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A sustentabilidade não passa somente por encontrar alternativas ao uso de plástico ou reduzir o desperdício. Prende-se também com um estilo de vida mais simples e minimalista. E é precisamente esse conceito que defende a Alma de Alecrim.

À conversa com Filipa Gomes de Sousa percebemos a importância de olharmos para este outro lado da sustentabilidade. Falámos sobre simplicidade e minimalismo, empatia pelos outros e sentido de comunidade. Tudo isto representam pequenos passos que podemos dar para que a nossa vida na terra seja mais sustentável.

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Alma de Alecrim: nasceu a partir de um blogue que rapidamente cresceu e deu origem a uma loja online. De onde veio a ideia para este projeto e qual a origem do seu nome?

Eu e o Pedro (Cerqueira), meu marido, conhecemo-nos há pouco mais 5 anos, e sentimos necessidade de ter um projeto comum. O Pedro é fotógrafo, e acumulávamos fotografias das nossas viagens, das receitas que fazíamos juntos, e da nossa nova vida em comum. Sempre adorei as fotografias dele, mas tinha pena de ficarem “na gaveta”, e por isso decidimos partilhá-las. Eu sempre adorei escrever, juntámos fotografias e texto, e assim surgiu o blogue, como se fosse o nosso álbum de memórias!

O nome “Alma de Alecrim” foi pensado a partir da palavra “Alma”, que adoro mas porque, acima de tudo, descreve o que sinto quando escrevo. “Alecrim” veio do lado gastronómico que apaixona o Pedro: adora cozinhar e fotografar comida. 

Outros gostos comuns começaram a juntar-se a este conceito, como o minimalismo, o design, e a criatividade, e era frequente encontrarmos lugares ou objetos que admirávamos e “namorávamos” de longe.

Na altura eu trabalhava na indústria alimentar, mas já não era feliz nesse meio. Despedi-me e partimos à aventura!

Resolvemos avançar e abrir uma loja online, com objetos originais, com design, e que promovem uma vida mais simples. Ao mesmo tempo, começámos a sonhar com uma loja física, que abrangesse o conceito do blogue e da loja online.

 

Para além de loja online dispõe ainda de uma Concept Store no centro de Aveiro. Ambicionam abrir mais espaços físicos pelo país?

 Depois de uma experiência “Pop Up” de 4 meses dentro de outra loja, em dezembro de 2017 abrimos finalmente o nosso espaço actual, no centro de Aveiro, onde eu estou a tempo inteiro.

O Alma de Alecrim somos nós, é a nossa alma, e só faz sentido onde estivermos. Talvez por isso nunca tenhamos ponderado expandir. Por agora é em Aveiro, mas se um dia resolvermos mudar de cidade, o Alma de Alecrim irá certamente connosco!

loja física

 

Como é que incorporam a sustentabilidade neste vosso negócio?

Para nós a sustentabilidade é muito mais do que produzir e desperdiçar menos plástico e menos recursos naturais. Passa também por uma vida com mais empatia pelos outros, pelo sentido de comunidade, para que também a nossa vida na terra seja mais sustentável. Só quando nos respeitarmos uns aos outros é que podemos também respeitar a terra e o meio ambiente de uma forma natural.

A sustentabilidade esteve sempre no nosso conceito, desde o início. Não a sustentabilidade de encontrar alternativas para o plástico, ou a redução de desperdício, mas o conceito de uma vida mais simples e mais minimalista. Viver com menos coisas, comprar objetos úteis, de materiais naturais, com mais qualidade para que durem mais.

Mais tarde introduzimos produtos de consumo, de higiene pessoal, para a casa, para substituir o plástico descartável e produzir menos desperdício.

Na gestão do nosso projeto também adotámos algumas medidas, como o terminal multibanco sem papel, e, sempre que autorizado pelos clientes, o envio das faturas por email. Na loja online enviamos as encomendas em caixas e material de enchimento que reaproveitamos dos nossos fornecedores, ou que os clientes da loja física nos trazem. Estes são só alguns exemplos de medidas que vamos tomando, de uma forma natural e permanente.

