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Na Indústria Têxtil existe em Portugal uma empresa que se destaca no percurso de sustentabilidade que tem feito, ao nível de uso de materiais, processos produtivos e certificações obtidas, além de prémios internacionais. Chama-se Tintex e falámos com o seu CEO, Ricardo Silva.

A Tintex nasceu como uma empresa de tingimento de tecidos e evoluiu para a criação de têxteis próprios, através do Lyocell. O que diferencia este material?

O Lyocell que utilizamos na produção das nossas malhas é originário da Europa, onde é transformado em fibra através de um processo muito limpo, sem emissões perigosas, pelo nosso parceiro industrial Lenzing, na Áustria. As malhas que produzimos com esta fibra magnífica distinguem-se pelo toque sedoso, brilho discreto e luxuoso, cair fluído e frescura singular. 

Fomos pioneiros, nos inícios do século, na produção e transformação de malhas em Lyocell, estabelecendo uma parceria muito próxima com a Lenzing, que dura até aos dias de hoje.

Desenvolvemos, na altura, uma tecnologia especial e revolucionária que permite transformar esta fibra em materiais luxuosos e de conforto para poderem ser vestidos por todos nós, aguentando inúmeras utilizações sem estragar ou ganhar “borboto”. 

 

A Tintex destaca a sustentabilidade na sua apresentação. O que faz dos vossos têxteis únicos e sustentáveis? 

Com um forte posicionamento na inovação sustentável, conseguimos implementar tecnologias têxteis que nos posicionaram como uma empresa mundialmente diferenciada no setor, com um foco claro no conforto e durabilidade dos materiais têxteis, com superfícies muito sedosas e aspeto contemporâneo e tecnológico. 

A suavidade, as superfícies limpas, o brilho luxuoso e o aspeto sóbrio e intemporal das nossas coleções fazem com que os clientes sejam capazes de reconhecer os produtos TINTEX mesmo que estes não estejam identificados. Isto é algo em que temos muito orgulho, mas que por si só nunca foi suficiente para nós. Porquê? Porque não basta ter produtos esteticamente diferenciadores se isso não for feito de mãos dadas com a sustentabilidade.

 Para a TINTEX, isso representa muito mais do que trabalhar com fibras orgânicas ou recicladas. É algo que deve estar presente em todas as fases do produto produtivo, desde a escolha de fornecedores certificados, produtos certificados, fibras certificadas e rastreáveis, processos internos certificados, gestão de efluentes, maquinaria de ponta com foco na otimização de consumos energéticos, monitorização constante da pegada de carbono. De um ponto de vista mais humano e de sociedade entendemos que é o nosso compromisso em sermos sempre melhores, em fazermos as escolhas mais acertadas para o ambiente e para as pessoas, em nunca dizermos “chega” mas sim encararmos a sustentabilidade como um processo contínuo, uma jornada que nunca terminará. 

 

Tintex - sustentabilidade

 

Trabalham com materiais eco-friendly, como soja, bamboo e milho. Como os incorporam no produto final e quais as vantagens do seu uso?

Sempre procurámos ingredientes novos, que nos proporcionassem as características certas para os nossos materiais. Em tempos, de facto, experimentámos fibras provenientes de soja, bamboo e milho. Atualmente, continuamos a explorar uma delas, a que provém do milho, que tecnicamente tem o nome PLA (em português, tem um nome estranho, Ácido Polilático). 

 

Em 2014 receberam a certificação GOTS para algodão orgânico com o projeto ALGO.NATUR. O que representa esta certificação e qual a importância das certificações neste setor?

O projeto ALGO.NATUR foi o nosso primeiro grande projeto de Inovação e Desenvolvimento estruturado e com equipas externas multidisciplinares, começado em 2013, que tinha como objetivo o tingimento de têxteis usando apenas plantas e vegetais. Até aos dias de hoje, teve várias evoluções e continuações, incluindo uma marca registada e uma patente internacional, que nos orgulha muito.

O início da certificação GOTS (Global Organic Textile Standard) ocorreu, na mesma altura, em 2014, e representou uma nova jornada na aposta da Tintex em materiais e processos sustentáveis, utilizando ingredientes biológicos, sem pesticidas químicos. É um sistema de certificação muito conhecido e reputado no mundo têxtil e da moda. 

A partir daí, ganhámos conhecimento profundo e montámos um sistema de gestão integrado e complexo que atua sobre produtos químicos, ingredientes têxteis e a sua utilização inteligente, para continuarmos a cimentar o nosso caminho de produção responsável para todos nós. Aqui estão listados todos estes referenciais: ISO 9001, ISO 14001, NP 4457, STeP by Oeko-tex, Bluesign, Oeko-tex standard 100, GOTS, OCS, GRS.

 

tintex - empresa sustentável

 

Têm o projeto Picasso, que foi vencedor do Prémio Techtextil Innovation Award, na categoria de Sustentabilidade. No que consiste este projeto? 

O Projeto Picasso foi a evolução do projeto Algo.Natur que falámos anteriormente e que deu origem à tecnologia COLORAU, um processo revolucionário e patenteado de tingimento que apenas utiliza componentes de origem natural e vegetal. Os tons baseiam-se em cores terra e quentes, encontradas na Natureza, como é o caso do Castanheiro, por exemplo. 

 

O vosso cliente é quem comercializa ao cliente final. Sentem da parte dele maior procura por soluções sustentáveis? Auditam o vosso processo?

Sem dúvida. Notamos, a cada dia que passa, uma procura e exigência por soluções melhores, mais sustentáveis, processos mais transparentes e rastreáveis até à origem. Para as marcas emergentes (e mesmo já existentes), dizer que a t-shirt é feita de algodão orgânico ou reciclado já não basta.

A nova geração de consumidores exige saber mais acerca daquilo que está a comprar e porque o deve comprar – é preciso saber a história por detrás do produto, as suas certificações, o que a sua produção envolveu, o que a torna a melhor opção em detrimento da peça ao lado.

Mas é exatamente graças a esta busca pela transparência que a Indústria Têxtil evolui, é puxada para fora da zona de conforto e forçada a repensar processos e produtos e tudo o que estes envolvem e por isso, a nosso ver, é algo crucial e muito benéfico. 

Em relação às auditorias, sim temos auditorias de clientes, tanto sociais como na vertente ambiental. Alguns clientes também solicitam determinadas certificações como validação das nossas práticas (certificações essas que disponibilizamos sempre).

 

 

Nos últimos anos investiram mais de 10 milhões de euros em inovação. No que consistiu este investimento?

Investimos mais de 26 milhões de Euros em inovação, mais concretamente: na contratação de recursos humanos especializados; na aquisição de maquinaria com tecnologia de ponta que nos permite obter excelentes consumos energéticos e de produtos químicos; no desenvolvimento de tecnologias de acabamento; em inúmeros projetos de I&D (a tecnologia COLORAU é um exemplo disso); e na modernização da nossa comunicação e ferramentas de marketing. Graças a este investimento, conseguimos alinhar ainda mais quem somos com o que de melhor fazemos todos os dias. 

 

tintex

 

A Sustentabilidade existe também no vosso funcionamento enquanto empresa? Controlam a vossa pegada ecológica?

A Sustentabilidade e Inovação fazem parte do ADN da Tintex, desde a sua génese, tanto nos processos como nos produtos.

Sendo uma empresa deslocada do centro têxtil tradicional, foi este ADN o factor diferenciador que a fez destacar-se da concorrência. Atualmente temos várias certificações que validam estas práticas e nos vinculam em metas com uma forte redução ecológica, aliadas a projetos de IDI. STeP by Oeko-tex e Bluesign são certificações exigentes e específicas da área têxtil, abordando requisitos tanto a nível de ambiente como de responsabilidade social. 

Os nossos compromissos e metas atingidas nos últimos anos, como:

  • Instalação de painéis solares para a produção de energia;
  • Redução de 30% no consumo de água e energético com substituição das máquinas produtivas por novos equipamentos de última geração, mais eficientes energeticamente e com necessidades menores de consumo de água;
  • Substituição de produtos químicos e desenvolvimentos de alternativas ao tingimento convencional por exemplo, demonstram o nosso caminho de redução da pegada ecológica.

 

Têm ações na área da responsabilidade social?

Sim, temos! A Tintex é investidor Social da Ação MEERU – Abrir Caminho; doa 10% do valor das vendas às iniciativas do Drip by Drip, cuja ação se concentra na limpeza da água em países fortemente industrializados, mas pouco desenvolvidos, como o Bangladesh. A empresa revê também as suas atividades na abordagem baseada nos Dez Princípios do Pacto Global das Nações Unidas.

 

Sendo industriais e tendo a sustentabilidade muito incorporada no vosso ADN, que conselhos dariam a outras indústrias portuguesas?

Dar conselhos é sempre algo delicado, mas aquilo que podemos dizer, com base na nossa experiência, é que o investimento na sustentabilidade é um investimento acertado no futuro, não só da Indústria, mas do nosso planeta. Acreditamos verdadeiramente que este é o único caminho que nos pode levar a um amanhã melhor, mais limpo, mais positivo, deixando uma herança saudável para todos os que virão a seguir a nós. Se não evoluirmos em conjunto, esquecendo as nossas diferenças, se não tomarmos as escolhas mais acertadas HOJE, poderemos não ter um amanhã saudável e bom para os nossos filhos.

 

Existe alguma ação, produto ou processo que não destácamos nesta entrevista e que consideram importante de realçar na vertente sustentável?

As indústrias produtoras e o consumidor estão ligados mais do que nunca. Cada um de nós, enquanto pessoa, tem curiosidade em perceber como são produzidas as coisas que compramos e consumimos. Nós acreditamos que essa ligação, de forma transparente e fácil, é o clique que está a transformar a forma como compramos, enquanto valorizamos cada vez mais as experiências e as pessoas envolvidas em todos os processos, para que sintamos total confiança nas nossas “coisas”.

Na TINTEX, temos esta visão muito presente, temos um foco estratégico nesta ligação com as pessoas que nos rodeiam e que estão apenas à distância de um clique. Assim com o passar dos tempos, a TINTEX vai estar cada vez mais próxima de todos nós.

ricardo silva

Ricardo Silva 

CEO Tintex

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Os vinhos da Adega Mayor nascem do sonho do Comendador Rui Nabeiro e são perpetuados no trabalho que Rita Nabeiro tem feito. Numa adega desenhada por Siza Vieira, que respira Alentejo e incorpora a sustentabilidade na essência e produção. Está tudo na entrevista.

Vinhos Adega Mayor - Adega

A Adega Mayor é um sonho do Comendador Rui Nabeiro. Quando sentiram que era o momento de passar do sonho para a realidade? 

O meu avô, desde sempre empreendedor e apaixonado pelo mundo do vinho, queria recuperar a tradição vitivinícola no Alentejo, mais concretamente em Campo Maior, terra que foi perdendo esta cultura com a passagem do tempo.

Assim, e de forma a inverter esta tendência, os primeiros passos para a construção do projecto vinícola tiveram início com a plantação das primeiras vinhas em 1997, na Herdade da Godinha. Dez anos mais tarde, em 2007, foi inaugurada a Adega Mayor.

Um projecto singular desenhado pela mão do arquiteto Siza Vieira, a primeira adega de autor do país, que veio reforçar o caráter pioneiro do Grupo Nabeiro ao mesmo tempo que traz mais riqueza quer industrial, quer patrimonial para a região.

 

Siza Vieira foi o arquiteto escolhido para desenvolver a Adega Mayor. De que forma está o Alentejo incorporado no projeto? 

Pelas linhas simples e depuradas do seu desenho, pelos materiais e técnicas usadas na construção, claramente inspirados na alvura das casas alentejanas e que se traduzem em grandes muros caiados que rasgam o chão, aos materiais da região como os mármores de Vila Viçosa e Estremoz.

