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kalimero

Alojamento, localizado em Olhão

Este é o nosso segredo: uma casa de família que se abre ao turismo, numa terra quase desconhecida, virada para o mar, no coração do Parque Natural da Ria Formosa, eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal. Somos suspeitos se afirmarmos que da Casa Modesta se contempla o melhor despertar do Algarve… Daqui, assistimos à migração das aves, à prática dos mariscadores, à recolha do sal. E, todos os dias, nos espantamos com os pequenos milagres da natureza.

 

A Chegada

Fomos recebidos pelo Carlos Fernandes, um dos proprietários da Casa Modesta, que rapidamente nos demonstrou que o alojamento é modesto, mas somente de nome (de família). Sofisticação, história e natureza coabitam no espaço, inserido no Parque Natural da Ria Formosa, uma das Sete Maravilhas de Portugal, com uma vista irrepetível.

 

Na Casa Modesta sentimo-nos inspirados a mergulhar num Algarve diferente do que ficou mundialmente conhecido, que se resumia às praias.

 

Birdwatching, acompanhar mariscadores e ir a viveiros de ostras são apenas algumas das experiências disponíveis na Casa Modesta, onde se estende a preocupação de divulgar a história e cultura algarvia, mais especificamente do Sotavento e da Ria Formosa, ao uso dos produtos locais, quer nos materiais de construção quer nos alimentos cultivados e divulgados no espaço, através das refeições e workshops de cozinha algarvia. Contando sempre com o apoio direto e apaixonado da comunidade envolvente. Um exemplo a seguir, na vertente ambiental e social.

 

Casa Modesta, a história que conta e cria

A história da família e da própria Ria Formosa estão presentes logo à entrada, na sala onde se degustam pratos locais e se realizam workshops de gastronomia típica da Ria Formosa, através de fotos nas paredes, um forno antigo onde ainda se coze o pão ou uma cisterna convertida em garrafeira. No entanto, o que mais se destacou neste momento em que fomos recebidos foi o próprio Carlos Fernandes e a sua paixão pelo que nos contava. Poderia ter sido um privilégio de quem se dirigiu para fazer uma entrevista, mas rapidamente percebemos que não. Todos os hóspedes com que nos cruzámos trataram o Carlos, coproprietário, pelo nome próprio e trocaram breves palavras cúmplices, de quem foi recebido e segue acompanhado na estadia pelo próprio. E isto é o ambiente que se vive na Casa Modesta: familiar, cúmplice e sereno.

O tempo parece regido pelas marés, que o avô Joaquim Modesto de Brito, proprietário da casa na infância dos irmãos Carlos e Vânia, tão bem dominava. Ou não fosse um velho lobo do mar, que acolheu o trabalho e a família nesta casa, com a Ria Formosa a um palmo de olhar. Vista que ainda hoje cria um despertar único, que Vânia Fernandes, irmã do Carlos, tão bem soube explorar no projeto arquitetónico que deu origem à Casa Modesta. Os quartos são autênticas varandas sobre a ria, como o próprio Carlos nos refere: “A paisagem muda ao longo do dia, conforme as marés.” Oscila entre a predominância do azul na maré cheia e o amarelo dos sapais que formam o complexo lagunar da Ria Formosa na maré vazia.

 

 

Os materiais usados na recuperação da casa, onde o Carlos habitou até aos seus dezanove anos, foram todos locais, como barro de Santa Catarina, cal, cortiça e mesmo latão. Tendo as preocupações energéticas sido uma exigência logo na fase de concepção e obra, quando solicitaram e obtiveram a certificação energética A+, da Líder A. Recuperação de tradições locais, como a cabana de colmo, no centro do jardim, que relembra as habitações dos pescadores nas ilhas barreira da Ria Formosa, e que hoje permita uma leitura virada para a Ria, em harmonia com o ambiente, são alguns dos detalhes que fazem deste espaço único.

Questionado sobre o legado da Casa Modesta, Carlos Fernandes refere que se trata de uma casa de memórias de família, impossível de replicar noutro local, mesmo que o negócio corra cada vez melhor. E nós podemos constatar isso na paixão com que o Carlos nos contou que o seu avô, mariscador mas também construtor de barcos em madeira que pintava sempre de vermelho e amarelo, também desenhava. Os desenhos estão, inclusive, expostos na receção, com uma forte inspiração na ria, na faina e nas suas paisagens. O que nos permite mergulhar ainda mais na história da família e perceber porque motivo esta casa é irrepetível noutro local.

 

Existem características e históricas que fazem com que a Casa Modesta só possa existir aqui

 

Refere-nos Carlos, sem esconder o seu orgulho, paixão e respeito pelas tradições. Para isso, muito contribuem as experiências que envolvem a comunidade, como a experiência do mariscador – onde levam pessoas ao viveiro, ver a apanha da ameijoa, berbigão e ostras e como se cultiva o viveiro.

“Tratar de um viveiro é como tratar de uma horta e as pessoas ficam espantadíssimas. Temos que “plantar” as ostras para as “colhermos” depois. Não estamos a inventar experiências. Estamos a ir buscar experienciais reais que são ancestrais e trazem a autenticidade e vivencias locais”.

Outra das experiências são os workshops de gastronomia realizados por Sandra Patrão, chef e vizinha da Casa Modesta, que têm como objetivo não só dar a conhecer as iguarias locais como ensinar a fazê-las. Os pratos vão desde cataplana de marisco, ao litão, xarém, e ao famoso folar de camadas tão típico destas paragens por ocasião da Páscoa. Dos ingredientes destes e outros pratos fazem parte os produtos locais, como marisco, com destaque para os bivalves, como a ameijoa, peixe, laranjas ou amêndoas.

A Casa Modesta acaba por ser um ícone do Sotavento algarvio e que nos recorda que o Algarve tem mais para oferecer do que praia. Este local singular está em perfeita simbiose com a comunidade e dispõe ainda de uma ciclovia colada à ria, onde se experimenta e vive a natureza, respeitando-a e enaltecendo-a. Criando históricas e lembranças únicas, para quem a visita.

A Sustentabilidade integrada no Projeto

 

 

Vânia Fernandes, sócia e arquiteta responsável pelo projeto, conta com uma carreira ligada a projetos que têm uma forte vertente sustentável na sua génese, pelo que a ideia de incorporar a variável ambiental e sustentável num projeto tão pessoal esteve presente desde início, pensando cada detalhe. Um exemplo é a piscina, um antigo tanque, onde a água é tratada por pastilhas de hidrion, um sistema de ionização do cobre, que permite reutilizar a água para a rega das árvores de não fruto, o aproveitamento da luz natural algarvia para painéis solares que asseguram toda a eletricidade do alojamento e a reserva de um espaço para uma pequena horta biológica, onde apenas se plantam produtos locais, que são utilizados nas refeições do espaço. Além destes cuidados, também o plástico foi retirado do espaço, tendo sido estas preocupações reconhecidas internacionalmente, logo no ano de abertura, 2015, com um prémio do Condé Nast Johansen como melhor hotel ambiental. Somando a este prémio outros, como o Architizer, em que a Casa Modesta foi a escolha do júri para melhor hotel, no ano de 2017.

 

Os prémios ajudam a um maior reconhecimento internacional, que apoia na conquista de novos clientes, que cada vez mais se preocupam com a vertente sustentável do conceito na escolha do alojamento

 

Segundo o próprio Carlos, “os prémios ajudam a um maior reconhecimento internacional, que apoia na conquista de novos clientes”, que segundo nos conta o próprio “cada vez mais se preocupam com a vertente sustentável do conceito na escolha do alojamento, mas também com as experiências disponíveis, o que resulta numa cada vez menor sazonalidade e uma diversidade maior de turistas, como norte americanos, belgas, alemães e franceses”. Esta diversificação de públicos é, de resto, um dos grandes objetivos dos proprietários, e que se viu alavancado com o Coronavírus: levar a história do Algarve a cada vez mais pessoas, de diferentes regiões do globo, com a certeza que elas regressam. Temos tido essa prova, com famílias que já nos visitam há três anos seguidos.

Antes de abandonarmos o espaço – conscientes que um dia voltaremos, para um dos melhores despertares do Algarve -, tivemos oportunidade de falar sobre um reconhecimento que está logo à entrada, no portão. A certificação Green Key tem uma importância especial para o espaço, porque tratou-se de um processo de auditoria, que resultou nesta atribuição. Tudo foi avaliado, desde a capacidade de consciencializar para comportamentos mais sustentáveis, reduzir o impacto ambiental nas atividades comerciais até promover a redução e eficiência no consumo dos recursos naturais. Tendo a Casa Modesta passado em todos os pressupostos com distinção, neste reconhecimento mundial da responsabilidade da dinamarquesa Foundation for Environmental Education (FEE), que em Portugal é tutelado pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE).

Por tudo isto, não hesitamos em destacar a Casa Modesta como um exemplo, por demonstrar que a Sustentabilidade poderá não ser apenas um cuidado, mas sim uma fonte de rendimento.

As preocupações com o ambiente, mas também sociais de incluir a comunidade e tradições na vivência do espaço, resultaram num sucesso económico, que faz pensar em aumentar o espaço de alojamento, sem nunca colocar em causa o seu conceito e propósito.

Poderemos levar o nosso conceito a outros locais do Algarve e até do país, mas nunca replicando a Casa Modesta. Ela conta a história da nossa família e do local, não se adapta”, refere novamente Carlos Gonçalves na despedida. E isto, acrescentamos nós, é o que faz deste projeto um exemplo: autenticidade e respeito pelas tradições, natureza e comunidade.

Conheça este projeto único em: www.casamodesta.pt

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Aconteceu o regresso às aulas, será que refletimos sobre o nosso consumo?

Os materiais escolares para os nossos filhos são um momento do ano que implica um avultado investimento, mas provavelmente dos que menos doloroso nos é de ter, por se agregar ao orgulho subjacente a vermos os nossos petizes a trilharem o seu caminho, que desejamos seja de sucesso e, acima de tudo, feliz. No entanto, pensaremos nas marcas que compramos, onde compramos e qual o compromisso com a sustentabilidade dessas marcas?

A Fjällräven, por exemplo, foi eleita a marca outdoor mais sustentável pelo Sustainable Brand Index 2020.