 

Hoje a sustentabilidade está na ordem do dia e, por isso, têm surgido várias lojas com produtos considerados “mais verdes”. Qual o conceito diferenciador da Alma de Alecrim? De que forma se distingue da concorrência?

 Costumo dizer que não somos uma loja de produtos sustentáveis, mas uma loja que promove o minimalismo, com opções para uma vida mais simples e mais bonita. E a sustentabilidade é uma consequência desta filosofia, assim como o design.

É importante sentirmo-nos bem connosco e com as nossas escolhas, e é importante estarmos rodeados de boas energias. Não queremos que os nossos clientes sejam consumistas, mas queremos que quando têm de comprar algo, que esse objeto transmita essa energia positiva. E que quando têm de oferecer um presente, este seja útil, original e consiga realmente surpreender!

Neste mundo da sustentabilidade, já começamos a encontrar algumas alternativas mais diversificadas, mas têm surgido muitas lojas com os mesmos produtos, e tem sido difícil encontrar novas marcas. Tentamos sempre trazer marcas novas ou desconhecidas, e procuramos inovar no tipo de produtos, principalmente os que não são os óbvios das lojas “mais verdes”, mas que para nós fazem todo o sentido neste conceito. É o caso das sementes biológicas, ou dos totebags Alma de Alecrim, produto que surgiu em 2019, com motes que para nós são inspiradores. Neste momento vamos já na 3ª edição, com o mote “collect moments, not things”.

Mas há outros produtos que simplesmente nos trazem bem-estar e nos “abrem horizontes”, como é o caso das publicações estrangeiras e nacionais, nas áreas de lifestyle, sustentabilidade, gastronomia, fotografia, viagens e design, uma das mais recentes novidades da loja, e que visa trazer algo que não estava disponível em Aveiro (e que existe em poucos locais no nosso país).

Também o nosso próprio espaço físico nos diferencia das outras lojas de “produtos verdes”: concebemos a loja como um espaço de design. A loja é toda pensada como um todo, conjugando cores e produtos, para transmitir bem-estar, serenidade e inspiração a quem nos visita. Valorizamos as compras com (c)alma!

Para os pais que trazem as crianças, temos um espaço para que os mais pequenos possam brincar, enquanto os pais veem a loja calmamente e sem pressa.

(Por agora, devido à situação pandémica, este espaço está suspenso, mas voltará a estar disponível assim que for possível).

tote minimalista

 

Que produtos podemos encontrar na Alma de Alecrim e quais são as suas características? Têm algum best-seller?

Na loja temos uma imensa variedade de produtos. Produtos de higiene pessoal, produtos para a cozinha, detergentes super-concentrados em cápsula ou folha, artigos de decoração originais, estacionário, garrafas reutilizáveis térmicas e não térmicas, toalhas fouta ou hammam, produtos práticos para a casa, lancheiras, postais originais, sementes biológicas, publicações estrangeiras e nacionais, e muito mais!

Temos produtos reutilizáveis que substituem os convencionais produtos de plástico descartável. Sempre que possível os produtos são naturais, vegan, orgânicos, biodegradáveis e compostáveis.

Parte do nosso tempo é passado a “viajar” pelo mundo à frente de um computador, a descobrir novas marcas e produtos originais, que façam sentido para os nossos clientes, e que se encaixem no nosso conceito e no nosso espaço.

Os produtos que mais vendemos, com vendas se mantém constantes ao longo do tempo, são, por exemplo, as garrafas reutilizáveis da 24Bottles (térmicas e não térmicas), os champôs sólidos, os sacos de rede, as escovas dos dentes de bambu, entre outros.

Há produtos que entram na loja, e saem algum tempo depois para dar lugar a novidades. Mas há outros que temos desde sempre, que continuam a vender tão bem como no primeiro dia: é o caso da Capa de vaso em lã feltrada, de design sueco. São um êxito desde sempre, e continuam a encantar os nossos clientes!

 

Para além destes produtos dispõem ainda de experiências, com o intuito de minimizar o consumo de artigos físicos. Que tipo de experiências apresentam? Qual a que desperta maior interesse por parte do cliente?