A Adega Mayor deixa brilhar o que de melhor temos em Campo Maior: a paisagem de um Alentejo interminável, onde o horizonte se estende no infinito. A sobriedade dos seus traços, reforça a identidade da Adega Mayor: a união entre contemporaneidade e o profundo respeito pelos valores do Alentejo e pela natureza.

 

O que caracteriza os vinhos da Adega Mayor? 

Os vinhos da Adega Mayor são vinhos que convidam a abrir os sentidos para o que se faz de “Mayor” no Alentejo. Frescos e minerais pela proximidade das vinhas à Serra de São Mamede, são os solos graníticos e o clima temperado, que lhes conferem a sua elegância, frescura e singularidade.

São vinhos que surpreendem por conseguirem aliar a subtileza da sua composição à intensidade e caráter dos vinhos do Alentejo. 

 

Têm algum vinho que se destaque dos outros? 

É difícil responder a essa questão. Todos os nossos vinhos primam pela qualidade mas acima de tudo, todos eles são indicados para diferentes perfis e situações de consumo.

Posso destacar três vinhos de três gamas diferentes:

  1. O AM Touriga Nacional pela sua frescura e carácter marcante;
  2. O AM Reserva do Comendador (seja tinto ou branco) pelo sua nobreza e consistência ao longo dos anos;
  3. O Grande Reserva Pai Chão, que é uma homenagem ao meu avô e fundador da Adega Mayor. Trata-se de um vinho que só existe em anos de exceção, quando a natureza e o homem se encontram.

Cada garrafa abre um novo mundo, são vinhos diferentes para circunstâncias distintas.

 

A exportação é uma parte importante da Adega Mayor. Sendo Portugal uma referência internacional na produção de vinhos (11º maior produtor a nível mundial e 8º exportador), em que países mais se destaca e que perceção têm os consumidores internacionais do vinho português?  

Além do mercado nacional a Adega Mayor está presente em diferentes países com destaque em França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Angola e Brasil.

A reputação internacional dos vinhos produzidos em Portugal tem vindo a evoluir no sentido positivo e o aumento das exportações comprovam-no, assim como as várias distinções conquistadas nos melhores concursos de vinho internacionais. No entanto considero que ainda há muito trabalho a fazer do ponto de vista da valorização da marca Portugal.

 

Vinhos Adega Mayor - Colheita

 

Os vinhos orgânicos tiveram um crescimento de 20% em França e 15% em Itália nos últimos 7 anos. Como veem esta tendência? 

Nos últimos anos assistiu-se a um aumento da dinâmica do sector vitivinícola, nomeadamente através do surgimento de novos conceitos e é nesse sentido que surge esta tendência internacional na procura de vinhos orgânicos. Esta tendência não é exclusiva do sector vitivinícola, mas é o reflexo de uma preocupação dos consumidores de produtos que sejam bons para a saúde e para o planeta. Temos este fator em consideração e em breve apresentaremos o nosso primeiro vinho orgânico.

 

Ao nível do sabor, que diferenças um consumidor encontra num vinho natural ou orgânico?

Depende muito do tipo de vinificação do produtor, mas diria que a maioria procura intervir o mínimo no vinho, evitando estágios intensos em madeira. Nesse sentido, tendencialmente encontramos um perfil mais leve frutado na maior parte dos vinhos orgânicos.

 

O consumidor de vinho tem as preocupações ambientais e sociais incorporadas na sua escolha? 

Existem diferentes tipos de consumidores de vinho, no entanto os consumidores mais exigentes são aqueles que relevam preocupação por adquirir um vinho de produção sustentável, que reconhece um conjunto de boas práticas económicas, sociais e ambientais.

 

Vinho Adega Mayor

 

A Adega Mayor, na sua missão, refere “entregar às próximas gerações uma terra melhor que a que encontrámos”. Como está a sustentabilidade e o lado social incorporados na vossa produção? 

A sustentabilidade ambiental é parte integrante do negócio da Adega Mayor, porque os nossos resultados dependem do seu equilíbrio.

Alinhada com o propósito de reforçar a sustentabilidade no seu negócio e nos processos envolventes, em 2016 a Adega Mayor aderiu ao PSVA, um programa diferenciador que visa construir uma estratégia de rede sobre sustentabilidade para a produção vitivinícola da região do Alentejo, incentivando à prática de abordagens inovadoras na produção de vinho, que levem à correta utilização do meio ambiente e à conservação de recursos naturais e biodiversidade. 

Desta forma, contribui para o combate às alterações climáticas ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento económico e social da região.

A Adega Mayor assume ainda o compromisso claro de contribuir ativamente para estimular o crescimento económico sustentável da região do Alentejo, ao apostar cada vez mais em soluções eco eficientes, capazes de responder eficazmente às problemáticas socioambientais geradas pelos atuais modelos de desenvolvimento.

Desta forma, trabalhamos no sentido de minimizar os impactos ambientais de ano para ano, como a gestão da água, da energia e dos resíduos na adega.

Neste sentido, a Adega Mayor apresenta uma constante preocupação em obter a máxima eficiência em todo o processo produtivo, pensando sempre no futuro e nas próximas gerações.

Rita Nabeiro - Vinho - Adega Mayor

Rita Nabeiro 

CEO Adega Mayor

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O Azeite tem um papel central na gastronomia portuguesa e faz sucesso além fronteiras. Fomos falar com a Monterosa, uma marca algarvia que já recebeu diversos prémios internacionais, para perceber como a sustentabilidade é incorporada no processo produtivo.

 

 

Como surgiu a ideia de criar azeites de qualidade superior com a marca Monte Rosa?

Os Viveiros Monterosa têm como a sua atividade principal a produção de plantas ornamentais, atividade que já dura há mais de 40 anos. O interesse pela produção de azeite só apareceu muito mais tarde (em 2006) e resulta da necessidade de converter um laranjal, que cultivávamos na quinta e que necessita de grandes quantidades de água por uma cultura com baixa manutenção e muito pouca o nenhuma de rega, como é o caso da oliveira ( a maioria dos olivais no mundo são de sequeiro).

Esse interesse foi crescendo com o passar do tempo e o grande desafio sempre foi produzir azeites de alta qualidade e com uma pegada ambiental o mais baixa possível.

 

Monterosa viveiros

 

Os vossos azeites são produzidos seguindo um rigoroso sistema de Produção Integrada que garante o respeito pelo ambiente . Em que consiste este método de produção?

A produção integrada é um sistema agrícola de produção de produtos agrícolas e géneros alimentícios de qualidade, baseado em boas práticas agrícolas, com gestão racional dos recursos naturais e privilegiando a utilização dos mecanismos de regulação natural em substituição de fatores de produção, contribuindo, deste modo, para uma agricultura sustentável.

No nosso caso em particular, adicionalmente fazemos toda a reciclagem dos resíduos que resultam desta atividade, transformando-os em sub produtos e desta forma adicionando valor a toda a cadeia de produção.

Um bom exemplo é o que fazemos com o bagaço da azeitona que resulta da extração do azeite ou seja toda a polpa e caroços das azeitonas. Nós compostamos o bagaço de azeitona e mais tarde este é utilizado como um adubo biológico 100% natural.

 

Têm um método de fabrico que remonta ao tempo dos romanos. Em que consiste? Qual a importância de manter este legado?

Nós temos um processo de extração que é um misto de tradicional e moderno. A maior parte dos lagares, hoje em dia, utiliza maquinaria e processos de produção modernos, no entanto independentemente do processo e maquinas que se usem, as etapas da linha de produção e extração do azeite continuam a ser as mesmas desde o tempo dos romanos.

Obviamente hoje em dia sabemos muito mais sobre este produto e temos um grau e frescura no azeite que os romanos não tinham nessa altura, mas sem o desenvolvimento que eles alcançaram não seria possível termos os azeites que temos hoje.

No nosso caso, continuamos a utilizar  um moinho de pedras de granito muito tradicional que está integrado na linha de extração em conjunto com as restantes máquinas.

 

monterosa azeites sustentáveis

 

Os vossos azeites têm vindo a ser premiados com várias distinções um pouco por todo o mundo. Qual o significado que tem para vocês estas distinções?

Como noutros produtos alimentares, e não só, os concursos internacionais são muito importantes para dar a conhecer as marcas a potenciais clientes e também ao consumidor final. Principalmente para os micro produtores e produtores artesanais, que têm como objetivo principal a qualidade do produto.

Este reconhecimento gera curiosidade e dá garantias de qualidade aos clientes e consumidores finais, principalmente se isso sucede ano após ano. Os nossos azeites têm sido premiados ano após ano em vários concursos internacionais, desde os Estados Unidos até ao Japão e Europa.

 

Quem é o vosso cliente? Como se carateriza? É maioritariamente nacional ou internacional? De que mercados?

Cerca de 75% da nossa produção anual destina-se á exportação, maioritariamente para os países do norte da Europa mas também pequenas quantidades para o Japão e Estados Unidos.

O restante fica em Portugal e pode ser encontrado em diversas casas especializadas em produtos alimentares gourmet na hotelaria e restauração também. Tipicamente o nosso cliente é um cliente que procura um produto de alta qualidade, muito benéfico para a sua saúde e com um baixo impacto ambiental.

 

O que mais valorizam os clientes nos vossos produtos?

Produzimos vários azeites mono varietais a partir de 5 variedades de azeitona diferentes e isso faz com a tenhamos uma gama muito abrangente em termos de aroma, sabor e intensidade. Penso que temos um azeite para cada pessoa e o seu gosto pessoal, seja ele um azeite suave e frutado ou um azeite intenso, amargo e picante. Tudo isto aliado a um grau de acidez máximo de 0,2% em toda a gama.

 

monterosa azeite maçanilha

 

Ser um produto “made in Portugal”, ou melhor “made in Algarve”, é valorizado?

Esse é um trabalho que ainda está muito no inicio. A “marca” Algarve é muito associada ao turismo, praia e golf pelo que no caso dos produtos alimentares ainda temos um longo caminho a percorrer na divulgação e reconhecimento da qualidade dos nossos produtos.

De salientar que recentemente a hotelaria e restauração do Algarve perceberam que os produtos regionais adicionariam valor ás suas ofertas e desta forma temos assistido a um aumento dos nossos produtos no setor, o que tem sido um fator muito positivo na divulgação e promoção dos produtos Algarvios junto dos que nos visitam.

Tipicamente nos produtos alimentares “made in Portugal” são associados a uma qualidade muito alta, mas relativamente difíceis de encontrar quando comparamos com outros países como é o caso da Espanha ou Itália.

 

Para lá os azeites, oferecem também experiências de degustação. Em que consistem?

Como estamos localizados numa zona turística, o nosso projecto de visitas guiadas ao olival foi quase uma inevitabilidade. Esta experiência é uma forma de dar a conhecer aos visitantes os nossos produtos e também de desmistificar alguns conceitos que muitas vezes são errados sobre o azeite.

A degustação é o culminar da visita e é dirigida pela nossa equipa de guias especializados em prova de azeite. Os clientes são conduzidos durante a degustação por forma a poderem identificar os diversos atributos dos azeites que estão a provar e assim identificarem qual é o perfil de azeite que mais gostam.

 

Onde podemos encontrar os azeites Monte Rosa à venda?

Podem encontrar os nossos azeites na nossa loja online; nos supermercados Apolónia no caso do Algarve bem como outras casas da especialidade e restaurantes; no Club del Gourmet do Corte Inglés em Lisboa e em Gaia; nas lojas A Vida Portuguesa entre outras.

 

 

Qual o vosso best-seller e que características tem este produto.

O nosso bestseller é o azeite Monterosa Premium Maçanilha. Este é o azeite que mais vendemos. É um azeite muito equilibrado, de intensidade média e feito com uma variedade de azeitona do Algarve chamada Maçanilha Algarvia.

