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O Azeite tem um papel central na gastronomia portuguesa e faz sucesso além fronteiras. Fomos falar com a Monterosa, uma marca algarvia que já recebeu diversos prémios internacionais, para perceber como a sustentabilidade é incorporada no processo produtivo.

 

 

Como surgiu a ideia de criar azeites de qualidade superior com a marca Monte Rosa?

Os Viveiros Monterosa têm como a sua atividade principal a produção de plantas ornamentais, atividade que já dura há mais de 40 anos. O interesse pela produção de azeite só apareceu muito mais tarde (em 2006) e resulta da necessidade de converter um laranjal, que cultivávamos na quinta e que necessita de grandes quantidades de água por uma cultura com baixa manutenção e muito pouca o nenhuma de rega, como é o caso da oliveira ( a maioria dos olivais no mundo são de sequeiro).

Esse interesse foi crescendo com o passar do tempo e o grande desafio sempre foi produzir azeites de alta qualidade e com uma pegada ambiental o mais baixa possível.

 

Monterosa viveiros

 

Os vossos azeites são produzidos seguindo um rigoroso sistema de Produção Integrada que garante o respeito pelo ambiente . Em que consiste este método de produção?

A produção integrada é um sistema agrícola de produção de produtos agrícolas e géneros alimentícios de qualidade, baseado em boas práticas agrícolas, com gestão racional dos recursos naturais e privilegiando a utilização dos mecanismos de regulação natural em substituição de fatores de produção, contribuindo, deste modo, para uma agricultura sustentável.

No nosso caso em particular, adicionalmente fazemos toda a reciclagem dos resíduos que resultam desta atividade, transformando-os em sub produtos e desta forma adicionando valor a toda a cadeia de produção.

Um bom exemplo é o que fazemos com o bagaço da azeitona que resulta da extração do azeite ou seja toda a polpa e caroços das azeitonas. Nós compostamos o bagaço de azeitona e mais tarde este é utilizado como um adubo biológico 100% natural.

 

Têm um método de fabrico que remonta ao tempo dos romanos. Em que consiste? Qual a importância de manter este legado?

Nós temos um processo de extração que é um misto de tradicional e moderno. A maior parte dos lagares, hoje em dia, utiliza maquinaria e processos de produção modernos, no entanto independentemente do processo e maquinas que se usem, as etapas da linha de produção e extração do azeite continuam a ser as mesmas desde o tempo dos romanos.

Obviamente hoje em dia sabemos muito mais sobre este produto e temos um grau e frescura no azeite que os romanos não tinham nessa altura, mas sem o desenvolvimento que eles alcançaram não seria possível termos os azeites que temos hoje.

No nosso caso, continuamos a utilizar  um moinho de pedras de granito muito tradicional que está integrado na linha de extração em conjunto com as restantes máquinas.

 

monterosa azeites sustentáveis

 

Os vossos azeites têm vindo a ser premiados com várias distinções um pouco por todo o mundo. Qual o significado que tem para vocês estas distinções?

Como noutros produtos alimentares, e não só, os concursos internacionais são muito importantes para dar a conhecer as marcas a potenciais clientes e também ao consumidor final. Principalmente para os micro produtores e produtores artesanais, que têm como objetivo principal a qualidade do produto.

Este reconhecimento gera curiosidade e dá garantias de qualidade aos clientes e consumidores finais, principalmente se isso sucede ano após ano. Os nossos azeites têm sido premiados ano após ano em vários concursos internacionais, desde os Estados Unidos até ao Japão e Europa.

 

Quem é o vosso cliente? Como se carateriza? É maioritariamente nacional ou internacional? De que mercados?

Cerca de 75% da nossa produção anual destina-se á exportação, maioritariamente para os países do norte da Europa mas também pequenas quantidades para o Japão e Estados Unidos.

O restante fica em Portugal e pode ser encontrado em diversas casas especializadas em produtos alimentares gourmet na hotelaria e restauração também. Tipicamente o nosso cliente é um cliente que procura um produto de alta qualidade, muito benéfico para a sua saúde e com um baixo impacto ambiental.

 

O que mais valorizam os clientes nos vossos produtos?

