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Eduardo Serzedelo, fundador da Hirundo, decidiu criar a start-up, juntamente com mais três sócios, para valorizar a arte do calçado combinado com a responsabilidade ambiental.

A Hirundo é a nova marca de sapatilhas portuguesa, como nasce esta ideia? 

Fundada no Porto em 2021, pela mão de Eduardo e Filipe Serzedelo, Pierre Stark e Ann Massal, a Hirundo teve como propósito a criação de uma marca de ténis que atendesse às principais tendências globais e aos novos hábitos de consumo, inspirados no movimento Slow, que defende uma mudança cultural em direção a abrandar o ritmo da vida, concentrado num estilo de vida mais simples e que honrasse e valorizasse a tradição da produção do calçado em Portugal.

Criar a Hirundo foi a oportunidade de partilhar com outras pessoas a nossa paixão por um ténis de qualidade feito com materiais sustentáveis ​​e ao mesmo tempo elevar o artesanato português.

Levamos quase um ano para encontrar os fornecedores relevantes, estudar os materiais que queríamos e, acima de tudo, desenhar os tênis que refletissem nosso desejo de diminuir o ritmo.

A principal inspiração para a Hirundo foi a Andorinha. Um pássaro que simboliza a primavera e novos começos. Viajam pelo mundo livremente, mas sempre voltam para casa em seu próprio ritmo, trazendo nova vida e frescor. Essa é a essência do Hirundo.

A sustentabilidade dos ténis esteve na génese da ideia, ou foi algo que se tornou inevitável posteriormente? 

A sustentabilidade esteve sempre na génese da ideia, tanto do ponto de vista ambiental como do ponto de vista social e governativo. Sempre quisemos que este projeto fosse bom para a comunidade e para as pessoas que nele trabalhassem. De salientar ainda que os ténis Hirundo são certificados com o selo “Carbon Neutral”, distinção que atesta que a empresa compensa integralmente todas as suas emissões de carbono, e distinguida ainda com a prestigiada certificação “Pending B Corp”, atribuída a empresas com menos de 12 meses de operação.

Quais são os materiais utilizados na produção e que impacto eles têm no produto? 

A primeira coleção da Hirundo apresenta um modelo único personalizado por uma das 11 cores à disposição e é um produto ambientalmente responsável ao utilizar materiais reciclados e/ou recicláveis na sua composição, inteiramente concebidos, fornecidos e produzidos com uma cadeia de fornecimento local. 99% dos componentes são fabricados em Portugal por empresas Portuguesas com anos de experiência no sector.

A parte superior e o forro dos ténis Hirundo são fabricados em couro certificado pelo “Leather Working Group” e a sola exterior é composta por borracha sintética reciclável, extraleve e muito macia. Estes ténis sustentáveis contêm ainda cortiça na sua composição, um material termorregulador e antibacteriano que garante durabilidade e conforto.

 

A Hirundo comercializa produtos 100% nacionais e é uma empresa com selo “Carbon Neutral”. Sentem que os clientes valorizam os produtos locais e sustentáveis e procuram conhecer a sua origem? 

Começa a existir uma maior preocupação pela sustentabilidade nos clientes e recebemos bastantes perguntas neste sentido. Contudo, ainda não é a maioria dos clientes e fazemo-lo por sabermos que é a maneira como deve ser feito.

O setor da moda, e especificamente dos ténis, é bastante concorrencial. O que trazem de novo aos consumidores? 

Sustentáveis, combinando a estética minimalista do seu design com uma extensa gama de cores de personalidade invulgar e produzidos através de uma excecional destreza artesanal portuguesa, são assim os novos ténis produzidos pela start-up portuguesa Hirundo. Pensamos também que a estética é bastante característica e os matérias de uma qualidade excecional.

 

Onde e quando podemos adquirir os ténis da Hirundo? 

Nesta fase de lançamento os ténis Hirundo estão disponíveis no Indiegogo (plataforma de crowdfunding) com descontos até 30%, uma estratégia enquadrada no ADN ecológico deste projeto, uma vez que não é produzido nenhum stock inútil. 


Eduardo Serzedelo

Desde sempre apaixonado por sapatilhas e admirador da arte milenar da produção de calçado em Portugal, Eduardo Serzedelo, após viver em 3 continentes (a trabalhar enquanto advogado ou no MBA) decidiu criar a Hirundo para valorizar esta arte.

