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“A sustentabilidade nunca teve tanto destaque na agenda das compras como até agora” afirma Carlos de Llera, responsável pela área de Consultoria de Sustentabilidade & Alterações Climáticas da BearinPoint. Nesta entrevista ficamos a conhecer mais sobre os desafios que as empresas enfrentam no processo de transição para uma gestão mais sustentável.

A BearingPoint é uma empresa multinacional de consultoria de gestão e tecnologia. Qual a sua missão na ótica da sustentabilidade?

A sustentabilidade é atualmente um tema-chave para a competitividade das organizações e não apenas uma mera questão de marketing ou reputacional. O conceito de sustentabilidade tem vindo a evoluir, estando em cima da mesa o termo “ESG”, pelas suas siglas em inglês Environmental, Social and Governance. Este termo refere-se a um conjunto de fatores não financeiros (de sustentabilidade) que podem influenciar as atividades de uma organização ou vice-versa, e que têm vindo a ganhar grande relevância, entre a comunidade de investidores e outras partes interessadas, ao longo dos últimos anos.

Na BearingPoint integramos a sustentabilidade no nosso dia a dia. Através do nosso programa interno ‘Sustainable by Design’ temos a ambição geral de incorporar a sustentabilidade nas nossas atividades. Isto significa enriquecer de forma proativa a perspetiva económica, integrando considerações ecológicas e sociais. No contexto da nossa Estratégia 2025, estabelecemos metas de sustentabilidade ambiciosas e progressivas e necessitamos de garantir que são aplicadas a tudo aquilo que fazemos. É isto que queremos dizer com Sustainable by Design.

Além disso, mas não menos importante, na BearingPoint Portugal temos a preocupação constante de desenvolver a nossa oferta de Consultoria em Sustentabilidade e Alterações Climáticas (estratégia ESG, alterações climáticas, melhoria do desempenho ESG, reporting ESG, índices e ratings ESG, entre outros) de modo a garantir que conseguimos ajudar e acompanhar as preocupações e expetativas dos nossos clientes, também na sua jornada da sustentabilidade.

 

A seu ver, de que maneira podem as empresas iniciar a sua jornada na sustentabilidade?

O caminho da sustentabilidade é um processo gradual e desafiante, mas com muitos benefícios. É importante que uma empresa realize um diagnóstico inicial, para entender qual é o seu ponto inicial de partida e compreender alguns aspetos relevantes, tais como quais são os desafios do setor, os riscos e oportunidades ESG associados, as expetativas e preocupações dos seus stakeholders e como se posiciona o seu desempenho face aos pares. É importante também conseguir identificar e priorizar os aspetos materiais da organização. Esta identificação deve considerar uma perspetiva de dupla materialidade, isto é o impacto da organização no aspeto relevante (e.g. alterações climáticas, biodiversidade, direitos humanos) vs. impacto do aspeto relevante na organização. Quando se tem uma visão clara de todos estes pontos, a organização estará numa melhor posição para definir a sua visão e ambição de sustentabilidade, a curto, médio ou longo-prazo, perspetivando onde se ambiciona chegar e de que maneira. Neste sentido é fundamental estabelecer objetivos e metas, identificar ações a implementar, timings de implementação e responsáveis pelo seu cumprimento. Por último, a transparência na medição, reporting (interno e externo) e auditoria, é cada vez mais um fator diferenciador para as organizações serem capazes de atrair e reter investimento, bem como para a boa gestão da empresa e para a reputação da mesma.

Ter uma medição das emissões de carbono é um fator-chave de sucesso. Como podem as empresas implementar esse cálculo?

Medir e compreender os impactos climáticos é um passo fundamental para mitigar as alterações climáticas e os seus impactos, sendo essencial entender primeiro o conceito de pegada de carbono. Para o cálculo da pegada de carbono é relevante identificar e quantificar o maior número de fontes de emissão, de modo que o inventário de emissões seja o mais completo possível, desenhando uma imagem realista dos impactos da organização. A pegada de carbono compreende uma ampla variedade de fontes de emissão, como as emissões diretas (e.g. consumo de combustíveis fósseis), emissões indiretas (e.g. aquisição de eletricidade) e outras emissões indiretas, associadas à cadeia de valor, a montante e jusante das operações (onde, dependendo do setor de atividade, pode representar a maioria das emissões). As empresas costumam realizar o cálculo de forma interna (in-house) ou através de ajuda externa (consultores), tendo por base um conjunto de informação relevante, como dados de atividade da organização, informação de terceiros (e.g. fornecedores), bases de dados e ferramentas específicas e referenciais metodológicos internacionais para o cálculo (e.g. GHG Protocol).

 

Quais os maiores desafios da BearingPoint em orientar uma empresa a adotar comportamentos sustentáveis?