Eis na prática no que traduz ao nível de produto:

  • Utilização de Poliéster 100% reciclado que reduz o desperdício de materiais,
    economiza energia e baixa emissão de CO2;
  • Algodão 100% orgânico, ou seja, menos uso de produtos químicos e fertilizantes;
  • Bem estar animal, em que optam por usar apenas materiais de origem animal quando nenhum material sintético artificial pode ser usado fornecendo a mesma funcionalidade;
  • Materiais de qualidade superior que permitem maior longevidade dos produtos.

 

 

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Qual o posicionamento da Pretty Mutts no mercado das coleiras e acessórios para cães? Em que se diferencia?

Os acessórios criados pela Pretty Mutts são feitos à mão e aliam um design que pretende ser bonito e minimalista com a durabilidade, através da utilização de materiais sustentáveis e de qualidade. Um dos maiores propósitos da marca é também ajudar associações e canis locais ao doar parte da receita das vendas.

 

Fiz imensas pesquisas sobre o que havia disponível no mercado português, contudo não encontrei nenhuma marca que fosse sustentável e que sobretudo não usasse plástico na sua composição.

 

 

De onde surge esta ideia? Onde se inspiraram?

A ideia surgiu quando, depois de ter adotado a minha cadela Matilda de um canil, voltámos para casa e precisávamos de uma coleira e de uma trela.

Fiz imensas pesquisas sobre o que havia disponível no mercado português, contudo não encontrei nenhuma marca que fosse sustentável e que sobretudo não usasse plástico na sua composição.

Em vez de comprar, pensei que poderia ser eu a fazê-las! Aliei então o hobby que já tinha de fazer pequenos projetos pessoais de costura à questão da sustentabilidade, que é um tema bastante presente no meu dia-a-dia desde há muito tempo, bem como a vontade de ajudar animais que não têm família.

Consegui juntar todas estas paixões ao criar produtos que refletissem todos estes interesses e assim nasceram trelas, coleiras e acessórios sustentáveis, com um design bonito e com um propósito solidário: uma parte das vendas reverte no apoio a canis e associações de bem-estar animal. O próprio nome da marca, que traduzido para português, significa “Rafeiros Bonitos” foi inspirado precisamente nos cães abandonados que pretendemos ajudar.

 

 

O que faz destes produtos ecológicos?

Sobretudo os materiais com que trabalho, que são fitas e cordas de cânhamo orgânico, cortiça portuguesa e acessórios de metal (fecho, argolas, etc.). Os materiais foram escolhidos de modo a evitar o uso de couro e plástico, que são comumente usados neste tipo de produtos, e bem menos “amigos do ambiente”.

Algumas das coleiras são produzidas com fita de cânhamo colorida e a coloração é feita por mim, utilizando pigmentos que também são ecológicos.

O packaging foi pensado com bastante cuidado para evitar a 100% o uso de plástico e tinta. A embalagem é uma caixa de cartão com o logo gravado a laser, em vez de ser impresso, e no seu interior os acessórios são embrulhados com papel kraft.

Até para fechar a caixa para o envio utilizo fita-cola de papel.

 

Porquê a escolha da cortiça como matéria-prima?

Escolhemos a cortiça porque é um material sustentável e com características semelhantes com acabamento e textura macio e liso sendo um material perfeito para fazer coleiras.

Tem ainda a grande vantagem de ser um produto português. A cortiça é removida do tronco dos sobreiros que volta a crescer anos mais tarde e por isso é uma alternativa mais amiga do ambiente e sem o uso de produtos de origem animal ou plástico.

 

Penso que a questão da sustentabilidade é um fator decisivo no ato da escolha por parte das pessoas.

 

 

O facto de ser “handmade” acrescenta valor? Os clientes valorizam este fator?

Todas as coleiras, trelas e acessórios são feitos à mão e os nossos clientes valorizam bastante esse aspeto, pois sabem que de certa forma cada produto é único e feito em pequena escala. Desta forma existe também mais margem para fazer pequenos ajustes pedidos pelos clientes, principalmente no tamanho das coleiras e trelas e ainda sem qualquer custo adicional.

 

 

Que feedback têm tido por parte dos clientes?

Até ao momento temos recebido um feedback muito positivo. Os clientes apreciam sobretudo o design por ser minimalista e o recurso a materiais de origem natural. Ficam bastante satisfeitos por ver que temos cuidado na escolha dos materiais e que ainda somos atenciosos na maneira como embalamos os nossos produtos e o nosso esforço por evitar o uso de plástico.
Penso que a questão da sustentabilidade é um fator decisivo no ato da escolha por parte das pessoas.

Muitos deles referiram ainda que iriam voltar a comprar os nossos produtos no futuro.

 

Qual o vosso produto estrela e como se caracteriza?

O produto estrela é sem dúvida a coleira de cânhamo natural. A coleira é feita com uma fita de cânhamo orgânica com a cor natural complementada com fecho e acessórios em metal, com a possibilidade de escolha de três cores, dourado, prateado e rose gold.

 

Um dos grandes objetivos deste projeto é ajudar cães que se encontram em canis e associações

 

Uma parte da receita do projeto é doado a uma instituição. Fale-nos um pouco desta iniciativa.

Um dos grandes objetivos deste projeto é ajudar cães que se encontram em canis e associações. Neste momento doamos 10% da receita à associação que na altura resgatou a Matilda, a Associação Quinta Porto Sobreiro. No futuro pretendemos alargar esta ajuda a mais instituições à medida que o projeto for crescendo.

 

Quais os próximos passos e objetivos da Pretty Mutts?

O próximo passo é sem dúvida alargar a aposta no mercado português. Neste momento os nossos produtos só se encontram à venda na plataforma ETSY em que os principais utilizadores não são portugueses. Desta forma vamos criar um site em português para poder chegar ao público nacional.

Em termos de produtos para já vamos disponibilizar a opção de personalizar a coleira ao colocar o nome do cão e outra informação adicional, caso o cliente queira, na etiqueta de cortiça.

Vamos também lançar um conjunto de brinquedos para cães feito com corda de cânhamo orgânica uma vez que não contém pesticidas nem químicos e é perfeitamente seguro para a saúde dos animais.

Por fim, vamos apresentar uma nova coleção com mais coleiras feitas em cortiça portuguesa.

Conheça os produtos da Pretty Mutts em http://www.etsy.com/shop/prettymutts

 

 

Marta Afonso,
Founder

Nasceu em 1990 e é natural da Vila da Fuzeta. É arquiteta paisagista formada desde 2014 pelo Instituto Superior de Agronomia, e participou na elaboração de planos de ordenamento do território nacionais e internacionais.
Atualmente trabalha na pos-produção e edição de conteúdos audiovisuais na empresa Coding Heroes.

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“We are not just a brand. We want to create a movement and change the world”, afirma a marca portuguesa de calçado Threeland.

Estes sapatos são produzidos com fibras provenientes das folhas de ananás, plástico de garrafas resgatadas do mar e outras microfibras biológicas suaves que imitam a camurça.

Para lá da matéria-prima, existe também uma causa social inerente. Por cada par comprado, a Threeland doa uma parte do valor ao Programa Alimentar Mundial (WFP).

Um bom exemplo de inovação em produtos mais sustentáveis, por parte de uma marca portuguesa!

Conheça a marca e os seus produtos em: www.threelandshoes.com

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Nem sempre estamos alerta para os cuidados que devemos ter com as aves e para a diversidade que existe em Portugal. Por esse motivo existe a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), que tem realizado um trabalho extraordinário na proteção das aves e dos seus habitats, bem como no reconhecimento de Portugal internacionalmente, sendo o parceiro português da BirdLife International, uma rede internacional de organizações de ambiente que atua em mais de 100 países.

Para melhor compreendermos o enquadramento das aves em Portugal, o impacto do birdwatching, inclusive no turismo, e que ações a SPEA leva a cabo para a proteção das aves e promoção da sustentabilidade, contámos com a gentileza da Joana Domingues, responsável de comunicação e marketing, que prontamente aceitou o desafio da nossa entrevista. Leia tudo abaixo.

 

Quais as principais espécies de aves que em Portugal estão ameaçadas?

Os tempos são críticos para a Natureza, por isso esta pergunta não tem uma resposta muito simples. Se olharmos para os grupos de aves, sabemos que as aves marinhas são o grupo de aves mais ameaçado. A captura acidental, a pesca exagerada, a poluição e as alterações climáticas, são das principais razões para esta situação. Mas, paralelamente,  também temos presenciado nos últimos anos uma diminuição das populações das aves que habitam os campos agrícolas, devido ao uso de pesticidas e à agricultura intensiva. Um bom exemplo é o sisão, que em apenas 10 anos, viu a sua população reduzida para metade, de acordo com o último censo nacional da espécie.

 

Os recursos financeiros são, de facto, essenciais para cumprirmos o nosso papel na sociedade. São usados em ações de conservação muito variadas, desde a remoção de plantas invasoras e o restauro de habitats até ao trabalho com pescadores

 

Que iniciativas desenvolve a SPEA para as proteger?

Nós trabalhamos para proteger as aves e os locais onde elas vivem. Tendo em vista este fim, trabalhamos em várias “frentes”, um pouco por todo o país e também lá fora, em São Tomé e em Cabo Verde, por exemplo. Neste momento temos o Life Ilhas Barreira a decorrer na Ria Formosa, temos o Life Rupis a terminar no Douro Internacional, e outros projetos relacionados com pescas, salinas e iluminação pública, por exemplo.  Paralelamente, trabalhamos temas como o crime ambiental, lutamos contra o novo aeroporto de Lisboa e promovemos um turismo mais amigo do ambiente. Somos também muito solicitados para esclarecer dúvidas que as pessoas têm relativamente a assuntos como remoções de ninhos e aves feridas. Tentamos sempre dar resposta a estes pedidos, nem que seja encaminhar para as entidades competentes.

 

Qual a evolução do birdwatching em Portugal?

Este hobby tem vindo a crescer cada vez mais no nosso país. Algo que há uns 20 anos era visto como uma atividade apenas de biólogos, agora já é encarada como uma atividade de lazer. Para dar a conhecer os encantos do  birdwatching, a SPEA organiza regularmente atividades em locais estratégicos para a observação, que permite mostrar as aves que por ali andam e muitas vezes passam despercebidas  pelas pessoas que por ali passam. O Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza, que já vai na sua 11ª edição, também contribuiu para uma maior notoriedade do birdwatching no nosso país. As pessoas já olham para a observação de aves como algo relaxante, que pode ser apenas um bom pretexto para passar algum tempo na natureza.