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Adriana Mano dá-nos a conhecer mais sobre o seu projeto, a ZOURI, uma marca de calçado sustentável que aproveita o lixo encontrado nas praias da costa portuguesa na sua produção.

Como nasce a Zouri, e qual a origem do seu nome? 

Em 2016, participava numa ação de limpeza de uma praia quando me lembrei que podia aproveitar os resíduos de plástico recolhidos para criar uma marca de sapatos. Comecei por fazer desenhos, ainda sem levar o projeto muito a sério, até me candidatar a um prémio da Universidade do Minho, que ganhei. No fim desse mesmo ano, criei a empresa e lancei a primeira linha de sapatilhas feitas com plástico recolhido das praias, que é incorporado nas solas. A estrutura é composta por materiais orgânicos e naturais (ou biomateriais), como resíduos de maçã e ananás, entre outros. As Zouris são o calçado tradicional japonês típico do Kimono. Na altura decidimos este nome pela estética minimalista e filosofia de respeito pela natureza que continha.

 

A Zouri comercializa produtos 100% nacionais. Sentem que os clientes valorizam os produtos locais e procuram conhecer a sua origem? 

Cada vez mais sentimos que o mercado e a própria indústria do calçado estão em mudança. O mercado procura produtos produzidos localmente, com materiais não tão nocivos ao ambiente. Existe um maior aumento da literacia ambiental associada a esta indústria e a tantas outras. Isto é fruto das enormes campanhas sensibilização que todos assistimos diariamente pelos variados canais de informação. Em todas as nossas caixas de sapatos existe um papel no qual identificamos todos os produtos utilizados no fabrico daquele par, o nome das pessoas envolvidas na produção e comercialização, o nome das praias onde retiramos o plástico agora contido naquelas sapatilhas.

Quais as matérias-primas utilizadas no fabrico dos sapatos? 

As solas são produzidas em borracha natural e plástico recolhido das praias portuguesas, as palmilhas são feitas a partir de materiais reciclados e as gáspeas, a parte superior do sapato, com materiais naturais e biodegradáveis, como o algodão orgânico, linho, cânhamo, ou biomateriais como o pinatex, um tecido à base de folhas de abacaxi, ou pele de maçã. Todos os materiais são vegan e certificados. Todo o calçado ZOURI é fabricado em Portugal.

 

De que forma a produção dos produtos é sustentável? Não em relação ao produto final, mas sim em relação à produção completa do produto. 

A nossa produção é 100% nacional, as matérias-primas sustentáveis com certificações de comércio justo e com produção o mais próxima possível. A nossa ideia sempre foi centralizar ao máximo todos os materiais e processos para que as emissões nocivas associadas ao produto fossem as menores. Os produtos e matérias-primas que são utilizadas obedecem a rigorosas certificações de forma que a sua produção tenha o menor impacto possível nas comunidades, terrenos e campos. Estamos orgulhosos por ter um calçado sustentável de elevada durabilidade e com um conforto extremo. E claro, temos o plástico recolhido das nossas praias portuguesas transformando-o e reutilizando-o.

Tendo em conta que se trata de uma marca que luta contra o desperdício, estão presentes em algumas iniciativas/eventos nesse sentido, para além da venda de produtos sustentáveis? 

Tentamos ser os mais justos e fiéis aos valores da marca, pois se atuássemos de forma contrária, estaríamos a comprometer todo o nosso imenso esforço por criar e manter um projeto como este. Quando falamos de iniciativas com objetivos comerciais, tentamos sempre perceber junto das organizações quais os valores e que tipo de objetivos estão na sua génese, pois a ZOURI é muito mais do que uma marca que comercializa calçado vegan e sustentável. Nos últimos dois anos, a ZOURI juntou mais de 1500 voluntários para participarem na recolha e limpeza de praias portuguesas, tendo recolhido mais de 5 toneladas de plástico, juntamente com alguns municípios e ONG por todo o país. Fizemos dezenas de ações de sensibilização em escolas por todo o país, e múltiplas palestras por universidades, focando-nos no nosso processo com o objetivo de podermos inspirar os mais novos e mais velhos. O nosso objetivo é nos próximos dois anos criar programas ambientais de sensibilização por mais de 150 escolas, combinando a criatividade ao potencial que é tornar o lixo plástico numa das matérias-primas mais valiosas do presente e futuro do nosso planeta. Mais do que uma marca, a ZOURI é um movimento.