O caminho da sustentabilidade, como qualquer processo transformacional, pode enfrentar diferentes entraves e desafios. Contudo, os benefícios e o retorno esperados serão sempre, na minha opinião, compensatórios. Como desafio comum às organizações, destacaria a definição e medição de KPI relevantes de sustentabilidade, adaptados à realidade da organização. Para muitos gestores, medir, analisar e interpretar este tipo de KPI é uma prática relativamente recente, pelo que existe uma necessidade clara de obter orientação e exemplos de outras organizações. Outros desafios podem passar pela transformação cultural de uma organização, a necessidade de formação sobre os diferentes temas, o estabelecimento de um modelo de governo adequado e a implementação e desdobramento de objetivos e metas de longo-prazo em toda a organização (e.g. ao nível de produtos/marcas, departamentos, países ou regiões, entre outros), principalmente em grandes organizações, com uma ampla diversidade cultural ou em estágios diferentes de maturidade relativamente à sustentabilidade.

Quais as conclusões mais importantes retiradas a partir do “Sustainable procurement pulse check 2021”?

A BearingPoint conduziu um estudo global sobre compras sustentáveis a mais de 600 participantes da Europa, Estados Unidos e Ásia. Através da resposta a diversas questões relacionadas com os desafios, barreiras e alavancas para a implementação das compras sustentáveis, o estudo fornece uma visão clara sobre o status quo. O inquérito mostra que uma transformação nas compras sustentáveis é o próximo CEO challenge, inspirando os líderes e as suas equipas a agirem de forma sustentável. Deixa claro que a sustentabilidade nunca teve tanto destaque na agenda das compras como até agora, havendo um consenso entre regiões, setores e equipas, em que ter uma abordagem de compras sustentáveis é vital para o sucesso futuro da organização. Contudo, são identificados diferentes desafios e barreiras, como a existência de gaps entre a perceção da gestão de topo e das equipas operacionais, o que pode impedir que a estratégia de implementação seja bem-sucedida. Por outro lado, as ausências de orçamento, de formação diversa e de colaboração de fornecedores, são referidas como entraves à execução holística de projetos de sustentabilidade. Por último, medir e monitorizar as emissões de carbono da cadeia de valor é um fator-chave e diferenciador para o sucesso da organização, deixando as empresas mais bem preparadas para enfrentar os desafios da descarbonização.

Considera que o investimento IT nas empresas pode contribuir para a mitigação das alterações climáticas?

Sem dúvida. Um dos principais desafios associados à medição e gestão de KPI de sustentabilidade (incluindo informação climática e emissões de gases com efeito de estufa (GEE)) é a fraca automatização nos processos de transformação e gestão de dados, assim como a dispersão e a fiabilidade dos mesmos devido à elevada quantidade de processos manuais. Apesar de não ser uma prática standard em Portugal, o investimento em IT e a utilização de ferramentas digitais na transformação e gestão de dados ESG reporta inúmeros benefícios para as organizações, podendo contribuir significativamente, e de forma tangível, para a mitigação das alterações climáticas.

Para colmatar esta lacuna, e como oferta de serviços, a BearingPoint desenvolveu para os seus clientes a ferramenta digital (BearingPoint Emissions Calculator) (BEC). Esta solução de IT, baseada na cloud, permite calcular as emissões de GEE (âmbitos 1, 2 e 3) e tem por base as melhores práticas de quantificação e reporte e uma metodologia certificada. Permite a recolha automática de dados, realizar avaliações completas Cradle-to-Grave e cenarizar diferentes what-ifs. A solução permite que a organização tome decisões de negócio com base em dados e informações reais, centralizadas num único lugar, com apoio de insights derivados de ferramentas analíticas. Ter uma visão abrangente de qual região, linha de negócio ou produto é responsável pela maioria das emissões de GEE da organização permite que a mesma tome decisões informadas, atuando no momento e lugar exatos, com o objetivo de cumprir as suas metas de redução de emissões de GEE, contribuindo significativamente para a mitigação das alterações climáticas.

 

Quais os próximos passos para a BearingPoint para atingir um planeta mais verde?