Tem notas de erva fresca cortada; fruta madura e baunilha. Ideal para saltear legumes, numa salada de tomate e queijo fresco.

António Duarte

Comercial Monterosa

Tem várias formações profissionais em prova de azeite, a nível nacional e internacional. Em 2014 entrou para a empresa com o objetivo de desenvolver a parte comercial dos azeites Monterosa, no mercado nacional e internacional, paralelamente ao projeto turístico composto por visitas guiadas à quinta, workshops de prova de azeite, e desenvolvimento do branding da marca.

Nos tempos livres, as suas maiores paixões são as viagens e também os desportos náuticos, como é o caso do surf e kitesurf.

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Cada um de nós procura ser o melhor de si mesmo, incluindo no que consome. No entanto, a forma como sempre fomos impactados e estimulados a consumir, nas últimas décadas, e mesmo o modo como a nossa qualidade de vida imediata depende da gestão de custos e valorização do fator preço leva a que tenhamos dificuldade de incorporar um consumo sustentável na nossa vida. E o desconhecimento sobre o que é ser um consumidor sustentável também.

Assim, é legítimo questionarmo-nos: como posso começar a ser um consumidor sustentável?

Neste artigo vamos apresentar o que é um consumidor sustentável e 3 dicas para que inicie este caminhofugindo às sugestões relacionadas com a poupança de água e eletricidade em casa, que já todos vimos e são importantes, mas não alinham com o conteúdo do Green Purpose.

 

 

Ser Um Consumidor Sustentável

O primeiro facto para o qual deve estar alerta, no que se refere a um consumo sustentável, que é o oposto de um consumo desenfreado, é que 20% da população mundial é responsável por 80% do consumo global. Ou seja, um consumidor sustentável pondera não apenas o que consome, mas se consome. A um nível um pouco mais adiantado, extremado se assim o pretendermos definir, para a fase de maturidade em que estamos, pode ver o documentário “Minimalism: a documentary about the important things”, da Netflix. Se retirar uma ideia para aplicar, já estará a dar passos para ser um consumidor sustentável.

Uma das áreas onde é mais imperiosa esta ponderação (“será que necessito mesmo?”) é na moda. O fast fashion – pode perceber melhor no que consiste na entrevista a Maria Beatriz Costa que para conseguir responder a uma necessidade de consumo cada vez mais acelerada e a baixo custo, tem impactos ambientais e sociais elevadíssimos. O que, felizmente, já tem acontecido é um aumento da preocupação dos consumidores sobre as questões ambientais. Levando inclusive a que grandes marcas de fast fashion criassem linhas sustentáveis,  que, atenção, não é o mesmo que serem sustentáveis.

Porque a sustentabilidade tem 3 pilares: ambiental, social e económico, como a Inês Ribeiro da BoG – Environmental Consulting nos explica em entrevista.

Em paralelo à resposta das marcas de fast fashion, surgem cada vez mais marcas de slow fashion, que respeitam todos os princípios da sustentabilidade e são uma excelente opção para compra de roupa com maior durabilidade.

 

consumidor sustentável - slow fashion

 

Outro ponto é perceber o que implica um consumo sustentável, para que se possa tornar um consumidor sustentável. E é comprar:

Além disto, é importante compreender um conceito chamado value for money, que é o custo-benefício de uma compra. Normalmente, os produtos sustentáveis têm um custo superior, mas que se deve a alguns fatores que devem ser ponderados no momento da tomada de decisão. Nomeadamente:

  • Não tem economias de escala, que são obtidas com grandes volumes de produção. No fundo, permitindo aumentar as vendas, mas sem mexer nos custos fixos – como empregados, fornecedores de matérias-primas, etc, que se tornam reféns – e assim obterem maior rentabilidade de cada venda, mesmo com preços baixos.
  • As matérias-primas são mais escassas e sujeitas a tratamento, que têm um custo, mas asseguram uma maior sustentabilidade do planeta;
  • Durabilidade, que é obtida em consequência das melhores matérias-primas utilizadas, bem como de processos muito mais manuais e especializados do que as economias de escala;
  • Apoio à economia local e ambiente, por serem produtos na sua generalidade produzidos localmente, sem recurso a países de terceiro mundo onde os valores pagos pela mão de obra são muito baixos e que levam a longas e variadas viagens pelo mundo dos produtos, até chegarem a si com uma forte pegada ambiental;

Em forma de conclusão, o consumidor sustentável tem presente, em todos os seus momentos de compra, estas questões:

  • Preciso mesmo? Não poderei reutilizar algo que tenha?
  • Quais as matérias-primas utilizadas neste produto?
  • Quem fabricou? Foi remunerado justamente?
  • Quando deixar de usar, o que posso fazer com este produto?
  • O custo-benefício deste produto é ajustado?

 

 

Dicas Para Dar os Primeiros Passos Como Consumidor Sustentável

 

consumidor sustentável - partilha

#1 – Não seja fundamentalista.

Se pretender, imediatamente, ter um consumo absolutamente imaculado, encontrará frustrações e levará a que se culpe e perca a motivação. Lembre-se que existiu um consumo irresponsável e generalizado durante muitos anos, tendo sido o que nos trouxe ao ponto atual, pelo que qualquer mudança que faça entrará em choque com muitas das suas rotinas. Não será fácil. Tente inspirar-se nas dicas para mudar hábitos de consumo e vida da psicóloga Ana Rita Freitas.

#2 – Troque o fast pelo slow

Na comida o consumo desenfreado de carne tem levado a prejuízos ambientais muito superiores a andarmos de carro, como podemos ver no documentário Cowspiracy da Netflix ou na Grande Reportagem da SIC, do dia 02/01/2021, em que se apresentam os prejuízos do tipo de alimentação que temos, bem como soluções inovadoras para reduzir o impacto ambiental da produção de carne e pescas. Mas para começar com passos mais pequenos, pode seguir as dicas da Sara Oliveira, autora do livro Saudável e Sem Desperdício ou lendo a entrevista do Professor Duarte Torres sobre a Snood Food, os snacks com leguminosas.

Ainda na alimentação, olhar com mais atenção para os rótulos é fundamental para compreender o tipo de produto que está a comprar e se ele é saudável, para si e para o ambiente. Aconselhamos vivamente a que leia a entrevista à Milene Rodrigues, com o título “Sabe Ler Rótulos?”. Ficará muito mais alerta para a importância dos rótulos no nosso consumo.

Na moda, antes de comprar, pondere mesmo se necessita e, necessitando, adote marcas de slow fashion ao invés de fast fashion. São mais caras, em muitos casos, mas um dos pressupostos do slow fashion é garantir uma maior durabilidade do produto. Sabe o que é slow fashion? Está tudo explicado na entrevista à Inês Vaz.

#3 – Partilhe

É verdade, se optar por partilhar mais coisas, desde boleias a participar em trocas de roupa, estará a dar um enorme passo para ser um consumidor mais sustentável. O exagero é que nos trouxe ao ponto de rutura em que estamos. Reduzi-lo é dar passos para melhorar.

 

 

Conclusão  

Os primeiros passos são desafiantes, mas possíveis. Não falamos, num primeiro momento, de grandes mudanças de estilo de vida, mas sim de pequenos passos.

  • Pondere se precisa do que vai comprar
  • Analise as origens do produto e o seu rótulo
  • Opte por qualidade e durabilidade em vez de quantidade e preços baixos

Com estes 3 fatores, já se começou a tornar um consumidor sustentável.

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Um dos objetivos do Green Purpose é dar voz e visibilidade a projetos e ações sustentáveis, que ajudem a inspirar outras pessoas e organizações. Sejam elas dos setores mais óbvios, ou não. Nesse sentido, não poderíamos estar mais felizes com a disponibilidade da Cláudia Rodrigues, Portugal Marketing & Communications Head da Samsung, para partilhar connosco a visão e ações que a Samsung incorpora, levando a sustentabilidade ao setor da tecnologia.

 

 

A nível internacional, a Samsung realizou uma iniciativa chamada “Planet First”. Em que consistiu? De que forma Portugal aderiu à campanha?

 

A iniciativa Planet First tem por base a reciclagem de plástico e a recolha de resíduos de equipamentos eletrónicos obsoletos e a utilização de plástico reciclado em novos produtos.

Com esta ação a Samsung estima que até ao final deste ano sejam recolhidas cerca de 3,8 milhões de toneladas de resíduos. Além disso, 90% dos equipamentos respondem aos padrões de marca verde que se traduz na redução da emissão de gases de efeito estufa até 250 milhões toneladas no período entre 2009-2020.

No caso particular de Portugal, nos últimos anos, temo-nos associado ao Ponto Eletrão para a operacionalização desta iniciativa, sendo que este ano desafiámos também os nossos concessionários para que pudéssemos alargar a área de atuação e fazer chegar a mais empresas e instituições, no território nacional, a importância da recolha de equipamentos elétricos e eletrónicos, pilhas e lâmpadas.

Desde 2018, que conciliamos a esta iniciativa uma dimensão social, revertendo a quantidade de lixo eletrónico em valor que doamos a instituições promovendo também assim a área da responsabilidade social.

Esta vertente da parceria com o Eletrão e os nossos concessionários técnicos significa muito nós, porque é um contributo concreto que damos na melhoria da vida das pessoas e do planeta. Assumimo-la como parte da estratégia de Responsabilidade Social Corporativa da Samsung na medida em que concretiza os princípios pelos quais nos regemos enquanto empresa global.

 

Um dos maiores desafios do setor em que a Samsung opera tem a ver com a eficiência energética. Que iniciativas têm sido levadas a cabo para promover este tema?

 

Vivemos tempos de rutura, potenciados pela forma como entendemos e vivemos a tecnologia, e pelo crescente compromisso relativamente à conservação de recursos. Alterações que afetam, quer a produção de equipamentos tecnológicos, como o seu consumo a nível universal. Estamos perante uma nova era, onde é essencial que as grandes tecnológicas se preparem e se convertam em agentes ativos da mudança dos atuais modelos de negócio.

O desenvolvimento de produtos de elevada eficiência energética, é uma necessidade global para a preservação do meio ambiente.

Tendo em conta o compromisso da marca a nível de sustentabilidade e de redução da pegada ecológica, é de extrema relevância disponibilizar uma gama de produtos de elevada eficiência, além de se responder à procura crescente por parte dos consumidores nacionais (por exemplo, a procura de soluções mais eficientes em Combinados A+++ cresceu mais de 60% – dados internos de vendas).

 

A Samsung incorpora a sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de valor? De que forma?

 

Através de uma gestão cuidadosa, consideramos os fatores ambientais em todo o ciclo de vida dos nossos produtos, incluindo o fornecimento de matérias-primas, design, produção e comercialização.

Indo além da prática convencional de utilizar recursos uma vez e descartá-los, a Samsung trabalha para assegurar que os recursos podem ser reutilizados mediante a recuperação, reutilização e reciclagem após o fim da vida útil do produto.

Através desta economia circular, estamos a reduzir a quantidade de recursos naturais usados, a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e de poluentes provenientes da incineração dos resíduos, e a prevenir a contaminação do solo e das águas subterrâneas causada pelos aterros.

 

Um tema que está nas agendas na atualidade é a economia circular. Que iniciativas a Samsung tem feito para promover esta tendência crescente?

 

Mais do que iniciativas a economia circular está presente há muito na Samsung.

Ao reforçarmos a durabilidade dos nossos produtos antes do lançamento (através de uma série de testes de fiabilidade rigorosos, da disponibilização de uma rede de serviços de reparação convenientes em dezenas de locais de atendimento e com uma aposta em atualizações contínuas do software), a Samsung está a alargar a vida útil dos seus produtos, contribuindo para a economia circular. Porque essa é a melhor forma de sermos sustentáveis – fabricando produtos duradouros de boa qualidade.