 

A ZOURI personaliza cada venda que fazem com uma carta com todas as informações sobre os sapatos. Acreditam que isso agrega valor ao produto? 

Essa é a nossa impressão digital. Acreditamos que o cliente tem o direito de saber o percurso do seu produto. Saber que materiais estão lá, quem o fez, que distâncias percorreu e a proveniência das matérias-primas. O futuro só fará sentido assim, e nós queremos trazer esse futuro para o nosso presente. A ZOURI acredita na transparência como pilar base. 

Quais os próximos passos para este projeto? 

Durante estes últimos anos temos contado com o apoio de vários parceiros entre eles voluntários, ONG e municípios. Neste último ano temos colaborado com organização como a Bandeira Azul e a Docapescas neste último caso, sãos os pescadores que vão recolher os plásticos em alto mar e a ação iniciou-se com a Docapescas de Viana do Castelo. Em perspetiva estão parcerias com a de Cascais e a de Ericeira. Queremos alargar a nossa rede de parceiros por todos o país, que significará limpar e recolher mais lixo das praias, e como anteriormente dissemos, queremos criar um plano de ações e formações ambientais por todos o país, desde as escolas às universidades. É urgente sensibilizar todas as gerações para o perigo que o nosso planeta, e nós, enfrentaremos caso não mudemos as regras do jogo.

Iremos continuar a focar-nos nas praias portuguesas pois ainda há muito a fazer. O nosso objetivo é começar a avançar o nosso projeto para Espanha em 2022 e ter presença em mais lojas e distribuidores em todo o mundo (já contamos com mais de 35 países).

Adriana Mano

Com 38 anos, é uma empreendedora social, ativista vegana, trash creative e fundadora da Zouri – From the Ocean. A Adriana acredita nos negócios sociais e positivos como uma força para um mundo melhor. Mente inquieta e pensadora estratégica em diversas áreas: design, ecologia e empreendedorismo. Especialista em marketing, apaixonada por inovação e sustentabilidade. Trabalhou vários anos na indústria do calçado e como consultora de marketing de marcas portuguesas e estrangeiras. O seu objetivo é inspirar outras pessoas a ver o lixo como a matéria-prima mais valiosa das próximas décadas.

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Marca vegan e com aroma a limão? É a Lemon Jelly! Uma marca Animal Friendly, certificada pela PETA, que apresenta modelos de calçado recicláveis e produzidos em Portugal com energia 100% renovável. Os seus produtos apresentam um material único, sustentável e doce: o SUGARFOM.

José Azevedo Pinto, CEO da Lemon Jelly, contou-nos sobre a ambição da marca em ser pioneira no usufruto de uma indústria de calçado mais sustentável, e de que forma o seu percurso tem sido reconhecido tendo recebido diferentes prémios e nomeações ao longo da sua história. Recentemente, recebeu o prémio “Best Carbon Footprint Initiative” nos Sustainable Fashion Awards 2020. Quer saber mais sobre esta marca inovadora e sustentável? Pode ler tudo nesta entrevista.

A Lemon Jelly jornada começou há mais de 20 anos, apresentando um percurso pautado por diferentes desafios e vitórias. Pode partilhar um pouco da história da marca?

A minha jornada como CEO e fundador do projeto da Lemon Jelly, começou há mais de vinte anos na indústria do calçado, mas a Lemon Jelly começa em 2013, nascida no seio do grupo Procalçado, com mais de 40 anos de história, a competir à escala global.

Tem sido uma jornada pautada por inúmeros desafios, por ser a primeira insígnia do grupo projetada para o mundo da moda. Mas foi quando rasgámos os preconceitos, regras e fomos audazes na procura de novas ideias, que sentimos que todo este processo fazia sentido. O resultado é um produto da nossa imaginação que alimenta esta paixão de estar onde mais gostamos e onde os nossos passos deixam pegadas conscientes. Como produtores de calçado estamos presentes para fazer com que cada passo conte.

Lemon Jelly Marca Vegan

Lemon Jelly: de onde veio a ideia para este nome?

Por já termos um longo percurso e know how em produção de calçado de injeção com base em polímeros, associamos um nome divertido jelly, em inglês associado a sapatos de borracha ou plástico, ao inusitado aroma a lemon, que fazemos questão de incorporar nos nossos produtos. A incorporação da fragrância de limão no material, confere ao sapato Lemon Jelly um maravilhoso e fresco aroma, deixando de ser apenas um sapato bonito, mas também singular e inesquecível.

