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A entrevista com Virgílio Ferreira permitiu-nos perceber no que consiste o projeto Sustentar e qual a importância de transmitir e consciencializar a população a adotar boas praticas através da arte.

No que consiste o projeto Sustentar?

Desenhamos a Sustentar como uma plataforma colaborativa para o desenvolvimento de projetos fotográficos e videográficos focados em iniciativas que procuram responder aos desafios ecológicos e sociais que enfrentamos. 

A primeira edição iniciou em janeiro de 2020, conectando seis artistas com seis iniciativas implementadas em Portugal: POCITYF (Câmara Municipal de Évora), Núcleo Museológico do Sal (Câmara Municipal da Figueira da Foz), Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira (Câmara Municipal de Loulé), Transição agroecológica (Câmara Municipal de Mértola), Setúbal Preserva bairros do Grito do Povo e dos Pescadores (Câmara Municipal de Setúbal) e LIFE Montado-Adapt (EDIA).

Durante o processo de criação, a plataforma Sustentar proporcionou encontros entre curadores, artistas e especialistas para análise do trabalho em curso, bem como residências artísticas em cada território — espaços vitais e críticos para incubar novas práticas, examinar metodologias e desenvolver diálogos proativos.

Os resultados dos trabalhos desenvolvidos no âmbito da plataforma Sustentar estão a ser apresentados numa exposição coletiva itinerante organizada e produzida pela Ci.CLO. A exposição foi inaugurada na Bienal’21 Fotografia do Porto e, posteriormente, foi apresentada no Fotofestiwal, em Lodz (Polónia), em Mértola e na Figueira da Foz. Neste momento, pode ser visitada no Museu da Luz, no Alentejo, e em 2022 continuará a percorrer os municípios parceiros.

PROJETOS ARTÍSTICOS DESENVOLVIDOS NO ÂMBITO DA PLATAFORMA SUSTENTAR

  • Arte de Sombrear o Sol, Evgenia Emets. Acompanha as alterações climáticas, a transição agroecológica e a agricultura sintrópica em Mértola como uma possibilidade de adaptação ao cenário de severa escassez de água. 
  • De Vagar o Mar, Maria Oliveira. Cria uma passagem metafórica para o mundo antigo e pré-humano nas salinas da Figueira da Foz, reconhecendo o potencial natural e cultural deste território. 
  • Em Plena Luz, Elisa Azevedo. Explora a integração de sistemas inovadores de captação de luz solar para tornar a zona histórica de Évora autossustentável do ponto de vista energético. 
  • O Leito do Rio, Sam Mountford. Realizado no Parque de Noudar, o filme centra-se nas dimensões culturais, sociais e ecológicas dos Montados ibéricos e na resiliência deste território para mitigar as consequências das alterações climáticas. 
  • Geoparque, Nuno Barroso. Especula sobre os paradigmas do território do Geoparque Algarvensis através da exploração da multirrealidade em torno da agricultura, energia e atividade turística. 
  • Hoje, Translúcido, Margarida Reis Pereira. Desenvolve-se através do diálogo com as comunidades dos bairros do Grito do Povo e dos Pescadores, em Setúbal, utilizando um conjunto de estratégias visuais para representar as suas memórias e identidade.

ACOMPANHAMENTO CURATORIAL

  • Krzysztof Candrowicz, curador, investigador, diretor de arte, co-fundador do International Festival of Photography em Lodz, Polónia, e ex-diretor artístico da Triennale der Photographie Hamburg, Alemanha.
  • Pablo Berástegui, curador e diretor da Galeria de Fotografia Salut au Monde!
  • Virgílio Ferreira, diretor artístico da Ci.CLO e da Bienal Fotografia do Porto e coordenador do programa Sustentar

ESPECIALISTAS CONVIDADOS

  • Jayne Dyer, artista, crítica de arte e académica australiana.
  • Gil Penha-Lopes, investigador Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
  • Álvaro Domingues, geógrafo e investigador do Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto

Como surge a ideia e qual o objetivo principal de criar uma plataforma de diálogo?

Todos os projetos organizados e produzidos pela Ci.CLO, nos quais se inclui a plataforma Sustentar, procuram contribuir para uma regeneração socioecológica através das artes. 

A Sustentar surge da vontade de criar uma plataforma de projetos fotográficos e videográficos com apoio curatorial tendo como eixo temático a sustentabilidade, e procurando contribuir para uma maior consciencialização crítica sobre as vulnerabilidades ecológicas e sociais que enfrentamos a nível local e a nível global. Com a criação desta plataforma, pretendemos produzir uma série de projetos em diálogo com iniciativas que representem boas práticas no âmbito da sustentabilidade ambiental, social e económica; e difundir a produção artística realizada no âmbito deste projeto a nível nacional e internacional.

 

De onde vem a ideia de usar a arte para transmitir os desafios ecológicos e sociais que vivemos? E porquê?

Como referi, essa é a intenção subjacente a todos os projetos desenvolvidos pela Ci.CLO. Desde 2015 que temos sido uma plataforma de pesquisa, criação e ação na área da fotografia que estabelece uma relação transdisciplinar com outros campos artísticos, ambientais e sociais para abordar criticamente preocupações e emergências do nosso tempo. 

