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A IVORY WORLD é uma marca de moda sustentável que apela à solidariedade e quer falar sobre causas sociais e ambientais. Está inteiramente relacionada com o tema da Saúde Mental e do ambiente, e, por essa mesma razão, produzem roupas sustentáveis com mensagens de apoio.

Francisco Soares, CEO e founder da marca, tem noção que “centenas e se calhar até milhares de pessoas começaram a pedir ajuda e a procurar terapia olhando para o problema com uma naturalidade saudável”, por isso, a Ivory World vai além de ser uma marca de roupa e quer apoiar quem os procura para pedir ajuda.

Esta entrevista serviu para perceber como iniciou este projeto, qual o impacto que a marca tem tido na vida dos clientes, quais os seus próximos passos e muito mais.

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Como surge a ideia de criar a IVORY WORLD e qual a origem do nome?  

A IVORY WORLD era um projeto pensado há já algum tempo. Arrumado numa gaveta à  espera da oportunidade certa para vir ajudar a sua comunidade. A pandemia COVID-19 foi a  porta de abertura para se iniciar o caminho da IVORY ao começar com o Projeto #flattenthecurve no qual doamos 100% dos lucros para a instituição Noaupluscare que  distribuiu cabazes durante a pandemia. No início a ideia era criarmos uma marca que apoiasse diversificadas e importantes causas através das diferentes cores presentes nas peças vendidas  ao cliente, revertendo parte dos lucros para a causa respetiva. Ainda assim, percebemos que  havia um problema crescente e com pouca expressão e com os holofotes necessários desligados. Foi aí que decidimos incidir maioritariamente o nosso portefólio para a Saúde Mental. Isto, devido à nossa proximidade com a doença e com a experiência que eu passei e, que ainda sentimos ser um tema TABU e muito pouco falado na primeira pessoa com a importância que lhe é devida.  

O nome IVORY surgiu de uma viagem que o Afonso (meu irmão) realizou à Tailândia na qual  presenciou um maior contacto com os Elefantes. De facto, era muito falado na altura e ainda  hoje em dia no problema da possibilidade da extinção de algumas espécies de elefantes devido  ao massacre “assassino” destes animais para o comércio do seu marfim. Aliado à experiência  que a viagem proporcionou fez-nos sentido impor à marca este nome e conceito de querer  proteger a comunidade. E o nome faz alusão, através deste exemplo, isso mesmo (vamos juntos  ajudar a fortalecer a comunidade). 

De que forma a produção dos produtos é sustentável? Não em relação ao produto final, mas sim  em relação à produção completa do produto.  

Os materiais que utilizamos no fabrico dos nossos produtos são 100% sustentáveis. Apesar de  o processo não ser totalmente, ainda (estamos a trabalhar nisso), sustentável – o envio das  peças internacionais é feito por avião– o envio da peça para o cliente português já é feito por  mota (por vezes elétrica, queremos que seja sempre num futuro próximo) que já um processo  menos poluente. Além disso, o tingimento dos nossos tecidos é feito com cores naturais sem  químicos.  

As nossas fábricas estão ao abrigo da Fair Wear Foundation que visita numa ótica regular as  fábricas para garantir que as mesmas estão a cumprir os direitos dos trabalhadores (horários  justos sem sobre-exploração de horas nem trabalho infantil, assim como garantir que têm  condições laborais, sociais e ambientais no trabalho como a promoção da saúde ao não  estarem expostos a certos químicos e poluentes muitas vezes encontrados nestes processos de  fabrico.)

 

Na produção dos vossos artigos utilizam algodão orgânico e polyester reciclado. Sentem que as pessoas valorizam esse fator?

Sinceramente já acreditei mais. Sinto que as pessoas estão um pouco saturadas do greenwashing; muitas vezes já não acreditam quando o produto diz que é sustentável; ou  quando há várias tentativas de enganar o cliente dizendo que o produto é reciclado quando  nem 5/10% do mesmo é reciclado. Estes e outros fatores contribuem para a desinformação e  desacreditação dos que querem fazer transparentemente e com brio os seus produtos sustentáveis.  