Produzimos vários azeites mono varietais a partir de 5 variedades de azeitona diferentes e isso faz com a tenhamos uma gama muito abrangente em termos de aroma, sabor e intensidade. Penso que temos um azeite para cada pessoa e o seu gosto pessoal, seja ele um azeite suave e frutado ou um azeite intenso, amargo e picante. Tudo isto aliado a um grau de acidez máximo de 0,2% em toda a gama.

 

monterosa azeite maçanilha

 

Ser um produto “made in Portugal”, ou melhor “made in Algarve”, é valorizado?

Esse é um trabalho que ainda está muito no inicio. A “marca” Algarve é muito associada ao turismo, praia e golf pelo que no caso dos produtos alimentares ainda temos um longo caminho a percorrer na divulgação e reconhecimento da qualidade dos nossos produtos.

De salientar que recentemente a hotelaria e restauração do Algarve perceberam que os produtos regionais adicionariam valor ás suas ofertas e desta forma temos assistido a um aumento dos nossos produtos no setor, o que tem sido um fator muito positivo na divulgação e promoção dos produtos Algarvios junto dos que nos visitam.

Tipicamente nos produtos alimentares “made in Portugal” são associados a uma qualidade muito alta, mas relativamente difíceis de encontrar quando comparamos com outros países como é o caso da Espanha ou Itália.

 

Para lá os azeites, oferecem também experiências de degustação. Em que consistem?

Como estamos localizados numa zona turística, o nosso projecto de visitas guiadas ao olival foi quase uma inevitabilidade. Esta experiência é uma forma de dar a conhecer aos visitantes os nossos produtos e também de desmistificar alguns conceitos que muitas vezes são errados sobre o azeite.

A degustação é o culminar da visita e é dirigida pela nossa equipa de guias especializados em prova de azeite. Os clientes são conduzidos durante a degustação por forma a poderem identificar os diversos atributos dos azeites que estão a provar e assim identificarem qual é o perfil de azeite que mais gostam.

 

Onde podemos encontrar os azeites Monte Rosa à venda?

Podem encontrar os nossos azeites na nossa loja online; nos supermercados Apolónia no caso do Algarve bem como outras casas da especialidade e restaurantes; no Club del Gourmet do Corte Inglés em Lisboa e em Gaia; nas lojas A Vida Portuguesa entre outras.

 

 

Qual o vosso best-seller e que características tem este produto.

O nosso bestseller é o azeite Monterosa Premium Maçanilha. Este é o azeite que mais vendemos. É um azeite muito equilibrado, de intensidade média e feito com uma variedade de azeitona do Algarve chamada Maçanilha Algarvia.

Tem notas de erva fresca cortada; fruta madura e baunilha. Ideal para saltear legumes, numa salada de tomate e queijo fresco.

António Duarte

Comercial Monterosa

Tem várias formações profissionais em prova de azeite, a nível nacional e internacional. Em 2014 entrou para a empresa com o objetivo de desenvolver a parte comercial dos azeites Monterosa, no mercado nacional e internacional, paralelamente ao projeto turístico composto por visitas guiadas à quinta, workshops de prova de azeite, e desenvolvimento do branding da marca.

Nos tempos livres, as suas maiores paixões são as viagens e também os desportos náuticos, como é o caso do surf e kitesurf.

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Alojamento, localizado em Olhão

Este é o nosso segredo: uma casa de família que se abre ao turismo, numa terra quase desconhecida, virada para o mar, no coração do Parque Natural da Ria Formosa, eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal. Somos suspeitos se afirmarmos que da Casa Modesta se contempla o melhor despertar do Algarve… Daqui, assistimos à migração das aves, à prática dos mariscadores, à recolha do sal. E, todos os dias, nos espantamos com os pequenos milagres da natureza.

 

A Chegada

Fomos recebidos pelo Carlos Fernandes, um dos proprietários da Casa Modesta, que rapidamente nos demonstrou que o alojamento é modesto, mas somente de nome (de família). Sofisticação, história e natureza coabitam no espaço, inserido no Parque Natural da Ria Formosa, uma das Sete Maravilhas de Portugal, com uma vista irrepetível.

 

Na Casa Modesta sentimo-nos inspirados a mergulhar num Algarve diferente do que ficou mundialmente conhecido, que se resumia às praias.