 

 

samsung - food skills

 

 

 

Na eletrónica de consumo, quais são as preocupações com a sustentabilidade por parte dos consumidores?

 

O consumidor é o agente facilitador de todo o processo e devemos concentrar-nos que a consciencialização ambiental está também a aumentar, através das novas gerações. Este será um fator crucial de implementação dos modelos circulares e aqueles que fecharem os olhos a esta realidade, perderão a capacidade de competir neste novo mundo.

Além disso, para fomentar o desenvolvimento de equipamentos mais sustentáveis e reduzir genericamente o consumo de energia, a União Europeia aprovou nova legislação energética aplicável a grandes domésticos (Equipamentos de Refrigeração, Máquinas de Lavar Roupa, Máquinas de Lavar e Secar Roupa, Máquinas de Lavar Loiça) que entra em vigor a partir de 01 de Março de 2021.

A nova legislação vem apresentar novas escalas e métodos de cálculo, de forma a “obrigar” os fabricantes a novos saltos tecnológicos para conseguir produtos que estejam no topo da tabela de eficiência energética e que estes respondam às novas exigências dos consumidores.

Mas o compromisso com a sustentabilidade vai além do produto que comercializamos. Assumimos desde sempre que o que move a marca Samsung é a melhoria da qualidade de vida das pessoas, e como a tecnologia desempenha um papel fundamental e facilitador. O projeto Food Skills, que lançámos em Março, tem como objetivo ajudar a capacitar as famílias para uma gestão alimentar mais consciente e acreditamos que este é um importante contributo para sociedade atual, numa perspetiva de sustentabilidade.

Tudo isto se aplica num conceito de comunicação a que apelidámos de Business to Society, que visa uma abordagem mais educacional: evitar a abertura desnecessária das portas do frigorífico ou congelador, gestão cuidada da lista de compras para só se comprar o que efetivamente faz falta e evitar o consequente desperdício alimentar.

Este ano também apresentámos pela primeira vez o “eco-packaging” na linha de TVs Lifestyle. As caixas feitas de cartão ondulado duplo, permitem que os consumidores possam facilmente reciclar ou reutilizar estas caixas de cartão de uma forma mais criativa.

Aplicámos um design de pontos que servem de molde para criação de pequenas mesas de apoio, suporte de revistas ou até casas para os animais domésticos. Pela boa aceitação que tivemos com esta ação, comprometemo-nos com extensão destas embalagens reutilizáveis para toda a gama QLED

 

 

Nos próximos anos, veremos um mercado tecnológico mais descarbonizado, mais renovável e mais flexível

 

 

 

Como é que a Samsung as incorpora nos produtos?

 

Nos próximos anos, veremos um mercado tecnológico mais descarbonizado, mais renovável e mais flexível.

Os desafios particulares desta época, de transição tecnológica e ecológica, não podem resumir-se a boas vontades e aos conceitos tão abordados como a sustentabilidade. Falamos de ações concretas que impactem não só a comunidade envolvente como a sociedade no seu todo.

Repensar a eficiência dos equipamentos que utilizamos e estabelecer objetivos para o meio ambiente SBT (Science Based Targets), em detrimento dos objetivos individuais das empresas, podem ajudar-nos a entender melhor a evolução da dinâmica tecnológica que estamos prestes a viver.

A Samsung tem procurado ao longo dos anos manter uma postura sustentável em todos os aspetos da produção de equipamentos eletrónicos, introduzindo padrões de certificação ambiental e possibilitando o aparecimento de novas soluções tecnológicas mais sustentáveis capazes de influenciar a forma como se comercializa, utiliza e gere cada dispositivo.

 

 

Em que medida a sustentabilidade faz também parte da comunicação interna e do quotidiano da Samsung?

 

Em linha com a nossa filosofia de empresa cidadã global, subscrevemos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mobilizando uma nova geração de cidadãos a agir e alcançar metas como a degradação climática em conjunto.

Estamos mais do que nunca comprometidos com o pilar da sustentabilidade. Somos motores de mudanças positivas, e é por essa missão que lutamos todos os dias, sempre na procura de um mundo mais sustentável.

Envolvemo-nos ativamente em iniciativas com impacto em todo o mundo, nomeadamente em programas emblemáticos como o RE+ (programa de recolha de lixo eletrónico) e o Galaxy Upcycling (transformação de smartphones que já não são usados em dispositivos reciclados).

Em Portugal também temos um historial de promover campanhas ambientais, envolvendo os colaboradores e instituições locais.

 

A responsabilidade social corporativa é importante para a Samsung? Se sim, que iniciativas têm vindo a desenvolver junto da comunidade?

 

Na Samsung trabalhamos diariamente para promover a inclusão digital, para apoiar as comunidades locais e para fornecer aos jovens mais oportunidades e maior literacia digital.

Encaramos o nosso compromisso com a responsabilidade social de forma séria e totalmente transparente, focando-nos em áreas-chave como a educação e a acessibilidade.

Estamos profundamente empenhados nesta aposta da diversidade e na redução de desigualdades demonstrando o propósito da tecnologia como facilitadora e promotora de uma sociedade mais inclusiva e sustentável.

 

Cláudia Rodrigues 

Portugal Marketing & Communications Head – Samsung Iberia

Conta com 20 anos de experiência nas áreas do Marketing e Comunicação, e sempre na Indústria das Tecnologias de Informação. Atualmente tem a seu cargo a gestão estratégica da comunicação da subsidiária portuguesa da Samsung Electronics, tendo sob sua coordenação as áreas de relações públicas, redes sociais, digital, media e CRM, bem como comunicação interna e responsabilidade social.

Formada em Ciências da Comunicação e com uma pós-graduação em Marketing Management, mantém uma dinâmica regular de formação e aquisição de conhecimento, nacional e internacional. Acredita que para se ser um bom prático, é necessário ser-se um bom teórico. Saber aplicar a teoria à prática e utilizar a experiência da prática para repensar e questionar teorias é a base para manter ativo e reciclado o pensamento estratégico, bem como para garantir a flexibilidade necessária para aplicação de novas técnicas e ferramentas de atuação.

Realça a atual responsabilidade na liderança da transformação digital no Marketing e na Organização, ajudando a promover as competências digitais das equipas. Reconhece que, mais do que nunca, a Comunicação é a dimensão mais importante do Marketing porque é através dela que as empresas e as marcas entregam a sua proposta de valor e o seu propósito.

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Temos muito a aprender com a Inês Ribeiro em Sustentabilidade. Pela formação que tem e pela empresa que criou em parceria, mas essencialmente pelos projetos em que já participou.

 

 

És co-fundadora da BoG – Environmental Consulting. O que a motivou a lançar o projeto? Que problemas ajudam as empresas a resolver na área da sustentabilidade?

A BoG [de Back On Green] é um sonho partilhado, daqueles que nem sabia bem que tinha. Embora com poucos anos no mundo trabalho, após ter a oportunidade de conhecer e participar em alguns projetos nacionais e internacionais e de ficar muitas vezes com a perceção de não me identificar na totalidade com a forma como as coisas aconteciam, uma amiga, a Débora Carneiro, que à data era também ex-colega de trabalho, desafiou-me a começarmos uma coisa nossa, à nossa imagem… e disse-lhe logo que sim.

Assim, de uma vontade enorme de fazer as coisas de forma diferente, com que nos identifiquemos, que reflitam o que somos, os nossos valores e as coisas em que acreditamos, nasceu a BoG, oficialmente a 3 de abril de 2019.

Somos uma empresa de consultoria e prestação de serviços cujo propósito passa por conceber soluções técnicas adequadas para problemas complexos nas áreas de ambiente, sustentabilidade e economia circular. Trabalhamos com o setor privado e também para um conjunto de instituições públicas no mercado nacional e em diversos mercados internacionais, como Cabo Verde, Angola, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe, entre outros.

 

De todas as iniciativas levadas a cabo na BoG, qual destacas?

A sustentabilidade é mesmo um tema cada vez mais em voga, no entanto, em determinados contextos, como as cidades e territórios, temos verificado que para a gestão de topo por vezes torna-se difícil lidar com a complexidade do tema, com as diversas agendas e compromissos, com a articulação de todos os fatores numa perspetiva de curto, médio e longo prazo, assim como com a avaliação da sustentabilidade das ações e o impacte na qualidade de vida da população.

São necessárias ferramentas que monitorizem, avaliem e, mais do que isso, que apoiem a gestão. A BoG tem vindo a desenvolver a aplicação em contexto nacional dessas ferramentas, nas várias fases do processo.

Temos verificado também, de forma transversal às nossas várias áreas de trabalho, a existência de uma dificuldade de comunicação dos nossos clientes para com o seu público alvo das mais valias associadas a determinado projeto. Para colmatar essa dificuldade, estamos a desenvolver uma matriz de comunicação, que fornecemos aos clientes no contexto dos projetos, que facilite a transmissão de informação de forma mais eficaz e clara para todos.

 

Pertences à Smart Waste Portugal Young Professionals.

Qual o propósito deste movimento? Quais as suas principais iniciativas e metas?

O grupo de trabalho SWYP é um fórum para jovens profissionais, até 35 anos, com atividade profissional e/ou interesse no setor dos resíduos. O propósito prende-se com criar redes de trabalho e promover a partilha de conhecimento entre jovens que vejam nos resíduos importantes recursos económicos e sociais, apoiando o desenvolvimento das nossas carreiras e incentivando a troca de experiências.

Organizamo-nos em quatro áreas distintas para a concretização das atividades: educação, investigação & inovação, comunicação e marketing do grupo, mentoria e desenvolvimento de carreira. Todos os jovens com interesse na temática são bem-vindos!

 

sustentabilidade - 3 pilares

 

Estiveste em S. Tomé e Príncipe através da “TESE – Associação para o Desenvolvimento” a desenvolver um projeto de Sustentabilidade e Economia na Gestão de Resíduos.

Em que consistiu este projeto?

A TESE está em São Tomé e Príncipe há já alguns anos e pelo menos desde 2013 que trabalha no setor dos resíduos, com projetos cofinanciados pela União Europeia e Instituto Camões. Tive a oportunidade de colaborar no “+Valores | Sustentabilidade e Economia Verde na Gestão de Resíduos”, um projeto com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo, o reforço da boa governação e a redução das desigualdades socioeconómicas.

Era um projeto ambicioso, sobretudo porque não consistia apenas em “dar” bens materiais ou replicar soluções anteriormente aplicadas noutros contextos, mas sim em criar ferramentas de base e estratégias que permitissem ao país melhorar a sua gestão de resíduos e, consequentemente, a qualidade de vida da população, mesmo após a conclusão das atividades.

Claro que não foi tudo perfeito, mas senti sempre que passos importantes estavam a ser dados. A verdade é que temos de começar por algum lado, mas as verdadeiras mudanças demoram muito tempo a acontecer… basta olhar para o exemplo português: em 2000, a Sociedade Ponto Verde lançava um anúncio televisivo com o mote “Se o Gervásio consegue, tu também conseguirás”. Quase em 2021, continuamos longe do necessário. O problema é que STP não tem 20 anos, mas isso daria outra conversa!

O que aprendeste nesta passagem por S. Tomé relativamente à sustentabilidade?

Esta não é fácil, mas vou tentar resumir em três coisas:

  1. Consolidar a certeza de que a sustentabilidade não se pode individualizar em cada um dos seus pilares, porque sobretudo nestes contextos o benefício social e ambiental é ainda mais indissociável, quer um do outro, quer da questão económica;
  2. A convicção de que as pequenas coisas fazem a diferença no dia-a-dia e que soluções simples podem ser implementadas com um benefício enorme para a população;
  3. Por fim, foi a perceção de que eu não estava a fazer o suficiente – lá nem sempre era fácil, mas num país como Portugal, onde é tão fácil fazermos escolhas melhores, senti que tinha obrigação de fazer mais. Assim, quando voltei, a sustentabilidade passou a fazer ainda mais parte da minha vida e passei a fazer escolhas mais conscientes. A nível profissional, a minha passagem por STP levou a que me inscrevesse na Pós-graduação em Gestão da Sustentabilidade, para conseguir direcionar a minha atividade também para esse campo.