Que produtos podemos encontrar na Lemon Jelly? Pode dizer-se que existem artigos para todos os gostos e idades?

Produzimos com o propósito de criar produtos originais, confortáveis e acima de tudo funcionais, preparados para qualquer ocasião. Desde os dias mais chuvosos aos verões mais quentes passados junto à piscina, queremos que o calçado Lemon Jelly seja o melhor companheiro de qualquer aventura.

Apresentamos uma linha para mulheres com estilos que vão desde a clássica silhueta de bota Chelsea, a arrojados detalhes que marcam as tendências atuais.

calçado sustentável

Na Lemon Jelly afirmam que “nada é destruído, tudo é transformado”. Em que consiste na prática?

Como a principal matéria prima que utilizamos é o plástico, trata-se de um produto reciclável. Acreditamos que não há necessidade de destruir, e vemos uma oportunidade sustentável no facto de conseguirmos transformar esse material em algo que possa ser aproveitado e dado uma segunda vida.

Já conseguimos incorporar na nossa produção uma parte importante do desperdício que geramos e é importante que o consumidor perceba que a reciclagem dos termoplásticos é possível e que o realizamos.

Assim, além de práticos, totalmente impermeáveis e amigos dos animais, os sapatos da Lemon Jelly são, também, mais ecológicos.

Os sapatos da Lemon Jelly apresentam um material sustentável e único: SUGARFORM. Fale-nos um pouco sobre este material e do caminho percorrido para o seu desenvolvimento.

O SUGARFORM é um material que surgiu fruto da pesquisa por alternativas criativas e mais alinhados com a natureza. Procuramos estar em constante investigação e desenvolvimento de novos materiais, mas mantemos a nossa abordagem moderna, desportiva urbana e casual, ao mesmo tempo que reduzimos o impacto no equilíbrio natural do nosso planeta.

O SUGARFORM surge assim como a nossa escolha sustentável mais doce, pois é um material renovável de base biológica feito com 55% de cana-de-açúcar, um recurso renovável que captura e fixa o CO2 da atmosfera a cada ciclo de crescimento anual, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa. É um tipo de cultura que quase nunca é irrigado artificialmente, obtém o abastecimento de água necessário das chuvas em regiões produtoras estratégicas. A cultura da cana-de-açúcar também é controlada, para garantir que a biodiversidade seja mantida onde é cultivada, não ameaçando novas áreas de cultivo.

A sua integração nos nossos produtos torna-os numa opção que responde à nossa necessidade de possuir uma produção equilibrada e de desenvolvimento sustentável.

calçado sustentável

Desde 2019 a Lemon Jelly caracteriza-se como uma marca de calçado Animal Friendly, aprovada pela PETA. Como surgiu o despertar para a necessidade de serem uma marca vegan?

Sendo o calçado Lemon Jelly produtos de injeção, na área do plástico, não contemplam o uso de quaisquer materiais de origem animal. No entanto, isso não basta para termos a certificação de que somos uma marca vegan. Nesse sentido, trabalhamos com todos os nossos fornecedores para que desde a caixa, passando pela cola, até aos pigmentos, todos os nossos produtos e seus componentes correspondam a essa exigência.

Para nós é um selo de garantia, é uma política que marca, e no nosso produto fazia todo o sentido por compor o nosso leque de ideais ligados ao meio ambiente e à sustentabilidade.

Por outro lado, o facto de não usarmos peles permite-nos um posicionamento diferente face aos nossos concorrentes, sobretudo no mercado internacional de calçado.

Ao longo dos seus gomos de história, a marca recebeu diferentes prémios e nomeações. Mais recentemente, recebeu o prémio “Best Carbon Footprint Initiative” nos Sustainable Fashion Awards 2020. Qual a importância deste reconhecimento para a marca?

Este reconhecimento foi muito importante e marcante no nosso trajeto, pois significa que conseguimos fazer a diferença no mundo da moda/calçado. Cada passo que damos é feito de forma consciente e numa tentativa eficiente e criativa para sermos pioneiros no usufruto de uma indústria mais sustentável.

Desde há algum tempo a Drapers reconhece-nos como uma marca inovadora, nomeando-nos em várias categorias diferentes, mas este prémio distingue todo o nosso projeto ligado à sustentabilidade, reciclagem e circularidade.