Sim, criámos os workshops criativos, de Aguarelas, Escrita criativa, Ilustração, Encadernação, Colagens, Origami, e alguns mais pontuais.

Os workshops decorrem no espaço da loja, ao fim-de-semana. Neste momento, devido à limitação de pessoas no interior por causa da pandemia, os workshops estão suspensos por tempo indeterminado.

Outra experiência que temos são as sessões fotográficas outdoor, em parceria com o estúdio Plate.pt, o projeto fotográfico do Pedro. São momentos importantes das famílias que ficam registados para sempre.

 

Na vossa loja é possível encontrar um móvel para bookcrossing, onde permitem a troca gratuita de livros. De onde veio a ideia para esta iniciativa?

A ideia veio da quantidade de livros que tinha em casa, e que podia emprestar a alguém, que assim não tivesse de comprar. Qualquer pessoa, cliente da loja ou não, pode trazer um livro e levar outro. Ou trazer dois livros, e levar dois. A quantidade de livros foi aumentando, porque alguns clientes e amigos doaram livros ao nosso bookcrossing, ou trouxeram uns quantos e só quiseram levar um.

É um espaço muito apreciado pelos nossos visitantes!

 

Qual o perfil dos vossos clientes? O que sentem que estes mais valorizam na Alma de Alecrim?

Gosto de dizer que não atendo clientes, recebo-os no meu espaço, na minha “casa”. Os nossos clientes são pessoas que se identificam com o nosso conceito e a nossa filosofia, e que se sentem bem no nosso espaço. Valorizam a simpatia, a disponibilidade, e o conhecimento que lhes transmito sobre os produtos. Não sou nada “vendedora”, e quando não acho adequado não aconselho. Prefiro perder uma venda e ganhar um cliente satisfeito. Acredito que um negócio tem de ter bases sólidas, e para isso poderá demorar mais tempo a crescer. Clientes satisfeitos contam aos amigos e voltam a comprar. E isso é a melhor forma de fazer crescer um projeto de forma sustentável.

O que mais gosto no percurso que escolhi é esta interação com os clientes, as palavras que trocamos, a partilha de acaba por acontecer com muitos deles. E alguns hoje já são mais do que clientes, já são amigos!

Foto Perfil Loja Oline

Filipa Gomes de Sousa

Gosto do que é simples e descomplicado. Gosto de conversar, de ler e de escrever, de passear e de viajar, de conviver e de petiscar.
Sou licenciada em Bioquímica na Universidade do Porto, trabalhei 15 anos como responsável de qualidade em indústrias alimentares, mas em 2016 a minha vida deu uma grande volta, e finalmente tive coragem para mudar tudo. Em 2017 despedi-me e parti à aventura de criar o meu próprio negócio. Criei, juntamente com o meu marido Pedro (Cerqueira), o projeto Alma de Alecrim!
Uma das minhas paixões é o Alentejo: é o meu refúgio, o lugar onde reencontro sempre a paz e a inspiração.
Tenho sempre um sorriso para oferecer, e adoro receber os clientes e amigos no meu espaço, a loja Alma de Alecrim!

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A Green Turtle nasce com o desejo de ser uma voz ativa na divulgação de um estilo de vida e consumo mais conscientes. Hoje é fácil deixarmo-nos levar pelo greenwashing. Por isso é fundamental desmistificar ideias associadas à sustentabilidade e transmitir informações corretas.

Os seus fundadores, Vanessa Lopes e Jorge Mendes, partilharam connosco no que consiste a sua missão de espalhar uma mensagem de consciencialização, bem como 5 dicas que consideram fundamentais e fáceis de aplicar para quem pretende criar hábitos mais sustentáveis.

Green Turtle: em que consiste este projeto? De onde veio a ideia?

A Green Turtle é uma loja online que, como gostamos de dizer, para além de vender produtos sustentáveis, é mais do que um negócio, é como uma missão, um espalhar de mensagem e um alertar de consciências. O projeto foi lançado em março de 2020 por nós, Vanessa e Jorge, mas já tinha nascido na nossa mente há, pelo menos, dois anos.