Também a Bienal Fotografia do Porto, organizada e produzida pela Ci.CLO, e onde foi inaugurada a exposição Sustentar, tem como missão contribuir para a produção e disseminação de perspectivas artísticas, ações e intervenções, que promovam uma mudança cultural ética que acreditamos ser tão desejável quanto é inevitável.

Em que medida este tipo de ações pode ter impacto na mudança comportamental que é necessária haver?

Acreditamos que os processos de criação artística  podem ser transformadores e, consequentemente, podem contribuir para mudanças culturais, a nível pessoal e coletivo. Essa transformação pode acontecer tanto no artista como no público. 

 

Quais as futuras ações que estão a planear desenvolver?

A exposição Sustentar vai continuar a circular pelo país: até dia 12 de dezembro, pode ser visitada no Museu da Luz, no Alentejo; em fevereiro de 2022, na Galeria de Arte do Convento Espírito Santo, em Loulé; seguindo para Évora e Setúbal, em março e maio, respetivamente. Simultaneamente, estamos a delinear a segunda edição deste projeto.

A Ci.CLO é também responsável pela organização, produção e curadoria da Bienal Fotografia do Porto, cuja próxima edição (2022-23) estamos também a preparar; e do ViViFiCAR, cujas atividades de criação, exposição e desenvolvimento de públicos se estendem pelos próximos dois anos.

O ViViFiCAR é um projeto imersivo e transdisciplinar que se articula entre a fotografia, os novos média e a arquitetura para promover encontros entre artistas durienses, nacionais e noruegueses com as comunidades locais a partir de estratégias participativas de criação e exposição de obras de arte community-specific. Abraçando as ideias de «animar», «viver» e «ficar», o ViViFiCAR procura respostas criativas para o desafio da fixação populacional em quatro municípios de baixa densidade no Douro — Alijó, Lamego, Mêda e Torre de Moncorvo.

Virgílio Ferreira

Virgílio Ferreira é o fundador e diretor artístico da Ci.CLO e da Bienal Fotografia do Porto. É mestre em Fotografia pela Universidade de Brighton. Nos últimos 20 anos, tem vindo a desenvolver projetos transversais na área da criação, formação e produção artística e cultural em parceria com vários museus, municípios, centros culturais e escolas de arte em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente o «ViViFiCAR», «Cidades na Cidade»,  «Sustentar» e «[ESCAPE]». Enquanto artista, o seu trabalho tem sido exposto na Europa, Médio Oriente, Estados Unidos e Sudeste Asiático.

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A aldeia alentejana da Luz é a próxima paragem da exposição itinerante “Sustentar”, organizada pela plataforma Ci.CLO. A partir de 28 de outubro, no Museu da Luz, é possível conhecer o trabalho de seis artistas sobre projetos ligados à sustentabilidade.

Depois de passar pela Bienal’21 Fotografia do Porto, Fotofestiwal na Polónia, Mértola e Figueira da Foz, a exposição coletiva e itinerante “Sustentar”, chega ao Museu da Luz, em Mourão. A exposição tem entrada gratuita e pode ser visitada de 28 de outubro a 12 de dezembro.

Elisa Azevedo, Evgenia Emets, Margarida Reis Pereira, Maria Oliveira, Nuno Barroso e Samuel Mountford são os seis artistas que desenvolveram projetos fotográficos e videográficos sobre iniciativas de sustentabilidade, que estão a ser implementadas em diferentes cidades portuguesas. Sobre o Alentejo, destaca-se o trabalho de Samuel Mountford – O Leito do Rio, desenvolvido no Parque de Noudar – que espelha a resiliência deste território face às alterações climáticas. Samuel Mountford foca-se na dimensão cultural, social e ecológica dos Montados Ibéricos.

Na exposição é, ainda, possível conhecer a obra de Evgenia Emets, a “Arte de Sombrear o Sol”, focada nas alterações climáticas em Mértola, bem como o trabalho de Maria Oliveira, “De Vagar o Mar”, que cria um cenário metafórico nas salinas da Figueira da Foz. O projeto “Em Plena Luz” da Elisa Azevedo reflete a inovação da captação de luz solar em Évora. A série “Geoparque” de Nuno Barroso aborda os paradigmas do território do Geoparque Algarvensis, em Loulé.  Setúbal está representado por “Hoje, Translúcido” de Margarida Reis Pereira, que aborda as memórias e identidade dos bairros do Grito do Povo e dos Pescadores.

A Ci.CLO pretende, através do programa Sustentar, criar um espaço de diálogo onde a arte, política, ecologia, sociedade e educação são estimuladas em comunidade em prol de uma sociedade mais ativa, coesa e responsável na conservação dos recursos naturais e do património cultural. O foco são as pessoas, a região e a sustentabilidade.

No Museu da Luz, a exposição gratuita pode ser visitada até dia 12 de dezembro. Em 2022, o projeto Sustentar segue para Loulé, de 4 de fevereiro a 5 de março, passa por Évora, de 12 de março a 15 de abril e termina a viagem em Setúbal, de 27 de maio a 19 de junho.

Para acompanhar o percurso da exposição Sustentar pode consultar o programa aqui.

Esta é a primeira edição do Programa Sustentar, que se debruça sobre iniciativas que já foram ou estão a ser implementadas em território nacional como resposta aos desafios ecológicos e sociais que enfrentamos.

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