Efetivamente, ao produzirmos calçado, nas nossas instalações alimentadas com energia 100% renovável, ao utilizarmos o nosso próprio desperdício de produção para integrar em novos pares e ao promovermos a circularidade dos produtos vendidos.

marca vegan - lemon jelly

Têm outras iniciativas sustentáveis relacionadas com a marca que gostariam de destacar?

Num mercado em constante crescimento e com preocupações ligadas ao bem-estar do planeta, é imperioso que façamos o nosso melhor, que invistamos em tecnologia e utilizemos alternativas criativas, que minimizem nosso impacto o máximo possível e estejam alinhadas com a natureza, ao mesmo tempo que criamos calçado de qualidade e duradouro.

Devido ao empenho de todos os colaboradores, na nossa próxima coleção de inverno já conseguimos que todo o calçado seja forrado 100% com matérias recicladas e todos os componentes de cor preta têm por base 50% de materiais reciclados.

Quem quiser adquirir o seu par de sapatos da Lemon Jelly, com um delicioso aroma a limão, onde o pode fazer?

Na nossa loja online poderão encontrar a coleção e campanhas completas com toda a nossa criatividade e informação sobre os nossos produtos.

Temos também vários parceiros e revendedores espalhados não só pelo país mas por todo mundo. Estamos presentes em mais de 800 pontos de venda em 40 países.

Foto Perfil LJ

José Azevedo Pinto

CEO da Lemon Jelly

Licenciado em 1995 em Gestão de Marketing pela universidade Fernando Pessoa, MBA AEP/ESADE em gestão Empresarial na edição 2002/2003, José Azevedo Pinto inicia a sua carreira na Procalçado em 1994 como assistente comercial, no entanto sempre muito próximo do desenvolvimento do produto, fruto das características do negócio. Após uma breve passagem na área industrial, no ano 2000 assumiu as funções de direção comercial e marketing da empresa, que só largou para assumir o lugar de CEO em 2010.

José Pinto, cresceu nos corredores da Procalçado, empresa criada em 1973 por José Ferreira Pinto, o seu pai, e que é ainda hoje uma empresa 100% familiar. Muitas dos colaboradores que trabalhavam na altura em que José era criança ainda hoje trabalham na Procalçado, o que garante a grande família que são, e o seu grande orgulho é dar continuidade ao trabalho do seu pai.

A Lemon Jelly nasce em 2013, através de uma grande vontade de inovar e crescer. Sempre sentiu que a ligação e interesse pelo setor da moda já perdurava há muitos anos, pois cresceu com a marca ForEver- uma das marcas do grupo Procalçado-, que trabalha para as melhores casas de moda internacionais.

José Pinto sempre mostrou uma enorme preocupação com estilos de vida responsáveis, pela conservação ambiental e desenvolvimento social, e integra esses valores na empresa. Nesse sentido, a Lemon Jelly caminha cada vez mais para uma produção sustentável e produtos que possam sempre integrar em novos ciclos de vida, para que nada seja desperdiçado.

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A marca Lusquinos conta com mais de trinta anos de experiência na indústria do calçado. Os desafios colocados pelo mundo empresarial evidenciaram a necessidade de repensar toda a sua estratégia e processo produtivo. Assim nasceram os artigos que hoje apresenta: únicos, intemporais e biodegradáveis da sola ao cordão!

Francisco Lusquinos, CEO da marca, explicou-nos o porquê da Lusquinos ser mais do que uma marca de calçado. É um projeto que procura soluções para a criação de calçado sustentável e biodegradável, sem presidir da qualidade e do design.

Lusquinos: qual a origem e história desta marca?

A marca Lusquinos nasceu em 2006, no concelho de Felgueiras, com o objetivo de criar uma marca diferenciadora no mercado. Lusquinos provém do nome de família o que acrescenta um valor ainda mais especial ao projeto.

Com mais de trinta anos de experiencia na indústria do calçado e numa era onde se levantam tantas questões ambientais, surgiu uma necessidade enorme de criar algo único, diferente e que contribui-se para a manutenção do nosso planeta. Esta necessidade obrigou-nos a olhar para marca e repensar toda a nossa estratégia e todo o nosso processo produtivo.

Foi então que decidimos criar o nosso calçado constituído na sua totalidade por componentes orgânicos, tornando-o assim num produto sustentável e biodegradável.

calçado biodegradável

Como definem a Lusquinos?