Olhamos para a Green Turtle como uma extensão de nós e fruto da nossa educação e vivências: enquanto escaladores e amantes da natureza, damos muita importância ao impacto que as nossas decisões enquanto consumidores têm no ambiente que nos rodeia. Não somos de extremos, acreditamos em pequenas mudanças, sabemos que alterar hábitos de consumo exige o seu tempo. Queremos contribuir para estimular o consumidor a pensar em cada escolha que faz e a medir o impacto das suas decisões. Pequenos passos para um futuro mais sustentável e mais verde.

A Green Turtle nasce de um desejo comum, de fazer mais e melhor, seja nas ações do nosso dia a dia, seja como profissionais. Sempre tivemos o desejo de criar algo nosso, mas queríamos criar algo com sentido, com um propósito.

Este projeto foi lançado no início da pandemia, mas já estava pensado há mais tempo. Pensaram em adiar o lançamento? Quais foram os principais desafios que encontraram?

Não foi de todo o início que tínhamos idealizado. Precisamente na semana de março que iniciámos o confinamento, era a semana que tínhamos pensado lançar a Green Turtle. Tínhamos tudo pronto, mas dada a incerteza da situação ainda adiámos a decisão por 2 semanas por acharmos se fazia sentido lançarmos uma loja no meio do caos que se estava a viver. O desejo de abrir a loja era grande e percebendo que não seria uma situação passageira, arriscámos.

Procuramos sempre o momento certo para fazer algo que queremos muito, mas a verdade é que não existe o momento perfeito.

 

Que tipo de produtos podemos encontrar na Green Turtle? Como selecionam as marcas que vendem?

Na Green Turtle podem encontrar produtos para reduzir o plástico e o desperdício. Temos uma gama variada de produtos para várias áreas como a cozinha, casa, higiene, cosmética e escalada. Podem encontrar desde champôs sólidos, a pastilhas dentífricas, produtos de limpeza para casa ou magnésio de escalada em embalagens sem plástico. Algo que temos vindo a fazer desde a abertura da loja é diversificar ainda mais a nossa oferta de produtos, mas é um processo gradual de crescimento.

Procuramos sempre marcas que partilhem dos mesmos valores que nós. Tentamos que todos os produtos sejam sustentáveis em todos os aspetos, desde os ingredientes e materiais utilizados, ao processo de produção, embalagem e distribuição.

Os produtos que encontram na loja são previamente testados por nós. Apenas colocamos online aquilo que acreditamos que funciona. Tipicamente, para escolhermos um fornecedor fazemos uma primeira encomenda como cliente final para percebermos como funciona o embalamento e o produto. Posteriormente, entramos em contacto com o mesmo para obter mais informação sobre o produto e o seu processo de produção. Por vezes, esta relação com os fornecedores acaba por ser um trabalho conjunto e evolutivo, onde existe uma troca de ideias.

Consumo

Reaproveitam diferentes materiais para enviarem as encomendas. Falem-nos um pouco sobre o vosso packaging.

Para enviar as encomendas utilizamos maioritariamente caixas e enchimento reutilizado. Reutilizamos caixas que recebemos dos nossos fornecedores, caixas que família e amigos nos dão ou de clientes que as devolvem. Muitas vezes também transformamos caixas grandes em mais pequenas, fazemos autênticas cirurgias.

Mas isto não significa que não tenhamos usado já caixas novas e que não as tenhamos de ter connosco. As encomendas são todas diferentes, com necessidade de tamanhos diferentes.

Nem sempre conseguimos reutilizar uma que encaixe naquela encomenda em específico e não faz sentido enviar uma caixa grande com um produto pequeno cheia de enchimento. Por isso, quando não conseguimos fazer grandes transformações, utilizamos novas.

Como devem calcular, todas as encomendas são enviadas sem plástico e com fita de papel reciclável.

Qual é a vossa proposta de valor? De que forma se diferenciam da concorrência?