 

Birdwatching, acompanhar mariscadores e ir a viveiros de ostras são apenas algumas das experiências disponíveis na Casa Modesta, onde se estende a preocupação de divulgar a história e cultura algarvia, mais especificamente do Sotavento e da Ria Formosa, ao uso dos produtos locais, quer nos materiais de construção quer nos alimentos cultivados e divulgados no espaço, através das refeições e workshops de cozinha algarvia. Contando sempre com o apoio direto e apaixonado da comunidade envolvente. Um exemplo a seguir, na vertente ambiental e social.

 

Casa Modesta, a história que conta e cria

A história da família e da própria Ria Formosa estão presentes logo à entrada, na sala onde se degustam pratos locais e se realizam workshops de gastronomia típica da Ria Formosa, através de fotos nas paredes, um forno antigo onde ainda se coze o pão ou uma cisterna convertida em garrafeira. No entanto, o que mais se destacou neste momento em que fomos recebidos foi o próprio Carlos Fernandes e a sua paixão pelo que nos contava. Poderia ter sido um privilégio de quem se dirigiu para fazer uma entrevista, mas rapidamente percebemos que não. Todos os hóspedes com que nos cruzámos trataram o Carlos, coproprietário, pelo nome próprio e trocaram breves palavras cúmplices, de quem foi recebido e segue acompanhado na estadia pelo próprio. E isto é o ambiente que se vive na Casa Modesta: familiar, cúmplice e sereno.

O tempo parece regido pelas marés, que o avô Joaquim Modesto de Brito, proprietário da casa na infância dos irmãos Carlos e Vânia, tão bem dominava. Ou não fosse um velho lobo do mar, que acolheu o trabalho e a família nesta casa, com a Ria Formosa a um palmo de olhar. Vista que ainda hoje cria um despertar único, que Vânia Fernandes, irmã do Carlos, tão bem soube explorar no projeto arquitetónico que deu origem à Casa Modesta. Os quartos são autênticas varandas sobre a ria, como o próprio Carlos nos refere: “A paisagem muda ao longo do dia, conforme as marés.” Oscila entre a predominância do azul na maré cheia e o amarelo dos sapais que formam o complexo lagunar da Ria Formosa na maré vazia.

 

 

Os materiais usados na recuperação da casa, onde o Carlos habitou até aos seus dezanove anos, foram todos locais, como barro de Santa Catarina, cal, cortiça e mesmo latão. Tendo as preocupações energéticas sido uma exigência logo na fase de concepção e obra, quando solicitaram e obtiveram a certificação energética A+, da Líder A. Recuperação de tradições locais, como a cabana de colmo, no centro do jardim, que relembra as habitações dos pescadores nas ilhas barreira da Ria Formosa, e que hoje permita uma leitura virada para a Ria, em harmonia com o ambiente, são alguns dos detalhes que fazem deste espaço único.

Questionado sobre o legado da Casa Modesta, Carlos Fernandes refere que se trata de uma casa de memórias de família, impossível de replicar noutro local, mesmo que o negócio corra cada vez melhor. E nós podemos constatar isso na paixão com que o Carlos nos contou que o seu avô, mariscador mas também construtor de barcos em madeira que pintava sempre de vermelho e amarelo, também desenhava. Os desenhos estão, inclusive, expostos na receção, com uma forte inspiração na ria, na faina e nas suas paisagens. O que nos permite mergulhar ainda mais na história da família e perceber porque motivo esta casa é irrepetível noutro local.

 

Existem características e históricas que fazem com que a Casa Modesta só possa existir aqui

 

Refere-nos Carlos, sem esconder o seu orgulho, paixão e respeito pelas tradições. Para isso, muito contribuem as experiências que envolvem a comunidade, como a experiência do mariscador – onde levam pessoas ao viveiro, ver a apanha da ameijoa, berbigão e ostras e como se cultiva o viveiro.

“Tratar de um viveiro é como tratar de uma horta e as pessoas ficam espantadíssimas. Temos que “plantar” as ostras para as “colhermos” depois. Não estamos a inventar experiências. Estamos a ir buscar experienciais reais que são ancestrais e trazem a autenticidade e vivencias locais”.

Outra das experiências são os workshops de gastronomia realizados por Sandra Patrão, chef e vizinha da Casa Modesta, que têm como objetivo não só dar a conhecer as iguarias locais como ensinar a fazê-las. Os pratos vão desde cataplana de marisco, ao litão, xarém, e ao famoso folar de camadas tão típico destas paragens por ocasião da Páscoa. Dos ingredientes destes e outros pratos fazem parte os produtos locais, como marisco, com destaque para os bivalves, como a ameijoa, peixe, laranjas ou amêndoas.