Podemos definir a Lusquinos com o nosso lema: “Sem metal. Sem plástico. Sem cedências.” A marca Lusquinos é uma marca preocupada com o futuro, preocupada com a sustentabilidade assente nos três pilares: económico, social e ambiental.

 

Quais são os materiais que compõem o vosso calçado? O que vos motivou a optar por estes materiais e não outros?

Os materiais que compõem o nosso calçado são orgânicos e biodegradáveis. Desde o crepe, oriundo das árvores seringueiras, e a cortiça nas solas; o algodão orgânico no forro e cordões; fibras naturais de milho e kenaf nas palmilhas; e o bio couro. A escolha dos nossos materiais teve em conta vários fatores: as caraterísticas de biodegrabilidade, já mencionadas, e o tipo de produção, pois eliminamos matérias resultantes de produções intensivas que como sabemos são prejudiciais ao ambiente. É muito importante para nós garantir que os nossos fornecedores também possuem uma cultura de sustentabilidade e respeitam o ambiente e as pessoas com quem colaboram. Privilegiamos sempre parceiros locais.

As escolhas dos materiais bem como dos processos utilizados não são definitivas, continuamos na procura constante de novas soluções sempre com o objetivo de reduzir a nossa pegada de carbono. Atingimos o produto desejado, o produto orgânico e biodegradável mas a melhoria contínua está no nosso ADN.

calçado biodegradável formal

De que outra forma a sustentabilidade está integrada ao longo do processo de produção e distribuição?

Todo o processo de produção, bem como distribuição é apoiado na sustentabilidade. O nosso calçado é feito de forma artesanal, numa fábrica local onde existe uma preocupação visível com o ambiente e com os seus colaboradores e condições de trabalho. Os processos produtivos são pensados de forma a otimizar todos os recursos, tanto materiais como energéticos. A distribuição talvez seja dos fatores mais difíceis de controlar, devido às opções que existem no mercado. Mas ponderamos e optamos pelas soluções com menos impato para o ambiente sempre que possível. O fato de privilegiarmos fornecedores locais, além de contribuirmos para a economia local, também contribui bastante para a redução desse impato.

 

O que distingue os artigos da Lusquinos das restantes marcas que têm investido na sustentabilidade, é o facto do seu calçado ser biodegradável. Fale-nos um pouco sobre as características deste conceito e o processo necessário para chegarem ao produto final.

Quando decidimos criar um produto sustentável, uma das soluções que esteve em cima da mesa prendeu-se com a reciclagem e reutilização de plásticos. No entanto, tomamos consciência do ciclo vicioso que existe com a constante produção de plásticos e concluímos que é fundamental quebrá-lo. Claro que somos 100% a favor de produtos reciclados e da reutilização, porém nem todos os plásticos são reciclados ou reutilizados acabando por prejudicar o ambiente como infelizmente vemos. Reforçamos que a reciclagem e a reutilização são medidas essenciais e felicitamos as empesas que permitem dar uma nova vida a estes produtos. Mas precisamos que o mundo da moda mude, precisamos de dar aos consumidores novos produtos e reduzir os resíduos nocivos para o ambiente. Com esta visão iniciamos a nossa aventura na criação de calçado livre de mateis e plásticos. Calçado que no fim da vida não contribua para a condenação no nosso planeta. Foi então que procuramos soluções para que o nosso calçado fosse constituído por materiais todos eles orgânicos tornando o calçado biodegradável da sola ao cordão.

Acreditamos que o futuro tem de passar por aqui!

calçado biodegradável

O calçado Lusquinos pode ser dividido, essencialmente, em duas categorias: casual e formal. Quais as principais características de cada uma e qual destas tem maior procura?

Procuramos abranger todos os consumidores conscientes, com todo o tipo de gosto e estilo, por isso criamos uma linha formal e outra casual.

Em comum tem o conforto! A linha formal foi pensada nos consumidores que não prescindem do sapato clássico e a linha casual foi pensada nos consumidores com um estilo mais descontraído, embora que a linha formal também fica muito gira num estilo desconstruído com umas jeans e t-shirt. No fundo revitalizamos modelos intemporais com materiais sustentáveis.

Devido  à situação pandémica e à consequente ausência de eventos sociais, tem tido mais procura os casuais.

 

Qual a principal fonte de inspiração para os vossos artigos?