 

De onde vêm maioritariamente os turistas que valorizam esta oferta?

Portugal é um país privilegiado para o birdwatching. Temos bom tempo, uma gastronomia fabulosa, outros produtos turísticos apelativos e sobretudo somos um país pequeno. Isto permite que num curto espaço de tempo e a pouca distância, um turista possa no mesmo dia ver diversas espécies de aves, em habitats muito diferentes. Estes fatores juntos tornam Portugal num país muito apetecível sobretudo para os turistas ingleses e nórdicos.

 

Foto: José Luís Barros

 

Ao longo do ano em Portugal, que circuitos de birdwatching, são a seu ver imperdíveis e que aconselharia a um principiante?

O Algarve tem vários locais excelentes para birdwatching durante todo o ano (embora seja melhor evitar o verão) e ao longo da costa pode-se ir parando em sítios como a Quinta do Lago, a Lagoa dos Salgados, o Estuário de Alvor, chegando finalmente a Sagres. Castro Verde, no Alentejo, é um local de excelência na primavera onde se podem ver bandos de abetardas e várias aves de rapina grandes e pequenas. Os estuários do Tejo e Sado, perto de Lisboa, são locais imperdíveis no inverno onde se podem observar grandes bandos de aves como íbis-preta e flamingos.

 

Que conselhos daria a quem queira enveredar por este hobby? Como começar? Que grupos e comunidades existem em Portugal?

Para começar não é preciso muito. O fundamental é ter uns binóculos, que devem ser escolhidos consoante o objetivo da pessoa, e um guia de aves simples. Ambos os materiais podem ser encontrados na nossa loja, onde estamos ao dispor para um aconselhamento personalizado. Uma pessoa que se está a iniciar, pode começar por ir a atividades organizadas por nós, visitar o Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena (Sesimbra) ou outros semelhantes e procurar eventos dedicados ao birdwatching, como o Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza, em Sagres (outubro). Também organizamos cursos de iniciação à observação de aves, que podem proporcionar uma boa base para começar. O ideal é começar com algum apoio para receber orientações e também partilhar o entusiasmo.

 

Gostaríamos apenas de salientar que cada vez é mais importante os cidadãos apoiarem as ONGs de ambiente. Sem eles, “nós” não existimos.

 

Cerca de 70% dos rendimentos da SPEA são investidos em conservação da natureza e educação ambiental. Quais as principais ações que desenvolvem?

Os recursos financeiros são, de facto, essenciais para cumprirmos o nosso papel na sociedade. São usados em ações de conservação muito variadas, desde a remoção de plantas invasoras e o restauro de habitats até ao trabalho com pescadores ou à construção de ninhos artificiais para aves marinhas. Fazemos também  campanhas como a recolha de assinaturas contra a venda de armadilhas ou a mobilização por políticas europeias mais sustentáveis. Organizamos também ações que envolvem escolas e cidadãos, com o intuito de sensibilizar e educar para um futuro melhor.

 

Existe algum tema relacionado com a sustentabilidade e a vossa atuação que queira destacar?

Gostaríamos apenas de salientar que cada vez é mais importante os cidadãos apoiarem as ONGs de ambiente. Sem eles, “nós” não existimos. Portanto apoiar como sócio, é não só uma ajuda monetária, mas também significa dar mais força à luta pelo ambiente e pelo futuro do país e do mundo. Às ONGs cabe muitas vezes o papel ingrato de ir contra o sistema, lutar contra atentados ambientais e para isso é preciso ter força e apoio. É muito importante apoiarem o nosso trabalho, que prometemos desempenhar da melhor forma.

Descubra tudo sobre as atividades, oferta e casos de sucesso da Sociedade Portuguesa Para o Estudos das Aves em: www.spea.pt

 

Joana Domingues

Técnica Principal de Comunicação e Marketing na Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves há mais de 10 anos.

É licenciada em Comunicação Empresarial, com uma pós-graduação em Planeamento e Desenvolvimento de Produtos Turísticos e a sua paixão pelo turismo de natureza foi uma das motivações que a fez querer trabalhar nesta associação.

 

 

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Não podíamos estar mais felizes com esta conversa com Vera Maia, um das fundadoras da Shaeco, um champô sólido que se vai impondo em Portugal e no mundo.

É um nome que para nós já era familiar, das andanças do e-commerce, mas que conseguiu surpreender-nos na conversa. A franqueza com que nos refere o consumismo que a movia, quando trabalhou na área da moda, até ao facto de mencionar que a marca surge de duas ambições pessoais, vender um produto online e melhorar a sua pegada ecológica desde que foi mãe. Para finalizar, com o que consideramos chave de ouro, deixa ainda a todos uma série de dicas para que todos tenhamos um consumo mais amigo do ambiente. Ah, e ainda nos fala sobre os desafios da cadeia de valor, marcas que a inspiraram e que não precisamos ser todos ativistas ambientais para estarmos a contribuir para um mundo melhor. Leia, vai valer a pena.

Vera Maia,
CEO da Sheco

Com 10 anos de experiência em ecommerce e 5 de gestão de projetos com clientes de diversos setores, em 2018 decido lançar uma marca própria de produtos cosméticos sólidos, a Shaeco.

A Shaeco surge depois de eu ter sido mãe do Vasco, quando comecei a refletir mais sobre os produtos que utilizamos e até que ponto fazem bem à nossa saúde (desde a alimentação aos cosméticos). Vivemos numa aldeia de Viana do Castelo, por isso, o nosso contacto com a natureza é diário. No entanto, assistimos cada vez mais à poluição por mão humana, não só nas praias mas também nas nossas ruas (até nas aldeias). Isso fez-me refletir também sobre o estado em que quero deixar o planeta e qual a minha pegada atual.

Comecei por mudar alguns dos produtos que usamos em casa, como os detergentes, o champô e produtos de higiene pessoal. De seguida foi o plástico desnecessário nas compras de supermercado (substituiu pelos meus sacos de pano que acumulava em cada evento a que ia), gradualmente estou a passar a comprar mais a granel e a evitar comprar produtos embalados. Ainda não conseguimos reduzir a 100% e ainda temos muito plástico que reciclamos semanalmente, mas o importante é implementar uma mudança de cada vez.

Com um passado profissional e pessoal ligado à moda, sempre fui muito consumista a este nível. Recentemente investiguei mais sobre o desperdício e a poluição associada à indústria e, infelizmente, a moda é uma das indústrias mais poluidoras. Além de incitar ao consumo exagerado, o qual se reflete em más condições de trabalho para os seus trabalhadores em países de terceiro mundo, também  influência negativamente a saúde do planeta.

Com a Shaeco quero poder fazer a diferença e deixar um legado que os meus filhos se orgulhem de fazer parte.

Com um percurso profissional ligado ao digital, principalmente ecommerce, como surgiu a ideia de ligar um produto sustentável a esse universo?

Nos últimos anos, principalmente desde que fui mãe, procurei implementar alternativas mais sustentáveis no meu dia-a-dia. Desde recusar produtos em plástico ou que não terão utilização só por serem oferta, à utilização de sacos próprios nas compras, à redução do consumo (principalmente na aquisição de roupa, o que para mim seria impossível há uns anos dado que trabalhei no segmento da moda), entre outros. Durante este processo de procura por produtos alternativos, encontrei o champô sólido, mas depois de experimentar vários, nunca fiquei totalmente satisfeita com o resultado.

Por outro lado, sempre tive vontade de ter uma marca própria e de vender através dos canais digitais. No entanto, não queria que fosse apenas mais um produto que apelasse ao consumo; procurava algo que acrescentasse valor no mercado e que ajudasse os consumidores a fazerem pequenas mudanças no seu dia-a-dia, como aquelas que eu e a minha equipa temos vindo a fazer. Este foi sempre um projeto de equipa porque todos acreditamos na missão da Shaeco.

 

Investigamos também muito os ingredientes, lemos tudo que seria possível ter acesso sobre o tema, para garantir que além dos ingredientes, escolhemos matérias-primas de fontes sustentáveis

 

Qual foi o maior desafio para arrancar com o projeto?

Penso que o mais desafiante foi o desenvolvimento do produto. Queríamos um produto de qualidade premium, produzido em Portugal. Pesquisamos durante cerca de um ano até encontrarmos um parceiro muito próximo da nossa Sede, em Viana do Castelo. Depois tivemos de o “convencer” a desenvolver e alterar fórmulas, até chegarmos a uma que cumpria com os nossos requisitos. Por exemplo, sempre soubemos que o champô tinha de fazer a mesma espuma, após o contacto com água, que um champô “normal”, caso contrário, os clientes não estariam dispostos a trocar de champô. Fomos trocando várias ideias até chegarmos ao extrato de coco, que é o que permite ao One & Done ter a mesma performance que os outros champôs “tradicionais”, tanto em termos de espuma, como aroma e propriedades de limpeza.

 

Sendo um produto de produção industrial, como se chega aos fornecedores corretos?

Desde cedo optamos por uma produção industrial que nos garante um rigoroso controlo de qualidade do produto e elevada escalabilidade do negócio. Tivemos de investigar, pedir ajuda a pessoas conhecidas e outros parceiros de negócio, reunir e pedir amostras. Investigamos também muito os ingredientes, lemos tudo que seria possível ter acesso sobre o tema, para garantir que além dos ingredientes, escolhemos matérias-primas de fontes sustentáveis. Por outro lado, procuramos fornecedores certificados, com as devidas garantias de sustentabilidade das matérias-primas, assim como cumprimentos de não testar em animais, entre outras.

É cada vez mais fácil chegar a fornecedores que têm a sustentabilidade na sua proposta de valor, ou, por outro lado, ainda é um desafio?

Tem sido um maior desafio certificar a origem das matérias-primas do que chegar a fornecedores que se posicionam com a mesma proposta de valor. Felizmente, os parceiros com os quais trabalhamos, cumprem normas bastante rigorosas na produção e têm certificados neste âmbito.