Quando olhamos para o mercado, não olhamos para a concorrência como concorrência até porque muitos são nossos parceiros desde o dia zero. Quando lançámos a Green Turtle tínhamos muitas referências que nos serviram de inspiração e esse sentimento não mudou. A área da sustentabilidade está em crescimento e queremos fazer parte dele. Queremos ser uma voz ativa na divulgação de um estilo de vida e consumo mais conscientes.

Na Green Turtle trabalhamos para que os nossos clientes fiquem satisfeitos em todo o processo de compra: no cuidado dos produtos que disponibilizamos, nos detalhes que colocamos em cada encomenda e no acompanhamento que fazemos no apoio ao cliente.

Há ideias e projetos para o futuro que estão no forno e que temos muita vontade de lançar assim que seja viável.

 

Apesar da consciencialização que hoje existe sobre a necessidade de alterarmos o nosso comportamento, algumas pessoas ainda demonstram receio em comprar produtos mais sustentáveis. Por vezes isto deve-se ao desconhecimento sobre os mesmos. Que estratégias adotaram para contrariar esta situação?

O que tentamos fazer é informar e fazer o consumidor questionar as suas opções. Partilhamos não só informações dos produtos que vendemos, mas também demonstramos quais as suas vantagens face às alternativas mais comuns e descartáveis. Algo que também gostamos de partilhar, são ideias e dicas que podem aplicar, mesmo sem comprar produtos.

Sentimos que, de repente, surgiu um boom em redor da sustentabilidade, o que é ótimo. Mas também é importante distinguir o que é certo do que é errado, desmistificar ideias e conseguir transmitir informações corretas. E isto pode ser algo complicado, mesmo para nós. É fácil sermos apanhados pelo greenwashing, por isso é importante mantermos um sentido crítico.

 

Através das redes sociais da Green Turtle costumam partilhar sugestões para um estilo de vida mais sustentável. Que dicas podem partilhar com quem pretende reduzir o consumo de plástico e a quantidade de desperdício que gera?

A melhor dica que podemos deixar é utilizarem e darem uma segunda vida ao que já têm em casa. Um erro comum é começar a trocar tudo por alternativas sustentáveis e sem plástico. O ideal é mesmo utilizarmos os produtos até ao fim e só depois irmos fazendo trocas. Ou seja, deve ser um processo gradual e que não se pretende que seja de um dia para o outro.

Deixamos aqui 5 dicas que podem aplicar facilmente:

  1. Utilizar sacos reutilizáveis nas compras. Basta vasculhar as gavetas lá em casa e de certeza que vão encontrar uns saquinhos que podem usar.
  2. Substituir os guardanapos de papel por reutilizáveis.
  3. Utilizar uma garrafa reutilizável em vez das descartáveis. Quem diz uma garrafa reutilizável, diz reutilizar um frasco de vidro para o propósito.
  4. Aproveitar a água de aquecer o banho para descargas de autoclismo, lavar o chão, regar plantas, cozinhar ou lavar a loiça.
  5. Melhorar o planeamento de refeições, começando por uma lista de compras. Comprar apenas o que é preciso, nas quantidades necessárias e congelar tudo o que não se consumir.

Jorge Mendes

As viagens permitiram-lhe olhar para o mundo de uma forma diferente. Algumas cidades europeias fizeram-no olhar para as questões da mobilidade e planeamento urbanístico com um sentido mais crítico e exigente, do ponto de vista do impacto que tem no ambiente e na nossa saúde. Numa viagem à Índia foi confrontado com a dura realidade do plástico e do lixo urbano. Na verdade, reconhece que não precisava de ter sido saído do sofá para perceber qual é a nossa realidade.

Tem vários interesses onde a escalada está no topo. Para ele a escalada é medo e prazer, é verde, amarelo, azul, castanho…

 

Vanessa Lopes

De uma maneira ou outra, a sustentabilidade sempre esteve presente ao longo da sua vida. Foi apenas há alguns anos atrás que o Jorge lhe apresentou o mundo da sustentabilidade e, desde então que, abraçou esta jornada. Para além da sustentabilidade, tem outros interesses e hobbies, como a prática da escalada onde valoriza o contacto com a natureza, o desafio e a descoberta de sítios que de outra forma não descobriria. Gosta ainda de se aventurar a fazer yoga, viajar e comer.