Quando falamos em sustentabilidade vem-nos de imediato à cabeça palavras como durabilidade e longevidade, o que nos remeteu para modelos intemporais.

O nosso calçado formal foi inspirado num estilo Oxford, num estilo que ainda hoje se mantém atual e com design. Os casuais foram inspirados nos sneakers. Os primeiros sneakers surgem no século XIX, mais tarde as suas solas começaram a ser feitas com borracha sendo batizados por plimsolls, e ainda hoje é o tipo de calçado mais procurado. O nosso calçado, inspirado nos modelos mencionados, tinha que reunir as seguintes caraterísticas: conforto, moda e design, intemporalidade e claro ser sustentável e biodegradável. Assim, criamos o nosso calçado, o nosso ADN!

calçado biodegradável

Para quem viu estas imagens e já está ansioso por comprar um par de sapatos Lusquinos, onde o pode fazer?

Pode adquirir um Lusquinos na nossa loja on-line, ou então nas plataformas: Overcube; Bombinate; Wolf & Badger; e Fair Bazaar.

Também pode encontrar nas seguintes lojas: Feeting Room (Porto e Lisboa); Armazém 66 (Viana do Castelo); Single Fin (Esposende); Oxalá (Évora); Alma de Alecrim (Aveiro); Bosque Concept Store (Vila do Conde).

Foto Perfil lusquinos

Francisco Lusquinos 

CEO Lusquinos

“O meu interesse pelo mundo da moda, em concreto pelo fabrico de calçado, ganhou expressão em 1984 quando fui a uma feira internacional, em Londres. A primeira de muitas. Nessa altura, decidi que era a área profissional que queria abraçar e ambicionei criar uma marca de calçado. Após anos de experiencia na indústria do calçado, tanto na área comercial como na área criativa, após muitas conquistas e desafios ganhos achei que tinha chegado a hora de avançar com a criação da nossa própria marca. Com o olhar no presente mas também no futuro, decido criar a Lusquinos.”

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Animais, Planeta e Pessoas: Estes são os três pilares da NAE. Marca portuguesa de acessórios e calçado vegan, ecológico e ético. A sigla que deu origem ao seu nome deriva da sua missão de produzir artigos únicos, sem exploração humana ou animal.

“Aquilo que sentimos é que o calçado português é cada vez mais reconhecido em todo o mundo e o carimbo de qualidade é indiscutível”, partilha Paula Pérez fundadora da NAE, relativamente à perceção do selo Made In Portugal a nível internacional.

Quem é a NAE? De onde veio a ideia para criar esta marca?

A nae é uma marca vegan, ecológica e ética de calçado e acessórios. Foi criada em 2008 com o propósito de ser uma alternativa ética e sustentável ao calçado existente, adotando os princípios do veganismo à indústria do calçado. Veja mais sobre os três pilares da marca aqui.

calcado vegan

NAE: O que significa esta sigla e que mensagem pretende transmitir?

NAE é a sigla de “No Animal Exploitation” (Não à Exploração Animal). O nome transmite a nossa missão: propor uma alternativa amiga dos animais e contra a exploração humana. Os nossos sapatos e acessórios são 100% vegan. Nenhum dos produtos é feito de pele animal, pelo ou quaisquer outros subprodutos da carne. Optamos unicamente por materiais sintéticos, reciclados e naturais.

 

A NAE surgiu em 2008, numa altura onde a necessidade de adotarmos gestos mais sustentáveis ainda não estava tão disseminada. Como foi a reação das pessoas perante a vossa marca?

A nae surgiu numa altura em que pouco se falava do veganismo de uma forma geral. E muito menos se falava no veganismo no calçado. Por isso, a reação das pessoas foi de alguma estranheza mas também de muita curiosidade. Essa curiosidade foi muito importante para nós na altura porque permitiu-nos explicar que sapatos vegan não eram sapatos de plástico, e foi assim que fomos conquistando o nosso público. Na verdade, a curiosidade é muito importante para nós ainda hoje porque dá espaço à informação e à mudança.

mala vegan nae

 

Que tipo de produtos podemos encontrar na NAE? Têm algum best-seller?

