espanto. A natureza presente de forma não artificializada, faz outra parte importante do trabalho, ao variar com as estações e propiciar diferentes sensações consoante a época. Finalmente, a equipa sempre disponível e genuinamente envolvida, de uma forma simples contribui para um momento memorável. Depois há momentos especiais, como o facto de a chegada do pão quente acontecer pelas 5 da tarde, pelo momento do check-in, estando o cabaz de pequeno-almoço do dia seguinte já disponível na casa, que propicia logo um dos pontos altos: o lanche.

 

Dispõem de uma piscina biológica. Podem explicar-nos um pouco melhor no que consiste? 

Uma piscina biológica é a recriação artificial de um ecossistema natural. É um lago para banhos, onde a qualidade da água se obtém através de jardins aquáticos com plantas purificadoras, de um maior volume de água por banhista do que seria numa piscina convencional e através a circulação permanente da água. 

Tratando-se de uma água não tratada, a nossa ação é sempre indireta, favorecendo a saúde das plantas, para que estas assegurem a qualidade da água. E a qualidade vê-se bem pelas inúmeras libelinhas que ali nascem. Como onde há água pura, há vida, à piscina são atraídos muitos seres que contribuem para o equilíbrio do ecossistema, sendo os mais visíveis os anfíbios, como as rãs ou tritões.

Como incorporam a sustentabilidade no vosso espaço? 

A nossa política de sustentabilidade define medidas em diversas áreas:

Promovemos a biodiversidade…

Estamos a recuperar um bosque de folhosas na nossa quinta, plantando bolotas de Carvalhos autóctones;

Criámos corredores ecológicos para a circulação das espécies selvagens, através de espécies arbustivas locais;

Criámos zonas húmidas como o nosso “Brejo das Libelinhas” e a nossa Piscina Biológica;

Criámos zonas abrigo para animais selvagens como coelhos e lebres;

Recuperámos a frente ribeirinha da nossa propriedade.

Incentivamos experiências amigas do ambiente…

Os nossos hóspedes recebem diversas propostas de experiências através de parceiros locais, como massagens à sombra de carvalhos, workshops de fotografia, Caminhadas na Serra, Passeios a Cavalo e passeios no rio em Stand Up Paddle Board.

Disponibilizamos bicicletas de utilização gratuita para passear na propriedade ou na aldeia de Travancinha;

Criámos um trilho pedestre por onde os nossos hóspedes são convidados a caminhar, despertando para a magia da natureza;

As crianças podem apanhar ovos do galinheiro, legumes da nossa horta biológica, dar de comer às ovelhas “Flor” e “Estrela” ou divertir-se em passeios de carro-de-mão;

Os mergulhos entre nenúfares, libelinhas e rãs na nossa piscina biológica são inesquecíveis;

As zonas de piquenique, o forno de lenha e as churrasqueiras, transformam as refeições em saborosos momentos lúdicos de comunhão com a natureza;

Convidamos os nossos hóspedes a explorar a natureza em todos momentos, entregando-lhes uma lanterna para caminhadas noturnas.

Divulgamos o património local e contribuímos para o desenvolvimento da região…

O nosso cabaz de pequeno-almoço inclui uma grande variedade de produtos endógenos;

Na nossa loja de recordações vendemos artesanato local;

Na nossa receção são prestadas informações sobre a região;

Participamos ativamente na divulgação da Aldeia de Travancinha através de reportagens fotográficas profissionais dedicadas aos seus pontos de interesse turístico;

Os nossos hóspedes são convidados a conhecer e consumir nos estabelecimentos da aldeia e localidades vizinhas;

Integramos uma rede de parceiros locais que oferece experiências de animação únicas, abdicando de quaisquer comissões de intermediação…

Em momentos de renovação dos nossos equipamentos, doamos materiais em bom estado de conservação a instituições de cariz social localizadas nas proximidades do Chão do Rio.