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Conscientes da quantidade de lixo e desperdício gerado diariamente, a Pegada Verde surge pela necessidade de alterarmos os nossos hábitos. Numa altura onde as pessoas não estavam despertas nem para o tema da sustentabilidade nem para fazer compras online, este projeto cresceu a acreditar que pequenos gestos fazem grande diferença.

À conversa com Sofia Catarino, Co-Fundadora da Pegada Verde, procurámos perceber quais os principais desafios enfrentados e como podemos começar já hoje a reduzir a nossa pegada ecológica.

A Pegada Verde já conta com mais de 10 anos de existência. Como surgiu a ideia de criar este projeto e no que consiste?

Em 2007 eu (Sofia) e o Sérgio vivemos durante 1 ano em Nova Iorque e, durante esse ano, todos os dias saíamos à rua e encontrávamos uma muralha de lixo à porta de casa.

A quantidade de desperdício criado diariamente era impressionante e, quando voltámos a Portugal, vínhamos mais sensíveis ao tema da sustentabilidade.

Em 2009, estávamos com amigos a ler um artigo sobre a jornalista Canadiana, Vanessa Farquharson, que falava do seu blog “Green as a Thistle” e do seu livro “Dormir Nu é Ecológico” em que, durante um ano, a jornalista foi introduzindo diariamente uma nova medida ecológica na sua vida. Depois desse dia compreendemos que podíamos fazer muito mais no nosso dia a dia e a ideia começou exatamente aí: com pequenos gestos podemos fazer a diferença.

Começámos a procurar soluções ecológicas que pudéssemos incluir na nossa rotina diária e fomos encontrando produtos muito interessantes. Foi aí que pensámos que seria boa ideia partilhar esses produtos com todas as pessoas que tivessem igualmente interesse em adotar comportamentos mais sustentáveis. E assim surge a Pegada Verde!

Para nós era claro, queríamos trabalhar na área da sustentabilidade, queríamos trabalhar com marcas que promovessem um estilo de vida saudável, que permitissem a reutilização e que esteticamente fossem apelativas, para que quem as usasse tivesse orgulho em mostrá-las.

Considerando que surgiu numa altura onde a preocupação com a sustentabilidade ainda não era tão notória, quais foram as maiores dificuldades para criar esta plataforma?

Em 2009 as pessoas não estavam despertas nem para o tema da sustentabilidade, nem para fazer compras online. Essas foram as grandes dificuldades.

A grande maioria das pessoas não via motivos para mudar os seus hábitos e, por isso mesmo, foi um processo nem sempre fácil, mas que colocou à prova a nossa capacidade de resiliência!

Apesar de todas a dificuldades iniciais, apostámos tudo na Pegada Verde porque acreditávamos que era este o caminho e aos poucos conseguimos mudar mentalidades e comportamentos. Felizmente hoje em dia o tema da sustentabilidade está na ordem do dia.

 

Como é feita a escolha dos vossos parceiros?

Todas as marcas com que trabalhamos respeitam elevados padrões de qualidade, são isentas de substâncias tóxicas e, por isso, podem ser reutilizadas vezes sem conta. Temos ainda em consideração todos os processos de produção, o respeito pelas pessoas e pelo ambiente. Privilegiamos marcas que, por exemplo, façam compensações carbónicas, que sejam zero emissions, B-Corps e/ou fair trade.

Julgamos que a comunidade que nos segue confia nas nossas escolhas e é isso que queremos continuar a fazer – dar a conhecer, partilhar o mais que podemos e permitir que os nossos seguidores façam as suas escolhas de mudança em consciência.

Que tipo de produtos podemos encontrar na Pegada Verde? Têm algum best-seller?

Notamos um interesse transversal em diferentes áreas, o que nos deixa bastante felizes, uma vez que significa que as pessoas estão a adotar várias medidas sustentáveis na sua rotina diária. Existe um grande interesse pela cosmética e higiene pessoal, produtos de limpeza do lar, crianças e on the go.