Temos desde calçado desportivo até ao calçado mais clássico. Para complementar temos também vários tipos de acessórios como malas, carteiras, cintos e suspensórios. Os materiais que usamos são também variados e, portanto, podemos dizer que a nossa gama de produtos é bastante completa. Os nossos best-sellers são talvez os produtos mais descontraídos, não só por serem confortáveis, mas porque se conseguem adaptar a vários looks e ocasiões. Apostamos em coleções funcionais e confortáveis ​​com o objetivo claro de oferecer aos nossos clientes a oportunidade de encontrar num único par de sapatos o conforto e a versatilidade que procuram. Na nae acreditamos que ‘menos é mais’. Não é por acaso que é disso mesmo que a nossa coleção de verão fala. Por exemplo, as sandálias Bay são um modelo unissexo que foi produzido em 3 cores neutras, e que possui uma palmilha ergonómica que se adapta perfeitamente ao formato do pé.

 

Os materiais que utilizam para produzir o vosso calçado são bastante diversificados. Fale-nos um pouco sobre o tipo de materiais que mais utilizam. Como é feita essa escolha?

A nossa preocupação quando fazemos pesquisa de materiais é que o material seja 100% de origem vegetal, sustentável (quanto mais natural melhor), resistente o suficiente para calçado e produzido sem recurso à exploração humana. É um desafio interessante porque por vezes um material tem tudo o que queremos no que diz respeito à sua composição e aos níveis de sustentabilidade mas depois não é resistente e chumba no centro tecnológico do calçado. Já não podemos usar. Ou o material é extremamente resistente e a sua origem é 100% vegetal mas os níveis de sustentabilidade são baixos ou a sua produção é duvidosa. Já não usamos também. É muito difícil encontrar este equilíbrio que para nós é muito importante e para os nossos clientes também. É com esta pesquisa exaustiva que conseguimos garantir a qualidade a todos os níveis dos materiais que usamos.

calçado vegan

 

Se tivessem de descrever os vossos artigos com três palavras, quais escolheriam? E porquê?

Animais, Planeta e Pessoas porque são os três pilares da nae.

Animais porque não usamos materiais de origem animal em nenhum dos nossos produtos;

Planeta porque os materiais que usamos são sustentáveis e ajudam a minimizar o impacto no meio ambiente;

Pessoas porque valorizamos os direitos humanos e não apoiamos nenhuma empresa que pratique qualquer tipo de exploração humana.

 

A sustentabilidade não é só a nível ambiental, e a NAE sabe disso. De que forma garantem a ética laboral de quem trabalha com a marca?

Começamos por garantir a ética laboral na própria nae. Valorizamos cada membro, dando-lhe todas as condições laborais para que juntos possamos todos crescer. Porque somos uma equipa. Depois, a nossa relação com as fábricas e fornecedores. Os nossos sapatos são manufaturados em quatro fábricas no norte de Portugal, com as quais mantemos um contacto permanente. Tanto as fábricas como os espaços laborais associados à NAE Vegan Shoes são regidos por um protocolo de Higiene, Segurança e Saúde no trabalho e um Código de Ética e Conduta.

As nossas relações profissionais são estabelecidas com empresas, fornecedores e parceiros que privilegiam a ética laboral e valorizam os seus colaboradores.

cinto vegan nae

O calçado NAE é “Made in Portugal” e é exportado para todo o mundo. Na vossa opinião, como é percecionado este selo a nível internacional?

Ao longo destes 13 anos, aquilo que sentimos é que o calçado português é cada vez mais reconhecido em todo mundo e o carimbo de qualidade é indiscutível. E deixa-nos muito contentes saber que também a nae faz parte deste caminho de internacionalização do selo ‘Made in Portugal’. Aliamos a excelente qualidade da produção nacional a materiais sustentáveis e livres de crueldade animal. Isso só nos pode deixar orgulhosos.

 

Onde podemos encontrar o calçado da NAE à venda?

O nosso site foi a nossa primeira loja, a chamada loja virtual. É daqui que comunicamos para mundo. Hoje, para além do site, temos uma loja física em Lisboa, no LxFactory, e estamos prestes a abrir outra no Chiado.

foto nae

Paula Pérez

Criou a NAE em 2008 com seu marido, Alex. Nos últimos 13 anos têm desenvolvido a NAE no sentido de trazer mais sustentabilidade ao negócio da moda. Com mestrado em Gestão da Informação e licenciatura em Matemática Aplicada, Paula decidiu lançar a NAE vegan shoes para testar sua veia empreendedora e desenvolver um negócio com os valores com os quais se identifica.

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