O que sentimos realmente é que se não fores uma marca já estabelecida no mercado e não  enveredares pelo ramo sustentável a tua longevidade será curta.  

Conseguem estimar qual o impacto positivo que a IVORY WORLD teve no planeta desde a  criação da marca?  

Acima de tudo acho que o impacto positivo não foi ao nível ambiental, mas mais no impacto no Ser  Humano (“bestie” na IVORY). Recebemos muitas, mesmo muitas mensagens de agradecimento pelo que  estamos a fazer e pela forma como impactamos as pessoas. Sabemos que centenas e se calhar até milhares  mesmo começaram a pedir ajuda e a procurar terapia olhando para o problema com uma naturalidade saudável. Muitos dos nossos “besties” sentiram-se inspirados com a nossa palavra e com as nossas  mensagens e maneira de abordar cada “bestie”. Recebemos agradecimentos pelo facto de poderem  representar a sua causa através das mensagens que usamos nas nossas roupas espalhando-a pelo mundo  com um sorriso na cara. Foi talvez, nas nossas palavras, que muitas pessoas viram a força de atacar o  problema de frente e parar de fugir dele.  

Espantosamente, penso que foi quando nos enviaram tatuagens das nossas mensagens que percebemos o  real impacto que temos na vida das pessoas. Uma tatuagem não é apenas uma peça de roupa, é algo que  está permanentemente no corpo e que espalha a mensagem 24/7.  

Além disso, sinto que ajudamos também através dos pareceres que as instituições nos facultam aquando  dos nossos donativos.  

Tendo em conta que se trata de uma marca que defende a sustentabilidade, estão presentes em  algumas iniciativas/eventos nesse sentido, para além da venda de produtos sustentáveis?  

Visto que o nosso foco está agora aliado a sermos uma marca sustentável na Saúde Mental e a  promoção da mesma, estamos a concentrar os nossos esforços neste sentido ao apoiarmos  quem nos procura ajuda através dos nossos psicólogos. E até estamos a pensar como poderemos ajudar de uma forma mais eficaz. Os eventos e iniciativas nos quais queremos  estar servirão para podermos sentir que estamos a chegar a cada vez mais gente e que apoiamos e abraçamos cada vez mais “Besties”.  

Não obstante disso, sendo o nosso foco principal, ajudamos várias instituições nos seus  eventos. Dando o exemplo da Lovingtheplanet do nosso querido amigo Eduardo Rêgo, no qual  estamos presentes nas suas iniciativas e estamos sempre abertos a ajudar.  

Mas sejamos sinceros, o nosso objetivo é contribuir a ajudar ao máximo instituições que  promovam e operacionalizem estes eventos e da nossa parte o objetivo é abraçar e ajudar mais  “besties” para uma Sociedade consciente e feliz. 

 Quais os próximos passos para este projeto?

O primeiro GRANDE próximo passo envolve criar um espaço físico no qual podemos juntar toda a nossa comunidade para poderem conversar, trocar ideias, humanizar-se e sobretudo  apoiarem-se e sentirem-se bem, confortáveis e felizes. Além de poderem também comprar as  nossas peças e poderem estar num safe space para poderem ler e partilhar emoções “anónimas”. A nossa presença atualmente é muito digital e queremos muito poder estar  presentes fisicamente – para podermos dar um verdadeiro abraço.  

Por outro lado, o segundo GRANDE passo que queremos implementar está relacionado com  apoio psicológico. Queremos poder fornecer eficazmente um meio de ajuda para os que nos pedem auxílio e apoio nos momentos mais difíceis. Estamos a trabalhar neste sentido e durante este ano poderemos ter novidades.  

Por fim, o terceiro GRANDE passo que queremos dar é internacionalizar e ajudar mais  pessoas. Sobre isso, até ao fim do ano acho que poderemos dar novidades. Posso dizer que  será uma cidade muito parecida à nossa imagem. 

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Francisco Soares,

CEO e Founder da IVORY

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