Felizmente temos conseguido aumentar a nossa oferta, e apresentar produtos cada vez mais interessantes pelas suas características e pelo seu design. É muito bom perceber que existem cada vez mais marcas a oferecerem soluções sustentáveis e que conseguimos apresentar cada vez mais opções.

 

Qual o perfil dos vossos clientes? Como o caracterizam?

Os nossos clientes são maioritariamente do sexo feminino, entre os 25 e os 44 anos. São pessoas informadas e com preocupações relativamente à sustentabilidade e origem dos produtos.

 

Hoje em dia a sustentabilidade é um tema que está na ordem do dia. Ainda assim, sentem que as pessoas ainda têm receio de comprar determinados produtos considerados “mais verdes”?

Não diríamos que é receio, mas ainda existe algum desconhecimento, que procuramos esclarecer e ajudar na tomada de decisão.

 

Em 2018 lançaram o vosso primeiro produto de marca própria. No futuro pretendem lançar novas coleções próprias?

Em 2018, a Pegada Verde lançou o seu primeiro produto de marca própria, a Fair Straw, uma palhinha de aço inoxidável totalmente produzida em Portugal.  Mais recentemente, em 2020, lançámos a nossa marca de cosmética natural a NAUA – Natural Care, uma marca artesanal, feita em Portugal e que originalmente surgiu com champôs sólidos, mas que pretendemos muito em breve alargar a sua gama de produtos. Temos planos para novas marcas e tipos de produtos, é uma característica que faz parte do nosso ADN.

 

Que dicas podem dar a quem, tal como vocês, pretende tornar a sua pegada mais verde e adotar um estilo de vida mais sustentável?

A verdade é que não acordamos um dia e nos tornamos os supra-sumos do ambiente. Começa como a maior parte das mudanças duradouras: devagarinho.

Podem começar por levar um saco para as compras e por deixar de beber água engarrafada. Ou começar a optar por produtos naturais e biológicos, deixar de desperdiçar comida, e comprar roupa de forma consciente. Estes podem ser pequenos gestos que nos vão moldando.

Acreditamos que cada pessoa deve fazer o seu caminho, dando sempre o seu melhor.
Somos pelo compromisso, pelo positivismo, até porque a sustentabilidade não tem de ser angustiante, tem de ser um momento feliz, que nos torna melhores no nosso dia a dia.

Sofia Catarino

Co-Fundadora da Pegada Verde

Nasceu em Lisboa e cresceu em Manique, nos arredores do Estoril. Estudou psicologia, mas só trabalhou 6 meses na área. Aprendeu que a nossa área de formação não nos define, apenas nos ajuda a orientar para as oportunidades que vão surgindo. Tem 2 filhos pequenos, que a desafiam sempre a ser uma pessoa melhor.

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Bom, bonito e barato, no geral é o que todos desejamos. Mas isso, no que se refere à roupa, é um pouco incompatível com um consumo sustentável, que não ponha em causa o planeta e as condições de trabalho de quem produz, não é?

Pode não ser! A Ana Lopes e Telma Santos criaram a reCloset, para venda e compra de roupa usada online.

No que consiste a reCloset?

A reCloset é uma plataforma online de moda em segunda mão, que procura dar novas oportunidades a roupa usada de mulher e homem. Além da loja online, disponibiliza também um Marketplace de moda em segunda mão, acessível a todos quantos pretendam vender as suas peças diretamente.

 

São duas jovens que se juntaram para fundar a reCloset. Que ocorrências na vossa vida levaram  à criação deste projeto e porquê roupa usada?

A reCloset surgiu à mesa de um restaurante sustentável, numa conversa dominada pelas preocupações com o mundo, o ambiente, a sociedade, a educação das próximas gerações e a urgência de fazer algo que ajude a sociedade a mudar e a transitar. Para nós este projeto faz todo o sentido, por conectar todos os pontos, por mostrar que todos estamos ligados e que uma vida mais sustentável passa por muitas decisões. Somos duas amigas que têm em comum o interesse pela área da sustentabilidade. 