Penso que no segmento dos cosméticos já existe uma grande preocupação em seguir processos produtivos sustentáveis, com menor desperdício de água, redução de plástico e colas, entre outros. No entanto, existirá sempre o problema de armazenamento de produtos líquidos em que o plástico é sempre a matéria-prima mais utilizada por ser leve no seu transporte e resistente. A longo prazo acredito que os fornecedores procurem alternativas ao plástico descartável, como embalagens recarregáveis, em vidro ou alumínio. Mas para isso, terá também de mudar toda a cadeia de valor e de distribuição.

Por outro lado, também desenvolvemos a Pebble, uma caixa de transporte que inclui desperdícios da indústria corticeira. Foi um dos pedidos que os clientes de champô sólido nos fizeram porque reconheciam a vantagem de um produto sólido em viagens de avião, por exemplo, mas não sabiam como o transportar. Quisemos aplicar o mesmo conceito do champô: um produto de elevada qualidade com a sustentabilidade em primeiro lugar, com matérias-primas resistentes e produzido em Portugal.

 

O champô sólido contém, em média, menos 70% de água na sua produção. Como é compacto, permite também reduzir o transporte. Eu transportei 2.000 champôs no meu carro. Cerca de 27 caixas.

 

Ao nível do mercado, os consumidores já fazem pesquisa específica por produtos sustentáveis, ou quando se deparam com eles é que levam esse fator em consideração? E que tipo de consumidores são (main stream, ambientalistas, etc)?

Os consumidores começam a estar mais atentos e a procurar alternativas sustentáveis. A Shaeco procura mudar algumas mentalidades: não precisamos todos de ser ativistas ambientais para fazer alguma mudança no nosso dia-a-dia. E é a quem está a começar a sua mudança que pretendemos apelar com a entrega de um produto sustentável, mas com uma ótima performance.

Entre nós, comentamos muitas vezes que é muito importante analisar todos os fatores para avaliar um produto e a sua sustentabilidade: desde a proximidade geográfica do fornecedor, à sua produção, quais as matérias-primas escolhidas e qual a origem. Também é importante compreender o efeito que têm no meio ambiente. E, infelizmente, nem tudo o que é bio ou orgânico é melhor para o planeta porque obriga a exploração e transporte de recursos, os quais, nem sempre, são sustentáveis.

 

Têm um post que refere que o uso de um shampoo sólido Shaeco, pela quantidade de lavagens que permite, reduzirá de 15 para 1 viagem o transporte do shampoo. Para lá do controlo que têm no produto, sentem que a cadeia de valor já consegue acompanhar as preocupações da marca?

Esta é também uma das nossas maiores preocupações. O champô sólido contém, em média, menos 70% de água na sua produção. Como é compacto, permite também reduzir o transporte. Eu transportei 2.000 champôs no meu carro. Cerca de 27 caixas.

Cada champô One & Done equivale a cerca de 2-3 champôs de 250ml.

Se pensarmos bem, quando compramos champô líquido, estamos a adquirir água com um agente de limpeza. O que ocupa mais espaço no transporte e nas nossas casas é a embalagem de plástico, que até tentamos reciclar, mas nem sempre vai ter ao local correto.

No que diz respeito à cadeia de valor, infelizmente, não conseguimos controlar todo o processo. Mas confiamos nos nossos fornecedores porque partilham das mesmas preocupações que nós. Principalmente na origem das matérias-primas.

 

Numa entrevista anterior, referiram que o objetivo sempre foi a internacionalização, principalmente os EUA por serem um mercado mais maduro. Como tem sido a aceitação em Portugal? Sentem que já existe um mercado para produtos sustentáveis?

Felizmente temos sido muito bem recebidos no mercado nacional, o que demonstra a preocupação na mudança por parte dos clientes portugueses. Penso que outras empresas também já abriram esse caminho: seja a Pegada Verde, a Maria Granel e muitas outras lojas, online e offline, que estão a mudar mentalidade nos últimos 10 anos. Aprendemos imenso com eles!

Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas não podemos ser fundamentalistas; devemos incentivar à mudança, dia após dia, em pequenas alterações no nosso comportamento. E não devemos sofrer de eco-ansiedade, ou seja, sentirmo-nos mal por não conseguirmos fazer já tudo bem. Desde que façamos uma mudança por dia, temos 365 mudanças no final do ano. E ainda incentivar que os nossos familiares diretos façam o mesmo.

 

Acreditam que a pandemia que vivemos terá um impacto positivo no planeta, ao nível da preocupação com a pegada ecológica por parte dos consumidores?

Até ao momento temos visto que a preocupação dos consumidores está a aumentar. Recebemos diariamente muitas mensagens a darem-nos os parabéns pela criação da marca e pelo nosso esforço de reduzir o nosso impacto no planeta. No entanto, sabemos que a partir do momento em que possamos ter uma vida “normal”, o desejo de consumo irá, muito provavelmente, aumentar, o que levará ao esquecimento de tudo o que aprendemos até agora. Infelizmente, vivemos na era do consumo desenfreado e imediato. Basta refletirmos sobre os incêndios, que se mantêm ativos em várias partes do planeta, e a exploração de recursos naturais que teve uma ligeira redução, mas que facilmente volta aos números anteriores.

 

Por fim, de forma a inspirar pessoas e organizações a implementar práticas mais sustentáveis no seu dia-a-dia, que sugestões/ideias daria?

Como mencionei, são as pequenas coisas do dia-a-dia que podem fazer a diferença:

  • recusar coisas que não precisamos, como ofertas e produtos descartáveis;
  • utilizar os nossos próprios sacos nas compras no supermercado ou outras lojas. E não usar plástico para envolver frutas ou legumes. Por exemplo, não precisamos de um saco de plástico para pesar as bananas ou os pepinos;
  • comprar a granel;
  • reduzir o consumo de carne e peixe e seu derivados, principalmente de explorações não sustentáveis;
  • aumentar o consumo de frutas, cereais e produtos hortícolas;
  • substituir o carro pela bicicleta ou andar a pé;
  • reduzir o desperdício alimentar e, se possível, não colocar alimentos no lixo comum. Ter um compostor em casa ou entregar o desperdício a agricultores para alimentarem os animais ou produzir composto para adubar as terras, pode ser uma solução;
  • substituir embalagens de plástico descartáveis – o mais fácil é não comprar produtos envolvidos em plástico;
  • certificarem-se de que quando compram alguma coisa precisam mesmo dela, principalmente roupa, calçado e acessórios. Em alternativa podem comprar em segunda-mão;
  • trocar produtos de higiene íntima feminina (tampões, pensos) ou produtos reutilizáveis;
  • substituir os produtos que usamos na casa de banho, limpeza e cozinha, por produtos não descartáveis. Comprar a granel e reutilizar embalagens, usar champô sólido e outros produtos como escova de dentes e pasta dentífrica que sejam reutilizáveis ou recicláveis;
  • o que não for possível reutilizar, reciclar.

 

Descubra a missão e produtos sustentáveis da Shaeco em: www.shaecoshop.com

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O turismo e a arquitectura sustentável têm sido um excelente motor, em muitos momentos, de práticas que devem ser enaltecidas, para inspirar. Com isso em mente, fomos entrevistar Júlio Delgado, CEO do Ombria Resort, um empreendimento no Algarve pensado de raiz para a sustentabilidade do ecossistema e da  região, onde existirá aproveitamento da água das chuvas, um dos maiores sistemas de geotermia da Península Ibérica, um campo de golfe acreditado internacionalmente pelo respeito pelo ecossistema e onde se destacam os produtores algarvios nos serviços de suporte ao resort. Não perca.

Ombria Resort

Como se posiciona o Ombria Resort no mercado e qual o tipo de clientes que tem? Familiar? Individual? Portugueses? Estrangeiros?

A sustentabilidade é de facto a grande preocupação do Ombria Resort. A sustentabilidade e a preocupação com o meio ambiente são fatores-chave que estiveram presentes em cada fase do processo de desenvolvimento do projeto e continuarão a ser o fio condutor ao longo da construção e operação do Ombria Resort.

O princípio fundamental do projeto é que todo o espaço de terreno seja sustentável e respeite os valores ambientais através da implementação de um resort de alta qualidade (turístico e residencial) que seja atrativo tanto para proprietários como turistas/hóspedes.

O Resort cuja filosofia é “Carved by Nature” tem como prioridades a sustentabilidade, o meio ambiente e o apoio à natureza e património local e pretende ser um fator de desenvolvimento sustentável, de contribuição para a redução da sazonalidade no Algarve e de novas oportunidades para a população local.

Em relação ao tipo de clientes a procura vem sobretudo de clientes estrangeiros, mas também de portugueses.  Nesta altura de pandemia temos recebido muitos pedidos de informação por parte de Portugueses. Existe de facto uma procura crescente por propriedades rodeadas pela natureza ou com fácil acesso a amplos espaços verdes e ar puro, em resorts de baixa densidade de construção e localizados em zonas com boas acessibilidades mas afastadas dos grandes centros urbanos, onde os residentes se sintam em segurança do ponto de vista físico e sanitário. Outra tendência crescente é a procura por propriedades com dimensões maiores ou com mais divisões, com internet super-rápida e que permitem conciliar a vida familiar com o teletrabalho.

 

O pioneiro sistema geotérmico de baixa profundidade do resort utiliza a diferença entre a temperatura do ar e a temperatura estável do solo. Com ajuda de bombas de calor reversíveis, este sistema inovador gera energia renovável que é utilizada para controle climático de ambientes interiores

 

Existe uma maior preocupação dos turistas em relação à sustentabilidade? Notam que tal já é um fator que pesa na decisão de escolher um hotel?

Sim, a sustentabilidade é cada vez mais um fator chave na escolha de um local para investir ou para passar férias e o Ombria Resort é reconhecido pelas suas características ímpares em relação e este fator.

Trata-se de um projeto imobiliário e turístico que apresenta uma baixíssima densidade de construção, de apenas 3,5% da área total do empreendimento que se estende por 153 hectares, rodeado por uma paisagem serena e natural de colinas verdes, ribeiras e florestas de árvores exuberantes numa região do interior do Algarve de reduzida densidade populacional.

 

O Ombria Resort investiu milhões de euros num pioneiro sistema de geotermia superficial. Em que consiste este sistema? Quais os principais ganhos ao nível de eficiência energética?

O Ombria Resort encontra-se a investir cerca de 2 milhões de euros na instalação de um dos maiores sistemas de geotermia da Península Ibérica que estará concluído em finais de 2021.