A Casa Modesta acaba por ser um ícone do Sotavento algarvio e que nos recorda que o Algarve tem mais para oferecer do que praia. Este local singular está em perfeita simbiose com a comunidade e dispõe ainda de uma ciclovia colada à ria, onde se experimenta e vive a natureza, respeitando-a e enaltecendo-a. Criando históricas e lembranças únicas, para quem a visita.

A Sustentabilidade integrada no Projeto

 

 

Vânia Fernandes, sócia e arquiteta responsável pelo projeto, conta com uma carreira ligada a projetos que têm uma forte vertente sustentável na sua génese, pelo que a ideia de incorporar a variável ambiental e sustentável num projeto tão pessoal esteve presente desde início, pensando cada detalhe. Um exemplo é a piscina, um antigo tanque, onde a água é tratada por pastilhas de hidrion, um sistema de ionização do cobre, que permite reutilizar a água para a rega das árvores de não fruto, o aproveitamento da luz natural algarvia para painéis solares que asseguram toda a eletricidade do alojamento e a reserva de um espaço para uma pequena horta biológica, onde apenas se plantam produtos locais, que são utilizados nas refeições do espaço. Além destes cuidados, também o plástico foi retirado do espaço, tendo sido estas preocupações reconhecidas internacionalmente, logo no ano de abertura, 2015, com um prémio do Condé Nast Johansen como melhor hotel ambiental. Somando a este prémio outros, como o Architizer, em que a Casa Modesta foi a escolha do júri para melhor hotel, no ano de 2017.

 

Os prémios ajudam a um maior reconhecimento internacional, que apoia na conquista de novos clientes, que cada vez mais se preocupam com a vertente sustentável do conceito na escolha do alojamento

 

Segundo o próprio Carlos, “os prémios ajudam a um maior reconhecimento internacional, que apoia na conquista de novos clientes”, que segundo nos conta o próprio “cada vez mais se preocupam com a vertente sustentável do conceito na escolha do alojamento, mas também com as experiências disponíveis, o que resulta numa cada vez menor sazonalidade e uma diversidade maior de turistas, como norte americanos, belgas, alemães e franceses”. Esta diversificação de públicos é, de resto, um dos grandes objetivos dos proprietários, e que se viu alavancado com o Coronavírus: levar a história do Algarve a cada vez mais pessoas, de diferentes regiões do globo, com a certeza que elas regressam. Temos tido essa prova, com famílias que já nos visitam há três anos seguidos.

Antes de abandonarmos o espaço – conscientes que um dia voltaremos, para um dos melhores despertares do Algarve -, tivemos oportunidade de falar sobre um reconhecimento que está logo à entrada, no portão. A certificação Green Key tem uma importância especial para o espaço, porque tratou-se de um processo de auditoria, que resultou nesta atribuição. Tudo foi avaliado, desde a capacidade de consciencializar para comportamentos mais sustentáveis, reduzir o impacto ambiental nas atividades comerciais até promover a redução e eficiência no consumo dos recursos naturais. Tendo a Casa Modesta passado em todos os pressupostos com distinção, neste reconhecimento mundial da responsabilidade da dinamarquesa Foundation for Environmental Education (FEE), que em Portugal é tutelado pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE).

Por tudo isto, não hesitamos em destacar a Casa Modesta como um exemplo, por demonstrar que a Sustentabilidade poderá não ser apenas um cuidado, mas sim uma fonte de rendimento.

As preocupações com o ambiente, mas também sociais de incluir a comunidade e tradições na vivência do espaço, resultaram num sucesso económico, que faz pensar em aumentar o espaço de alojamento, sem nunca colocar em causa o seu conceito e propósito.

Poderemos levar o nosso conceito a outros locais do Algarve e até do país, mas nunca replicando a Casa Modesta. Ela conta a história da nossa família e do local, não se adapta”, refere novamente Carlos Gonçalves na despedida. E isto, acrescentamos nós, é o que faz deste projeto um exemplo: autenticidade e respeito pelas tradições, natureza e comunidade.

Conheça este projeto único em: www.casamodesta.pt

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