 

Têm loja online e marketplace, quais as diferenças?

Na loja online, as peças estão do nosso lado e tratamos de todo o processo, desde a verificação das peças, à fotografia, colocação na loja online e envio aos Clientes, bem como todo o atendimento ao Cliente. O vendedor só tem de nos fazer chegar as peças e recebe uma comissão quando a peça é vendida.

No Marketplace, são as pessoas que colocam os anúncios diretamente, mediante a criação de uma conta gratuita. Quando a peça é vendida, são os vendedores que fazem o envio. No entanto, o pagamento da peça é feito no site, sendo a comissão paga por nós ao vendedor. Da nossa comissão, uma parte é entregue ao Movimento Lixo Zero Portugal, para apoio a dinâmicas ao nível pedagógico.

 

Qual o tipo de peças mais comum na reCloset? Há alguma peça que seja best-seller? 

A reCloset é um projeto muito recente, tendo sido iniciado em setembro de 2020, pelo que não é possível ainda estabelecer o tipo de peças mais vendáveis. Até agora vendemos um pouco de tudo.

roupa usada - loja online e marketplace

 

 Qual o perfil de pessoas que habitualmente compra na reCloset? 

Mulheres, entre os 25 e os 35 anos aproximadamente.

 

Diversos estudos referem que as pessoas, com a pandemia, ficaram mais conscientes sobre o seu consumo. Sentem esse impacto, ao nível de quem pretende vender e de quem pretende comprar?

Como indicámos, a reCloset já foi lançada em plena pandemia, pelo que não conseguimos estabelecer o comparativo com a situação anterior.

No entanto, notamos muitas pessoas com interesse em vender, o designado “destralhar”, o que possivelmente poderá estar ligado ao facto de terem maior disponibilidade para o fazer e repensar os seus comportamentos de compra.

 

O que fazem às peças da loja online que não conseguem vender? 

Podem ser devolvidas aos vendedores, se assim o quiserem. Se não, entregamos a instituições de solidariedade, que dela necessitem. O mesmo acontece com peças que não cumpram com os nossos requisitos, e não possam ser vendidas na reCloset.

 

Que argumentos usariam para convencer alguém reticente a comprar roupa usada? 

Existem duas grandes vantagens em comprar roupa em segunda mão.

A da sustentabilidade ambiental é, para nós, a maior motivação, dada a quantidade de roupa que se tornou descartável e vai parar a aterro todos os anos. Há também a questão da sustentabilidade social, nomeadamente ao nível da fast fashion, pois esta indústria tem padrões de empregabilidade pouco éticos, por se tratar de uma indústria de preços baixos e alta rotação.

Finalmente, e não menos importante para muitas pessoas, a questão da vantagem de preço, pois a roupa em segunda mão apresenta valores muito mais baixos, pois a roupa desvaloriza rapidamente.

recloset - roupa usada - ana e telma

Telma Santos e Ana Lopes 

Fundadoras reCloset

Telma Santos

Nos últimos anos tem trabalhado maioritariamente com a grande distribuição na área de desenvolvimento de produto. Teve a sorte de encontrar na vida pessoas que a levaram a aprofundar os temas da sustentabilidade e resiliência das comunidades. Tudo começou com a Iniciativa de Transição em Telheiras em 2010 e, até hoje, nunca mais parou de querer saber mais e de mudar o estilo de vida um bocadinho todos os dias.

Ana Lopes 

O percurso profissional foi sempre em contexto de multinacional, no setor automóvel, passando pela logística e marketing.  A nível pessoal, despertou há uns anos para as questões da sustentabilidade, tendo começado a fazer adaptações ao seu estilo de vida e comportamentos de compra. E procurando sempre informação que lhe permitissem fazer melhores escolhas. Há cerca de 2 anos, lançou-se como profissional independente, prestando serviços na área de Marketing a pequenas empresas. A reCloset surge como o resultado entre a veia de Marketeer e empreendedora e a vontade pessoal de lançar um projeto que contribua de forma ativa para um consumo mais sustentável.

 

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