Este inovador sistema irá responder às necessidades de aquecimento e arrefecimento interior, à produção de águas quentes sanitárias e ao aquecimento da água das piscinas do empreendimento turístico – que inclui o hotel de 5 estrelas Viceroy at Ombria Resort, 65 apartamentos turísticos para venda (Viceroy Residences), restaurantes, centro de conferências, o Clubhouse do campo de golfe, Spa, entre outras infraestruturas. Dada a sua dimensão, este é um projeto único e inovador no âmbito da utilização de bombas de calor geotérmico em Portugal.

O pioneiro sistema geotérmico de baixa profundidade do resort utiliza a diferença entre a temperatura do ar e a temperatura estável do solo. Com ajuda de bombas de calor reversíveis, este sistema inovador gera energia renovável que é utilizada para controle climático de ambientes interiores (aquecimento no inverno, arrefecimento no verão), fornecimento de água quente e aquecimento de piscinas, ao longo de todo o ano, com segurança e responsabilidade. As vantagens desta energia com fonte renovável, limpa e disponível 24 horas por dia, são significativas: baixas emissões de CO2, é completamente livre de riscos para a comunidade e permite reduzir os custos de energia para os proprietários dos apartamentos Viceroy Residences.

Devido à sua magnitude, o Ombria Resort já é uma referência nacional de aplicação deste tipo de geotermia como uma energia renovável, enquadrando-se nos desafios e metas europeias traçadas até 2030, que referem objetivos de aumento em 27% da eficiência energética e do consumo de energia com origem em fontes renováveis e uma redução em 40% dos gases com efeito de estufa.

 

Baseado nos princípios de arquitetura bioclimática, o design e arquitetura do Ombria Resort recorrem ao uso de elementos regionais de inspiração local e materiais naturais de origem local, levando a uma redução geral do consumo energético e da pegada ambiental.

 

Além disso, investiu também em arquitetura bioclimática, que permite por exemplo aproveitar as águas pluviais. Quais as vantagens deste tipo de arquitetura? Que outras aplicações tem?

Os princípios sustentáveis foram aplicados ao design do resort e a todas as caraterísticas dos edifícios encontrados no Ombria Resort.

A arquitetura bioclimática apresenta traços inovadores e tradicionais, permitindo que a energia seja conservada sempre que seja possível, recorrendo a métodos de construção algarvia antigos e materiais de origem local adaptados ao clima da região.

Este tipo de arquitetura permite que a energia seja conservada sempre que possível, com o calor ganho ou perdido através de materiais com baixos coeficientes de transferência de calor e saberes seculares para proteger do sol.

Baseado nos princípios de arquitetura bioclimática, o design e arquitetura do Ombria Resort recorrem ao uso de elementos regionais de inspiração local e materiais naturais de origem local, levando a uma redução geral do consumo energético e da pegada ambiental.

Ao considerar meticulosamente a gestão de água em todos os locais do Ombria Resort, minimizámos o consumo de água a par com o desenvolvimento de um sistema de bombeamento, que armazena e distribui as águas pluviais que serão substituídas de maneira orgânica.

A água da chuva recolhida será diretamente canalizada para um lago de armazenamento próximo ao buraco 18 do campo de golfe, utilizada para irrigação através de umas bombas energéticas eficientes, poupando cerca de 15% em água e eletricidade.

 

De acordo com a Forbes, só no ano passado foram parar ao oceano cerca de nove milhões de toneladas de plástico. Qual a política do Ombria resort em relação aos plásticos e à reciclagem?

A separação de resíduos será facilitada para todos os hóspedes, residentes e funcionários do Ombria, usando ecopontos e pontos de reciclagem disponíveis dentro e fora do resort – ajudando assim a promover uma cultura de reciclagem organizada.

 

Ombria Resort - Jardins

Os campos de golf são grandes consumidores de água, um recurso escasso. De que forma esta preocupação em preservar a água é levada em conta pelo Ombria resort?

Temos uma redução significativa da área de relva plantada (relativamente à média dos outros campos), mantivemos grande parte da flora autóctone nas áreas adjacentes aos fairways, escolhemos tipos de relva de acordo com as condições climatéricas e do terreno.

De maneira a proteger a biodiversidade existente, minimizamos o uso de recursos naturais e construímos em menos de um quarto da área total do resort, com a vista dos greens e fairways concebidas para se misturarem harmoniosamente com o ambiente que as rodeia. A preservação da paisagem autêntica, repovoando plantas e árvores autóctones, garantiu a sua evolução como uma extensão natural do ecossistema já florescente.

A construção do campo de golfe do Ombria Resort foi apoiada e certificada por uma das mais reputadas entidades de certificação ecológicas no mundo: a GEO Foundation, uma referência internacional que reforça a importância de um campo de golfe responsável, exigindo os mais altos padrões de sustentabilidade em seis áreas principais: natureza, água, energia, cadeia de fornecimento, controlo de poluição e comunidade.

A certificação do campo de golfe do Ombria Resort evidencia e elucida as razões pelas quais o desenvolvimento do campo golfe, da construção ao design, beneficiou as comunidades locais e o meio ambiente.

De acordo com Sam Thomas, diretor de desenvolvimento de golfe da GEO Foundation, “ A equipa do projeto no Ombria Resort conseguiu criar um campo de golfe em completa harmonia com as espécies nativas e a paisagem da região. Ao mesmo tempo destaca também o quão enraizado está o resort na autêntica herança e cultura Algarvia”

 

Quando o Resort estiver em funcionamento, a partir de 2022, a necessidade de mão de obra estabilizará nos 300 postos de trabalho, dos quais 15% serão profissionais com nível de educação superior.

 

Para lá destas medidas que outras têm vindo a implementar para a promoção da sustentabilidade? Por exemplo, ao nível interno, com os vossos colaboradores e fornecedores?

Nos nossos escritórios em Loulé, eliminámos a utilização de plásticos usando, por exemplo, garrafas de água de vidro. Também nos esforçamos por utilizar sobretudo fornecedores locais.

 

A sustentabilidade pressupõe também um maior envolvimento com a comunidade local. Que iniciativas promovem junto da comunidade em que estão inseridos e de que forma a própria região é enquadrada na vossa oferta?

O Ombria Resort pretende ser um destino premium ligado à região sendo uma extensão da comunidade local em que se insere. Visitantes e proprietários são incentivados a explorar as áreas circundantes, a cultura local, locais históricos, património e a gastronomia local de uma forma ambientalmente responsável. Queremos ser um fator de desenvolvimento sustentável, de contribuição para a redução da sazonalidade no Algarve e de novas oportunidades para a população local.

De acordo com o estudo de ‘Impacto Económico e Social do Empreendimento Ombria Resort no Concelho de Loulé’ elaborado pela Universidade do Algarve em 2019, o Ombria Resort vai gerar um encaixe fiscal de 22,2 milhões de euros para a administração local.

Quando o Resort estiver em funcionamento, a partir de 2022, a necessidade de mão de obra estabilizará nos 300 postos de trabalho, dos quais 15% serão profissionais com nível de educação superior.

Este estudo aponta ainda para a dinamização da economia local e o crescimento do emprego indireto, pelo impacto positivo que o Ombria Resort deverá ter em restaurantes, bares, mercearias e empresas de atividades turísticas.


Julio Delgado,
CEO Ombria Resort

In 2015, Julio Delgado joined Ombria Resort in Algarve, Portugal, a new generation of low-density resort development with sustainability and support of local heritage at its heart. He brought a wealth of experience managing some of Southern Europe’s leading mixed-used developments, the most recent of which was as CEO of the 5-star resort PGA Catalunya, in Spain.

As a 20 years experience´s senior hospitality and real estate executive, Julio has been engaged in developing and executing revenue and unit growth strategies, and improving operating efficiency.

Specialties: Development of clear strategies to drive company growth – New hotel and real estate development – Hotel performance management – Hotel and Resorts openings – New brand development – Change management and integration projects.

Julio has also been also involved in many hotels and resorts developments and projects all over the world, as an external consultant for Horwath Consulting.

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Desde que começámos a dar forma a este projeto, a Nespresso era uma marca que nos interessava conhecer mais a fundo. Foi das primeiras, em 2003, a lançar um programa de sustentabilidade, intitulado AAA Sustainable Quality™, em parceria com a Rainforest Alliance, que apoia produtores e os mobiliza para uma produção mais sustentável.

João Nogueira da Silva, diretor de marketing da Nespresso, acedeu a responder-nos a algumas questões, sobre as ações da marca, que vão desde o projeto já enumerado até às cápsulas em alumínio e as entregas verdes da marca, que levarão a uma redução anual de mais de 15  toneladas de C02. Não perca a oportunidade de conhecer e perceber a visão da Nespresso em relação à sustentabilidade.

 


João Nogueira da Silva,
Diretor de Marketing da Nespresso

Licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa, MBA pela AESE/IESE.

Nascido em Lisboa, onde desenvolveu a sua atividade profissional na banca, marketing e consultoria. Na área de marketing destaca a experiência na Beiersdorf com as marcas NIVEA, e mais recentemente a responsabilidade pelo marketing Nespresso, em Portugal e em Itália.

 

A Nespresso afirma que a sustentabilidade é um imperativo de negócio e uma parte importante da estratégia da empresa. De que forma integram a sustentabilidade no desenvolvimento de novos produtos?

A sustentabilidade está presente em tudo o que fazemos na Nespresso, é o nosso maior compromisso. Trabalhamos no sentido de a integrar em toda a nossa atividade, desde a plantação do grão de café, à reciclagem e reutilização do alumínio das cápsulas usadas, passando por toda a nossa cadeia de produção. O nosso propósito é que cada chávena de café tenha um impacto positivo.

O nosso sistema foi pensado para reduzir o consumo de energia, diminuir a pegada de carbono e evitar o desperdício, garantindo sempre o melhor café Nespresso. Quando desenvolvemos novos blends, a produção é assente num programa de sustentabilidade. Para produzir um café de qualidade, cada semente é encarada como uma oportunidade de capacitar as comunidades e proteger o meio ambiente, através de práticas de cultivo sustentáveis.