Para quem se quer iniciar e aprender mais sobre sustentabilidade, que livros recomendas?

Deixo dois! O primeiro é o “Factfulness”, do Hans Rosling, que interpreto como uma mensagem de esperança, que nos mostra que o mundo está melhor do que pensamos.

O segundo é o “Desafio Zero”, da Eunice Maia, fundadora da loja-projeto Maria Granel. A adoção do conceito de “zero waste” é uma necessidade, mas pode ser assustador quando não sabemos bem por onde começar e achamos que temos de fazer “tudo” ou, caso contrário, não valerá a pena. E isso não é verdade – todos os gestos contam e o livro é um ótimo ponto de partida para uma presença com menor impacte negativo no planeta.

Maria Inês Ribeiro

29 anos, apaixonada por livros, viagens e humor e a tentar todos os dias viver uma vida com a menor pegada possível. Mestre em Engenharia do Ambiente pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e pós-graduada em Gestão da Sustentabilidade pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, tem participado nos últimos cinco anos em diversos projetos na área do ambiente, com destaque para as áreas de Estudos Ambientais, Resíduos e Sensibilização, em Portugal e nos PALOP.

Descobre os projetos de consultoria da Inês em www.bog-ec.pt

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O documentário Cowspiracy alertou-nos para o impacto ambiental do consumo de produtos de origem animal, nomeadamente carne. A nossa conversa com Duarte Torres, professor universitário e fundador da Snood Foods, centra-se nas leguminosas, na forma como são sustentáveis, fundamentais para uma alimentação equilibrada e saudável e na Bean’Go, que comercializa snacks sustentáveis. 

Leguminosa - Manga e Pimentão

A Snood Foods, que já está presente em algumas grandes superfícies, como surgiu? Identificou alguma necessidade de mercado? 

Sim, neste momento os snacks Bean’Go estão disponíveis no Pingo Doce e na Go Natural e muito em breve estaremos em ainda mais cadeias do país. Tudo começou em 2015, quando estive envolvido no Inquérito Alimentar Nacional que pretendeu fazer um retrato do consumo e dos hábitos alimentares dos portugueses e percebi que, à semelhança do que acontece com outros países, o consumo de leguminosas estava bastante abaixo daquilo que é recomendado para a população portuguesa (de acordo com o Inquérito Alimentar Nacional www.ian-af.up.pt o consumo médio diário de leguminosas nas crianças e adolescentes portugueses é de 3 a 5 g e nos adultos e idosos situa-se entre os 7 a 10 g, em peso seco, um valor muito inferior às recomendações alimentares preconizadas pela roda dos alimentos portuguesa, 25 a 50 g).

A partir daí, comecei a pensar em formas de incorporar facilmente este alimento nas nossas rotinas. Devido à falta de variedade no mercado de snacks ao nível de alternativas simples e saudáveis começámos assim a explorar o potencial das leguminosas num snack, o que levou à criação dos Bean’Go.

 

Sente que a motivação principal das pessoas na procura por alimentos biológicos é a questão ambiental, ou uma questão individual de saúde? 

Sabemos, através de estudos realizados em outros países europeus, que um maior cuidado com a saúde e com o ambiente são as duas grandes motivações para o consumo de produtos biológicos. É difícil dizer qual é a principal. Em Portugal, não temos dados representativos sobre as motivações, mas sabemos que o consumo de produtos biológicos é maior em pessoas com maiores níveis de escolaridade que vivem em áreas predominantemente urbanas (resultados do IAN-AF).

Para a produção dos Bean’Go, procuramos os fornecedores de leguminosas com as melhores práticas ambientais, mas a oferta de leguminosas de produção biológica é ainda muito escassa.

 

É um defensor das leguminosas como alimentos cruciais para uma alimentação correspondente com o planeta que desejamos.

Pode explicar-nos um pouco melhor em que medida são fundamentais para um planeta sustentável?

Um dos grandes desafios que enfrentamos é, sem dúvida, o de produzir alimentos em quantidade e qualidade suficientes para todos, sem que isso afete de forma irreversível o equilíbrio do nosso planeta.

Produzir alimentos é uma atividade com grande impacto nos ecossistemas, ocupa grandes áreas da superfície do planeta, muitas vezes à custa da destruição de biodiversidade, consome muita água e liberta muitos gases com efeito estufa. O desafio que temos é o de fazer chegar mais alimentos aos pratos das pessoas, e, simultaneamente, reduzir a área ocupada para os produzir, gastando menos água e emitindo menos gases com efeito estufa.

Isto não se consegue sem uma forte redução do desperdício alimentar (ainda desperdiçamos cerca de 1/3 dos alimentos que produzimos), e uma forte diminuição do consumo de produtos de origem animal, cuja produção consome muito mais recursos que a produção alimentos de origem vegetal.

Por exemplo, para produzir igual quantidade de proteína, a emissão de gases com efeito estufa quando cultivamos leguminosas são centenas de vezes inferiores às que se observam quando produzimos carne de vaca.

Para além dos aspetos anteriores, as leguminosas fazem parte de um grupo restrito de plantas que vivem em simbiose com bactérias que desenvolveram a capacidade de fixar azoto atmosférico. Este processo, designado por “fixação biológica de azoto” é particularmente importante para a produtividade agrícola global, e pode ser considerada um dos processos biológicos mais importantes do planeta, segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). O cultivo de leguminosas é portanto insubstituível para a preservação da fertilidade dos solos agrícolas. 

 

Tem algum produto estrela, com maior procura? Quais os seus principais atributos e benefícios?

Neste momento a Bean’Go oferece quatro sabores:

  1. grão-de-bico com sal
  2. ervilha com sal
  3. feijão com manga e pimentão
  4. grão-de-bico com tomate e orégãos

E em breve iremos lançar novos sabores. O sabor mais vendido é grão de bico tomate orégãos, mas o feijão manga pimentão, lançado recentemente também tem tido bastante procura.

Em termos nutricionais, apresentam menos de 99 calorias por pack, 2,5x mais proteínas, 50% menos gordura, 40% menos sal, e 2,8x mais fibras do que outras opções disponíveis no mercado.

leguminosas - tomate e oregãos

Fale-nos um pouco do processo de fabrico dos vossos produtos. Quais as principais etapas e qual o vosso compromisso com a sustentabilidade nesta fase?

A partir de uma seleção cuidada de leguminosas (grão de bico, ervilhas ou feijão), estas começam por ser cozidas e trituradas para formar uma massa que depois é recortada em pequenos círculos.

De seguida, estes vão ao forno onde, sem frituras, ganham a sua textura crocante. No final passam pela incorporação de aromas naturais, como tomate, ervas aromáticas, entre outros. 

Em relação ao nosso compromisso com a sustentabilidade, acreditamos que ao promover o aumento da produção de leguminosas para consumo humano estamos a contribuir para a um sistema agroalimentar mais sustentável, melhorando a fertilidade dos solos agrícolas, diminuindo as necessidades de utilização de fertilizantes e diminuindo a libertação de gases com efeito estufa.

O consumo de proteína vegetal através do consumo de leguminosas diminui a necessidade de produzir e consumir proteína de origem animal. Desta forma estamos também a diminuir o impacto ambiental do sistema de produção alimentar.

 

Quem é o público alvo da Snood Foods, um cliente mais jovem e informado ou de meia idade preocupado com a saúde? 

Temos um produto bastante versátil, que tanto pode ser consumido pelo jovem que o acompanha com uma cerveja, como pelo filho que o leva para a escola como lanche ou o pai entre reuniões do trabalho. Como tal, o nosso target são pessoas que procuram opções alimentares rápidas e saborosas, mas sem descurar da saúde. 

 

Têm existido alterações nos hábitos alimentares, por exemplo com o aumento de vegans. Como vê esta tendência e de que forma dão resposta a esta necessidade crescente?

O consumo vegan tem crescido e é natural que continue a crescer, embora ainda represente um pequeno nicho de mercado. Os Bean’Go não incluem qualquer ingrediente de origem animal e são perfeitamente adequados em regimes alimentares restritivos como o veganismo. Mas os Bean’Go são, mais do que qualquer outra coisa, uma forma de alargar os espaços e promover ocasiões para o consumo de leguminosas. As leguminosas são alimentos únicos, são simultaneamente uma boa fonte de proteínas, de fibras, e de várias vitaminas e minerais. A sua inclusão na dieta está associada a efeitos fisiológicos benéficos que contribuem para o controlo ou prevenção de várias doenças crónicas.

 

leguminosas - ervilha e sal

 

Tem existido uma perceção generalizada que, com a pandemia, as pessoas aumentaram as suas preocupações com o ambiente e alimentação. A Snood Foods sentiu isso de alguma forma?

A Snood Foods começou a produzir e comercializar os seus produtos poucos meses antes do início da pandemia, portanto não existe um histórico que nos permita estimar o real efeito da pandemia na procura por alimentos saudáveis e ambientalmente sustentáveis como os Bean’Go. No início da pandemia, acelerámos a criação da loja online para dar resposta a uma menor deslocação dos consumidores aos pontos de venda/retalho. Em relação a preocupações alimentares, apenas temos tido algumas perguntas sobre a sustentabilidade dos nossos produtos

 

Há uma preocupação com o packaging das vossas embalagens. O que tiveram em linha de conta para a escolha desta identidade gráfica? 

Em primeiro lugar, no que diz respeito ao nome, a marca Bean’Go remete, simultaneamente, para as leguminosas “bean” e para um alimento que pode ser consumido por qualquer pessoa em qualquer altura, mesmo em movimento “go”. Por outro lado, remete para uma escolha acertada e cheia de sorte, por ser foneticamente semelhante à expressão “bingo!”, sendo que quisemos também que a diversão e a irreverência fossem atributos da identidade da marca. 

Por outro lado, em relação ao packaging e à imagem visual, preocupamo-nos essencialmente em passar uma imagem de naturalidade. Por exemplo, usamos a janela para que o produto possa ser identificada da forma mais natural possível, o que não é normal neste tipo de produtos (snacks). Quisemos sobretudo diferenciar-nos, aumentando a transparência da embalagem para tornar visíveis os nossos snacks, e, ao mesmo tempo, comunicando as propriedades mais importantes do produto, como a sua naturalidade, crocância, isenção de glúten e o seu distinto valor nutricional.

 

O material das embalagens foi pensado para posterior reciclagem?

Sim, o material de embalagem é 100% reciclável.

 

Que sugestões gostaria de dar para que as pessoas possam ser mais conscientes no momento de realizar as compras para a sua alimentação?

Talvez o melhor conselho que posso dar é que as pessoas comprem os alimentos de que realmente precisam. Isso implica algum planeamento das refeições. Fazer uma lista de compras antes de sair de casa ajuda sempre.

Uma alimentação frugal, variada, essencialmente baseada em hortícolas, frutos, leguminosas e cereais integrais e complementada com porções moderadas de alimentos de origem animal.

Duarte Torres

Professor na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) e co-fundador da Snood Foods

Encontre todos os snacks em www.bean-go.com

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Faltam-nos as palavras para descrever esta conversa com a Catarina Vieira, fundadora do Chão do Rio – Turismo de Aldeia. Um projeto que nasce da vontade da Catarina e o companheiro plantarem árvores, onde podemos enumerar uma lista infinita de ações sustentáveis para preservar e potenciar a sua localização e onde sentimos o amor pelo projeto, natureza e hóspedes em cada palavra da Catarina, que nos narra uma história de encantar e encantada, tal como Chão do Rio é. 