Conforme referido anteriormente, através do nosso programa Sustainable by Design, temos a ambição de incorporar a sustentabilidade nas nossas atividades diárias. Decidimos adotar uma abordagem mais holística para avaliar a nossa pegada de carbono em toda a firma. Através do nosso grupo de trabalho internacional dedicado, ‘(E)mission Zero’, cuidamos da agenda de descarbonização da empresa. Com a aplicação da nossa ferramenta BEC, fomos capazes de construir rotinas de dados para as emissões associadas às viagens de negócio (as mais relevantes na nossa realidade), mas também para outras fontes de emissão, como as emissões dos escritórios, dos equipamentos de IT e das deslocações pendulares (viagens casa-trabalho-casa). Em conformidade com a abordagem da SBTi, e em linha com os compromissos internacionais, a BearingPoint comprometeu-se recentemente com a redução das suas emissões de GEE em 50% até 2025 (tendo como ano base 2019), alinhado com o compromisso 1,5ºC. Pretendemos que esta meta seja aprovada brevemente pela SBTi e está a ser realizado um trabalho contínuo com os diferentes países e firmas para que possam contribuir, conforme necessário, para este plano de redução, revendo as políticas de viagens, promovendo a aquisição de energia renovável e refletindo sobre a forma e métodos de trabalho atuais. Existem outras iniciativas historicamente implementadas como a compensação de emissões, assim como outras iniciativas de cariz ambiental e social que contribuem, de forma inequívoca, para um planeta mais verde.

Por último, mas não menos importante, face ao nosso ADN e modelo de negócio, procuramos desafiar, ajudar e acompanhar os nossos clientes também no seu caminho de descarbonização das suas atividades e cadeias de valor, através dos serviços de consultoria em sustentabilidade e alterações climáticas.

Carlos de Llera

Carlos de Llera é responsável pela área de Consultoria de Sustentabilidade & Alterações Climáticas na BearingPoint Portugal. É licenciado em Engenharia do Ambiente, pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL, com Mestrado em Gestão e Sistemas Ambientais pela mesma universidade. Possui mais de 12 anos de experiência profissional como consultor e auditor de sustentabilidade e trabalhou durante mais de uma década na PwC Portugal, tendo assumido recentemente funções na BearingPoint Portugal.

Enquanto consultor, participou e dirigiu inúmeros projetos de sustentabilidade, associados à definição de estratégias ESG, envolvimento e auscultação de stakeholders, economia circular, consultoria diversa na área das alterações climáticas (e.g. pegada de carbono, estratégia, TCFD, SBT, CDP, entre outros), índices e reporte ESG, formação certificada em temas de sustentabilidade, auditoria e verificação de informação ESG, entre outros.

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O Bankinter renovou a sua posição na lista das empresas que integram o Dow Jones Sustainability Index (DJSI) mundial. Desta forma, o Banco continuará a figurar, pelo quarto ano consecutivo, no mais conceituado índice internacional na área da sustentabilidade.

Ao revalidar a sua permanência no DJSI, o Bankinter vê reconhecida a sua política de Sustentabilidade, que tem implementado através de sucessivos planos.

Pedro Guerrero, Presidente do Bankinter e também Presidente do Comité de Sustentabilidade do Banco, afirmou que “continuar a fazer parte do Dow Jones Sustainability Index é, naturalmente, um grande reconhecimento do nosso desempenho guiado pelos critérios ambientais, sociais e de governo, denominados ASG, mas também nos incentiva, como banco, a prosseguir no caminho traçado, já há alguns anos, relativo à sustentabilidade. Manteremos os nossos esforços para avançarmos ainda mais e sermos um Banco que contribua para o desenvolvimento sustentável e inclusivo”.

O Bankinter está incluído no DJSI, fazendo parte do grupo dos 24 bancos com a melhor gestão integrada do mundo nos critérios ASG (ambiental, social e bom governo corporativo). A escolha foi divulgada recentemente pela S&P Dow Jones Indices, após análise de um total de 242 instituições financeiras internacionais.

O Bankinter obteve a pontuação máxima nas áreas de gestão da relação com os Clientes e de reporte de informação ambiental e social, sendo de destacar também os aspetos relacionados com a atração e retenção de talento, práticas laborais, o desenvolvimento do capital humano, estratégia fiscal e a proteção da privacidade.

Da mesma forma, o Banco continuará a fazer parte do Dow Jones Sustainability Index europeu, no qual está inserido no grupo dos nove melhores bancos em gestão sustentável. 

Para o Bankinter, a permanência nestes índices bolsistas é fundamental, pois representa o reconhecimento do esforço de todos os profissionais que o integram, sendo a sustentabilidade uma prioridade estratégica e cada vez mais transversal na organização. 

A instituição aborda a sua gestão ambiental assumindo o desafio e a responsabilidade de operar com o máximo de respeito pelo ambiente, tomando as medidas necessárias para atenuar o seu impacto ambiental direto e indireto, contribuindo assim para o combate ao fenómeno das alterações climáticas.

Para isso, o banco identificou, mediu e controlou tanto os impactos diretos que a sua atividade produz, como os indiretos gerados nas operações de financiamento e investimento, bem como na gestão responsável da cadeia de fornecedores e subempreiteiros.

Para além disso, o Bankinter calcula a pegada de carbono associada ao uso dos canais de comunicação à disposição dos seus clientes, para fomentar e favorecer o uso dos canais mais ecológicos.

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