As nossas cápsulas são feitas de alumínio, um material infinitamente reciclável para permitir que o seu ciclo não se esgote numa única vez. Recentemente introduzimos cápsulas feitas com 80% de alumínio reciclado. Estamos constantemente a desafiar-nos a melhorar a sustentabilidade e a circularidade das nossas operações, incluindo a forma como adquirimos, usamos e reciclamos os materiais. Usar alumínio reciclado nas nossas cápsulas é algo que temos trabalhado arduamente para conseguir alcançar com os nossos fornecedores. Quando esta nova liga for totalmente implementada em todas as linhas Nespresso estimamos conseguir reduzir perto 28,5 toneladas de CO2 na pegada de carbono da Nespresso. Além de que o alumínio reciclado requer 95% menos energia para produzir do que o alumínio virgem. O nosso objetivo é este, trabalhar para sermos cada vez mais sustentáveis e deixar uma pegada positiva, no que diz respeito à sustentabilidade.

 

A introdução de cápsulas feitas de 80% de alumínio reciclado e as entregas verdes em Lisboa são exemplos do nosso compromisso com a sustentabilidade

 

A produção de café envolve as comunidades locais dos países produtores. Que ações desenvolvem junto destas comunidades de forma a contribuir para a erradicação da pobreza?

A Nespresso trabalha diretamente com cerca de 110 mil agricultores. No terreno estão diariamente 400 pessoas da marca a ensinar a cultivar, recolher e cuidar os grãos de café. Há um cuidado muito grande da nossa parte em garantir que estes agricultores têm todas as ferramentas e o conhecimento para que possam produzir o melhor café, da forma mais sustentável.

É através do Programa Nespresso AAA, desenvolvido em parceria com a Rainforest Alliance e Fairtrade, que conseguimos garantir uma maior proximidade e apoio aos agricultores. São vários os exemplos que podemos dar e que acreditamos fazem a diferença no final do dia, na vida destas pessoas. Pagamos o café por um valor acima do mercado e o facto de fazerem parte do programa AAA, garante-lhes maior quantidade e qualidade do café, originando também uma maior receita. Neste programa, estamos a trabalhar para garantir que uma maior proporção dos nossos cafés é certificada pelo nosso parceiro Fairtrade, reduzindo o risco do mercado e da imprevisibilidade da moeda de forma a proteger as comunidades agrícolas.

Na Colômbia criámos um fundo de pensões para os agricultores, em parceria com o governo local, de forma a conseguir dar-lhes uma maior segurança para o futuro. São mais de 11000 agricultores a participar neste plano de reforma que lhes garante que quando deixarem de trabalhar têm forma de se sustentar. Mais recentemente, promovemos parcerias com comunidades locais em países como Porto Rico, onde os desastres naturais destruíram mais de 80% da colheita de café; ou nas regiões de Caquetá e El Rosaria, na Colômbia, onde décadas de conflito interno criaram condições voláteis e tremendas restrições para os agricultores locais; ou no Zimbabué, onde a seca e a instabilidade económica praticamente exterminaram a indústria de café. Implementando as técnicas e os conhecimentos dos nossos embaixadores do Programa AAA para a Qualidade Sustentável™, estamos a assistir ao ressurgimento da vida natural nessas terras, e à recuperação da esperança entre os seus povos. Há muito por fazer e nós queremos contribuir para continuar a melhorar a vida destas pessoas.

 

 

Cada vez mais precisamos de garantir a utilização sensata de matérias-primas, desde a redução do desperdício à reciclagem no final do ciclo de vida do produto. Que iniciativas desenvolvem neste sentido?

O alumínio é infinitamente reciclável, o que significa que as cápsulas de café Nespresso começam como novos produtos e transformam-se, também, numa nova matéria prima para produtos de alumínio uma vez reciclados. Além disso, o alumínio utiliza até 95% menos energia do que a produção de metais primários e mantém as suas propriedades inerentes, independentemente do número de vezes que é reciclado. Estes são alguns dos fatores decisivos para a escolha deste material: garantir que não se esgota a sua utilização em cada chávena de café.

Por outro lado, com o sistema de consumo preciso da Nespresso garantimos a utilização da quantidade exata de água, café e energia necessários para preparar uma chávena de café sem desperdício de recursos.

A introdução de cápsulas feitas de 80% de alumínio reciclado e as entregas verdes em Lisboa são exemplos do nosso compromisso com a sustentabilidade. Lisboa foi a cidade escolhida para dar arranque às novas entregas sustentáveis e o nosso objetivo é alargá-lo a todo o território nacional. A utilização destes veículos vai permitir uma poupança anual de CO2 de mais de 15 toneladas por ano, face à versão com motorização a diesel. Estes veículos elétricos não emitem partículas e NOx durante a sua utilização.

 

Até 2022, a Nespresso terá todos os seus cafés neutros em carbono

 

A Nespresso criou o Programa AAA Sustainable Quality™ juntamente com a Rainforest Alliance, criando a primeira norma que uniu os princípios de qualidade com sustentabilidade. Em que consiste este programa e quais os principais resultados conquistados desde então?

O Programa AAA Sustainable Quality™ da Nespresso foi desenvolvido em parceria a Rainforest Alliance e lançado em 2003. Com este programa apoiamos mais de 110 mil agricultores para que plantem o café da mais elevada qualidade. O programa tem uma abordagem dinâmica e em constante evolução que integra um pensamento emergente em qualidade, produtividade e sustentabilidade, tendo sempre em consideração os parâmetros sociais, ambientais e económicos. Os impactos são claros. Dados do CRECE na Colômbia, por exemplo, mostram um impacto positivo para os produtores AAA Sustainable Quality™ da Nespresso em comparação com produtores semelhantes que não fazem parte do programa.  

Produzimos assim um café da mais alta qualidade, fornecido por produtores certificados.  95% do café Nespresso é fornecido por produtores certificados pelo Programa AAA Sustainable Quality e mais de 55% é proveniente de produtores certificados pela Rainforest Alliance.

O Programa AAA combina a expertise da Nespresso em café e qualidade com a sabedoria da Rainforest Alliance no que respeita à sustentabilidade socio-ambiental.

Os dados falam por si:

  • Mais de 110.000 produtores envolvidos em 14 países
  • Formação e assistência técnica através de uma rede de 400 agrónomos
  • 296 indicadores de sustentabilidade
  • 95% do café vem do Programa AAA da Nespresso (final de 2019)
  • 55% de café AAA têm agora a certificação da Rainforest Alliance.
  • 17 anos do Programa AAA da Nespresso.

 

Existe algum sabor na Nespresso que seja considerado o “embaixador” desta causa? Se sim, qual e em que se diferencia.

O nosso café é o grande embaixador da nossa causa sem distinção entre si. Trabalhamos com este foco e com este compromisso. Produzir o melhor café da forma mais sustentável possível.

 

Em 2014 nasce o “The Positive Cup”. Em que consiste esta iniciativa?

Na Nespresso acreditamos que cada chávena de café pode não só proporcionar um momento de prazer mas também restaurar, reabastecer e revitalizar as comunidades e recursos ambientais envolvidos na produção de café.  Como empresa, a sustentabilidade é a nossa forma de trabalhar e está no centro de tudo o que fazemos. Através da nossa estratégia de sustentabilidade –  The Positive Cup –  estamos comprometidos a alcançar o objetivo proposto, até 2020, de tornar cada chávena de café Nespresso numa chávena positiva. Para alcançar este objetivo a Nespresso compromete-se a alcançar ambiciosas metas: café proveniente de origem 100% sustentável; 100% de alumínio gerido de forma sustentável; e 100% de operações eficientes na emissão de carbono.

Mais recentemente, anunciámos um enorme compromisso no que toca à pegada de carbono: até 2022, a Nespresso terá todos os seus cafés neutros em carbono. Era um compromisso que tínhamos pensado fazer em 10 anos, mas a rapidez na resposta que este tema exige, desafiou-nos a acelerar os nossos processos e o nosso compromisso.

 

Desde o início, em 2010, já conseguimos entregar o equivalente a 12 milhões de refeições às famílias apoiadas pelo Banco Alimentar

 

As capsulas Nespresso são feitas de alumínio. Qual a política de reciclagem da Nespresso em relação às cápsulas? Sendo o alumínio considerado um material infinitamente reciclável, quais as possíveis reutilizações depois de feita a reciclagem?

Na Nespresso defendemos que a última gota de café não significa uma última utilização do alumínio. O Alumínio é infinitamente reciclável. Cada cápsula que recicla pode ser transformada em objetos do dia-a-dia – outra cápsula, bicicletas, canivetes Suíços, descascadores, escadotes, caixilharia de janelas ou caixas de relógios.

O nosso objetivo é que todos reciclem, é por isso que trabalhamos. Infelizmente essa ainda não é a realidade. Mas queremos acreditar que um dia será. Atualmente a taxa global de reciclagem de cápsulas da Nespresso é de 30% a nível global, atingindo um ano antes as metas definidas para 2020. Em Portugal, a taxa foi de 23% no último ano, um número que muito nos orgulha.

Para tornar o processo ainda mais simples e conveniente para os consumidores, acabámos agora de substituir o saco de separação de cápsulas por um novo, feito de material 70% reciclado. O desafio está lançado: aumentar a taxa de reciclagem e mostrar o quão importante é.

 

Ao nível de responsabilidade social corporativa a Nespresso implementou em Portugal o projeto ‘Reciclar é Alimentar’, um projeto de economia circular que ofereceu 12 milhões de refeições a famílias e instituições. Quais os próximos passos deste projeto?

Produzir o melhor café, chávena após chávena, traz-nos um sentido de responsabilidade. Para com os nossos consumidores, e, naturalmente, também para com o mundo em que vivemos. O projeto “Reciclar é Alimentar” é um exemplo do nosso compromisso para com o ambiente mas também um compromisso social. O que fazemos é reciclar borra de café de cápsulas Nespresso utilizadas e integramo-las num composto que é utilizado para adubar campos de arroz na Herdade Monte das Figueiras, em Santa Margarida do Sado. O arroz produzido é depois comprado pela Nespresso e doado ao Banco Alimentar, que o faz chegar às 2.400 instituições com quem colabora. O objetivo deste projeto é dar uma nova vida às cápsulas Nespresso e contribuir para o crescimento da economia circular.

Desde o início, em 2010, já conseguimos entregar o equivalente a 12 milhões de refeições às famílias apoiadas pelo Banco Alimentar, num total de mais de 600 toneladas de arroz entregues a famílias portuguesas.