 

Como nos descreve o Turismo de Aldeia Chão do Rio? 

Localizado no sopé da Serra da Estrela, na aldeia de Travancinha, o Chão do Rio – turismo de aldeia, oferece uma experiência de alojamento sustentável, certificada pela Biosphere Responsible Tourism

Na sua quinta de 8 hectares, os seus hóspedes são desafiados para uma experiência de Slow Tourism, de grande contacto com a natureza e a vida rural. As confortáveis casas em pedra com telhados decorados com giestas estão dispostas em torno da piscina biológica, construída para se assemelhar às lagoas da serra da Estrela. Os géneros para o pequeno-almoço são servidos em cestos e incluem especialidades regionais. Os seus hóspedes são encorajados a explorar os trilhos das proximidades a pé ou nas bicicletas disponíveis gratuitamente. As crianças podem divertir-se com carros-de-mão, apanhar os ovos do galinheiro amovível ou apenas brincar livremente e em segurança. 

As Casas Churra, Cotovia, Loba, Ribeira e Pastor – todas com 1 quarto – permitem acomodar 4 pessoas. A Casa da Cumeada – 2 quartos e capacidade para 6 pessoas – está um pouco mais distante das restantes casas, proporcionando maior privacidade. A nova Fraga & Urze é um edifício com duas casas, a Urze, com tipologia T1 e preparada para hóspedes com mobilidade condicionada e a Fraga, com tipologia T2. Estas duas casas podem funcionar como uma só casa e permitem acomodar 8 pessoas. 

A decoração das casas é simples e confortável. Todas as casas possuem alpendre onde é possível desfrutar de refeições ao ar livre ou reparadoras sestas na rede. O Chão do Rio oferece ainda acesso a bicicletas, trilho interno sinalizado, carros-de-mão, churrasqueiras, forno de lenha, lareira ao ar livre, parque infantil, horta, galinheiro e piscina biológica. São permitidos animais de estimação mediante custo adicional.

 

A nossa principal motivação era a compra de um terreno onde pudéssemos plantar árvores, queríamos deixar um legado para as gerações futuras, embora nessa altura ainda não tivéssemos as nossas filhas

Como surgiu a ideia do Chão do Rio? 

O Chão do Rio, mais do que uma ideia, foi um processo de evolução e adaptação às circunstâncias que a vida nos foi apresentando e a um enorme desejo de enraizamento e contacto com a Natureza

Chão do Rio é o nome de registo da propriedade onde está implantado o Chão do Rio – Turismo de Aldeia. Em 2001, eu e o meu companheiro adquirimos um terreno na aldeia de Travancinha, concelho de Seia, onde existia uma ruína de um antigo abrigo de animais, com potencial para recuperação para uma segunda habitação. No entanto, nessa altura, a nossa principal motivação era a compra de um terreno onde pudéssemos plantar árvores, queríamos deixar um legado para as gerações futuras, embora nessa altura ainda não tivéssemos as nossas filhas. Aquela era uma região onde gostávamos de fazer caminhadas (Serra da Estrela) e, por coincidência, foi ali que descobrimos o terreno que desejávamos comprar. No início, íamos lá todas as semanas (vindos de Aveiro), apenas para limpar o terreno, plantar árvores e descarregar do stress da semana. Era uma relação com a terra muito física. Ao fim do dia, saíamos dali cansados, mas felizes. Mais tarde viríamos a recuperar a ruína e transformá-la numa casa de fim-de-semana apenas para nós, e ali passámos a ficar aos fins-de-semana.

Já em 2006, a nossa vida profissional complicou-se e tornou-se difícil suportar os custos de manutenção de um terreno de 8 hectares apenas para nosso deleite. Mas, foi precisamente deste momento de aperto que começou a surgir a ideia de transformar aquele nosso refúgio num refúgio partilhado. Já com essa ideia em mente, fui fazer uma pós-graduação na área do turismo na minha antiga escola de gestão do Porto (a FEP) e numa disciplina de estratégia construí o plano de negócios do então sonhado “Chão do Rio – Estância Rural”. Em rigor, já ali estava quase tudo o que é hoje, mas então era só uma ideia. De qualquer modo, nesse curso percebi que com pouco investimento era possível testar se o nosso Chão do Rio atraia outras pessoas para além de nós. Foi por isso que, em 2010, o Chão do Rio começou a receber hóspedes, sob a forma de alojamento local, nessa altura uma família alugava uma quinta inteira de 8 hectares. Rapidamente percebemos que Travancinha, também para outros, era uma boa base para visitar o destino turístico Serra da Estrela e o desejo de ir mais além instalou-se.

Estávamos em 2011 quando contactámos a ADRUSE (Gabinete de Apoio à Ação Local da região) e descobrimos que, daí a 15 dias, iria acabar talvez a nossa grande oportunidade de fazer crescer o Chão do Rio. Nesse momento, aquele plano de negócios do Chão do Rio – Estância Rural, bem como a boa vontade de todos os que acreditaram na nossa capacidade de realização, serviram para completar uma candidatura ao antigo PRODER em apenas 15 dias. Quase um ano depois soubemos que a nossa candidatura havia sido aprovada.

Em 2012 começámos a construção e em 1/8/2014 começámos a comercializar o Chão do Rio no booking.com. 

 

Onde se inspiraram para as casas em pedra, com telhados de colmo? 

Os nossos telhados são decorados com giestas, tal como faziam os pastores da região da Serra da Estrela (ainda visível no vale do Zézere e Casais de Folgosinho). A construção era feita com o que existia no local e que a natureza dava e assim é com o Chão do Rio. Sendo a cultura pastorícia a grande referência do nosso conceito, os telhados surgiram como uma forma de homenagear esta cultura que, para nós, é um excelente exemplo de como é possível viver em harmonia com a natureza.

 

 

As tradições locais e a herança cultural estão presentes no espaço? 

Sim, não só ao nível da arquitetura, mas também em alguns produtos locais que integram os nossos cabazes de pequeno-almoço (como o requeijão, o queijo velho, o bolo negro de loriga, o mel artesanal…), no fomento do contacto com os animais sempre presentes na quinta como as duas ovelhas, as galinhas ou a sugestão de recolha dos produtos da época na nossa horta e árvores de fruto, ou pelos contactos com o rebanho do pastor da aldeia que visita o nosso espaço.

 

O que os vossos hóspedes mais valorizam na experiência? 

O encantamento muitas vezes acontece no primeiro olhar, muitos relatam a sensação de entrar numa aldeia de fadas, que predispõe ao espanto. A natureza presente de forma não artificializada, faz outra parte importante do trabalho, ao variar com as estações e propiciar diferentes sensações consoante a época. Finalmente, a equipa sempre disponível e genuinamente envolvida, de uma forma simples contribui para um momento memorável. Depois há momentos especiais, como o facto de a chegada do pão quente acontecer pelas 5 da tarde, pelo momento do check-in, estando o cabaz de pequeno-almoço do dia seguinte já disponível na casa, que propicia logo um dos pontos altos: o lanche.

 

Uma piscina biológica é a recriação artificial de um ecossistema natural. É um lago para banhos, onde a qualidade da água se obtém através de jardins aquáticos com plantas purificadoras

 

Dispõem de uma piscina biológica. Podem explicar-nos um pouco melhor no que consiste? 

Uma piscina biológica é a recriação artificial de um ecossistema natural. É um lago para banhos, onde a qualidade da água se obtém através de jardins aquáticos com plantas purificadoras, de um maior volume de água por banhista do que seria numa piscina convencional e através a circulação permanente da água. 

Tratando-se de uma água não tratada, a nossa ação é sempre indireta, favorecendo a saúde das plantas, para que estas assegurem a qualidade da água. E a qualidade vê-se bem pelas inúmeras libelinhas que ali nascem. Como onde há água pura, há vida, à piscina são atraídos muitos seres que contribuem para o equilíbrio do ecossistema, sendo os mais visíveis os anfíbios, como as rãs ou tritões.

 

Como incorporam a sustentabilidade no vosso espaço? 

A nossa política de sustentabilidade define medidas em diversas áreas:

Promovemos a biodiversidade…

Estamos a recuperar um bosque de folhosas na nossa quinta, plantando bolotas de Carvalhos autóctones;

Criámos corredores ecológicos para a circulação das espécies selvagens, através de espécies arbustivas locais;

Criámos zonas húmidas como o nosso “Brejo das Libelinhas” e a nossa Piscina Biológica;

Criámos zonas abrigo para animais selvagens como coelhos e lebres;

Recuperámos a frente ribeirinha da nossa propriedade.

Incentivamos experiências amigas do ambiente…

Os nossos hóspedes recebem diversas propostas de experiências através de parceiros locais, como massagens à sombra de carvalhos, workshops de fotografia, Caminhadas na Serra, Passeios a Cavalo e passeios no rio em Stand Up Paddle Board.

Disponibilizamos bicicletas de utilização gratuita para passear na propriedade ou na aldeia de Travancinha;

Criámos um trilho pedestre por onde os nossos hóspedes são convidados a caminhar, despertando para a magia da natureza;

As crianças podem apanhar ovos do galinheiro, legumes da nossa horta biológica, dar de comer às ovelhas “Flor” e “Estrela” ou divertir-se em passeios de carro-de-mão;

Os mergulhos entre nenúfares, libelinhas e rãs na nossa piscina biológica são inesquecíveis;

As zonas de piquenique, o forno de lenha e as churrasqueiras, transformam as refeições em saborosos momentos lúdicos de comunhão com a natureza;

Convidamos os nossos hóspedes a explorar a natureza em todos momentos, entregando-lhes uma lanterna para caminhadas noturnas.

Divulgamos o património local e contribuímos para o desenvolvimento da região…

O nosso cabaz de pequeno-almoço inclui uma grande variedade de produtos endógenos;

Na nossa loja de recordações vendemos artesanato local;

Na nossa receção são prestadas informações sobre a região;

Participamos ativamente na divulgação da Aldeia de Travancinha através de reportagens fotográficas profissionais dedicadas aos seus pontos de interesse turístico;

Os nossos hóspedes são convidados a conhecer e consumir nos estabelecimentos da aldeia e localidades vizinhas;

Integramos uma rede de parceiros locais que oferece experiências de animação únicas, abdicando de quaisquer comissões de intermediação…

Em momentos de renovação dos nossos equipamentos, doamos materiais em bom estado de conservação a instituições de cariz social localizadas nas proximidades do Chão do Rio.

Reduzimos os impactos ambientais mais adversos…

As casas do Chão do Rio confundem-se com a paisagem natural pela utilização de telhados de origem vegetal, construídos com recurso a materiais provenientes da limpeza dos terrenos envolventes.

todas as construções foram realizadas com materiais sustentáveis, tais como como pedra proveniente de demolições locais e madeira;

O aquecimento da água é realizado através de painéis solares;

Os nossos esgotos estão ligados à estação pública de tratamento de águas residuais;

O nosso aquecimento é realizado através de recuperadores de calor a lenha;

Reciclamos e incentivamos à reciclagem em cada uma das nossas casas, através da colocação de eco-pontos;

A iluminação é efetuada com lâmpadas Led;

A iluminação exterior é reduzida ao mínimo para evitar o consumo energético e a poluição luminosa;

O nosso “jardim” é um prado espontâneo que não carece de rega;

O nosso galinheiro é móvel, evitando a desertificação do solo e contribuindo para o enriquecimento natural da alimentação das nossas galinhas;

A manutenção dos espaços exteriores é realizada com recurso a meios manuais e mecânicos, nunca sendo utilizados pesticidas;

A nossa piscina principal é biológica, sendo o seu equilíbrio assegurado através da recriação de um ecossistema natural, onde as plantas garantem a purificação da água;

As nossas aménities são sabonetes artesanais produzidos na região, recorrendo a matérias primas locais;

O papel higiénico e os guardanapos são 100% reciclados e de origem nacional;

Os nossos hóspedes tem a opção de não trocar as toalhas diariamente, por forma a ajudarem-nos na redução do consumo de água e detergentes;

Reduzimos ao máximo a impressão de materiais publicitários em suporte de papel, privilegiando outros meios de divulgação de menor impacto ambiental;

Um fator de decisão essencial nos nossos consumos é o número de quilómetros percorridos. Sempre que possível, compramos localmente.