Reduzimos os impactos ambientais mais adversos…

As casas do Chão do Rio confundem-se com a paisagem natural pela utilização de telhados de origem vegetal, construídos com recurso a materiais provenientes da limpeza dos terrenos envolventes.

todas as construções foram realizadas com materiais sustentáveis, tais como como pedra proveniente de demolições locais e madeira;

O aquecimento da água é realizado através de painéis solares;

Os nossos esgotos estão ligados à estação pública de tratamento de águas residuais;

O nosso aquecimento é realizado através de recuperadores de calor a lenha;

Reciclamos e incentivamos à reciclagem em cada uma das nossas casas, através da colocação de eco-pontos;

A iluminação é efetuada com lâmpadas Led;

A iluminação exterior é reduzida ao mínimo para evitar o consumo energético e a poluição luminosa;

O nosso “jardim” é um prado espontâneo que não carece de rega;

O nosso galinheiro é móvel, evitando a desertificação do solo e contribuindo para o enriquecimento natural da alimentação das nossas galinhas;

A manutenção dos espaços exteriores é realizada com recurso a meios manuais e mecânicos, nunca sendo utilizados pesticidas;

A nossa piscina principal é biológica, sendo o seu equilíbrio assegurado através da recriação de um ecossistema natural, onde as plantas garantem a purificação da água;

As nossas aménities são sabonetes artesanais produzidos na região, recorrendo a matérias primas locais;

O papel higiénico e os guardanapos são 100% reciclados e de origem nacional;

Os nossos hóspedes tem a opção de não trocar as toalhas diariamente, por forma a ajudarem-nos na redução do consumo de água e detergentes;

Reduzimos ao máximo a impressão de materiais publicitários em suporte de papel, privilegiando outros meios de divulgação de menor impacto ambiental;

Um fator de decisão essencial nos nossos consumos é o número de quilómetros percorridos. Sempre que possível, compramos localmente.

O vosso cliente tipo é português ou internacional? O respeito pelo ambiente é fator crítico de escolha?

Os nossos hóspedes são desde o início, na sua maioria, provenientes do mercado nacional, maioritariamente das cidades de Lisboa e Porto. Na sua maioria, são hóspedes com uma grande sensibilidade para as questões ambientais e fascinados pela natureza. Mas também são famílias onde mais que o fascínio pela natureza, a sua falta os atrai até nós. Todos, em maior ou menor grau, de forma consciente ou inconsciente, necessitamos de um contacto com o meio natural não possível nas cidades e daí a atração pelo nosso espaço.

 

Têm ações, ou planos, relacionados com a atuação sustentável que gostassem de destacar?  

Sim, um dos nossos projetos mais acarinhados é a nossa “Floresta do Futuro”. Cerca de metade da área total da propriedade do Chão do Rio (4 hectares), constitui uma área de reserva de natureza, onde estamos a recuperar uma Floresta autóctone. Esta área era anteriormente ocupada por uma mata de pinheiro manso, que o fogo em Outubro 2017 destruiu completamente. Desde então este espaço tem sido semeado e plantado com uma floresta autóctone, com o apoio de escolas, do Centro de Interpretação da Serra da Estrela e da Casa Santa Isabel. Este espaço que apelidamos Floresta do Futuro, por ser uma floresta para quem vem depois de nós, é pretexto de encontro e reflexão alargada, no nosso “dia aberto, um dia pela Floresta”, um evento aberto à comunidade por altura do aniversário dos fogos. Este ano a pandemia suspendeu o evento que pretendemos retomar já no próximo ano.

Catarina Vieira 

Natural de Aveiro, Catarina Vieira licenciou-se em Gestão na Faculdade de Economia do Porto. Em 2012, na Serra da Estrela concretizou a sua vocação empreendedora, integrando a paixão pela natureza, a vontade de fazer a diferença e os conhecimentos académicos adquiridos. O Chão do Rio – turismo de aldeia, foi o sonho concretizado através de uma unidade de turismo rural de pequena escala, localizada na aldeia de Travancinha, no sopé da Serra da Estrela! Desde a sua criação, o Chão do Rio tem desenvolvido um reconhecido trabalho em prol do Turismo Sustentável, tendo se tornado na primeira Unidade de Turismo Rural em Portugal a receber a Certificação “Biosphere Sustainable Tourism” em 2018 e foi vencedor dos Prémios AHRESP 2019 na Categoria Sustentabilidade Ambiental. 

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