Pretendemos contribuir para o crescimento da economia circular. Sendo a borra do café um produto  com propriedades ricas em nutrientes e o alumínio, um material infinitamente reciclável, estamos a garantir que as suas vidas úteis não acabam numa chávena de café. No caso do alumínio, é transformado em novos objetos, como canetas, máquinas fotográficas, canivetes ou até bicicletas. Ao mesmo tempo que oferecemos um café da mais alta qualidade, contribuímos para menos desperdício e mais sustentabilidade.

Descubra todas as informações sobre a área de sustentabilidade da Nespresso em www.nespresso.com 

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O Grupo Mercantina destacou-se durante o período de confinamento, ao criar o projeto “Food For Homeless” em conjunto com a Comunidade Vida e Paz. Fomos falar com José Bartolomé Duarte, um dos fundadores, para conhecer um pouco melhor o grupo, saber mais sobre o “Food for Homeless” e descobrir que outras ações levam a cabo, na área da sustentabilidade. Podemos adiantar que foi uma agradável surpresa, com cuidados que vão desde o controlo do desperdício alimentar até à adoção de um coala. Está tudo abaixo.

 

Durante a pandemia, a Mercantina juntou-se à Comunidade Vida e Paz no apoio aos sem-abrigos de Lisboa. Foi criada a iniciativa Food for Homeless em que foram entregues refeições a quem mais precisa. Como surgiu esta iniciativa?

A marca Mercantina e a nossa agência de comunicação, ADBD Communicare, entenderam desde o início que a pandemia agravou ainda mais as evidentes necessidades de algumas pessoas. Foi efetivamente o momento em que seria necessário chamar a atenção para a importância de cuidar do outro e de garantir que quem mais precisa não é esquecido. A Comunidade Vida e Paz é um dos parceiros ideais, uma vez que presta apoio a pessoas em condição de sem-abrigo ou de vulnerabilidade social, procurando a sua reabilitação e reinserção social, tentando responder às necessidades que encontram nesta comunidade.

Na sua missão de responsabilidade social, o Grupo Mercantina associou-se à Comunidade Vida e Paz e preparou a campanha ‘Food for Homeless’. Lançámos este projeto a 21 de março e mantemo-lo até à data. O objetivo é ajudar e chegar a quem mais precisa.

 

Quais os resultados alcançados?

Nestes quatro meses já distribuímos mais de 1 000 refeições. Fazemos as entregas todas as semanas, sempre em veículo próprio para garantir a qualidade dos produtos. Tem sido para nós verdadeiramente gratificante contribuir para esta causa, incluída nas nossas Políticas de Responsabilidade Social.

O grupo Mercantina acredita verdadeiramente na ética do comportamento social e na sua importância para todos nós.

 

Na Mercantina existe uma preocupação com a reciclagem ou outra causa ambiental? Se sim, descrevam por favor.

Posso referir que lançámos recentemente uma submarca de comida asiática, a Take The Box, como atrás referido.  Como marca de delivery que é, as boxes são muito importantes, sendo que procurámos evitar ao máximo o plástico e encaminhámos todos os processos no sentido de termos embalagens de papel reciclável.

Acreditamos que é um investimento que compensa a marca a vários níveis: sustentabilidade, redução da nossa pegada ecológica e uma preocupação social genuína para com as gerações futuras.

 

 

Qual o cuidado que têm na seleção das matérias-primas e fornecedores? É importante para vocês a região de origem? Quais os critérios que aplicam?

Uma das principais preocupações da Mercantina é o produto, sempre fresco e com uma qualidade irrepreensível. Como nos assumimos como uma marca verdadeiramente mediterrânica, os produtos usados na confeção dos pratos vêm diretamente dos países que inspiram a nossa gastronomia, como a farinha Caputo, de Nápoles, ou o tomate San Marzano, do  Monte Vesúvio.

Cremos que a origem e qualidade dos produtos fazem a diferença para o cliente que nos visita e é a pensar nele que, todos os anos, viajamos até aos países da Bacia Mediterrânea para procurar novas combinações e inspirações. Todos os produtos passam por uma rigorosíssima seleção, feita pelos nossos chefs e pela administração.

 

Nota que os clientes estão mais exigentes com aquilo que consomem e questionam mais, como por exemplo, os ingredientes utilizados, etc?

O cliente é o centro da nossa razão de ser enquanto marca. Consideramos que a quantidade de informação que hoje existe nas diferentes plataformas comunicacionais, obriga-nos, obviamente, a estar atentos a todos os pormenores. Sendo que o mercado concorrencial é enorme, o Grupo Mercantina não pode parar de procurar inovar. É verdade que o mundo da informação ao dispor de um click revolucionou verdadeiramente este aproach entre os clientes e a marcas. O cliente quer estar por dentro, quer conhecer, quer saber, procura explicações e nós temos que cá estar para lhas dar, razão pela qual investimos numa comunicação transparente em todas as plataformas onde nos encontramos.

 

Criámos o ‘Menu Populi Solidário’ em exclusivo para apoiar a Associação Ajuda de Berço

 

Qual o posicionamento da Mercantina no mercado dos restaurantes mediterrânicos? Em que se diferencia dos demais?

A marca Mercantina nasce em 2013, pela mão de três sócios: José Bartolomé Duarte, António de Sousa Duarte e Paulo Antunes. Considero que a marca trouxe inovação ao mercado e um olhar diferente face ao que existia na altura. Foi a primeira marca em Lisboa e a segunda em Portugal a obter o certificado de qualidade, reconhecido pela Associazione Verace Pizza Napoletana (AVPN), mais conhecida como a Michelin das Pizzas. Obtivemos também, em 2015, o certificado de Ospitalità Italiana, da Câmara de Comércio de Itália.

O posicionamento da Mercantina, ao longo dos anos, tem procurado ser de referência, no que diz respeito à genuinidade dos produtos e à qualidade constante dos mesmos, procurando estar sempre perto do seu consumidor. Desde o início contou com o Chef pizzaiolo Diogo Coimbra, a consultadoria, para a pizza alla pala da marca Pizza & Gelato, do chef Luca Belliscioni (um dos mais reputados chefs de Roma) e, também desde o início, o chef Giorgio Damasio, chef reconhecido a nível nacional e internacional. Hoje, a cozinha da Mercantina está aos comandos do chef Nathanel Silva.

A Mercantina tem uma inquietação permanente ao nível da inovação, traduzida sempre em novas propostas para os clientes, procurando novos sabores e caminhos no seu desenvolvimento. A marca Mercantina conta hoje com os seus restaurantes de Alvalade, que é a casa mãe, Chiado e Avenida da República, sob a designação Bistro 37.

Lançámos, em plena pandemia, a submarca Take The Box, sendo esta virada exclusivamente para o delivery e take away. Na inquietude mental que nos caracteriza, o grupo Mercantina abriu e rasgou horizontes para novas culturas e, desta feita, para a gastronomia oriental. Considero que a Marca Mercantina não pretende ser apenas e tão somente uma marca de gastronomia mediterrânica, mas aberta a novos sonhos e a novos projetos. Assim sendo, procuramos e procuraremos sempre entender os hot topics mundiais nos nossos projetos.

 

 

Ao nível da vossa oferta gastronómica, existem opções vegan ou mais saudáveis (biológicas)? 

Acreditamos que as opções que servimos na Mercantina são sempre saudáveis, pois só utilizamos produtos frescos. No entanto, fruto da procura e também da nossa vontade em chegar a novos clientes, temos hoje em dia uma grande preocupação em criar opções vegetarianas. Sempre tivemos o cuidado de incluir alternativas à carne e ao peixe na nossa carta, mas a oferta tem vindo a aumentar. Destaco a pizza Margherita D.O.P (Tomate, mozzarella di bufala D.O.P della Campania, parmesão, manjericão e azeite extra virgem), a Vegetariana (Tomate, mozzarella, pimentos, courgette, beringela e cebola) e a Arrotolata (Mozzarella fior di latte, tomate seco, pesto e azeitonas (pizza fechada). Temos também o Risotto de cogumelos e a Salada Caprese. Mesmo nas Sugestões do Dia, que compõem os Menus de Almoço, temos sempre opções saudáveis, com produtos da época que fazem parte as nossas saladas. Veja-se, por exemplo, a farinha biológica certificada que importamos diretamente de Itália e que incluímos nas nossas pizzas alla pala. Entendemos também que este é definitivamente o caminho e por isso estamos a trabalhar em novos processos. Com certeza que, no próximo ano, apresentaremos novas soluções para novas exigências.

 

O que fazem, por exemplo, para combater o desperdício alimentar?

Como trabalhamos sempre com produtos frescos e os nossos pratos são confecionados em doses individuais, previamente preparadas, reduzimos ao mínimo o desperdício nas nossas cozinhas. Foi sempre uma preocupação nossa evitar o desperdício alimentar, missão que temos cumprido com sucesso até à data e assim procuraremos continuar.

 

Que outras ações de responsabilidade social têm vindo a ser ou projetam que venham a ser desenvolvidas no futuro?

O Grupo Mercatina tem sempre várias ações de responsabilidade social. Ainda este ano, devido aos incêndios na Austrália, a Mercantina juntou-se à campanha de solidariedade mundial e adotou um coala que foi acolhido no Koala Hospital e que foi batizado de Paul.

Ainda dentro do grupo Mercantina, tivemos uma campanha no restaurante Populi, agora Terra Nova by Populi, onde criámos o ‘Menu Populi Solidário’ em exclusivo para apoiar a Associação Ajuda de Berço, que acolhe crianças até aos três anos de idade, em situação de risco ou abandono.

A responsabilidade social sempre teve muito peso para o Grupo Mercantina e estamos sempre a criar novas forma de apoio. Para 2021 temos já previstas algumas ações, nomeadamente para o Dia da Mãe e para o Natal. São ações que já tínhamos projetado para este ano, mas que devido à pandemia tivemos de adiar.

Conheça o grupo Mercantina em detalhe em: www.mercantina.pt

José Bartolomé Duarte,
Partner fundador do Grupo Mercantina

Lisboeta, benfiquista e homem do mundo. Foi o gosto pelo risco que o fez lançar-se, muito jovem, no mundo dos negócios. Licenciado em Gestão pela UE/ISLA e pós-graduado em Mercados e Ativos Financeiros pelo INDEG/ISCTE é um empreendedor que elege como áreas de interesse a gestão, a estratégia e os mercados financeiros. Há 20 anos fundou a agência de comunicação ADBD Communicare e é partner fundador da agência de comunicação Bulldog, desde 2013.