 

A entrega de pão fresco, típico da zona de Seia, é uma das experiências que apresentam. De onde veio a ideia?

Não é algo inventado por nós, é uma simples e feliz coincidência por nós aproveitada: a Padaria da Aldeia (Padaria Henrique Mendes) confeciona o pão à tarde e faz entregas ao domicílio por volta da hora do lanche. Trata-se de um costume da aldeia, muito feliz para nós e mais um exemplo de que as experiências são tão mais autênticas, quanto maior a ligação aos costumes e cultura locais.

 

Cerca de metade da área total da propriedade do Chão do Rio (4 hectares), constitui uma área de reserva de natureza, onde estamos a recuperar uma Floresta autóctone.

 

O vosso cliente tipo é português ou internacional? O respeito pelo ambiente é fator crítico de escolha?

Os nossos hóspedes são desde o início, na sua maioria, provenientes do mercado nacional, maioritariamente das cidades de Lisboa e Porto. Na sua maioria, são hóspedes com uma grande sensibilidade para as questões ambientais e fascinados pela natureza. Mas também são famílias onde mais que o fascínio pela natureza, a sua falta os atrai até nós. Todos, em maior ou menor grau, de forma consciente ou inconsciente, necessitamos de um contacto com o meio natural não possível nas cidades e daí a atração pelo nosso espaço.

 

 

Têm ações, ou planos, relacionados com a atuação sustentável que gostassem de destacar?  

Sim, um dos nossos projetos mais acarinhados é a nossa “Floresta do Futuro”. Cerca de metade da área total da propriedade do Chão do Rio (4 hectares), constitui uma área de reserva de natureza, onde estamos a recuperar uma Floresta autóctone. Esta área era anteriormente ocupada por uma mata de pinheiro manso, que o fogo em Outubro 2017 destruiu completamente. Desde então este espaço tem sido semeado e plantado com uma floresta autóctone, com o apoio de escolas, do Centro de Interpretação da Serra da Estrela e da Casa Santa Isabel. Este espaço que apelidamos Floresta do Futuro, por ser uma floresta para quem vem depois de nós, é pretexto de encontro e reflexão alargada, no nosso “dia aberto, um dia pela Floresta”, um evento aberto à comunidade por altura do aniversário dos fogos. Este ano a pandemia suspendeu o evento que pretendemos retomar já no próximo ano.

Conhece e encante-te com o Chão do Rio em www.chaodorio.pt

Catarina Vieira 

Natural de Aveiro, Catarina Vieira licenciou-se em Gestão na Faculdade de Economia do Porto, cedo viria a assumir cargos de administração em empresas do sector da construção. Mas a crise no sector e a deteção de oportunidades na área do turismo, levou-a, em 2008, a atualizar a sua formação académica através de um mestrado em Gestão e Planeamento em Turismo na Universidade de Aveiro. A partir do estudo exploratório que realizou na região da Serra da Estrela, durante a tese do seu mestrado, em 2010, viria a escrever alguns artigos científicos em coautoria, na temática do Desenvolvimento pela ligação entre o turismo rural e os produtos endógenos. Em 2012, foi também na Serra da Estrela que viria a concretizar a sua vocação empreendedora, integrando a paixão pela natureza, a vontade de fazer a diferença e os conhecimentos académicos adquiridos. O Chão do Rio – turismo de aldeia, foi o sonho concretizado através de uma unidade de turismo rural de pequena escala, localizada na aldeia de Travancinha, no sopé da Serra da Estrela! Desde a sua criação, o Chão do Rio tem desenvolvido um reconhecido trabalho em prol do Turismo Sustentável, tendo se tornado na primeira Unidade de Turismo Rural em Portugal a receber a Certificação “Biosphere Sustainable Tourism” em 2018 e foi vencedor dos Prémios AHRESP 2019 na Categoria Sustentabilidade Ambiental. 

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Somos da área de marketing, pelo que a comunicação e design são temas que nos dizem muito. Mas como é que se incorporam na Sustentabilidade?

Foi com esta questão em mente que fomos falar com o Luca Padovani, communication designer com diversos projetos na área da  sustentabilidade, para entidades como as Nações Unidas e 4Change. Lê tudo abaixo.

 

 

De onde vem a tua paixão pela sustentabilidade? O que te move?

Vem da altura da universidade – não vou dizer quantos anos já passaram, porque a idade de um designer nunca se revela! Na altura de acabar o meu curso em comunicação em Itália, as poucas certezas que tinha é que queria desenvolver a minha carreira num contexto internacional e aplicar o conhecimento adquirido até então em algo que não estivesse diretamente ligado a uma vertente de negócio, mas que ainda não sabia definir com precisão. Digamos que se naquela altura me tivessem perguntado por qual organização teria gostado de trabalhar, a resposta mais frequente teria tido nomes como: Amnistia Internacional, Greenpeace ou Oxfam.

 

O que faz um communication designer na área da sustentabilidade?

A resposta curta é “o mesmo que costuma fazer um communication designer na área da comunicação empresarial, mas com um foco mais específico”. Ou seja, mudam os temas e, em alguns casos, os interlocutores, mas as ferramentas estratégicas e criativas mantêm-se. 

A resposta mais longa, na realidade, é uma pergunta: “o que é que um designer pode fazer na área da sustentabilidade?” E aqui os horizontes são muitos amplos, a começar por:

  • desempenhar um papel de ativismo em que há uma apropriação dos temas sociais e ambientais, anterior à formulação de uma estratégia de conteúdos e visual;
  • promover ativamente os valores da sustentabilidade junto dos clientes e parceiros, destacando quais podem ser as opções com menores impactos negativos, por exemplo, no momento de escolher se optar por um relatório de sustentabilidade impresso ou em formato digital, na escolha dos materiais (o papel, as tintas, os acabamentos), no ciclo de vida do produto de comunicação (será que o packaging do kit de imprensa ou os produtos de merchandising podem ter uma segunda vida?);
  • educar para uma ética visual em que todos devemos ser retratados de forma digna, em que se respeita e promove a diversidade, como base por uma maior equidade social. Enfim, os temas são muitos!

 

Cartaz da FCB Lisboa, para o Festival Política

 

A tua carreira na área já é longa. Quais os três projetos relacionados com a sustentabilidade que mais gostaste de realizar e porquê?

Uma caraterística que considero extremamente valiosa do meu percurso profissional é a possibilidade que tive e continuo a ter de misturar áreas, temas e metodologias muito diferentes, o que resulta numa grande diversidade de projetos. Só porque perguntaste (!), vou destacar três:

  1. A minha participação na Campanha para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (os antecessores dos atuais ODS), pela possibilidade de trabalhar num contexto internacional e de me tornar ao mesmo tempo um ativista da causa para a qual estava a contribuir com o meu trabalho (ainda hoje visto com orgulho uma t-shirt que me foi oferecida quando ajudei na preparação da campanha Make Trade Fair, num concerto dos Cold Play em Lisboa);
  2. Segue-se na lista uma aventura enquanto mentor de organizações da economia social em Portugal, para a área da avaliação de impacto com a metodologia SROI, no âmbito de um projeto da 4Change em parceria com a Fundação Montepio e a CASES;
  3. O terceiro é um projeto que vai ser lançado muito em breve – e em relação ao qual, por esta mesma razão, não posso desvendar muitos detalhes – que consiste num movimento para a promoção da economia circular, livremente inspirado pelos temas da atualidade (leia-se movimento “Fridays for Future”) e alguns documentários interessantes como o Demain ou a série produzida pela SIC, É p’ara Amanhã.

 

Trabalhaste recentemente para um projeto das Nações Unidas. Em que consistiu?

Recentemente trabalhei pelo UNCDF, o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital, na criação de manuais de normas para a aplicação do branding de dois projetos relacionados com a sustentabilidade ambiental: o LoCAL (Local Climate Adaptive Living, em inglês), um programa de apoio ao investimento “verde” em países particularmente vulneráveis às consequências das alterações climáticas,  e o GrEEN, um projeto que visa à promoção da resiliência climática e da criação de oportunidades de trabalho no Ghana.

Neste caso foram claramente os temas a tornar o trabalho interessante. Os temas e talvez alguns desafios que não tinha antecipado: por exemplo, tive que considerar as eventuais limitações de impressão a nível local e propor algumas alternativas em preto e branco, com um consumo reduzido de tinta e opções de layout que permitissem um melhor aproveitamento de papel. Pedidos estes que não são muito frequentes neste meio, apesar da sua pertinência e relevância.

 

O importante é que a sustentabilidade deixe de ser encarada como uma limitação e passe a ser usada como uma oportunidade para alavancar o potencial criativo da comunicação

 

Por onde começa um projeto de consultoria nesta área? Quais as etapas do processo?

Por enquanto, é ainda difícil padronizar o processo de consultoria nesta área, pois depende muito do tipo de cliente e das exigências que são postas encima da mesa. Trabalhando como freelancer, nem sempre tenho a margem que gostaria para trabalhar de forma integrada. Mas na minha opinião deveria existir sempre uma parceria entre o cliente e o consultor, em que o próprio communication designer assume um papel estratégico de diagnóstico e aconselhamento. 

 

O que diferencia a comunicação na área da sustentabilidade de uma comunicação convencional? Que princípios ou valores têm que ser tidos em conta?

Já falámos de alguns temas, mas acho que o importante é que a sustentabilidade deixe de ser encarada como uma limitação e passe a ser usada como uma oportunidade para alavancar o potencial criativo da comunicação. Para que isso seja possível, é necessário olhar para os processos de comunicação de forma integrada, além das questões de impacto e eficácia visual.

  • Qual é o ciclo de vida do produto de comunicação?
  • De que forma podemos reduzir o seu impacto no ambiente ou até promover a sua reutilização?

Todos conhecemos a pintura do Magritte, “Ceci n’est pas une pipe”… da mesma forma temos que aprender a olhar para um kit de imprensa, como algo mais de que um produto de comunicação. Aproveitando esta reflexão, queria partilhar um exemplo recente que considero inspirador: o cartaz do Festival Política assinado pela FCB Lisboa.

 

person holding click pen

 

 

Há muito greenwashing na comunicação da sustentabilidade. Como separar “o trigo do joio”?

Há, claro que sim. E a comunicação é muitas vezes a principal ferramenta da greenwashing. Mas a pressão sobre as organizações que, por miopia ou oportunismo, não querem incorporar com seriedade a sustentabilidade na sua cadeia de valor (ou até repensar esta última em função da primeira), é cada vez maior. Os consumidores são mais informados do que nunca – apesar de existir alguma resistência residual ou até mesmo oposição em alguns segmentos.

Os compromissos internacionais (redução das emissões, reciclagem de resíduos, etc.) são cada vez mais exigentes. E o próprio contexto ambiental e social parece ser progressivamente menos favorável a um tipo de desenvolvimento humano que não tenha em consideração os princípios da sustentabilidade. Enfim gosto de acreditar que irá haver um processo de seleção natural a médio prazo, do qual sairão como vencedoras somente aquelas organizações que estão realmente dispostas e capazes de mudar. Sonhar não custa, certo?  

 

Qual ou quais são na tua opinião as marcas que melhor comunicam o seu compromisso com a sustentabilidade neste momento?