A paixão pela Comunicação leva-o a assumir o valor imenso deste lado estratégico para as empresas, mas também o impele, desde 2005, a ensinar Marketing Político, Comunicação Empresarial, Relações Públicas e Assessoria Mediática, na Universidade Europeia. Ainda na área da educação, foi também diretor executivo da pós-graduação em Estratégias de Comunicação e Assessoria Mediática, na UE/ISLA durante cinco anos.

Em 2012 inaugurou a marca Populi (agora Terra Nova by Populi) e em 2013 lança a marca Mercantina, em Alvalade, seguindo-se as Mercantinas Chiado e Bistro 37, em 2015 e 2018 respetivamente. Em plena pandemia, o Grupo Mercantina lança a marca Take The Box, exclusiva para Delivery e Take Away. Detém ainda a marca Biovitaminas desde 1995 na área do Healthy Food.

É coautor da obra ‘O Livro do Empreendedorismo’, da Universidade Europeia, onde leciona, e palestrante em várias conferências, nas áreas da Comunicação e Gestão. É membro da Câmara de
Comércio Luso-Britânica e do Grémio Literário.

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Para lá da pandemia, que teve impacto no consumo de cerveja, fomos perceber o que faz uma marca internacional, tão ligada a um público jovem, pela preservação do mundo.

Descobrimos, através de Pedro Rocha, Marketing Manager da Corona Portugal, como é esperado que as preocupações ambientais e de saúde impactem os consumidores de cerveja, como a Corona cumpre uma missão global de proteção das praias e oceanos e ainda o trabalho de formação para a Sustentabilidade que a marca faz, com as Corona Talks. Está tudo na entrevista.

Pedro Rocha,
Marketing Manager da Corona Portugal

O consumo de cerveja tem uma forte componente social, e as condições ótimas em Portugal levaram a um grande crescimento no consumo em 2019. A pandemia afetou os resultados?

Este setor vinha de um ano de crescimento, com a produção total de cerveja a subir 5,1% e o mercado doméstico a crescer 3,9% em vendas, segundo dados estatísticos da APCV – Cervejeiros de Portugal. Em 2019 a economia e o bom tempo motivaram uma maior vontade dos consumidores para o consumo fora de casa, associado a atividades de lazer, mas 2020 veio mudar bastante este panorama.

A Corona, no canal On Trade representava 66 % e no Off Trade 34 %, mas hoje em dia a mudança de consumo faz com que o Off trade represente 61 % e o On trade 39 %. O consumo em casa registou um aumento de 27%.

A pandemia gerada pela Covid-19 levou ao encerramento do canal HORECA, responsável pela maioria das nossas vendas. Com a posterior reabertura deste setor, acreditámos que o crescimento poderia ser mais sustentado, mas a retoma tem-se verificado lenta, pelo que as vendas na distribuição não têm compensado as registadas com o fecho do canal HORECA. Apesar de as vendas no canal alimentar terem registado uma evolução positiva durante o período de confinamento, sublinhamos que não compensaram o encerramento do canal HORECA pois o consumo de cerveja Corona é, sobretudo, um ato social e de convívio, que foi abruptamente interrompido.

Nesta fase de desconfinamento a escolha de restaurantes e cafés é feita por estarem próximos do local de trabalho ou casa, neste último caso motivado também pelo teletrabalho, originando níveis interessantes de recomeço de atividade em bairros domésticos. O bom tempo também ajudou a que as esplanadas tivessem uma maior procura, sobretudo perto de parques, praias, rio ou mar, mas nada se compara a períodos homólogos.

Os estabelecimentos com oferta ao ar livre estão a ser a principal escolha dos consumidores e as autarquias têm de ser sensibilizadas para facilitarem a expansão legal das esplanadas nos seus municípios e assim ajudarem o canal HORECA como resposta a esta tendência.

Tempos extraordinários exigem medidas excecionais e a possibilidade destes estabelecimentos contarem com uma oferta ao ar livre, não só suporta a sua sobrevivência económica, como protege mais os consumidores de focos de contágio e de crescimento do Turismo.

 

Protect Paradise: São, até hoje, 149 ilhas protegidas, 519 praias limpas que representam perto 4 milhões de metros quadrados sem plástico.

As cervejas artesanais têm-se evidenciado nos últimos anos. Qual o impacto desta tendência nos resultados e na mudança do perfil de consumidor e consumo?

Os apreciadores de cerveja artesanal consideram o consumo de bebidas artesanais como moderno, cool. Querem experimentar novas marcas mesmo que os preços sejam mais elevados. Gostam de provar diferentes sabores. São pessoas com hábitos de consumo regulares, jovens e que apostam no que é trendy.

Em Portugal, a cerveja artesanal expressa-se com menos de 1% de fatia de mercado. É um movimento recente, que tem vindo a crescer, mas com uma expressão ainda diminuta.

Quem prova uma boa cerveja dificilmente volta atrás, pelo menos por opção própria. E tem-se notado a curiosidade dos portugueses e a consequente mudança de consumo na comida e na bebida – procuram produtos bem confecionados e de qualidade.

Acredito que as cervejas artesanais, em 10 anos, deixem de ser consideradas um nicho. Terão um peso relevante na sua distribuição, notoriedade e consumo.

 

Como antevê que seja o perfil de consumidor de cerveja daqui a 5 anos? As preocupações com o mundo (e mesmo com a sua saúde) terão muito impacto?

Sim. Toda a nova sociedade – os jovens – tem uma grande preocupação com as questões da saúde e ambiente. Constatamos a forte preocupação e reações que as camadas mais jovens têm vindo a mostrar e evidenciar um pouco por todo o mundo. Vejamos o caso, não recente, da jovem sueca Greta Thunberg, o Prémio Gulbenkian para a Humanidade que apoia várias causas ambientais. Os jovens estão preocupados, conscientes e mais despertos para causas nobres.

 

 

Pode falar-nos um pouco da campanha Protect Paradise?

A Corona tem uma forte preocupação com o ambiente e a prova, além das várias campanhas, iniciativas e projetos que tem vindo a implementar em todo o mundo, é a montra de arranque do seu website. A Corona orgulha-se de ajudar o ambiente e apresenta na homepage do seu canal online próprio o número e metros quadrados de praias limpas, ilhas protegidas e voluntários que ajudam e apoiam estas iniciativas. A campanha Protect Paradise é o espelho disso mesmo, um excelente e forte iniciativa do trabalho que a Corona tem vindo a desenvolver. A Corona e Parley juntaram-se para acabar com a poluição e plásticos nos mares e oceanos, que tanto afetam as vidas e espécies marinhas. Assumiram o compromisso, em 2017, de limpeza de 100 ilhas e apela a todos à participação nesta nobre missão. São, até hoje, 149 ilhas protegidas, 519 praias limpas que representam perto 4 milhões de metros quadrados sem plástico.

 

Em diferentes setores, a preocupação com as embalagens e com os ingredientes saudáveis, tem levado marcas históricas a reinventarem o seu portfólio. A Corona tem algo pensado neste sentido? Seja ao nível de produto, seja ao nível de comunicação, activação ou ponto de venda.  

A Corona teve um projeto piloto o ano passado com cerveja de lata. Trata-se de uma iniciativa que pretendia reduzir a utilização de plástico nas embalagens através de um sistema de encaixe das latas. É uma inovação da marca que foi feita especialmente para a final do Cannes Innovation Lions 2019 precisamente na categoria marketing. Embora as cervejas Corona sejam sobretudo embaladas com vidro e fibras de madeira, a marca tem vindo a testar novas formas de o plástico ser substituído por fibras biodegradáveis de base vegetal combinadas com materiais orgânicos.

 

Pegando no mote #ThisLiving, encontramos uma campanha da Corona no Brasil, chamada Redescubra o Paraíso, que permite reservas diretas em hóteis, sem nenhuma comissão extra e com descontos. Isto foi uma forma de apoiar os hotéis e regiões, em período de pandemia?

Sim, mas a ideia não é nova. Trata-se de uma campanha antiga que foi novamente implementada neste período particularmente difícil para este setor e apenas no Brasil.

 

No World Surf League, estabelecemos uma pareceria com a Waste4Coffee para sensibilizar e apelar a todos os participantes deste evento desportivo para a necessidade de termos as nossas praias limpas e de assim as mantermos.

 

Sendo uma marca global, as ações são pensadas globalmente, ou os países têm autonomia para intervir e criar campanhas e ações próprias?

As campanhas são aperfeiçoadas e adaptadas aos respetivos mercados de acordo com as tendências e cultura dos países pensadas e concretizadas no Brand Book Corona e posteriormente. Existe autonomia para a implementação das campanhas, mas sempre alinhadas com as guidelines da marca e com a supervisão da mesma. Uma marca global, presente já em 180 países, tem de ter uma estratégia muito bem alinhada entre todos os mercados para que as mensagens a passar estejam em perfeito sintonia com o posicionamento definido. Recordo aliás que a Corona é líder no seu país de origem – México – e considerada a quinta cerveja mais consumida no mundo.

 

Que ações, globais ou locais, da Corona gostaria de destacar e que não foram mencionadas aqui? 

Em Portugal implementámos uma iniciativa que ia ao encontro do nobre projeto Protect Paradise e o ano passado, no World Surf League, estabelecemos uma pareceria com a Waste4Coffee para sensibilizar e apelar a todos os participantes deste evento desportivo para a necessidade de termos as nossas praias limpas e de assim as mantermos. Além dos copos reutilizáveis que disponibilizámos, evitando assim o plástico descartável, produzimos cinzeiros de praia para oferecer a todos os visitantes do evento. Ainda no âmbito do WSL, em 2019 lançámos a primeira Corona Talk, dedicada à sustentabilidade. Esta iniciativa, aberta ao público, contou com a presença da embaixadora da marca, Joana Freitas, a influenciadora Rita Ferro Alvim e a representante do projeto Waste4Coffee. A conversa foi moderada por João Janita Alves. O objetivo passou por chamar a atenção para a proteção dos oceanos, redução do uso do plástico e outros temas ligados à sustentabilidade.

Descubra todas as ações na área da sustentabilidade, e não só, da Cerveja Corona em: www.corona.com

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