Algo que se aprende rapidamente na área da sustentabilidade é que sem o devido escrutínio – isto é, sem ter olhado com atenção para toda a cadeia de valor que suporta uma determinada marca – é sempre arriscado destacar exemplos virtuosos. Por isso, vou só dizer que fiquei com curiosidade em saber mais sobre os esforços de marcas como LIDL ou IKEA, para citar só duas das mais recente. A primeira com a progressiva eliminação de embalagens de plástico das suas lojas. A segunda, pela iniciativa de promover a economia circular através de um serviço de retoma de móveis usados. Falei neste dois exemplos para não citar os clássicos da área, como Patagonia ou outras B-Corps

 

Que livro recomendarias a quem queira dar os primeiros passos na tua área?

Esta é a tua especialidade, não vou competir contigo! Até porque, na área mais específica do design gráfico sustentável o conhecimento ainda não está bem sistematizado. Porém há um documentário que aconselho sempre e que é um “murro no estômago” necessário para afastar qualquer dúvidas sobre a necessidade de repensarmos os nossos hábitos de vida: O Pesadelo de Darwin (2004). Depois de o ver, nunca irão fazer olhar para a balcão da peixaria da mesma forma.

 

Luca Padovani

Especialista em comunicação e design há cerca de 15 anos, já colaborou com várias organizações internacionais, no setor da cooperação e para o desenvolvimento e da sustentabilidade. Tem uma longa experiência no setor da economia e da responsabilidade social em Portugal, tendo colaborado em vários projetos de promoção e gestão de impacto social. Paralelamente desenvolveu também uma carreira de especialista em comunicação estratégica no setor privado. A sua formação junta as áreas da comunicação e marketing, cooperação internacional, sustentabilidade. Um desejo atual? Voltar a viajar.

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Luís Rochartre Álvares é uma referência nacional e internacional na área da sustentabilidade, com um trabalho notável na direção do Forest Solutions Group (FSG) do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e temos o privilégio de ter falado com ele. Uma entrevista que não vai querer perder, para compreender melhor o universo das florestas e o que está em causa para termos uma planeta mais sustentável, na perspetiva do próprio. 

 

 

reflection on trees on clear body of water during sunset

 

Quando assumiu, em 2018, a liderança executiva do Forest Solutions Group, do grupo World Business Council For Sustainable Development (WBCSD), disse numa entrevista que se tratava de cumprir um desejo antigo de ter uma ocupação com capacidade de impacto no setor florestal.

Passados dois anos, o desejo está cumprido? Que desafios enfrenta?

Como sempre que vamos para uma responsabilidade nova, nunca temos a perfeita noção de tudo o que pode acontecer. Mas confirmo que a minha vontade de contribuir para o impacto do sector se confirmou, hoje o Forest Solutions Group reforçou a sua voz na arena internacional. Os desafios corporizam-se em dar sequência a uma agenda ambiciosa que aponta os caminhos da sustentabilidade para as empresas de base florestal.

Foi muito estimulante contribuir também para a diversificação, e aumento, dos sectores representados no Grupo. Onde antes tinhamos sobretudo empresas dos sectores da pasta, papel e embalagem, hoje temos também empresas líderes nos materiais de construção, texteis de base florestal e área financeira.

 

O que é uma “working forest”?

Explique-nos um pouco o conceito (onde se situam, quais as características e diferenças com natural forests como a Amazónia).

O termo “working forest” é um conceito anglo saxónico, que explica que as florestas que nós representamos são as florestas geridas pelo homem, sejam áreas semi-naturais, como na Escandinávia ou América do Norte, ou plantações em latitudes mais a Sul. Assim, estamos  falar de toda e qualquer floresta na qual a gestão humana é determinante no seu funcionamento.

A floresta da Amazónia trata-se de um complexo ecossistema natural, onde o homem está presente, mas tem um impacto reduzido na evolução do sistema natural (ou deveria ter, se não quisermos quebrar o equilíbrio natural).

Existem hoje referenciais, aceites em todo o Mundo, que permitem certificar a gestão florestal sustentável.

 

photography of tall trees at daytime

 

É muito importante aproximar o setor florestal aos objetivos do desenvolvimento sustentável.

Quais são os principais desafios que existem para que tal se concretize?

Hoje é fundamental que qualquer atividade humana possa saber como está a contribuir para que se alcancem os ODS. No caso especifico do sector florestal, tive o privilégio de coordenar a elaboração de um roteiro para o sector. Trabalhámos durante mais de 18 meses com os nossos membros, com consultores e um grupo de stakeholders para construir este roteiro.

No final, para lá da caracterização dos impactos positivos e negativos do sector, definimos 22 acções para potenciar o impacto positivo do sector.

Hoje estamos a ultimar o primeiro relatório de implementação das recomendações entre os nossos membros. Este exercício revelou-se de grande importância para a Grupo, bem como para muitos stakholders externos, por exemplo muitas empresas usam-no hoje nas suas análises de materialidade ou a associação canadiana das indústrias florestais adoptou o roteiro como a sua visão para os ODS.

 

Outra estratégia passa por assegurarmos que as nossas mensagens passem nos grandes palcos mundiais onde a sustentabilidade seja o tema

 

Um dos principais desafios quando abraçou o cargo foi o de construir de uma nova abordagem de comunicação para os diferentes stakeholders na área da floresta a nível global.

Que ações têm sido ou vão ser implementadas neste sentido?

Temos vindo a adotar o nosso plano de comunicação aos diversos momentos que a agenda vai propiciando, bem como a edição dos nossos conteúdos, como por exemplo o roteiro para os ODS. Como o sector florestal é um sector eminentemente B2B e as principais necessidades de comunicação estão nos consumidores e nos media, existe um desafio muito grande a ultrapassar.

Assim, de um plano virado para os stakeholders mais próximos, estamos a evoluir para construir conteúdos que nos permtiam alcançar stakeholders mais distantes. Outra estratégia passa por assegurarmos que as nossas mensagens passem nos grandes palcos mundiais onde a sustentabilidade seja o tema, as conferências das diferentes agencias das Nações Unidas, processos intergovernamentais bem como as principais conferências sobre florestas e produtos florestais.

 

body of water surrounded by pine trees during daytime

 

Em Portugal, quais são as dificuldades que as indústrias florestais têm para comunicar? São partilhadas a nível global, ou temos especificidades próprias? 

Em Portugal não estamos muito longe das preocupações globais de comunicação do sector. Por um lado temos um grande goodwill, que advém da origem dos nossos produtos e das suas características sustentáveis, recicláveis e circulares, por outro existe uma rejeição ao corte de árvores, à gestão das florestas ou ao impacto das actividades industriais. Existe um problema de percepção pública dos impactos do sector, que é amplificado pelo “senso comum” e os media tradicionais.

Assim, o desafio é muito grande, mas o facto de ser global não o torna mais difícil em qualquer geografia.

 

Nós, enquanto sociedade, temos trabalhado mais no combate à insustentabilidade, ao diminuir a poluição, ao dar atenção ao equilíbrio social das diversas regiões, etc. Não temos estado tão apostados em construir a sustentabilidade.

 

Numa entrevista que deu afirma que: “nós, enquanto sociedade, temos trabalhado mais no combate à insustentabilidade, ao diminuir a poluição, ao dar atenção ao equilíbrio social das diversas regiões, etc. Não temos estado tão apostados em construir a sustentabilidade”.

A seu ver que passos têm que ser dados para se construir a sustentabilidade?

É uma afirmação que mantenho, as abordagens tendem a ser curtas em relação às necessidades. Como se vê, por exemplo na caso das emissões de dióxido de carbono, temos estado a tentar diminuir as emissões usando ligeiros ganhos incrementais, mas que no geral são insuficientes.

Precisamos de uma transformação radical do sistema económico, em que sejam efectivamente eliminadas as emissões. Conhecemos onde o devemos fazer, sabemos como o poderíamos fazer, mas efectivamente não o estamos a fazer. Não estou a afirmar que é fácil, temos consciência que esta transformação tem que ser sistémica, pois existe um grande interrelacioamento entre os diversos sistemas.

Não terá efeito mudar-se umas coisas e deixar outras iguais, há que transformar todos os sistemas fundamentais.

 

Na sua perspetiva, como está o desempenho de Portugal na área da sustentabilidade?

O que precisamos colmatar ao nível da sustentabilidade empresarial?

Em Portugal estamos a fazer um caminho interessante. Temos muitos bons exemplos em algumas áreas, mas ainda temos muitos sectores onde pouco se está a fazer. Não acredito na compartimentação da sustentabilidade, logo não acho que deva haver qualquer análise especificamente empresarial. Considero, sim, que a generalidade das empresas ainda não olham para os desafios da sustentabilidade com a intensidade que deveriam estar a fazer.

Ainda é frequente ouvirmos dizer que a sustentabilidade é muito bonita, mas que há que ganhar dinheiro, estas afirmações só demonstram que ainda não entenderam que não existe um plano b, só há um caminho e se o negarem hoje, estão a aumentar o risco de se tornarem irrelevantes a curto prazo.

Este ano temos vindo a testemunhar importantes avanços na agenda com tomadas de posição a favor do caminho da sustentabilidade de entidades insuspeitas de radicalismo, como o fundo BlackRock, o maior fundo de investimento do Mundo.

 

green tree near body of water under white and blue sky

 

Peter Bakker (presidente e CEO do WBCSD) e John Elkington (executive chairman na Volans), recentemente escreveram que a pandemia COVID-19 ofereceu-nos a oportunidade de mudarmos para um mundo mais resiliente e mais sustentável.

Quais são, no seu entender, estas oportunidades?

Qualquer acontecimento traumático, como este que vivemos actualmente, tem a capacidade de gerar mudança, pois há a tendência de se por a realidade em causa. As oportunidades podem ser concretizadas se realinharmos as prioridades das nossas sociedades.

Os principais desafios que enfrentamos são:

  • urgência climática
  • perda da biodiversidade
  • desigualdade social.

Em todas estas frentes, podemos verificar que a crise pandémica nos fez ver melhor os riscos que corremos. Com a diminuição da actividade económica e a impossibilidade de nos deslocarmos assistimos a uma brusca diminuição das emissões de dióxido de carbono, demonstrando que é possível diminuir drasticamente as emissões. Verificamos também o súbito aumento da presença dos animais em espaços humanizados, mostrando que a convivência é possível desde que os nossos impactos sejam controlados.

Infelizmente as questões da desigualdade social não tiveram um alívio, antes pelo contrário, verificamos que as populações mais pobres são as que sofrem mais com a pandemia. Logo, temos alguns bons sinais e demonstram que é possível empreendermos um caminho de transformação do nosso modelo económico.

 

O WBCSD resume o futuro em três palavras: “clean, lean e mean”. Concorda?

A nossa visão do futuro sustentável é que em 2050 os cerca de 9 mil milhões de habitantes da Terra viverão bem, dentro dos limites do planeta.

O trinómio “clean, lean and mean” traduz, em relação ao que conhecemos hoje, a visão de como conseguirmos viver bem dentro dos limites do Planeta, com uma melhor utilização dos recursos de que dispomos.

Conheça o trabalho de Luís Rochartre Álvares no Forest Solutions Group em www.wbcsd.org/Sector-Projects/Forest-Solutions-Group

Luís Rochartre Álvares

Diretor do Forest Solutions Group (FSG)

Engenheiro florestal, nasceu há 58 anos em S. Miguel (Açores). É desde 2018, diretor do Forest Solutions Group (FSG) do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). O WBCSD é constituído por conselhos empresariais de diversos países e mais de 200 das maiores empresas mundiais, o FSG junta as empresas líderes com actividades ligadas à floresta e aos produtos florestais. Engenheiro florestal, formado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, exerceu, ao longo de 20 anos, cargos em quase todas as áreas ligadas à floresta e à gestão de empresas.

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